Frederica de Mecklemburgo-Strelitz

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Frederica
Rainha-consorte de Hanôver
Princesa da Prússia e Solms-Braunfels
Duquesa de Mecklemburgo-Strelitz
Rainha Consorte de Hanôver
Período 20 de Junho de 1837
29 de Junho de 1841
Predecessor Carolina de Brunswick
Sucessor Maria de Saxe-Altemburgo
Princesa de Solms-Braunfels
10 de Dezembro de 1798 - 13 de Abril de 1814
Princesa da Prússia
26 de Dezembro de 1793 - 28 de Dezembro de 1796
Cônjuge Ernesto Augusto I de Hanôver
Frederico Guilherme, Príncipe de Solms-Braunfels
Luís Carlos da Prússia
Descendência
Frederico da Prússia
Carlos da Prússia
Frederica Guilhermina da Prússia
Sofia de Solms-Braunfels
Frederico de Solms-Braunfels
Guilherme de Solms-Braunfels
Augusta de Solms-Braunfels
Alexandre de Solms-Braunfels
Carlos de Solms-Braunfels
Frederica de Hanôver
Jorge V de Hanôver
Pai Carlos II de Mecklemburgo-Strelitz
Mãe Frederica de Hesse-Darmstadt
Nascimento 3 de Março de 1778
Hanôver, Alemanha
Morte 29 de junho de 1841 (63 anos)
Hanôver, Alemanha

Frederica de Mecklemburgo-Strelitz (Frederica Luísa Carolina Sofia Carlota Alexandrina), (3 de março de 1778 - 29 de junho de 1841) foi duquesa de Cumberland e depois rainha de Hanôver, foi a consorte de Ernesto Augusto I de Hanôver, o quinto filho e oitava criança do rei Jorge III e da rainha Carlota.

Nasceu no Palácio de Alten em Hanôver, sendo a quinta filha de Carlos II de Mecklemburgo-Strelitz e da sua primeira esposa, Frederica de Hesse-Darmstadt, filha de Jorge Guilherme, príncipe de Hesse-Darmstadt. Desde o seu nascimento até o primeiro casamento, o seu título foi "Sua Alteza Sereníssima", a duquesa Frederica de Mecklemburgo, princesa de Mecklemburgo-Strelitz.

O seu pai assumiu o título de grão-duque de Mecklemburgo-Strelitz no dia 18 de junho de 1815. A duquesa Frederica era sobrinha da sua futura sogra, a rainha Carlota, uma vez que o seu último marido era seu primo directo.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

A mãe de Frederica morreu no dia 22 de maio de 1782, após ter dado à luz o seu décimo filho. Dois anos depois, no dia 28 de setembro de 1784, o seu pai voltou a casar-se, desta vez com a irmã mais nova da sua falecida esposa, Carlota de Hesse-Darmstadt, mas esta união acabou apenas um ano depois quando Carlota morreu devido a complicações resultantes do parto no dia 12 de dezembro de 1785. Carlos, viúvo por duas vezes, achou que não iria conseguir dar a educação que as suas filhas precisavam, por isso enviou Frederica, juntamente com as suas irmãs mais velhas Carlota, Teresa e Luísa para a casa da sua avó materna, a princesa Maria Luísa Albertina de Leiningen-Dagsburg-Falkenburg, princesa-viúva de Hesse-Darmstadt. A princesa escolheu uma governanta suíça para as netas, Salomé de Gélieu, que provou ser uma boa escolha. Algum tempo depois o duque Carlos também enviou os seus dois filhos, o príncipe-herdeiro Jorge e Carlos para serem criados pela avó.

Primeiro casamento[editar | editar código-fonte]

No dia 14 de março de 1793, em Frankfurt-am-Main, a princesa de Mecklemburgo-Strelitz conheceu "por acaso" o rei Frederico Guilherme II da Prússia no teatro e este ficou imediatamente encantado pela graciosidade e charme de Frederica e da sua irmã Luísa.

Algumas semanas depois, o pai das duas começou as negociações de casamento com o rei prussiano: Luísa iria casar-se com o príncipe-herdeiro Frederico Guilherme e Frederica seguiria o mesmo caminho ao casar-se com o irmão mais velho dele, o príncipe Frederico Luís Carlos, chamado de Luís Carlos.

O noivado duplo foi celebrado em Darmstadt no dia 24 de abril do mesmo ano. No dia 24 de dezembro, Luísa casou-se com o príncipe-herdeiro e dois dias depois, no dia 26, celebrou-se a cerimónia de Frederica e Luís Carlos. O casamento produziu três filhos:

Em 1795 o rei Frederico Guilherme II nomeou Luís Carlos chefe do regimento dos dragões número 1 que estava em Schwedt. No dia 23 de dezembro de 1796 Luís morreu de difteria. Frederica e os três filhos mudaram-se para o Palácio de Schönhausen perto de Berlim.

Em 1797, Frederica e o primo Adolfo, duque de Cambridge, sétimo filho do rei Jorge III do Reino Unido e da princesa Carlota de Mecklemburgo-Strelitz (tia de Frederica) ficaram noivos de forma não-oficial. O duque pediu autorização ao pai para se casar com ela, mas o rei, pressionado pela sua esposa, recusou.

Segundo casamento[editar | editar código-fonte]

Em 1798, Frederica ficou grávida. O pai era Frederico Guilherme, príncipe de Solms-Braunfels, nascido em 1770. O príncipe reconheceu a paternidade da criança e pediu a mão de Frederica em casamento, algo que ela apenas aceitou para evitar um escândalo. No dia 10 de dezembro desse ano, os dois casaram-se em Berlim e mudaram-se para Ansbach. Em Fevereiro de 1799, Frederica deu à luz uma filha que apenas viveu por oito meses. Em 1805 o príncipe de Solms-Braunfels demitiu-se dos seus postos militares por razões de saúde e a família perdeu o seu rendimento. Frederica foi forçada a sustentá-los com os seus próprios recursos depois do seu cunhado, o rei Frederico Guilherme III da Prússia se ter recusado a restaurar a sua pensão anual como antiga princesa da Prússia.

Terceiro casamento[editar | editar código-fonte]

Em maio de 1813, durante uma visita ao seu tio Carlos em Neustrelitz, o príncipe Ernesto Augusto, duque de Cumberland, o quinto filho do rei Jorge III, conheceu e apaixonou-se por Frederica. O duque Carlos deixou claro à sua filha que uma separação do príncipe de Solms-Braunfels era algo lógico e que via o casamento com um príncipe inglês como uma boa oportunidade para ela. Durante os meses que se seguiram, Frederica pensou nas intenções de Ernesto Augusto e nos possíveis efeitos que estas podiam ter na sua situação. Quando, após a vitória dos aliados na Batalha de Leipzig (1813), Ernesto Augusto passou alguns dias em Neustrelitz, foi recebido com entusiasmo. Frederica pediu autorização ao rei da Prússia para o seu divórcio do príncipe de Solms-Braunfels. Todos os lados aceitaram a decisão, incluindo o príncipe, cuja morte súbita no dia 13 de abril de 1814 foi vista por muitos como um pequeno conveniente. Alguns chegaram mesmo a suspeitar que Frederica tinha envenenado o marido.[1] Em Agosto desse ano o noivado foi anunciado oficialmente. Depois de o parlamento britânico dar o seu consentimento para a união, Frederica e Ernesto Augusto casaram-se no dia 29 de maio de 1815 em Neustrelitz. Algum tempo depois o casal viajou até à Inglaterra onde se casaram novamente no dia 29 de agosto de 1815 em Carlton House, Londres.

A rainha Carlota opôs-se ao casamento apesar de a noiva ser sua sobrinha. Recusou-se a estar presente na cerimónia e aconselhou o filho a viver longe de Inglaterra com a sua esposa. Frederica nunca conseguiu conquistar a sua sogra, que morreu em 1818. Do seu casamento com Ernesto Augusto teve mais três filhos, dos quais apenas um sobreviveu até à idade adulta e que se viria a tornar no rei Jorge V de Hanôver.

Rainha de Hanôver[editar | editar código-fonte]

No dia 20 de junho de 1837, o rei Guilherme IV do Reino Unido e Hanôver morreu sem descendência. A sua herdeira era a rainha Vitória, a única filha do príncipe Eduardo Augusto, duque de Kent. Uma vez que Hanôver ainda se regia pela lei sálica que vinha dos tempos do império sacro-romano, Vitória não pôde herdar o trono de Hanôver. O descendente masculino seguinte era o duque de Cumberland, o marido de Frederica, que se tornou no rei Ernesto Augusto I de Hanôver, e Frederica tornou-se rainha-consorte.

Após uma pequena doença, Frederica morreu em Hanôver em 1841.

Referências

  1. Van der Kiste, p. 114
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