Ciência do Antigo Egito

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A ciência do antigo Egipto goza de grande prestígio desde tempos remotos. É enormemente significativo o alto nível que esta civilização desenvolveu, bem como a amplitude de conhecimentos que chegaram a dominar.

A tradição, diz que os homens sábios da Grécia Antiga iam até ao Egipto para aprender, onde existia uma ciência venerável e um elevado nível de conhecimento cientifico, ainda que, algumas vezes, misturada com praticas mágicas.

Obelisco de Tutmósis III, em Karnak

Matemática [1] [editar | editar código-fonte]

(O olho de Horus) Udyat: hieróglifos dos primeiros números racionais

Entre todos os ramos da ciência que desenvolveram, o mais avançado foi a matemática. No papiro Rhind vemos como chegaram a dominar a soma, a subtração, a multiplicação e a divisão, sem necessidade de memorizar tabelas de multiplicação, resolver equações com uma incógnita e solucionar problemas práticos bastante complexos. O chamado Teorema de Pitágoras tem o seu precedente no Egito[2] .

Geometria[editar | editar código-fonte]

A necessidade de voltar a marcar os limites dos terrenos ao baixar o nível das águas do Nilo, depois das inundações anuais, impulsionou o desenvolvimento da geometria e dos instrumentos de medição para o cálculo de áreas, volumes e até mesmo do tempo.

Codo e peças egípcias. (Museu do Louvre, Paris)

Unidades de comprimento[editar | editar código-fonte]

A unidade de comprimento mais usada foi o côvado, que é a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio de uma pessoa. Durante a terceira dinastia esta medida, de 52,3 cm, recebeu o nome de côvado real. Dividia-se em medidas inferiores, como o palmo e o dedo.

Os escribas[editar | editar código-fonte]

Os escribas, funcionários do antigo Egipto, recebiam aulas de cálculo e escrita, eram pessoas instruídas e cultas. Registavam o nível do rio Nilo (nilometros), a produção das colheitas e o seu armazenamento, realizavam censos de população e gado, registos de importação e exportação, etc.

Arquitectura[editar | editar código-fonte]

Os arquitectos reais, com seus conhecimentos de física e geometria, erigiram edificações monumentais e organizaram o trabalho de grandes grupos de artistas, artesãos e trabalhadores. A escultura, o transporte desde os canteiros do Assuão e a colocação de pesados obeliscos monolíticos de granito ou colossais estátuas implicava um alto nível de conhecimentos. A única das sete maravilhas do mundo que ainda perdura, a pirâmide de Quéops, é um bom exemplo do grau de aperfeiçoamento alcançado nas ciências aplicadas.

Medicina [3] [editar | editar código-fonte]

Os médicos, sunu "os homens dos que sofrem ou estão enfermos", eram educados em escolas especiais, as casas da vida, como as de Saís e Heliópolis. A medicina era gratuita e estava vinculada aos templos.

Os médicos egípcios classificaram as enfermidades em: as de causas manifestas, como os traumatismos, e as de causas desconhecidas, atribuídas aos deuses ou a espíritos malignos.

A higiene dos médicos e da medicina egípcia, o banho, o asseio e a boa apresentação do médico, era levada muito em conta pelos pacientes e pelo governo.

O deus da medicina egípcia, Imhotep, foi um personagem real divinizado da terceira dinastia. Crê-se que Hesyra, que viveu em cerca de 3000 a. C., era o médico mais antigo conhecido.

No templo ptolemaico de Kom Ombo está gravado um instrumental médico da época.

Química[editar | editar código-fonte]

A alquimia egípcia é conhecida principalmente através dos escritos de antigos filósofos gregos, que por sua vez sobreviveram, frequentemente, apenas em traduções islâmicas. Praticamente não existe nenhum documento egípcio original sobre alquimia. Estes escritos, se existiram, provavelmente perderam-se quando o imperador Diocleciano ordenou a queima de livros de alquimia [4] após eliminar uma revolta em Alexandria (292), que havia sido um centro de alquimia e ciência.

Não obstante, recentes expedições arqueológicas terem desenterrado evidencias de análises químicas durante os períodos Naqada. Por exemplo, o processo de curtir peles animais já era conhecido no VI milênio a. C., possivelmente descoberto por acidente.

Outras evidências indicam claramente que os primitivos alquimistas do antigo Egipto haviam inventado a argamassa de cal já em 4000 a. C. e o vidro em 1500 a. C., e fabricavam-se cosméticos, faiança e também pez para a construção naval. O papiro também tinha sido inventado em 3000 a. C.

Um dos alquimistas egípcios mais famosos era Marik Alu-Kurard. Chamavam-no sobretudo para fabricar pedras e foi o primeiro a propor a ideia da pedra filosofal, o que se relata em fragmentos de escritos encontrados na tumba do rei Tutancâmon.


Referências[editar | editar código-fonte]


Ligações externas[editar | editar código-fonte]