Chamado de Cthulhu

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Chamado de Cthulhu é um RPG de horror ficcional baseado no conto de mesmo nome escrito por H.P. Lovecraft e os então chamados Cthulhu Mythos, também inspirados no conto. O jogo, frequentemente abreviado como CoC, é publicado pela Chaosium[1] .

No Brasil ele está em financiamento coletivo no Catarse[2] para ser publicado pela editora Terra Incognita. O projeto de financiamento foi iniciado no Dia das Bruxas (31-Out-2013), e deve encerrar no dia de Natal (25-Dez-2013). A empresa arrecadou 50% da meta necessária para realizar o projeto em apenas duas semanas, de um total de 55 dias para financiar. O projeto já é considerado como realizado, dado o amplo tempo ainda disponível para arrecadação. Conforme informado no site do projeto, se financiado o jogo deve ser publicado em Abril de 2014. A edição a ser publica é a sexta, usado o texto da edição de 20º aniversário[3] .

Origens[editar | editar código-fonte]

A concepção original do RPG de Chamado de Cthulhu se deu através de um projeto chamado Dark Worlds, jogo encomendado pela editora Chaosium, mas que nunca chegou a ser publicado. Posteriormente, Sandy Petersen, então conhecido por seu trabalho no jogo de computador Doom, entrou em contato com a editora, oferecendo-se para escrever um suplemento para seu popular jogo de fantasia RuneQuest, baseado nas Dreamlands de Lovecraft. Ele assumiu a redação de Chamado de Cthulhu, e o jogo foi lançado em 1981, utilizando uma versão simplificada do sistema utilizado em RuneQuest. O jogo ganhou três importantes prêmios no ano seguinte (v. Recepção, a seguir)[4] .

Cenário[editar | editar código-fonte]

O cenário de Chamado de Cthulhu é uma versão sombria do nosso mundo, baseada na observação de H. P. Lovecraft de que "A mais antiga e forte emoção do ser humano é o medo, e o tipo mais forte de medo é o medo do desconhecido"[5] . Estas são as três eras primárias do jogo original: os anos 1920, cenário de vários contos de Lovecraft; os anos 1890, numa mistura de ocultismo e de mistério nos moldes de Sherlock Holmes, ambientado principalmente na Inglaterra[6] ; e conspiração moderna[7] . Adições recentes incluem os anos 1000 d.C.[8] , o Século 23[9] e a época da Roma Antiga[10] . O protagonista também poderá viajar por lugares que não existem neste mundo, representados na Terra dos Sonhos, que pode ser acessada tanto através dos sonhos quanto por conexões físicas com a Terra (inspirado no romance A Procura de Kadath[11] ); bem como viajar por outros planetas no espaço sideral (uma constante nos contos de H. P Lovecraft).

Experiência de jogo[editar | editar código-fonte]

Os jogadores interpretam pessoas comuns que, de repente, são lançadas em um reino de mistérios: detetives, criminalistas, estudiosos, artistas, veteranos de guerra, etc. Com frequência os acontecimentos começam inocentemente até que, gradualmente, os segredos ocultos e aterrorizantes vão sendo revelados. Conforme os personagens aprendem mais dos verdadeiros horrores do mundo e da irrelevância da humanidade, sua sanidade (representado pelo atributo Sanity Points, abreviadamente SAN) inevitavelmente se esvai, com efeitos em jogo. O jogo inclui um mecanismo para determinar o quão mentalmente danificado um personagem está em determinado momento, pois encontrar seres horríveis geralmente provoca a perda de pontos de SAN. Além disso, para obter as ferramentas necessárias para derrotar os horrores - o conhecimento místico e mágico - os personagens devem estar dispostos a abrir mão de alguma parte de sua sanidade[12] .

Chamado de Cthulhu tem a reputação de ser um jogo em que é bastante comum um personagem morrer em circunstâncias horríveis ou acabar em uma instituição para tratamento mental. Ao contrário da maioria dos jogos role-playing, o eventual triunfo dos jogadores não é esperado neste jogo[13] .

Regras[editar | editar código-fonte]

Chamado de Cthulhu utiliza o mesmo sistema de regras básico de outros cenários da Chaosium. Essencialmente é o mesmo sistema do Basic Roleplaying, mas com pequenas diferenças. A mais fundamental é que enquanto permanecem funcionalmente saudáveis e sãos, os personagens crescem e se desenvolvem. No entanto, Chamado de Cthulhu (e outros sistemas d100[14] ) não faz uso do conceito de níveis de personagem, baseando-se completamente nas perícias (em porcentagens, usando dois dados de 10 faces), que se desenvolvem a medida que o personagem as utiliza com sucesso[15] .

Recepção[editar | editar código-fonte]

O jogo venceu diversas das maiores premiações da área ao longo dos anos[16] :

  • 1981, Game Designer's Guild, Select Award
  • 1982, Origins Awards, Best Role Playing Game
  • 1985, Games Day Award, Best Role Playing Game
  • 1986, Games Day Award, Best Contemporary Role Playing Game
  • 1987, Games Day Award, Best Other Role Playing Game
  • 1993, Leeds Wargame Club, Best Role Playing Game
  • 1994, Gamer's Choice Award, Hall of Fame
  • 1995, Origins Award, Hall of Fame
  • 2001, Origins Award, Best Graphic Presentation of a Book Product (Chamado de Cthulhu 20th anniversary edition)
  • 2003, GamingReport.com, o mais votado como Number One Gothic/Horror RPG

Referências

  1. Cook, Monte. In: James Lowder. Hobby Games: The 100 Best (em inglês). [S.l.]: Green Ronin Publishing, 2007. 400 pp. p. 42–45. ISBN 978-1-932442-96-0
  2. Catarse.me - site de financiamento coletivo de projetos diversos.
  3. Terra Incognita. Chamado de Cthulhu: Um projeto de Jogos por Editora Terra Incognita (em português) Catarse.me. Página visitada em 15 Novembro 2013.
  4. Turnbull, Don. (Agosto 1982). "Open Box: Call of Cthulhu". White Dwarf Magazine (32): 18.
  5. H. P. Lovecraft (1927). Supernatural Horror in Literature (em inglês). Página visitada em 15 Novembro 2013. A última revisão do texto digital é de 20-Out-2009, mas a obra foi escrita entre Novembro de 1925 e Maio de 1927, revisada entre 1933–1934. Foi publicada pela primeira vez em 1927 na revista The Recluse (edição única).
  6. Barton, William; Kevin Ross. Cthulhu by Gaslight: Horror Roleplaying in 1890s England (em inglês). 3rd ed. [S.l.]: Chaosium, 2012. ISBN 978-1-568823-55-3
  7. Barton, William; et. al.. Cthulhu Now: Modern Firearms, Forensics, and Occupations, Plus Four Modern Roleplaying Adventures (em inglês). [S.l.]: Chaosium, 1987. ISBN 0-933635-47-8
  8. Gesbert, Stéphane; et. al.. Cthulhu Dark Ages (em inglês). [S.l.]: Chaosium, 2004. 176 pp. ISBN 1-56882-171-9
  9. Ossoway, John. Cthulhu Rising: Chamado de Cthulhu Roleplaying in the 23rd Century (em inglês). [S.l.]: Chaosium, 2005. 62 pp. ISBN 1-56882-263-4
  10. Bowser, Chad; et. al.. Cthulhu Invictus: A Sourcebook for Ancient Rome (em inglês). [S.l.]: Chaosium, 2009. 168 pp. ISBN 978-1-56882-305-8
  11. Lovecraft, Howard Phillips. A Procura de Kadath (em português). [S.l.]: Iluminuras, 1998. 222 pp.
  12. Petersen, Sandy; Lynn Willis. Call of Cthulhu: Horror Roleplaying (em inglês). 6th ed. [S.l.]: Chaosium, 2005. Capítulo: Game System, Sanity and Insanity. , p. 75-88. ISBN 1-56882-181-6
  13. Petersen, Sandy; Lynn Willis. Call of Cthulhu: Horror Roleplaying (em inglês). 6th ed. [S.l.]: Chaosium, 2005. Capítulo: Game System, Introduction. , p. 24-28. ISBN 1-56882-181-6
  14. Basic Roleplaying, RuneQuest, OpenQuest, G.O.R.E. e Legend, entre outros, são todos sistemas derivados do jogo original, o RuneQuest, também da Chaosium, e usam o mesmo sistema, com modificações próprias. No Brasil, um sistema fortemente inspirado nessas regras é o Sistema Daemon (com suas próprias inovações também).
  15. Petersen, Sandy; Lynn Willis. Call of Cthulhu: Horror Roleplaying (em inglês). 6th ed. [S.l.]: Chaosium, 2005. 320 pp. ISBN 1-56882-181-6
  16. Chaosium. Chaosium awards (em inglês). Página visitada em 15 Novembro 2013.
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