Festa da Ascensão

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Festa da Ascensão
Ascension relief - Cathedral of Santiago de Compostela.JPG
Relevo da Ascensão na Catedral de Santiago de Compostela
Outro(s) nome(s) Ascensão
Quinta-Feira da Ascensão
Tipo Festa maior cristã
Seguido por Todos os cristãos
Data 39 dias depois da Páscoa (ocidente)
Início Era apostólica
Duração 1 dia
Frequência Anual
Observações Comemora a Ascensão de Jesus

A Festa da Ascensão, conhecida também como Quinta-Feira da Ascensão ou apenas como Ascensão[1] [2] comemora a Ascensão de Jesus ao céu. É uma das festas ecumênicas, ou seja, uma das que são comemoradas por todas as igrejas cristãs, juntamente com as celebrações da Semana da Paixão, a Páscoa e o Pentecostes. Na Igreja Católica é conhecida também como Solenidade da Ascensão do Senhor. A Ascensão é tradicionalmente celebrada numa quinta-feira, a décima-quarta da Páscoa (segundo a contagem de Atos 1:3), embora algumas províncias tenham mudado a observância para o domingo seguinte.

Uma festa popular em Portugal conhecida como "Festa da Espiga" é comemorada no mesmo dia.

História[editar | editar código-fonte]

A observância desta festa é muito antiga. Embora não haja evidências documentais de sua existência anteriores ao século V, Santo Agostinho afirma que ela é de origem apostólica e de uma forma que deixa claro que ela já era observada universalmente por toda a Igreja antiga muito antes de seu tempo. Menções frequentes a ela aparecem nas obras de São João Crisóstomo, São Gregório de Nissa e na "Constituição dos Apóstolos". A "Peregrinação de Egéria" fala de uma vigília antes da festa e da festa em si, eventos que ela testemunhou na igreja construída sobre a gruta na qual os fieis acreditam ter nascido Jesus em Belém[3] . É possível que antes do século V, o evento narrado nos Evangelhos tenha sido comemorado em conjunto com a Páscoa ou o Pentecostes. Alguns acreditam que o controverso e muito debatido decreto 43 do Sínodo de Elvira (ca. 300), condenando a prática de observar uma festa no quadragésimo dia depois da Páscoa e de esquecer de comemorar o Pentecostes no quinquagésimo, implica que a prática apropriada na época era comemorar a Ascensão junto com o Pentecostes. Representações artísticas do evento aparecem em dípticos e afrescos a partir do século V.

Ocidente[editar | editar código-fonte]

Os termos em latim para a festa, "ascensio" e, ocasionalmente, "ascensa" , significam que Cristo ascendeu através de seus próprios poderes e é destes termos que o dia santo derivou seu nome. No catolicismo romano, a "Ascensão do Senhor" é um "dia santo de obrigação". Os três dias antes da quinta-feira da Ascensão são, às vezes, chamados de "Dias de rogação" e o domingo anterior, o sexto da Páscoa (ou quinto "depois" da Páscoa), "Domingo de rogação". A Ascensão prevê uma vigília e, desde o século XV, uma oitava, que já é uma novena preparatória para o Pentecostes conforme as instruções do papa Leão XIII.

Em sua "Tabela de Vigílias, Jejuns e Dias de Abstinência" a serem observadas durante o ano, o "Livro de Oração Comum" da Comunhão Anglicana indica "Quinta-Feira Santa" como um nome alternativo para "Dia da Ascensão"[4] [5] . Porém, a publicação correspondente na Igreja Episcopaliana dos Estados Unidos não usa o termo nem para para a Ascensão e nem para a Quinta-Feira Santa (em inglês: Maundy Thursday)[6] . Uma publicação de 1801 descreve o uso de "Quinta-Feira Santa" para a Ascensão ao invés de usá-lo em seu significado já tradicional referente à quinta-feira da Semana Santa, como uma "inovação sem explicação"[7] . Dois séculos depois, o que em 1801 foi descrito como "inovação", já era considerado "obsoleto", e, embora ainda exista o costume na Igreja Anglicana[8] , "Quinta-Feira Santa" é geralmente utilizado pelos anglicanos somente durante a quinta-feira da Paixão[9] .

No cristianismo ocidental, a data mais cedo possível para a festa é 30 de abril e a mais tarde, 3 de junho.

Observância dominical[editar | editar código-fonte]

A Igreja Católica Romana em diversos países não observam a festa como feriado público conseguiram permissão do Vaticano para mudar a observância da Ascensão da quinta-feira para o domingo seguinte, o domingo antes do Pentecostes. Este relaxamento está de acordo com a tendência de mover os dias de obrigação de dias da semana para os domingos para encorajar mais católicos a observar as festas consideradas mais importantes[10] . A decisão de mudar a data é tomada pelos bispos de uma província eclesiástica, ou seja, um arcebispo e seus bispos. A mudança para a observância dominical foi realizada em 1992 pelos católicos da Austrália[11] , antes de 1996 em partes da Europa[12] ; em 1996 para os católicos da Irlanda[13] ; antes de 1998 para os do Canadá e de partes do oeste dos Estados Unidos[10] ; para os católicos de muitas outras partes dos Estados Unidos em 1999[10] e para os da Inglaterra e Gales a partir de 2007[14] .

Ortodoxia e o cristianismo oriental[editar | editar código-fonte]

Datas para a Ascensão, 2000—2020
Ano Ocidente Oriente
2000 1 de junho 8 de junho
2001 24 de maio
2002 9 de maio 13 de junho
2003 29 de maio 5 de junho
2004 20 de maio
2005 5 de maio 9 de junho
2006 25 de maio 1 de junho
2007 17 de maio
2008 1 de maio 5 de junho
2009 21 de maio 28 de maio
2010 13 de maio
2011 2 de junho
2012 17 de maio 24 de maio
2013 9 de maio 13 de junho
2014 29 de maio
2015 14 de maio 21 de maio
2016 5 de maio 9 de junho
2017 25 de maio
2018 10 de maio 17 de maio
2019 30 de maio 6 de junho
2020 21 de maio 28 de maio

Na Igreja Ortodoxa, a festa é conhecida, numa transliteração do grego, como "Analepsis" ("elevação" ou "erguimento") e "Episozomene" ("salvação do Altíssimo"), uma referência ao fato de que, ao ascender ao céu em glória, Cristo completou a obra da nossa redenção. A Ascensão é uma das doze Grandes Festas do ano litúrgico ortodoxo.

A festa é sempre observada com uma vigília de noite inteira. O dia anterior é a "apodosis" ("dia da licença") da Páscoa, ou seja, o último dia da Páscoa. As "paroemia" (leituras do Antigo Testamento) nas vésperas no dia anterior à Ascensão são Isaías 2:2-3, Isaías 62:10-63, Isaías 63:7-9, Zacarias 14:1-4 e Zacarias 14:8-11. Durante a Divina Liturgia, a leitura ("epístola") é Atos 1:1-12 e o Evangelho, Lucas 24:36-53. A quinta-feira da Ascensão também comemora os "Santos mártires georgianos da Pérsia" (séc. XVII e XVIII).

A Igreja Ortodoxa utiliza um método diferente para calcular a data da Páscoa e, por isso, é normal que se observe a festa no ocidente antes que no ocidente, com diferenças que variam de cinco semanas à coincidência de datas). A data mais cedo para a festa no oriente é 13 de maio (do calendário ocidental) e a mais tarde, 17 de junho. Algumas igrejas orientais (como a Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara), porém, observam a Ascensão no mesmo dia das igrejas ocidentais[15] .

Costumes[editar | editar código-fonte]

Alguns costumes ou rituais para o dia da Ascensão estão ligados à liturgia da festa, como a benção dos grãos e das uvas depois da comemoração dos mortos no Cânone da Missa, a benção dos primeiros frutos, realizada também nos "Dias de rogação", a benção da vela, o uso de mitras por diáconos e subdiáconos, o apagamento do Círio Pascal e as procissões triunfais com tochas e faixas atravessando comunidades para celebrar a entrada de Cristo no céu.

Em alguns países (alguns exemplos: Áustria, Bélgica, Colômbia, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha - desde a década de 1930 -, Haiti, Indonésia, Liechtenstein, Luxemburgo, Madagascar, Namíbia, Holanda, Noruega, Suécia, Suíça e Vanuatu), a festa é um feriado; na Alemanha, comemora-se o Dia dos Pais no mesmo dia.

Dia da espiga[editar | editar código-fonte]

O "dia da espiga" ou "Quinta-feira da espiga" é uma celebração portuguesa que ocorre no dia da quinta-feira da ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. É considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o "dia da hora" porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da "espiga" e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios[16] [17] .

Música[editar | editar código-fonte]

Johann Sebastian Bach compôs diversas cantatas e o "Oratório da Ascensão" para serem tocados nos serviços litúrgicos da Ascensão. Ele tocou pela primeira vez "Wer da gläubet und getauft wird, BWV 37", em 18 de maio de 1724; "Auf Christi Himmelfahrt allein, BWV 128", em 10 de maio de 1725; "Gott fähret auf mit Jauchzen, BWV 43", em 30 de maio de 1726 e o oratório, "Lobet Gott in seinen Reichen, BWV 11", em 19 de maio de 1735.

Referências

  1. Thomas Ignatius M. Forster. Circle of the Seasons, and Perpetual key to the Calendar and Almanack. [S.l.]: Oxford University Press, 1828.
  2. George Soane. New Curiosities of Literature and Book of the Months. [S.l.]: Churton, 1847.
  3. Louis Duchesne, Christian Worship: Its Origin and Evolution (London, 1903), 491-515.
  4. Church of England, "A Table of the Vigils, Fasts and Days of Abstinence to be observed in the year"
  5. http://prayerbook.ca/resources/bcponline/propers/#ascension
  6. "The Calendar of the Church Year", p. 17.
  7. John Stephens, A critical and practical elucidation of the Book of common prayer, and administration of the sacraments, and other rites and ceremonies of the Church, 1801, p. 102
  8. Oxford Dictionaries, "Holy Thursday"
  9. Anglicans Prepare for Easter The Anglican Communion Official Website. Página visitada em 2009-04-11.
  10. a b c Ascension Day is Moving Michael Kwatera, OSB. Office of Worship, Diocese of Saint Cloud.
  11. "Column 8", Sydney Morning Herald, 14 May 1992, p. 1. Página visitada em 2009-05-25.
  12. "Church holy day changes sought", The Irish Times, 10 October 1996, p. 5. Página visitada em 2009-06-11.
  13. Pollak, Andy. "Holy days moved to following Sunday", The Irish Times, 17 October 1996, p. 7. Página visitada em 2009-06-11.
  14. The Spectator's Notes: Charles Moore's reflections on the week, Charles Moore The Spectator, Wednesday, 7th May 2008
  15. "The Church in Malankara switched entirely to the Gregorian calendar in 1953, following Encyclical No. 620 from Patriarch Mor Ignatius Aphrem I, dt. December 1952." Calendars of the Syriac Orthodox Church. Retrieved 22 April 2009.
  16. Dia da Espiga / Feriado Municipal - Monchique
  17. A Quinta Feira da Espiga
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga - Festividades Cíclicas em Portugal. (Colecção Portugal de Perto n.º 6). Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984. (p. 357)