Aristóteles de Ananias Jr.
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Nota: Se procura o álbum homônimo do grupo, veja Aristhóteles de Ananias Jr. (álbum).
| Aristóteles de Ananias Jr. | |
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O grupo em concerto no bar Porto de Elis. |
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| Informação geral | |
| Origem | Porto Alegre, RS |
| País | |
| Gêneros | Rock experimental Rock alternativo Rock psicodélico Rock gaúcho |
| Período em atividade | 1988–1996 |
| Gravadora(s) | Grenal Records |
| Afiliações | Graforréia Xilarmônica |
| Integrantes | |
| Marcelo Birck Chico Machado Pedro Porto Alexandre Birck Luciano Zanatta Diego Silveira Lawrence David Ricardo Frantz Thomas Dreher |
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| Ex-integrantes | |
| Ver: ex-integrantes abaixo | |
Aristóteles de Ananias Jr. (posteriormente escrita como Aristhóteles de Ananias Jr.) foi uma banda de Porto Alegre ativa na década de 1990. Criada em 1988 por Marcelo Birck (vocal, guitarra e compositor), incluindo em sua primeira formação Alexandre "Ograndi" Birck (bateria), Carlos Eduardo Miranda (teclado), Chico Machado (baixo e vocal) e Luciano Zanatta (saxofone alto), fazendo seu primeiro show no Bar Ocidente no mesmo ano.
Índice |
[editar] Trajetória
Surgida originalmente como um projeto paralelo à Graforréia Xilarmônica (da qual faziam parte Marcelo e Alexandre), tinha uma proposta informal de diversão ao mesmo tempo em que se aproveitavam espaços favoráveis a investigações sonoras. A princípio o projeto não possuía nenhuma intenção de continuidade, e os músicos eram convidados de acordo com as circunstâncias. Com tal proposta, foram realizadas apresentações esporádicas e com diversas formações.
Em 1991, no entanto, a formação consolidou-se com Marcelo Birck, Alexandre Birck, Chico Machado (colaborando também na criação de letras e músicas), Ricardo Frantz (que já havia participado de shows do grupo tocando violino) e Luciano Zanatta. A partir daí a proposta tornou-se mais definida, com repertório fixo, ensaios e shows regulares, mas continuava a ser a experimental, com Ricardo e Chico trazendo novos referenciais para a concepção visual dos cenários e figurinos e Chico Machado enfatizando o aspecto cênico em performances. Neste momento se realiza um show marcante desta fase, intitulado Mim Notauro, Você Jane, apresentado na Sala Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mário Quintana. Após várias aparições em bares da cidade, Alexandre deixou a banda, sendo substituído por Diego Silveira na bateria.
Em 1992 a banda gravou o programa Talentos do Sul, dividindo o palco do extinto Bar Porto de Elis com Os Replicantes. Veiculado no mesmo ano pela RBS TV, o show marcou a saída de Chico Machado do grupo. Em 1993, mesmo sem um baixista fixo, decidiram registrar o repertório em estúdio. Para esta gravação, Marcelo assumiu o baixo (além da guitarra e vocais), e em duas sessões começou a surgir o que viria a ser a demo tape do grupo. Durante o ano, novas composições foram gravadas, com Pedro Porto no baixo (também integrante da Ultramen), mais a participação especial de Arthur de Faria (vocais) e Carlo Pianta (baixo), ambos na faixa "Heavy".
A Demo Tape foi lançada em 1993, num show no bar Garagem Hermética. Com 20 faixas, inclui clássicos como: "Fúlvio Silas II", "Canibalismo Odara", "Grenal do Amor", "Bico de Pato" e "Saudades do Alegrete", entre outros. Nesta ocasião, consolidou-se a formação pela qual a banda ficou mais conhecida: Marcelo Birck, Ricardo Frantz, Pedro Porto, Luciano Zanatta e Diego Silveira. Na época, a movimentação em torno de produções independentes estava no auge, e a proposta inusitada chamou a atenção de vários veículos de comunicação do país.
Em 1995 participam da coletânea Segunda Sem Ley, (parceria do selo Banguela Records com a rádio 107.1), com produção de Egisto 2. Com a colaboração de Munir Klamt, a faixa Bico de Pato, virou um videoclip criado a partir da reciclagem de antigos filmes super-8, tendo sido veiculado com alguma regularidade pela MTV Brasil no verão de 1996.
Em 1996 saiu o primeiro e único disco, auto-intitulado Aristhóteles de Ananias Jr.[1], pela Grenal Records (selo da própria banda). Registrado em um período de transição da técnica de gravação analógica para a digital, as sessões de gravação basearam-se na experimentação de possibilidades. Se a princípio as condições técnicas não se mostraram muito favoráveis à proposta, o contato com Thomas Dreher, técnico de masterização do CD, foi fundamental para que o grupo pudesse, através dos meios computadorizados, vislumbrar novas possibilidades de manipulação e transformação do material sonoro. Desta forma a masterização, em geral um procedimento primariamente técnico, acabou se revelando um verdadeiro laboratório de pós-produção criativa. Thomas chegou mesmo a se tornar um integrante honorário do grupo, participando de gravações, shows e do clip Pagode Acebolado, extraído do CD e dirigido por Munir Klamt. Neste momento foi realizado um show com o repertório do CD no Programa Radar, exibido pela TV Educativa de Porto Alegre, com Alexandre reassumindo as baquetas.
A partir daí, ficou claro que todo um período havia se encerrado, e no qual várias tarefas haviam sido levadas a termo. Com novos objetivos e desafios se apresentando para cada um, a dissolução do grupo foi um processo natural. Em 1997, com a formação Marcelo Birck na guitarra e voz, Alexandre Birck na bateria, Thomas Dreher na guitarra e Lawrence David no baixo, ocorreu a última aparição do grupo em palcos, no festival Made in China, que teve lugar no Auditório Araújo Viana e do qual participaram também as bandas Repolho, Lovecraft, PogoBoll e Graforréia Xilarmônica, sendo que o ex-aristotélico Ricardo Frantz assinou, ao lado de André Severo, a produção visual do evento.
Antes de se dissolver definitivamente, porém, o grupo ainda gravou um jingle para a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, veiculado tanto em emissoras de rádio quanto em um comercial para a TV, exercitando todo o radicalismo sonoro que caracterizou suas atividades. Um desfecho totalmente de acordo com a proposta de descontextualização e investigações musicais que caracterizou as atividades da banda.
[editar] O trabalho musical
Suas apresentações se caracterizavam por um estilo performático, com cenários e figurinos inusitados criados pela banda, empregando materiais descartáveis e imaginário psicodélico, sempre com forte tendência ao non-sense e a referências extra-musicais. Além dos shows citados, destacam-se também vários no interior do RS (Pelotas, Santa Maria, Caxias do Sul, Livramento, São Lourenço e Passo Fundo, entre outras cidades) e na Capital, sendo marcantes a já citada temporada na Casa de Cultura Mario Quintana, as apresentações no Instituto de Artes da UFRGS, Porto de Elis, Bar do IAB-RS, Auditório Araújo Vianna, e Reitoria da UFRGS.
Sua produção, além do disco e da fita demo, inclui também dois filmes trash, realizados com a colaboração de Munir Klamt: Plano Espacial B (1995) e A Morte Veio de Marte (1996), além de diversos clips ("Canibalismo Odara", "Bico de Pato", "Freeway", "Saudades do Alegrete") e trabalhos em vídeo de características abstratas.
A sonoridade da banda pode ser definida como tendo uma base derivada do rock na década de 1960, sobre a qual são adicionados elementos de outras práticas musicais, como contraponto, atonalismo, ruidismo, incluindo alguns de outras matrizes pop e eventualmente regionalismos, além de empregar largamente o acaso, descontinuidades, desconstrução, politexturas e improviso. Apesar do estranhamento causado por tal combinação de influências, o grupo mostrou-se capaz de conquistar um público considerável. A composição Grenal do Amor batizou um evento esportivo promovido pela rádio 107.1, no qual músicos de várias tendências disputavam um Grenal (clássico do futebol gaúcho). Além disso, três clips foram veiculados pela MTV ("Bico de Pato", "Freeway" e "Canibalismo Odara"). Arthur de Faria, conhecido músico, compositor e pesquisador gaúcho, em sua extensa publicação Um Século de Música, enfocando a produção gaúcha, definiu o trabalho da banda como "a experiência musical mais radical feita em música popular nestas terras".
A banda foi um padrão de referência para outros músicos e grupos, influindo notadamente sobre o trabalho de Diego Medina, de Porto Alegre, e o da banda Repolho, de Chapecó, e em graus variados, das bandas porto-alegrenses Chumbo Grosso, Faskner, Relógios de Frederico, e Bidê ou Balde.
[editar] Formação
- 1991: Marcelo Birck, Alexandre Birck, Ricardo Frantz, Luciano Zanatta e Chico Machado
- 1993: Marcelo Birck, Diego Silveira, Ricardo Frantz, Luciano Zanatta e Pedro Porto
- 1996: Marcelo Birck, Alexandre Birck, Thomas Dreher e Lawrence David
[editar] Integrantes
- Marcelo Birck - vocal e guitarra
- Luciano Zanatta - saxofone alto e vocal
- Pedro Porto - baixo
- Alexandre "Ograndi" Birck - bateria
- Chico Machado - baixo
- Diego Silveira - bateria
- Lawrence David - vocal
- Ricardo Frantz - violino e vocal
- Thomas Dreher - baixo, teclado, bateria
[editar] Participações especiais
- Arthur de Faria - vocal
- Carlo Pianta - baixo
- Carlos Eduardo Miranda - teclado
- Demétrio Panarotto - saxofone alto
- Elaine Tomasi Freitas - arranjos
- Leandro Blessmann - guitarra e vocal
- Márcio Petracco - violino
- Plato Divorak - vocal
[editar] Discografia
[editar] EP
- Demo Tape (1993)
[editar] Álbum de estúdio
- Aristhóteles de Ananias Jr. (1996)
[editar] Videoclipes
- "Canibalismo Odara" (1994) com direção de Gilson Vargas
- "Bico de Pato" (1995) com direção de Marcelo Birck e Ricardo Frantz
- "Saudades do Alegrete" (1995) com direção de Munir Klamt, Ricardo Frantz e Marcelo Birck
- "Fúlvio Silas II" (1995) com direção de Munir Klamt
- "Freeway" (1995) com direção de Munir Klamt
- "Pagode Acebolado" (1997) com direção de Munir Klamt
[editar] Filmografia
- Projeto Espacial B (1995)
- A Morte Veio de Marte (1996)
[editar] Galeria
[editar] Ver também
Referências
[editar] Ligações externas