Fernanda Lapa
Maria Fernanda Mamede de Pádua Lapa, mais conhecida como Fernanda Lapa (Lisboa, 11 de Maio de 1943), é uma actriz e encenadora portuguesa.
Iniciou-se no Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa, em 1962, para, logo de seguida, participar na fundação da Casa da Comédia. Aí se estreou sob a direcção de Fernando Amado, na peça Deseja-se Mulher de Almada Negreiros. A sua interpretação impressionaria o próprio Almada, que ofereceu um livro à actriz e na dedicatória escreveu que lhe atribuía «20 valores pelo seu talento». Com a mesma peça estrear-se-ia como encenadora, dirigindo a sua irmã São José Lapa, dez anos mais tarde. Em 1979, com uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, foi para a Polónia, onde trabalhou com Zygmunt Hubner e frequentou a Escola Superior de Encenação de Varsóvia. Na mesma altura estagiou no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.
Com um percurso multifacetado, participou em óperas, peças de teatro e teatro-dança. Salienta a interpretação de autores como Jean Cocteau, Copi, August Strindberg ou Arthur Miller. Paralelamente desenvolveu acções pedagógicas, sobretudo no Chapitô, e leccionou na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (no curso de Mestrado em Estudos Teatrais) e na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Actualmente dirige o Departamento de Teatro e é Professora Catedrática Convidada da Escola de Artes da Universidade de Évora.
Mantém-se como directora artística da Escola de Mulheres - Oficina de Teatro, projecto que fundou com Isabel Medina em 1995, destinado a privilegiar a criação feminina no teatro. Aí se tem dedicado sobretudo à encenação, tendo dirigido para o Teatro Nacional D. Maria II, Medeia é Bom Rapaz de Luís Riaza, As Bacantes e Medeia, de Eurípides, Sétimo Céu de Caryl Churchill, Como Aprendi a Conduzir e A Mais Velha Profissão, de Paula Voguel. Na interpretação salienta as participações mais recentes, Bernardo, Bernarda, colagem de textos de Bernardo Santareno, e encenação de Nuno Carinhas, e Medeia, encenação sua, ambos no Teatro Nacional D. Maria II.
No cinema participou em várias longas-metragens, tendo protagonizado Recompensa, de Arthur Duarte (1979), e Solo de Violino, de Monique Rutler (1992), além do trabalho com os realizadores Fernando Vendrell e Margarida Gil. Participou em dezenas de peças produzidas ou adaptadas para a televisão e integrou o elenco de séries como Ballet Rose, A Raia dos Medos, O Processo dos Távoras ou Pedro e Inês, além da participação esporádica em novelas. Com Sinde Filipe foi co-autora de Cancioneiro (1975), programa de poesia na RTP1.
Recebeu o Globo de Ouro (2005), pela produção de A Mais Velha Profissão de Paula Vogel. Foi distinguida em 2005 com a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura.