Boidae

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Jiboia, Boa constrictor.

Jiboia, Boa constrictor.
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Subreino: Metazoa
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Superclasse: Tetrapoda
Classe: Reptilia

Sauropsida

Subclasse: Diapsida
Superordem: Lepidosauria
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Infraordem: Alethinophidia
Parvordem: Afrophidia
Superfamília: Henophidia
Família: Boidae
Gray, 1825

Boidae é uma família de serpentes não peçonhentas encontradas nas Américas, na África, na Europa, na Ásia e em algumas Ilhas do Oceano Pacífico. Serpentes relativamente primitivas, os adultos têm tamanho médio a grande, sendo que as fêmeas geralmente são maiores que os machos. Duas subfamílias que compreendem oito gêneros e 43 espécies são reconhecidas atualmente. Os membros dessa família são chamados de Boídeos ou Boas, e são popularmente conhecidos como jibóias.[1] [2] Podem ultrapassar os quatro metros de comprimento e raramente, chegar a seis metros.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Como as pítons, as boas têm ossos alongados supratemporais. Os ossos quadrados também são alongados, mas não tanto, enquanto que ambos são capazes de mover-se livremente de modo que quando eles passam lateralmente para a sua máxima extensão, a distância entre as dobradiças da mandíbula é aumentada significativamente.[3]

Ambas as famílias partilham de um número de características primitivas. Quase todos têm uma mandíbula inferior relativamente rígida com um elemento de coronóide, bem como um cinto pélvico vestigial com membros posteriores que são parcialmente visíveis como um par de esporas, uma em cada lado da abertura. Nos machos, essas esporas anais são maiores e mais visíveis do que nas fêmeas. Uma longa fila de dentes palatais está presente e a maioria das espécies têm um pulmão esquerdo funcional que pode ser de até 75% maior que o pulmão direito.[3] [4]

As boas, no entanto, distinguem-se das pítons pelo fato de que nenhuma espécie possui ossos pós frontais ou dentes pré-maxilares, e que elas dão à luz filhotes vivos. Quando as fossetas loreais são presentes, estas situam-se entre as escalas em vez de sobre elas. Além disso, suas distribuições geográficas são quase inteiramente excludentes. Nas poucas áreas onde podem coexistir, a tendência é ocuparem diferentes habitats.[3]

Fóssil de Boavus idelmani, uma espécie extinta de boa

Costumava-se dizer que boas são encontrados na Novo Mundo e pítons na Velho Mundo, mas por existir espécies de boas presentes no Madagascar, nas Ilhas Fiji e nas Ilhas Salomão, essa afirmativa não é muito precisa; em vez disso, parece que elas sobreviveram em áreas evolutivamente isoladas. A América do Sul ficou isolada até alguns milhões de anos atrás, com uma fauna que incluiu marsupiais e outros mamíferos distintos. Com a formação dos istmo do Panamá, para a América do Norte, cerca de três milhões de anos atrás, as boas migraram para o norte como as serpentes da família Colubridae (assim como várias mamíferos neoárticos) que migraram para o sul, como parte do Grande Intercâmbio Americano.

Nomes populares[editar | editar código-fonte]

O nome dado pelo antigo idioma Tupi para essas serpentes era mbói, que na etmologia é denotado por nomes como jibóia e boitatá (esse último, um nome para a mítica Anaconda gigante do folclore brasileiro).

Distribuição Geográfica[editar | editar código-fonte]

Elas são encontradas no América do Norte Norte, no Centro e no Sul do continente Americano, no Caribe, no sudeste da Europa e da Ásia Menor, no Norte, no Centro e no Leste da África, no Madagascar e na Ilha da Reunião, na Península Arábica, no Centro e no sudoeste da Ásia, na Índia e no Sri Lanka, nas Ilhas Molucas e na Nova Guiné até a Melanésia e Samoa.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

A presa é morta por um processo conhecido como constrição; após um animal ser capturado, para contê-lo, a serpente enrola seu corpo várias vezes em volta do bicho. Em seguida, o ofídio aplica e mantém uma pressão suficiente para asfixiar a vítima, às vezes até para quebrar os seus ossos.

Espécimes maiores costumam comer animais do tamanho de um gato doméstico. Outras presas maiores, como capivaras e jacarés, são conhecidas para serpentes ainda maiores como a Sucuri-verde (Eunectes murinus). A presa é engolida inteira e pode levar dias ou até mesmo semanas para a digestão terminar. Apesar de seu tamanho intimidante e da sua potência muscular, eles geralmente não são perigosas para os seres humanos.

Ao contrário da crença popular, até mesmo as espécies maiores não esmagam suas presas até a morte; na verdade, a presa nem mesmo fica visivelmente deformada antes de ser ingerida. A velocidade com que os 'rolos' são aplicados é impressionante e a força exercida pode ser significativa, mas a morte é provocada principalmente pela asfixia da vítima, por ela não ser capaz de mover suas costelas para respirar enquanto está sendo apertada.[5] [6] [7]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A maioria das espécies da família Boidae é ovovípara, com as fêmeas dando à luz a uma vida livre. Esse é um contraste em relação à família das pítons, na qual todas botam ovos (ovíparos).

Subfamílias[editar | editar código-fonte]

Subfamília[1] Autor do Táxon[1] Gêneros[1] Espécies[1] Nome comum Alcance Geográfico[2]
Boinae Gray, 1825 5 28 Boas Verdadeiras América Central e América do Sul, África, Madagascar, Ilha da Reunião, Mauritius, Ilhas Maluku e Nova Guiné.
Erycinae Bonaparte, 1831 3 15 Boas do Velho Mundo Sul e sudeste da Europa, Ásia Menor, norte, centro, oeste e leste da África, Arábia, centro e sudoeste da Asia, India, Sri Lanka. Também no sudoeste do Canadá, no oeste dos Estados Unidos e no noroete do México.

Gênero tipo = Boa - Gray, 1825[2]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

As Pítons foram algumas vezes classificadas como uma subfamília da Boidae, a Pythoninae, mas atualmente se concorda que elas constituem uma família própria, a Pythonidae. Da mesma maneira, as boas de ambientes arenosos do Velho Mundo (a subfamília Erycinae), são frequentemente listadas em uma família própria, a Erycidae. Além disso, estudos morfológicos colocaram a subfamília Ungaliophiinae na família Tropidophiidae, ao passo que todas as análises moleculares colocavam-na como grupo próximo ao gênero Charina da família Boidae.

Referências

  1. a b c d e Boidae (TSN 174321) (em inglês) . Integrated Taxonomic Information System (www.itis.gov)
  2. a b c McDiarmid RW, Campbell JA, Touré T. 1999. Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, vol. 1. Herpetologists' League. 511 pp. ISBN 1-893777-00-6 (series). ISBN 1-893777-01-4 (volume).
  3. a b c Parker HW, Grandison AGC. 1977. Snakes -- a natural history. Second Edition. British Museum (Natural History) and Cornell University Press. 108 pp. 16 plates. LCCCN 76-54625. ISBN 0-8014-1095-9 (cloth), ISBN 0-8014-9164-9 (paper).
  4. Boidae at VMNH. Accessed 15 July 2008.
  5. Mehrtens JM. Living Snakes of the World in Color. New York: Sterling Publishers, 1987. ISBN 0-8069-6460-X.
  6. Stidworthy J. Snakes of the World. [S.l.]: Grosset & Dunlap, 1974. ISBN 0-448-11856-4.
  7. Carr, Archie Fairly. The Reptiles. New York: Time, 1963.
Wikispecies
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