Hugo Pratt

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Hugo Pratt
Hugo Pratt
Hugo Pratt (1989) by Erling Mandelmann - 2.jpg

Nascimento 15 de Junho de 1927
Local Rímini, Itália
Morte 20 de agosto de 1995 (68 anos)
Local Grandvaux, Suíça
Nacionalidade Italiana
Área(s) de atuação escritor e desenhista
Trabalhos de destaque Corto Maltese
Prémios Prémio Will Eisner

Biografia[editar | editar código-fonte]

Hugo Eugenio Pratt (Rímini, 15 de Junho de 1927Grandvaux, Suíça, 20 de Agosto de 1995) foi um autor de banda desenhada italiano, criador da personagem Corto Maltese.

As Origens[editar | editar código-fonte]

Filho de Rolando Pratt, militar de carreira, e de Evelina Genero, filha de Eugenio Genero, poeta, que Pratt citará em Corto Maltese na Sibéria. Após uma estadia na Etiópia com a família durante a juventude, a sua vida desenrola-se sobretudo em redor da cidade de Veneza, onde se passam duas das suas histórias: "O Anjo da Janela do Oriente" (in "As Célticas") e "Fábula de Veneza".

A Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

No inicio da Segunda guerra mundial a família de Pratt encontrava-se na África Oriental Italiana onde o pai estava alistado na Policia Colonial. Em 1941, com a queda da África Oriental a família Pratt foi internada num campo de concentração em Dire Daua onde o pai viria a falecer em 1942[1] . Um ano depois, Pratt regressará a Itália graças á intervenção da Cruz Vermelha a favor dos prisioneiros. Regressado a Itália, em Cittá di Castello, frequentou um colégio militar. Em 1943, na sequência do Armistício com a Itália adere à República Social Italiana e foi por um breve período membro do Batalhão Lupo da Decima Flottiglia MAS até que a Avó o força a retornar a casahttp://www.ubcfumetti.com/enciclopedia/?14840[2] [3] . No Outouno de 1944 deserta para não ser fuzilado pelas SS acusado de espião Sul-Africano. Em 1945 junta-se aos angloamericanos sendo por estes empregado como intérprete da armada aliada. Ainda em 1945, em Veneza, começou a organizar espectáculos para as tropas da coligação vencedora[4] .

O Pós Guerra[editar | editar código-fonte]

Mas rapidamente se impõem a sua vocação de contar histórias semelhantes às que o acompanharam na infância e juventude: histórias e romances de James Oliver Curwood, Zane Gray, Kenneth Roberts; e ainda as bandas desenhadas de Lyman Young (Cino e Franco), Will Eisner (The Spirit) e sobretudo Milton Caniff (Terry e os piratas). Em 1945 conhece o desenhador Mario Faustinelli, e inicia-se na BD, integra o "grupo de Veneza", com Alberto Ongaro, Damiano e Dino Battaglia, entre outros, fundando a revista Albo Uragano[5] em colaboração com Mario Faustinelli e Alberto Ongaro. A revista Albo Uragano é renomeada L'Asso di Picche, após o primeiro número, e Asso di Picche Comics a partir do 7º fazendo jus ao seu principal personagem, um herói mascarado com um fato aderente amarelo. A revista lançou numerosos jovens talentos como Dino Battaglia, Rinaldo D'Ami, Giorgio Bellavitis, enquanto o personagem Asso di Picche ganhava sempre maior sucesso, sobretudo na Argentina.

Argentina e Brasil[editar | editar código-fonte]

A sua colaboração na revista Asso di Picche, vale-lhe um convite para trabalhar na Argentina, para onde viaja em 1949, só vindo a regressar treze anos depois, em 1962. Após uma colaboração inicial com a Editorial Abril, Pratt transfere-se para a Editorial Frontera. Nesses anos irão surgir algumas importantes séries da sua carreira como Junglemen, com argumento de Ongaro, Sgt. Kirk, Ernie Pike e Ticonderoga, todas tendo como guionista Héctor Oesterheld, guionista da obra de ficção cientifica L'Eternauta e mais tarde desaparecido . O seu traço começou a fazer escola e começa a leccionar cursos de desenho, primeiro com Alberto Brecia e depois, no Brasil, na Escola Panamericana de Arte Direta de Enrique Lipszyc, alternando a atividade didática com frequentes excursões á Amazónia, a Mato Grosso e outros exóticos paradeiros. Neste mesmo período produz Ann y Dan (Anna della giungla), a sua primeira história completa. Esta série de quatro histórias, ainda com grande influência de Oesterheld, é um verdadeiro tributo às aventuras clássicas lidas nos seus anos de juventude e cuja atmosfera será reproduzida nas duas histórias completas que se seguem: Capitan Cormorant e Wheeling. Esta última é um verdadeiro romance em banda desenhada inspirado nos romances de Zane Grey e Kenneth Roberts misturando, com metódica precisão, factos históricos e fantasia, prática que Pratt refinará com Corto Maltese.

Regresso a Italia: Corto Maltese[editar | editar código-fonte]

Entre 1959 e 1960 Pratt transfere-se para Londres de onde sem sucesso tentou emigrar para os EUA. acabando por voltar á américa do sul. O seu regresso a Itália em 1962 marca o inicio de uma prolifera colaboração com Il Corriere dei Piccoli para o qual realiza a conversão para banda desenhada de numerosos romances juvenis como A Ilha do Tesouro e Il ragazzo rapito de Robert Louis Stevenson, com guiões de Mino Milani. Em 1967, apôs cinco anos difíceis, conhece Florenzo Ivaldi, um empresário genovês que adora BD. Decidem lançar uma nova revista mensal, Sgt. Kirk, onde aparecem as primeiras pranchas de Una Ballata del Mare Salato (A Balada do Mar Salgado), com um personagem, Corto Maltese, na altura ainda um personagem secundário. A publicação da revista seria interrompida 30 números depois em Dezembro de 1969. Á semelhança da maior parte das suas aventuras, A Balada do Mar Salgado traz á memória os grandes romances de aventuras de Conrad, Melville, Lewis, Cooper, Dumas, que tanto sucesso e fama ganharam junto de várias gerações de leitores. Mas sobretudo, a inspiração de Pratt para esta história vem de um escritor hoje esquecido, Henry De Vere Stacpoole, autor de Laguna Blu. Esta primeira história, foi sucessivamente reproduzida, incluindo nas páginas do Corriere dei Piccoli. Entre Abril de 1970 e Abril de 1973 publica 21 episódios, (hoje agrupados nos ciclos Sob o Signo do Capricórnio, Corto sempre um pouco mais longe, As Célticas e As Etiópicas), a convite de George Rieu, chefe de redacção da revista francesa Pif gadget. Mais tarde Pratt recordaria aqueles anos em que “voltei a folhear Marx e Engels, filósofos que me entediavam imediatamente. Visitei também Marcuse e alguns outros e retomei os clássicoas das aventuras. E subitamente vêjo-me acusado de infantilismo, edonismo e fascismo”[6] . Em seguida é despedido pelo editor que, politicamente próximo do Partido Comunista Francês, o cunhava de Libertário[6] .

«A palavra evasão, que dá tantas dores de cabeça aos materialistas históricos, significa escapar de qualquer coisa, aventura é procurar qualquer coisa que pode ser bela ou perigosa, mas que vale a pena viver.»(Hugo Pratt[7] )

Em meados dos ano 70 Prat estreita uma grande amizade com Lele Vianello o qual, absorvendo a sua técnica e estilo se torna o seu braço direito colaborando graficamente nas suas obras. Em 1974 começa a desenhar Corto Maltese na Sibéria com uma primeira alteração estilistica em direcção á simplificação: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”, repetia ele, e desde então as histórias de Corto Maltese passaram a apresentar-se como novelas gráficas mais ou menos longas. Algumas delas rapidamente se afirmaram como clássicos absolutos da banda desenhada, exemplos disso, além do citado, são Fábula de Veneza ou A casa Dourada de Samarcanda. A série termina com Mú, desenhado em 1988 e publicado em álbum em 1992. O mestre do malamoco (como o define Oreste Del Buono) tinha no entanto em mente um outro capítulo para a saga do marinheiro com a argola na orelha e que seria a continuação da “Juventude de Corto”, obra de 1981 que narra uma parte da adolescência do protagonista. A casual descoberta de treze tiras, com diálogos apenas esboçados, acontece em 2005 quando a filha de Pratt desfolhava uma revista. Através das aventuras do seu marinheiro Pratt afirmou-se como um dos mais importantes autores de banda desenhada. O seu imaginário, tão culto quanto popular, a permanente busca de um estilo essencial e expressivo (tendo sempre como farol a licção do mestre Milton Caniff e aproximando-se em alguns pontos das soluções da “linha clara” franco-belga, a consumada habilidade narrativa tornou-o uma referência incontornável para quem queira estudar as possibilidades expressivas da “Aventura Desenhada” (orgulhosa definição dada pelo próprio Pratt que, ainda assim, preferia classicar-se como "fumettaro"). Da sua longa carreira podem citar-se ainda séries como Gli Scorpioni del Deserto, desenrolada em África durante a segunda guerra mundial, e da qual Pratt escreveu e desenhou cinco histórias, ou ainda os quatro álbuns editado na Bonelli (atualmente Editoriale Cepim) da serie Un Uomo Un'Avventura, com os títulos L'uomo del Sertao, L'uomo della Somalia,L'uomo dei Caraibi e L'uomo del grande nord (este último republicado em seguida sob o título de Jesuit Joe). Especial relevo, no entanto, merecem os álbuns “Verão Indio” e “El Gaucho” desenhados pelo seu amigo e seguidor Milo Manara. Hoje restam-nos apenas esta histórias: em 20 de Agosto de 1995, morre Hugo Pratt sem chegar a ver a sua mais famosa criação - Corto Martlese - tornar-se protagonista de uma série televisiva de animação.

Pratt e a Maçonaria[editar | editar código-fonte]

Hugo Pratt era membro da Gran Loggia d'Italia degli Alam, onde foi iniciado na Loja "Hermes" all'Oriente di Venezia em 19 Novembro de 1976[8] tendo-se nela mantido até finais dos anos 80. A Maçonaria é explicitamente citada na sua Fábula de Veneza. Após a sua morte a Gran Loggia d'Italia organizou vários convénios públicos sobre a sua personagem Corto Maltese.

Pratt Escritor[editar | editar código-fonte]

Escreveu também romances de aventuras, essencialmente inspirados (ou inspiradores?) nas suas bandas desenhadas. Una ballata del mare salato e Corte Sconta detta Arcana têm como protagonista Corto Maltese, á semelhança das suas bandas desenhadas (tal como em Aspettando Corto); enquanto Il romanzo di Criss Kenton volta a narrar a história do L'uomo del grande Nord., anteriormente abordada em Wheeling e Jesuit Joe.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

No cinema encarnou o papel de Rossetti no filme Quando c'era lui... caro lei! (1978), juntamente com Paolo Villaggio e Gianni Cavina e realizado por Giancarlo Santi, também faz o papel do inspetor Straniero no filme Nero, realizado por Giancarlo Soldi com guião de Tiziano Sclavi, o autor de Dylan Dog. Aparece também no filme francês Rosso sangue.

Bibliografia[9] [10] [editar | editar código-fonte]

Ano Título Original Desenhador Argumentista Títulos em Português Editoras
1945–49 Asso di Picche
1946 Silver Pan (historia inacabada) Hugo Pratt, Alberto Ongaro e «Davide»
1947 Indian River (historia inacabada) Hugo Pratt, Alberto Ongaro e «Davide»
1948 April e il fantasma Hugo Pratt, Alberto Ongaro e «Davide»
1948 Alan delle Stelle Alberto Ongaro
1949 Junglemen Alberto Ongaro
1951 El cacique blanco Alberto Ongaro
1953–59 El Sargento Kirk Héctor Germán Oesterheld
1954 Legión extranjera Alberto Ongaro
1957–58 Ticonderoga Héctor Germán Oesterheld
1957-59 Ernie Pike Héctor Germán Oesterheld
1959 Ann y Dan
1962 Wheeling
1962 Capitan Cormorant Stelio Fenzo
1967-69 Corto Maltese - Una ballata del mare salato A balada do mar salgado Livraria Bertrand; Meribérica/Liber; Público (3 Vols)
1969-73 Les Scorpions du Desert (1º Epi.)
1970 Corto Maltese - Sotto il segno del capricorno Sob o signo do capricórnio Edições 70 (3 Vols); Meribérica/Liber; Público (3 Vols)
1971(?) Corto toujours un peu plus loin Corto Maltese na Amazónia Edições 70 (2 Vols)
1971-72 Corto Maltese - Le celtiche As célticas Edições 70 (3 Vols); Meribérica/Liber; Público (2 Vols)
1972-73 Corto Maltese - Le etiopiche As etiópicas Edições 70 (2 Vols)
1975 Les Scorpions du Desert- Piccolo chalet
1975-77 Corto Maltese - Corte sconta detta arcana Corto Maltese na Sibéria Edições 70 (2 Vols); Meribérica/Liber; Público (2 Vols)
1976 Svend – L’Homme des Caraíbes
1977 Corto Maltese - Favola di Venezia Fábula de Veneza Edições 70; Público
1977 La Macumba du Gringo
1978 À L’Ouest de L’Éden
1980 Les Scorpions du Desert - Vanghe Dancale
1980 Jesuit Joe
1980-85 Corto Maltese - La casa Dorata di Samarcanda A casa dourada de Samarcanda Edições 70; Meribérica/Liber; Público
1981 Corto Maltese - La giovinezza A juventude de Corto Maltese: 1904-1905 Edições 70; Meribérica/Liber
1982 Les Scorpions du Desert - Dry Martini Parlor
1983 Tutto ricominciò con un’estate indiana Milo Manara Verão Indio Meribérica/Liber
1984-88 Cato Zoulou
1985-86 Corto Maltese - Tango Tango Edições 70; Meribérica/Liber; Público
1987 Corto Maltese - Elvetiche - Rosa Alchemica As helvéticas Edições 70; Meribérica/Liber
1988-91 Corto Maltese - Mú Público (3 Vols)
1992 Les Scorpions du Desert - Brise de mer
1992-95 El Gaucho Milo Manara
1993 Koïnsky Raconte
1993 Dans un Ciel Lointain
1994 Saint Exupéry – Le Dernier Vole
1995 Morgan
1995(?) Corto Maltese - La Lagune des Mystéres

Notas e referências

  1. http://www.ubcfumetti.com/enciclopedia/?14840
  2. Margherita Hack repubblichina pentita. E quanti altri vip hanno fatto come lei!, dal sito www.blog.oggi.it (html). URL consultato il 07-01-2011
  3. E per il Secolo d' Italia Hugo Pratt "era un maro'", dall'archivio storico del Corriere della Sera (html). URL consultato il 07-01-2011.
  4. La biografia di Hugo Pratt, dal sito www.cartonionline.com (html). URL consultato il 18-01-2010.
  5. http://www.comicvine.com/hugo-pratt/26-23216/albo-uragano/49-28432/
  6. a b Luciano Lanna, Il fascista libertario, Sperling& Kupfer, Milano, 2011, pag. 4
  7. Luciano Lanna, Il fascista libertario, Sperling& Kupfer, Milano, 2011, pag. 165-166
  8. Il Derviscio Lo Sciamano Il Massone - Gli incontri iniziatici di Corto Maltese, Lizard Edizioni, 2004. Pagina 148
  9. http://www.geocities.ws/bdnostagia/corto_maltese.html
  10. http://dreamers.com/corto/cronolo.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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