Breu Branco

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Município de Breu Branco
"Breu"
Praça Onofre Bilek

Praça Onofre Bilek
Bandeira de Breu Branco
Brasão de Breu Branco
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 13 de dezembro
Fundação 1907 (107 anos)
Emancipação 13 de dezembro de 1991 (22 anos)
Gentílico breuense
Lema Uma Estrela que floresce no coração da Amazônia
Prefeito(a) Adimilson Luis Mezzomo[1] (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Breu Branco
Localização de Breu Branco no Pará
Breu Branco está localizado em: Brasil
Breu Branco
Localização de Breu Branco no Brasil
03° 46' 44" S 49° 34' 03" O03° 46' 44" S 49° 34' 03" O
Unidade federativa  Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008[2]
Microrregião Tucuruí IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Norte: Baião, Moju e Tailândia; Leste: Ipixuna do Pará e Goianésia do Pará; Sul: Goianésia do Pará; Oeste: Tucuruí
Distância até a capital 419 km
Características geográficas
Área 3 943,171 km² [3]
População 55 521 hab. IBGE/2012[4]
Densidade 14,08 hab./km²
Altitude 111 m
Clima Tropical semi-úmido (Aw/As)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,568 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 514 693,182 mil IDESP/2010[6]
PIB per capita R$ 9 804,24 IDESP/2010[6]
Página oficial

Breu Branco é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se a uma latitude 04º04'04" sul e a uma longitude 49º38'13" oeste, estando a uma altitude de 111 metros. Sua população conforme estimativa do IBGE/2012 é de 55 521 habitantes. Possui uma área de 3.941,913 km².

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome Breu Branco teve sua origem na abundância de uma árvore chamada Faveira, que havia nas proximidades do assentamento original de Breu Branco (atualmente submerso). Desta árvore se extraía um líquido branco que com o passar do tempo adquiria a consistência do breu, tornando se uma resina.[7]

História[editar | editar código-fonte]

O surgimento do atual município de Breu Branco relaciona-se com a construção da hidroelétrica de Tucuruí. Existente como vilarejo desde a década de 1900, ganhou a configuração atual no ano de 1980, quando foram remanejados os habitantes do antigo vilarejo. O assentamento do "Breu Velho" (como é popularmente chamada a antiga vila de Breu Branco) foi submerso pelo lago da hidroelétrica.[8]

O Breu Velho localizava-se entre a antiga vila de Jatobal (também submersa pelo lago) e a cidade de Tucuruí. Era um povoado com aproximadamente 400 casas construídas em terrenos arenosos e no estilo palafita. Seus moradores comercializavam principalmente a castanha-do-brasil, que abastecia tanto o mercado interno quanto o externo. A produção era escoada principalmente pela Ferrovia Tocantins e logo depois pelo rio Tocantins.[8]

Colonização[editar | editar código-fonte]

A colonização da antiga vila de Breu Branco iniciou-se com a construção da Estrada de Ferro Tocantins (EFT). Esta ferrovia foi construída para transpor os trechos com corredeiras e cachoeiras do rio Tocantins (corredeiras do Itaboca) entre Marabá e Alcobaça (atual Tucuruí), fazendo o transporte de passageiros e cargas de caucho e castanha-do-brasil.[9]

Em 1905 foram iniciadas as obras desta ferrovia, e em 1907 a ferrovia alcançava a área de Breu Velho. Foi montado um canteiro de obras no local. Foi deste canteiro de obras, que servia como acampamento base para as obras de extensão e manutenção da ferrovia, que surgiu a vila de Breu Velho.[10] Com a conclusão do primeiro trecho da ferrovia, e o início das operações desta em 1908,[9] Breu Velho ganha destaque como entreposto logístico.[11] Vários imigrantes maranhenses e goianos dirigiram-se para a vila de trabalhadores da ferrovia (canteiro de obras), e instalaram-se nesta à procura de oportunidades econômicas. Os imigrantes que se dirigiam para a vila, desenvolveram atividades extrativistas (extração de castanha e caucho), de transporte, e de comércio.[12]

Declaração de Marabá (1908)[editar | editar código-fonte]

A recém-formada vila de Breu Velho acabou envolvendo-se nos acontecimentos que levaram a anexação do sudeste do Pará ao estado do Goiás em 1908. Os líderes do vilarejo se uniram aos líderes de Marabá, Conceição do Araguaya e Alcobaça na declaração de emancipação e desligamento formulada em 1808 e protocolada junto ao parlamento goiano. O episódio ocorreu em meio aos conflitos que ocorriam no meio norte brasileiro desde 1907, a segunda revolta de Boa Vista.[13]

O governo goiano reconheceu o documento da "declaração de Marabá", e formalmente anexou a região ao seu estado. Desta forma entre 1908 e 1909 a região permaneceu em litígio, sendo sua posse disputada Grão-Pará e pelo Goiás. O episódio quase desencadeou uma guerra civil na região. A consequência de tais acontecimentos refletiu na organização política da região, que até então era insipiente.[14]

A intenção de Breu Velho para com a proposta de anexação ao Goiás, era a elevação da povoação à categoria de cidade, desligando-se de Baião, que nenhuma assistência fornecia a vila.

Como parte dos acontecimentos, em 1910 os líderes de Breu Velho formularam uma proposta conjunta com os líderes dos principais vilarejos da época (Marabá, Conceição do Araguaya, São João do Araguaya e Alcobaça), de emancipação da região formando uma nova entidade política estadual, o estado do Itacaiúnas. Esta proposta é a precursora do atual projeto do estado do Carajás.[13]

Paralisação da ferrovia[editar | editar código-fonte]

As obras da ferrovia prosseguiram, com Breu Velho servindo como dormitório e posto de referência para os operários. A vila beneficiou-se sobremaneira com isto, e tornou-se um dos principais centros urbanos da região. Desenvolviam-se atividades comerciais, agrícolas e logísticas diversas, para dar suporte às obras da ferrovia.[15]

Em novembro de 1916 a ferrovia alcançou 82 quilômetros de extensão, chegando a praia da Rainha, paralisando suas obras logo depois.[9] A paralisação afetou economicamente a vila, que já em 1920 resumia-se a uma pequena comunidade de pescadores e extratores de castanha.[15]

Da década de 1930 a 1973[editar | editar código-fonte]

Em 1932, com a boom da extração da castanha em Marabá e São João, o governo retoma as obras da ferrovia, fazendo primeiramente a manutenção dos trilhos. Breu Velho praticamente ressurgiu com esta nova etapa de expansão da EFT.[9]

Em 1939 a manutenção e restauração dos trilhos é concluída, iniciando-se logo após a ampliação da ferrovia. Em 1944 a ferrovia é finalmente concluída, alcançando 118 km ligando Alcobaça (Tucuruí) a Jatobal. Breu Velho sediava uma das estações da EFT.[9]

Breu se destacava neste período, pois era ao mesmo tempo uma das estações da EFT e o único porto fluvial entre as estações de Tucuruí e Jatobal. Além de entreposto logístico, Breu também concentrava um importante centro comercial entre as vilas de Mestre Leopoldino e Pucuruí, suprindo de produtos agrícolas e extrativistas toda a região.[16]

O decreto de 1969, que determinava a extinção da EFT,[9] representou um duro golpe à vila de Breu Velho. A ferrovia era o principal meio de ligação da vila com os restante do território nacional, além de ser vital para a vida econômica, política e social da população. Em 1973, o trem de passageiros fez a última viagem pela EFT, encerrando definitivamente as operações da ferrovia.

A desativação da EFT mergulhou Breu em uma grande crise econômica. O vilarejo perdeu boa parte de sua população, e sua importância regional praticamente desapareceu.

Desativação do antigo vilarejo[editar | editar código-fonte]

Centro de Breu Branco.

As grandes obras de integração da Amazônia, formuladas desde a década de 1970 foram responsáveis pela configuração atual de Breu Branco. Neste período o sudeste do Pará estava todo envolvido no Projeto Grande Carajás, que dentre outras coisas previa a construção de uma hidroelétrica no rio Tocantins para dar suporte às grandes estruturas minerais que eram montadas na região.[8]

Por volta de 1976, a Rhodia e a Sondotec iniciaram pesquisas de solo em Breu Branco, ao mesmo tempo em que a firma Engevix (empreiteira da Eletronorte) fazia o cadastro patrimonial das famílias da localidade. Breu seria completamente afetada pela construção da hidroelétrica, pois, conforme os estudos técnicos, seu assentamento seria totalmente inundado para dar lugar ao lago da usina.[17]

O governo federal, por intermédio da Eletronorte, ofertou dois sítios para que a população da antiga vila escolhesse onde deveria ser construída a nova vila de Breu Branco. O primeiro sítio situava-se no entroncamento rodoviário da PA-150 com a PA-263, onde atualmente está localizada a cidade de Goianésia. O segundo sítio, escolhido pela maioria dos habitantes de Breu Velho, localizava-se às margens da PA-263, a 12 km da Central Hidroelétrica de Tucuruí, e a 27 km do centro a cidade de Tucuruí.[17]

O processo de transferência das famílias, iniciado em 1980, foi lento e conflituoso. O governo planejava a mudança imediata dos habitantes de Breu Velho, mas os últimos condicionavam a transferência à construção de toda a infraestrutura urbana necessária na nova vila. Em relação aos 21 alqueires de terra prometidos a cada família de Breu Velho, quando a transferência dos moradores foi concluída em 1981, somente 10 alqueires foram disponibilizados.[17]

Década de 1980 – 2010[editar | editar código-fonte]

Após o estabelecimento da nova vila de Breu Branco, muito imigrantes do Goiás, de Minas Gerais, Maranhão, Piauí, e de outras regiões do sudeste, sul e nordeste do Brasil foram atraídos e convidados pelo governo federal para estabelecerem-se na localidade. Terras foram doadas e uma extensa colonização agropecuária teve lugar no entorno de Breu Branco. Em pouco tempo, a vila com pouco mais de 1000 habitantes cresceu demograficamente, e registrou já no final da década de 1980 mais de 11000 habitantes estabelecidos.[8]

Em 1985 a Associação Comunitária da nova vila de Breu Branco formou a "Comissão de Emancipação de Breu Branco". Com as conversações iniciadas, em 1987 Breu Branco e as vilas adjacentes formularam um abaixo-assinado e colheram assinaturas. Rapidamente alcançando o número de assinaturas proposto, enviaram a petição para a Assembleia Legislativa estadual.[17]

Proximidades do terminal rodoviário de Breu Branco.

Ficou definido a realização de um plebiscito acerca da emancipação, que ocorreu no dia 28 de abril de 1991. No escrutínio 92% dos eleitores que compareceram às urnas manifestaram-se a favor da emancipação. O município foi criado oficialmente pela lei n° 163/91 de 29 de outubro de 1991 com área desmembrada de Tucuruí, Rondon do Pará e Moju.[17]

Nas eleições de 3 de outubro de 1992 a população do município elegeu seu primeiro prefeito, Antônio Barreirinhas, que tomou posse, assim como o primeiro vice-prefeito e a primeira composição do legislativo municipal, em 1° de janeiro de 1993.[17]

Durante as décadas de 1990 e 2000 as atividades econômicas ligadas a agropecuária cresceram vertiginosamente no município. Entretanto, as atividades ligadas à extração e ao beneficiamento de madeira, que foram o grande sustentáculo econômico local durante a década de 1980, praticamente se extinguiram a partir de meados da década de 1990, com o maior rigor da legislação ambiental brasileira, e com a própria exaustão dos recursos vegetais na região.[18]

Em 1988 Breu Branco passou a sediar a única usina de silício da região Norte do Brasil, a Dow Corning Metais.[19] Paralelo a esta unidade fabril, diversas outras empresas instalaram-se em Breu Branco, formando um pequeno parque industrial e agroindustrial no entorno da cidade. Breu Branco sofreu um verdadeiro boom econômico durante estas duas décadas.

Fatos recentes[editar | editar código-fonte]

Em 2011 Breu Branco participou ativamente com todo o sudeste do Pará, da consulta plebiscitária que definiu sobre a divisão do estado do Pará. Desde a sua fundação Breu Branco insere-se como parte da proposta do estado do Carajás, tanto que o município é filiado aos dois principais organismos de luta pela causa na região, a "Comissão Brandão" e a "AMAT Carajás".[20]

Embora a expressiva votação favorável no plebiscito em Breu Branco, tendo alcançado entre a população local mais de 90% de aprovação pela criação do estado do Carajás,[21] o peso da região de Belém se fez maior, e se sobrepôs ao anseio local. Entretanto, mesmo com a derrota na votação, o município continua, juntamente com a região, a pleitear a separação para criação do estado do Carajás.[22]

Economia[editar | editar código-fonte]

Destacam-se os setores extrativistas mineral (com grande reserva de minério de quartzo que sustenta a Siderúrgica local da "Dow Corning", que é uma gigante americana do "Vale do Silício"), além de grande reserva de areia e seixo que abastece também os municípios vizinhos; e vegetal, sendo que o extrativismo vegetal está em franca decadência por depender de florestas primárias nativas, hoje quase totalmente dizimadas.

A agricultura, a pecuária extensiva, a pesca e o turismo complementam a base econômica do município, que conta também com um comércio diversificado (supermercados, farmácias, lojas de eletrodomésticos, de informática, material de construção, auto peças,vestuário, entre outras). Na área de serviços conta com uma agência do Banco do Brasil, correspondentes bancários do Bradesco e da Caixa Econômica Federal, uma casa lotérica, estabelecimentos de ensino fundamental e médio, e saúde com atendimento de baixa complexidade. Tudo isso tem colocado o Município entre os maiores vinte PIB's do estado do Pará.[carece de fontes?]

Referências

  1. Eleições 2012: confira quais foram os prefeitos eleitos na região do Carajás Jornal do Zedudu.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de Referência em 1º de julho de 2012 Estimativa Populacional para 2012. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2012). Página visitada em 16 de janeiro de 2013.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 21 de setembro de 2013.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios do estado do Pará - 2010 Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Página visitada em 13 de março de 2012.
  7. Dados Gerais Prefeitura de Breu Branco.
  8. a b c d Eletrobrás. Hidreletricidade e desenvolvimento: Os impactos positivos de Belo Monte para as comunidades de seu entorno. 17 - Revista Sistema Eletrobras ed. [S.l.]: Famma Gráfica & Editora, 2011.
  9. a b c d e f Ferrovias da Amazônia: Estrada de Ferro Tocantins VFCO Brazilia.
  10. Estatistica das Estradas de Ferro da União e das Fiscalizadas pela União Relativa Ao Anno de 1908 Internet Archive.
  11. Ministerial Reports (1821-1960): Agricultura Center for Research Libraries.
  12. Archivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro: Plantes nourelles ou peu conimes de la région amazonienne Internet Archive.
  13. a b História Portal Estado do Carajás. Página visitada em 13 de setembro de 2011.
  14. RIBEIRO, Laércio. . "Agora é Carajás". Foco Carajás (7): 60. Página visitada em 18 de setembro de 2011.
  15. a b FAUSTO, Carlos. Inimigos fiéis: história, guerra e xamanismo na Amazônia. São Paulo: EdUSP, 2001.
  16. Ferrovias do Brasil 1970: Estrada de Ferro Tocantins VCFO Brazília.
  17. a b c d e f Governo do estado do Pará; SUDAM. Breu Branco. Belém: SEPLAN, 1993.
  18. CASTRO, Edna Ramos de. Estudo Socioeconômico dos municípios da região de Tucuruí. 258 ed. Belém: Editora NAEA, 2010.
  19. A produtora de silício metálico participa do maior evento do setor mineral da Amazônia Dow Corning Corporation.
  20. Sessões marcam a luta pelo Estado de Carajás Agora Press.
  21. Resultado do plebiscito por município - Carajás Camaléo.
  22. Apenas 4 cidades que integrariam Tapajós votaram contra divisão do PA G1.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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