Diabetes mellitus tipo 1

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Diabetes mellitus tipo 1
Símbolo universal da diabetes.
Classificação e recursos externos
CID-10 E10
CID-9 250.x1, 250.x3
OMIM 222100
DiseasesDB 3649
MedlinePlus 000305
eMedicine med/546
MeSH D003922
Star of life caution.svg Aviso médico
Veja o artigo diabetes mellitus para maiores informações gerais sobre diabetes

Diabetes mellitus tipo 1 é uma disfunção metabólica e uma das formas de diabetes mellitus. É uma doença auto-imune que resulta em destruição das células beta do pâncreas, as quais produzem insulina.

O Diabetes mellitus tipo 1 acomete aproximadamente de 5-10% da população de diabéticos. Sua incidência varia de acordo com a geografia, sendo mais prevalente em alguns países europeus. No Brasil, a incidência é de sete pacientes a cada 100.000 habitantes. [1] Os sintomas do Diabetes mellitus tipo 1 surgem geralmente na infância e adolescência, o que torna os pacientes dependentes de insulinoterapia por toda a vida.

Antigamente conhecido como diabetes juvenil, o diabetes tipo 1 é geralmente diagnosticado em crianças e jovens. Diferentemente do que ocorre nos casos de diabetes tipo 2, nos quais existe produção reduzida de insulina, no diabetes tipo 1 o corpo não produz insulina alguma.[2] Um subtipo de tipo 1, chamado de LADA (ou diabetes autoimune latente), é identificado pela presença de anticorpos contra células beta e tipicamente se desenvolve lentamente, aparecendo quando o indivíduo já é adulto, o que o leva a ser confundido com o tipo 2. Além disso, uma pequena proporção de casos de diabetes tipo 2 manifestam uma forma genética do doença conhecida como diabetes juvenil de início tardio.

A insulina é uma enzima necessária para converter a glicose (presente no açúcar, amidos e outros tipos de alimentos) em energia necessária para a vida diária. Sem insulina o bastante, muita glicose permanece na corrente sanguínea. A alta quantidade de glicose no sangue, chamada hiperglicemia, pode ser causada, por exemplo, ao se comer uma refeição maior do que a usual, perder uma dose de medicação ou insulina, estar doente, inativo ou até mesmo estressado. A baixa quantidade de glicose no sangue, chamada hipoglicemia, pode ocorrer caso haja muita insulina em seu organismo, se você não houver se alimentado corretamente ou pulado uma refeição ou caso você esteja muito ativo sem comer a quantidade necessária de carboidratos.

Outra condição que pode ser causada pelo diabetes tipo 1 é a cetoacidose, associada à hiperglicemia. Ela ocorre quando há pouca insulina na corrente sanguínea para ajudar a glicose a penetrar nas células e o corpo busca outros tipos de combustível para queimar.

Monitorar a glicemia (nível de glicose no sangue) e tomar uma ação para trazê-la de volta a uma variação saudável pode ajudar os pacientes a levar uma vida plena e com saúde.


Causas[editar | editar código-fonte]

O diabetes tipo 1 é induzido por um ou mais dos seguintes fatores: susceptibilidade genética, um ativador diabetogênico e/ou exposição a um antígeno diabetogênico.[3]

Genéticas[editar | editar código-fonte]

O Diabetes tipo 1 é uma doença poligênica, isto é, muitos genes diferentes contribuem para o seu aparecimento. O gene que mais influi para o desenvolvimento do diabetes tipo 1, IDDM1, está localizado na região do MHC Classe II do cromossomo 6, na região de marcação 6p21. Certas variantes deste gene aumentam os riscos para diminuição de histocompatibilidade em pacientes tipo 1, dentre elas DRB1 0401, DRB1 0402, DRB1 0405, DQA 0301, DQB1 0302 e DQB1 0201, as quais são comuns em norte-americanos de descendência europeia e em europeus. Algumas variantes também parecem ser protetoras.[4]

Os riscos de uma criança desenvolver o diabetes tipo 1 são de 8% se o pai possui a doença, 10% se um irmão a tiver, aproximadamente 4% se a mãe for diabética tipo 1 e tinha 25 anos de idade ou menos quando deu à luz, e de cerca de 1% se a mãe tinha mais de 25 anos. Caso ambos os pais tenham diabetes tipo 1, as chances da criança compartilhar a doença chega a 30%.[5]

Ambientais[editar | editar código-fonte]

Gêmeos idênticos, e que portanto possuem exatamente os mesmos genomas, apresentam diferenças na expressão do diabetes tipo 1. Pesquisas indicam que, se um dos irmãos possuir diabetes tipo 1, o outro terá de 30% a 50% de chances de compartilhar a condição. Isto sugere que fatores ambientais também atuam de maneira determinante no aparecimento da doença.[6]

Outras indicações de que existem fatores ambientais em jogo são encontradas nas estatísticas de prevalência da doença na Europa (entre caucasianos, há diferenças de mais de 10 vezes dependendo do país) e a tendência de imigrantes adquirirem a incidência da doença no país para o qual se mudaram.

Vírus[editar | editar código-fonte]

De acordo com uma teoria, o diabetes tipo 1 é uma resposta autoimune desencadeada por uma invasão viral[7] , na qual o sistema imune ataca as células infectadas pelos vírus juntamente com as células beta, produtoras de insulina, do pâncreas. Implicadas nesta hipótese estão as famílias de vírus Coxsackie ou rubéola. As evidências quanto a sua validade ainda são inconclusivas.

Nem todas as pessoas infectadas com vírus das famílias acima necessariamente desenvolvem o diabetes tipo 1. Isto sugere que há uma vulnerabilidade genética presente[8] , suportada pelos registros de hereditariedade na tendência de se desenvolver a condição. Esta vulnerabilidade foi associada a determinados genótipos HLA. Ainda assim, a conexão entre estes genótipos e o desencadeamento da reação autoimune ainda é pouco compreendida.

Dieta[editar | editar código-fonte]

Alguns pesquisadores acreditam, apesar de nenhuma ligação conclusiva ter sido até agora encontrada, que a resposta autoimune é influenciada por anticorpos contra proteínas do leite de vaca[editar | editar código-fonte]

Pesquisa realizada na Finlândia - país no qual a incidência de raios solares é baixa e onde, portanto, costumeiramente ingere-se vitamina D suplementar – observou que doses de 2000 IU por dia dadas durante o primeiro ano de vida de uma criança diminuíam em 80% as chances de ela desenvolver diabetes tipo 1 no futuro. A relação causal entre estes fatos continua obscura.

Substância químicas e drogas[editar | editar código-fonte]

Algumas substâncias químicas e drogas destroem preferencialmente células pancreáticas. O Pyrinuron (Vacor, N-3-piridimetil-N'-p-nitrofenil uréia), um veneno para roedores introduzido nos Estados Unidos em 1976, destrói seletivamente células beta do pâncreas, resultando em diabetes tipo 1 caso ingerido acidental ou intencionalmente. A droga foi retirada de circulação nos EUA em 1979, mas continua sendo empregada em outros países.

Zanosar é a marca registrada para a streptozotocina, um antibiótico e agente antineoplástico usado em quimioterapias contra câncer pancreático. Ele destrói também células beta, o que resulta em diminuição na produção de insulina.

Demais problemas pancreáticos, como trauma, pancreatite e tumores (tanto benignos quanto malignos) podem também levar à diminuição na produção insulínica.


Referências

  1. - Estatísticas Diabetes tipo 1
  2. http://www.diabeticool.com/perguntas-respostas/o-que-causa-diabetes/
  3. Knip, M.; Veijola, R.; Virtanen, S. M.; Hyoty, H.; Vaarala, O.; Akerblom, H. K. (2005). "Environmental Triggers and Determinants of Type 1 Diabetes". Diabetes 54: S125–S136. doi:10.2337/diabetes.54.suppl_2.S125
  4. Bluestone, J. A.; Herold, K.; Eisenbarth, G. (2010). "Genetics, pathogenesis and clinical interventions in type 1 diabetes". Nature 464 (7293): 1293. Bibcode 2010Natur.464.1293B
  5. http://www.diabeticool.com/o-que-e/diabetes-tipo-1/
  6. Ncbi.nlm.nih.gov. Retrieved 29 November 2011
  7. Nature Immunology 3, 338 – 340 (2002)
  8. "Donner", "Horst"; "Harald Rau, Paul G. Walfish, Jens Braun, Thorsten Siegmund, Reinhard Finke, Jürgen Herwig, Klaus H. Usadel and Klaus Badenhoop" ("2007"). "CTLA4 Alanine-17 Confers Genetic Susceptibility to Graves’ Disease and to type 1 Diabetes Mellitus"

www.portaldiabetes.com.br US National Library of Medicine, Medicine Net, Web MD


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