Dopagem bioquímica

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Dopagem bioquímica ou simplesmente dopagem (do inglês doping), quando não houver possibilidade de confusão ou pelo uso no domínio específico ou restrito da medicina desportiva, é a utilização de substâncias proibidas no desporto que podem tornar o atleta mais forte e mais rápido sendo considerado uma espécie de trapaça e sendo proibido em torneios e campeonatos, por promoverem o aumento ilícito do rendimento do atleta, humano ou animal. Essas perigosas substâncias fazem com que os atletas tenham um melhor rendimento físico no desporto, provendo-lhes vantagens competitivas desleais, pois desiguais, em relação aos demais que delas não se utilizam.

Substâncias avaliadas em exames de dopagem[editar | editar código-fonte]

As substâncias seguintes referem-se a classes farmacológicas:

Exame do antidopagem nas Olimpíadas[editar | editar código-fonte]

Os vencedores das provas individuais e alguns atletas de equipes coletivas, indicados por sorteio, são obrigados a permitir a análise da sua urina para que se proceda ao controle de dopagem (exame antidoping). A lei também permite a convocação de outros atletas sob suspeita.

O material colhido é separado em dois frascos (prova e contraprova), numerado e encaminhado para o laboratório de análises. A quantidade mínima de urina é de 65 ml. No laboratório, dois aparelhos - cromatógrafo e espectrômetro - são usados para a análise da urina. O resultado, em envelope lacrado, é enviado ao presidente do Comitê Antidopagem do COI, que atualmente é o príncipe belga, Alexandre de Merode.

O presidente do Comitê Antidopagem é o único que tem a lista que relaciona os números de cada amostra aos nomes do atletas. No caso de algum resultado positivo, ele encaminha ao laboratório o pedido para que a contraprova seja analisada.

Todo o processo se repete. Se a contraprova confirmar o resultado positivo, o nome do atleta será divulgado pelo próprio réu de julgamento, que também providencia as punições imediatas.

Além disso, é praxe no COI guardar as amostras coletadas durante os Jogos Olímpicos por oito anos, para que elas sejam submetidas a novos testes toda vez que métodos mais modernos de análise sejam criados[1] . Um exemplo disso foi que 4 atletas que haviam ganhado medalhas nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004 tiveram suas medalhas caçadas em 2012[2] .

Um outro caso famoso de dopagem foi a do jogador de futebol argentino Maradona, que no meio da copa do mundo de futebol de 1994 (sediada nos EUA) foi retirado por dopagem. Ele jogava sobre o efeito de Cocaína.

Sua ação[editar | editar código-fonte]

Ao contrário dos estimulantes, que para fazer efeito devem ser tomados uma única vez nas vésperas das competições, os anabolizantes são ingeridos em época de treinamentos por períodos contínuos que variam entre três e seis meses. O tratamento é interrompido de duas a três semanas antes das provas: tempo suficiente para o organismo eliminar traços das substâncias proibidas e permitir a passagem pelo exame antidopagem. Para fazer face a essa situação, desde 1993 que a Federação Internacional de Atletismo realiza exames surpresa nos melhores atletas do mundo.

O exame de sangue seria muito mais eficiente controle antidopagem, mas não é permitido pelo Comité Olímpico Internacional. A entidade teme o protesto de alguns países, que alegaram motivos religiosos para evitar que seus atletas tirem sangue.

Algumas substâncias que não podem ser utilizadas no doping[editar | editar código-fonte]

Betabloqueadores[editar | editar código-fonte]

Os betabloqueadores são remédios que baixam a pressão sanguínea. Atuam no sistema cardiovascular, diminuindo o número de batimentos do coração. Ajudam em categorias que exigem precisão, como o arco e flecha e o tiro.

Diuréticos[editar | editar código-fonte]

Os diuréticos são usados pouco antes das provas para desidratar o organismo e diminuir o peso dos atletas. Atletas de boxe, luta, judô e halterofilismo podem usar a substância para atuarem em categorias de peso inferior ao seu. Também são usados para mascarar outras drogas usadas pelos atletas.

Estimulantes[editar | editar código-fonte]

Os estimulantes agem direto no sistema nervoso, fazendo o atleta ficar mais excitado. A cafeína é o exemplo mais comum. Os velocistas de atletismo conseguiram melhorar seus tempos com esse tipo de substância.
Porém, a FIFA passou a liberar a cafeína, retirando a mesma das substâncias dopantes em 2007.

Injeção de sangue[editar | editar código-fonte]

Alguns atletas injetam até um litro de sangue pouco antes da competição. A transfusão aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos, melhorando a capacidade de circulação de oxigênio entre as células até 5%.

Narcóticos[editar | editar código-fonte]

Os narcóticos não são usados para melhorar o desempenho, mas para aliviar a dor. São empregados em quase todas as modalidades, por exemplo, no ciclismo, para diminuir a resposta do organismo à dor devida a um esforço físico excessivo e no pugilismo, para que o atleta possa continuar lutando após sofrer uma lesão. As substâncias mais utilizadas dessa classe são a morfina e seus derivados. Outra substância bastante consumida pelos atletas é o álcool, utilizado como ansiolítico (para diminuir a ansiedade) e como fonte de calorias. Alguns atletas ingerem bebidas alcoólicas com a intenção de aumentar a autoconfiança e a resposta psicomotora, mas vários estudos comprovam que o desempenho acaba diminuindo com essa atitude. O uso de álcool no esporte é lícito, contudo pode ser passível de controle a pedido das Federações.

Esteroides anabolizantes[editar | editar código-fonte]

São hormônios sintéticos que quando comparados à testosterona (hormônio masculino natural), têm maior atividade anabólica (promovem crescimento).

Geralmente são usados por via oral ou parenteral (injetáveis). Alguns usuários fazem abuso de preparações farmacêuticas disponíveis para uso veterinário.

Uso dos esteroides anabolizantes[editar | editar código-fonte]

Por indicação médica são usados no tratamento de doenças como por exemplo da anemia, hipogonadismo e angioedema hereditário, por exemplo.

O uso ilícito por atletas, frequentadores de academias ou pessoas de baixa estatura é feito na crença de que essas drogas:

  • Aumentam a massa muscular;
  • Aumentam a agressividade;
  • Diminuem o tempo de recuperação entre os exercícios intensos;
  • Melhoram a aparência.

No entanto, o uso abusivo leva a efeitos colaterais graves. É claro que muitos atletas usam essas substâncias sem estarem cientes dos efeitos colaterais, mas a grande maioria tem consciência dos mesmos e as utilizam mesmo assim, em ciclos com dosagem bastante regulada.

Brasileiros detectados pelo exame antidopagem[editar | editar código-fonte]

Alguns atletas brasileiros foram denunciados pelo uso de um anabolizante chamado nandrolona, usado pelos atletas para aumentar a massa muscular.

Em 1986, o velocista Salviano Domingues foi acusado quando disputava o Meeting Internacional de Atletismo em São Paulo. Na mesma competição, seis anos depois, a velocista Berenice Ferreira também foi acusada pelo exame antidopagem.

Um dos casos mais conhecidos, foi o da lançadora de dardo Sueli Pereira dos Santos. Em 1994, ela conseguiu a marca de 65,96 metros e ficou entre as dez melhores do mundo.Em um exame surpresa realizado em janeiro de 1995 constatou a presença da droga. Sueli ficou suspensa por quatro anos.

A atleta Mauren Maggi, do salto em distância, ficou dois anos suspensa, envolvida em um caso de dopagem que não foi confirmado pela atleta,que alegou ter tomado um remédio para alivio da dor de cabeça. Mesmo suspensa,a atleta voltou a praticar o esporte e deu a volta por cima em 2008,quando ganhou o ouro olímpico sem ajuda de doping.

Outros casos de dopagem[editar | editar código-fonte]

  • Para usar a cafeína como estimulantes, o atleta teria que tomar num curto espaço de tempo 36 copos de café.
  • Na Olimpíada de Barcelona em 1992, foram feitos 1850 testes de urina.
  • Foi no Canadá, em 1967, numa prova de ciclismo, que estrearam os testes antidopagem oficialmente no esporte amador. No mesmo ano, a comissão médica do COI instituiu uma lista de substâncias proibidas.
  • Na Olimpíada de Roma, em 1960, o ciclista dinamarquês Knut Jensen morreu durante a prova de perseguição por equipes. O laudo falava em "insolação", mas a autópsia constatou que ele havia ingerido grandes doses de anfetaminas.
  • A nadadora da ex-Alemanha Oriental Kristiane Knacke, medalha de bronze nos 100 metros borboleta, levou oito anos para perder quinze quilos de musculatura gerada por anabolizantes. Sua filha, nascida dois anos depois que ela deixou as piscinas, apresenta graves problemas hormonais.
  • Em 1991, a velocista alemã Katrin Krabbe estava treinando na África do Sul quando recebeu a visita de um fiscal da Federação Internacional de Atletismo para colher a sua urina. O laboratório descobriu que o material tinha sido adulterado. Não foi detectada nenhuma droga, mas verificou-se que a urina de Katrin era idêntica a de outras duas corredoras que forneceram amostras do mesmo dia. A adulteração do material é punida com a mesma severidade que um caso de dopagem.
  • Antes mesmo do início da competição, o velocista inglês Jason Livingston e dois levantadores de peso da equipe britânica foram desligados da Olimpíada de Barcelona, em 1992. Os três atletas sofreram a punição quando se soube do resultado positivo dos exames de dopagem realizados do início de Julho, ainda na Inglaterra, durante o período final de treinamento para os jogos. A droga usada por Livingston chamava-se Methandianone, um medicamento da família dos esteroides anabolizantes.

Os casos de doping na natação brasileira.

Hugo Duppré

O santista Hugo José Duppré ganhou grande destaque quando alcançou o recorde brasileiro dos 100m borboleta no Troféu Brasil de 1997. Droga encontrada: Nandrolona. Punição: Afastamento, pela Fina, por quatro anos. Alegou não ter sido informado por seu médico que as infiltrações que havia recebido no joelho continham a substância. Apesar da suspensão, o santista conseguiu voltar, inclusive, à seleção brasileira.

Laura Azevedo

Desde a categoria infantil, Laura Azevedo se destacou no cenário brasileiro. Em 1999, Laura foi morar e treinar nos Estados Unidos, mas continuava participando das competições nacionais. Em 2003, quando buscava uma vaga na equipe dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, foi indicada para realizar o exame antidoping que deu positivo. Drogas: Stanozolol, Norstrosterone e Metaltestosterone. Punição: Condenada pela Fina por dois anos, mas nunca aceitou a punição e lutou para voltar a competir. Depois de conseguir autorização para competir apenas dentro do Brasil, a atleta se negou a fazer o exame durante o Estadual do Rio e acabou sendo banida do esporte por reincidência, em 2005. Laura continuou brigando na justiça comum do Brasil, mas a apelação acabou não sendo aceita.

Juliana Bassy Kury

A paulista Juliana Bassy Kury era uma das fortes candidatas a chegar à seleção brasileira de Atenas. Ela chegou a garantir vaga no revezamento 4x100m durante o Troféu Brasil de 2004 e ainda ajudou o grupo a bater o recorde nacional e sul-americano da prova. No entanto, dias depois, o Comitê Olímpico Brasileiro divulgou o resultado do exame. Droga: Stanozolol. Punição: Suspensa, pela Fina, por dois anos. Assumiu a ingestão da substância proibida, mas afirmou não saber que os suplementos que estava tomando continham Stanozolol. Em 2007, a paulista voltou a competir e, este ano, 2008, participou do Troféu Maria Lenk.

Leonardo Jorge Costa

O baiano Leonardo Jorge Costa surpreendeu ao conquistar duas medalhas de bronze (100m e 200m costas) na Copa do Mundo, em Durban, na África do Sul, em 2004. Droga: Stanozolol. Leonardo nunca quis falar muito sobre o caso, mas parece que um remédio para emagrecer seria o motivo do doping. Além da suspensão de dois anos, o nadador teve que devolver as medalhas conquistadas em Durban e o prêmio em dinheiro. Depois disso, o baiano mandou um e-mail de agradecimento aos amigos e informando que estava abandonando as piscinas.

Danilo Brito Carrega

Em 2004, o paulista Danilo Brito Carrega conquistou resultados expressivos. Mas, em 2005, após participar da Copa do Mundo e de um torneio em São Paulo, o nadador foi pego em um exame antidoping. Droga: Stanozolol. Ele teve uma postura parecida com a do Leonardo e, após a suspensão pela Fina de dois anos, assumiu a responsabilidade pelo doping e anunciou sua aposentadoria.

Renata Burgos

Renata Burgos foi um dos destaques do Troféu Open de 2006 ao vencer os 50m livre e ainda conquistar o índice para o Mundial de Melbourne. No entanto, logo depois, um exame da nadadora deu positivo. Droga: Stanozolol. A nadadora, que ainda cumpre a suspensão por dois anos, alegou que não sabia que o suplemento que tomava tinha essa substância proibida.

Rogério Karfulkenstein

Um exame realizado logo após a conquista da medalha de bronze na prova dos 50m nado peito do Torneio Open de Natação, em dezembro do ano passado, teve resultado positivo. Droga: Stanozolol. O nadador assumiu ter tomado uma série de medicamentos em função de seguidas lesões e preferiu nem pedir a contraprova. Rogério, que também levou a suspensão de dois anos, anunciou o fim da carreira no início deste ano.

Rebeca Gusmão

Confirmação do doping de Rebeca Gusmão por uso da substância proibida no Pan do Rio 2007. Droga: Testosterona.

Referencia : globoesporte.globo.com

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. lancenet.com.br/ COI anula quatro medalhas dos Jogos Olímpicos de Atenas
  2. lancenet.com.br/ COI tira láureas de 4 medalhistas olímpicos
Commons
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