Maus

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Maus
Maus.svg
Representação da suástica nazista presente na capa de Maus
Editora Pantheon Books
Formato de publicação série limitada
Publicação original 1986
Gênero (s) Livro de memórias, autobiografia
Equipe criativa
Argumentista(s) Art Spiegelman
Arte Art Spiegelman
Projecto Banda Desenhada  · Portal da Banda Desenhada

Maus: A Survivor's Tale é um romance gráfico produzido pelo estadunidense Art Spiegelman que narra a luta de seu pai, um judeu polonês, para sobreviver ao Holocausto. As primeiras páginas foram publicas em 1980 mas o trabalho só foi concluido em 1991. A história fala do relacionamento complicado do autor com seu pai e de como os efeitos da guerra repercutiram através das gerações de sua família. Em 1992 Spiegelman foi agraciado com um "Prêmio Especial Pulitzer": tal categoria foi proposta pois o comitê de premiação não se decidiu se categorizava Maus como uma obra de ficção ou biografia.[1]

Spiegelman retrata diferentes grupos étnicos através de várias espécies de animais: Os judeus são os ratos (em alemão: maus), os alemães, gatos, os franceses, sapos, os poloneses, porcos, os americanos, cachorros, os suecos, renas, os ciganos, traças, os ingleses, peixes. O uso de antropomorfismo, uma técnica familiar em desenhos animados e em tiras de quadrinhos, foi uma tirada irônica em relação às imagens propagandistas do nazismo, que mostravam os judeus como ratos e os poloneses como porcos. A publicação na Polônia teve de ser adiada devido a este elemento artístico.[2]

O livro trata do antissemitismo. O termo usado pela primeira vez por Wilhelm Marr, designa uma aversão irracional, um ódio gratuito e sem a menor razão pelo povo judeu.[3]

Publicação[editar | editar código-fonte]

O primeiro capítulo de Maus apareceu pela primeira vez em dezembro de 1980 no segundo número da revista Raw [4] . Um novo capítulo da história apareceu nas revistas seguintes até o final em 1991. Todos os capítulos exceto o último foram publicados em Raw.[5]

Spiegelman teve dificuldades para encontrar um editor para Maus,[6] mas em 1986, os primeiros seis capítulos foram coletados num livro da Pantheon. O volume recebeu o título Maus: A Survivor's Tale com o subtítulo My Father Bleeds History. No Brasil foi publicado em 1987 pela Editora Brasiliense com tradução de Maria de Souza Bierrenbach com o título e subtítulo traduzido respectivamente para "Maus - A história de um sobrevivente" e "Meu pai sangra História (1930-1944)". Spiegelman confessou que tinha pressa para o livro ser lançado pois queria evitar comparações com o filme de animação An American Tail de Amblin Entertainment de Steven Spielberg, que ele acreditava teria sido inspirado em Maus.

A Pantheon usou o termo "graphic novel" para categorizar a obra e Spiegelman não ficou confortável com o mesmo. Ele suspeitava que os editores queriam com isso valorizar os quadrinhos ao invés de descrever o conteúdo do livro[7] . Spiegelman acabou por aceitar o termo.

Os últimos cinco capítulos foram reunidos em 1991 num segundo volume com o subtítulo And Here My Troubles Began. Foi lançado em 1995 no Brasil pela mesma editora, com o subtítulo traduzido para "E foi aí que começaram os meus problemas". Os dois volumes depois foram publicados em um só pela Pantheon. Em 1994, a The Voyager Company lançou The Complete Maus em CD-ROM, que, além dos quadrinhos originais, trazia as gravações de Vladek, entrevista com Art e outros materiais. O CD-ROM utilizou o HyperCard, um agora obsoleto aplicativo da Macintosh[8] . Em 2011 a Pantheon Books publicou The Complete Maus com o título de MetaMAUS[6] . Contém uma longa entrevista de Spiegelman conduzida por Hillary Chute, além de outras com a esposa e filho, sketches, fotografias, árvore genealógica da família e um DVD de vídeo com imagens, áudio, fotos e uma versão interativa de Maus.[9]

O livro é dedicado ao irmão de Spiegelman, Richieu, morto durante o Holocausto e que ele nunca conheceu, e à primeira filha do autor, Nadja. Uma fotografia do irmão de Spiegelman também prefacia o livro. Uma frase de Adolph Hitler é citada na abertura do livro: "Os judeus são indubitavelmente uma raça, mas eles não são humanos".

Publicação internacional[editar | editar código-fonte]

Os direitos do primeiro volume para o Reino Unido foram licenciados para a Penguin Books em 1986, exceto a África do Sul. Spiegelman rejeitou o "compromisso com fascismo" em apoio ao boicote cultural proposto pelo Congresso Nacional Africano contra o apartheid.[10]

Até 2011 Maus havia sido traduzido para cerca de trinta línguas. Três traduções foram particulamente importantes para o autor: francês, por causa da esposa e também pelo seu respeito aos quadrinhos franco-belgas; alemão, foco do livro; e polonês. A Polônia aparece como cenário na maior parte do livro e o polonês era a língua de seus pais e sua língua na infância. A recepção na Alemanha foi positiva — Maus se tornou um best-seller e encontra-se em salas de aula. A versão polonesa enfrentou dificuldades. Mesmo em 1987, quando o autor planejou uma visita de pesquisa à Polônia, foi questionado sobre sua escolha de mostrar os nativos do país como porcos por um membro do consulado polonês. Ele foi avisado de que era um insulto forte chamar alguém de porco, assim como o é nos Estados Unidos. Editores e comentaristas temeram tocar no livro com medo de protestos e boicotes [11] . Maus foi finalmente publicado na Polônia em 2001 por Piotr Bikont.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Esta obra descreve detalhadamente as atrocidades cometidas pelos nazistas, principalmente no que diz respeito aos Campos de Concentração - Centros de confinamento militar instalado em área de terreno livre e cercada por telas de arame farpado ou algum outro tipo de barreira, cujo perímetro era permanentemente vigiado. Auschiwtz, citado no primeiro livro, converteu-se no centro de um conjunto de quase quarenta campos e sub campos e sede de um extenso complexo agrícola e industrial (minas, petroquímica e fábricas de armas) onde trabalhavam inúmeros prisioneiros — principalmente poloneses e judeus — ao lado de trabalhadores civis. Chamado de "Indústria da Morte", estima-se que Auschiwtz fez de 1,1 a 1,5 milhões de vítimas.O extermínio foi racionalmente organizado, de tal forma, que pudesse eliminar o máximo de pessoas em menos tempo, com os menores custos e a maior eficiência do ponto de vista operativo. A rígida divisão do trabalho e a extrema organização da "indústria da morte", incorporou o conhecimento de geniais arquitetos, admini stradores, antropólogos, médicos, químicos, biológos, enfim, parte do conhecimento e da tecnologia mais avançada a serviço da destruição de seres humanos. Para Hitler e os principais líderes nazistas, havia, entretanto, mais um ingrediente importante na “indústria da morte”: o uso do terror como arma política. Segundo Hitler, qualquer um que tivesse a intenção de atacar o governo alemão iria rever sua posição ao saber do que o esperava nos campos de extermínio. Até hoje, mais de 6 décadas depois da II Guera Mundial, este lugar permanece como o maior símbolo do Holocausto.

Perseguição dos judeus[editar | editar código-fonte]

A perseguição dos judeus na Europa se deu quando Hitler já havia dominado os outros países.

Os soldados judeus dos países derrotados eram postos em prisões separadas dos outros, as prisões eram barracas, e os soldados judeus eram mal alimentados. Os alemães passaram a perseguir os judeus de forma mais intensa, obrigando-os a "venderem" (de graça) suas lojas, fábricas.

Os judeus foram restringidos de irem a determinados locais, o desemprego entre eles cresceu de forma assustadora. Todos judeus passaram a ter identificações especiais (que distinguiam a diferença entre eles e os cidadãos alemães e poloneses) que não tinham eram perseguidos e mandados para campos de concentração. Judeus com medo de serem capturados, criaram a polícia judaica, que eram basicamente "dedo duro", ou seja, denunciavam judeus ilegais a fim de obter a afinidade de alemães para não serem capturados.

A solução alemã para a distribuição de alimentos para os judeus era a distribuição de tickets de alimentação, mas estes garantiam pouca comida, apenas o suficiente para sobreviver.

Com o passar da guerra, todos os judeus passaram a ser perseguidos, independentemente se eles tinham ou não autorização para circular nas ruas. Adultos e jovens com capacidade de trabalhar eram mandados para campos de trabalho forçado, os que não tinham condições de trabalhar, eram mandados para campos de extermínio como o de Auschwitz.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O primeiro volume do livro,possui o contexto histórico relacionado basicamente com o início da Segunda Guerra Mundial,ou melhor o início da Segunda Guerra Mundial na Polônia,local onde se passa a história.

A divisão da Polônia durante esse período de conflito,foi o principal fato que levou este país a sofrer graves consequências da guerra.A Alemanha Nazista, liderada por Adolf Hitler e a União Soviética por Josef Stalin,inimigas em parte, assinaram um acordo às escondidas através de um protocólo anexado ao Pacto de Não-Agressão,onde apresentavam a ideia de dividir o território polonês entre esses mesmos dois países.

No fim,após enfrentarem a guerra defensiva dos poloneses, a Alemanha terminou por anexar as grandes áreas da Polônia ocidental,enquanto a União Soviética passou a possuir 52,1% do território polonês.

A forte opressão sofrida pela Polônia e a grande violência utilizada pela Alemanha e pela União Soviética contra a população deste país,sem dúvida alguma,é um fato marcante exposto pelo livro.

As consequêcias sofridas por este país após 1945 se refletem até hoje.Durante a Guerra morreram seis milhões de poloneses,sendo 95% civis.Intelectuais,religiosos e nobres foram transportados para os campos de concentração ou executados imediatamente.Muitos poloneses que moravam no leste do país,foram transferidos para outros territórios.Varsóvia ficou totalmente despovoada.A Polônia foi o país que mais sofreu com a Segunda Guerra Mundial,não só pela grande destruição do seu território mas também pela elevada quantidade de perdas humanas.[12]

Auschwitz[editar | editar código-fonte]

No início da década de 40, Auschwitz era apenas uma pequena cidade na Alta Silésia alemã, com apenas treze mil habitantes. Porém, com o passar dos meses, revelou-se como um dos maiores campos de concentração da Alemanha, onde morreram cerca de um milhão de judeus. Este campo de extermínio durou cerca de 5 anos, e só foi totalmente extinto em 27 de janeiro de 1945, com a invasão dos soviéticos. Hoje em dia, Auschwitz, o mais sangrento campo de concentração de judeus, é considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Art Spiegelman - Filho de Vladek, criador dos quadrinhos.
  • Vladek Spiegelman - Judeu polonês sobrevivente do Holocausto.
  • Anja Spiegelman - Mãe de Artie, também sobrevivente do Holocausto.
  • Richieu Spiegelman - Irmão de Artie, morreu ainda criança, envenenado por Tosha que não queria deixar o Alemães levá-los para as câmaras de gás.
  • Mala Spiegelman - Segunda mulher de Vladek. Os dois vivem brigando por causa de dinheiro e manias que Vladek adquiriu enquanto estava em poder dos nazistas.
  • Francoise - Mulher de Artie. Francesa. Converteu-se ao judaísmo.
  • Sr. Zylberberg - Pai de Anja. Se achava rico demais para morrer. Acaba indo para Auschwitz por ser velho e morre.
  • Orbach - Amigo de Vladek. Ajuda Vladek dizendo que este era seu primo.
  • Pai do Vladek - Pula a cerca procurando a filha (Fela) e acaba ficando no estádio para morrer.
  • Tio Herman - irmão de Anja. Ele e a esposa estavam nos EUA quando começou a guerra, seus filhos ficaram no Holocausto.
  • Tosha - irmã mais velha de Anja. Muda-se com o marido, a filha e o sobrinho (Richieu). Com medo dos alemães envenenou-se a si e as crianças.
  • Sr. Ilzecki - Cliente de Vladek antes da guerra. Participa do mercado negro. Oferece levar Richieu para um lugar seguro, mas Anja recusou.
  • Nahum Cohn - Comerciante. Participou com Vladek no comércio de mercadorias sem cupom (mercado negro). Foi enforcado.
  • Avós da Anja - Moravam com os pais e o resto da família de Anja. São escondidos pela família até serem levados pelos alemães. Morreram nas câmaras de gás.
  • Lolek - sobrinho de Vladek, filho de Herman. Abandona Anja e Vladek por não querer mais se esconder. Sobrevive ao Holocausto e torna-se professor universitário.
  • Haskel Spiegelman - primo de Vladek, faz parte da polícia judáica no gueto.
  • Miloch Spiegelman - primo de Vladek. Supervisor na fábrica de calçados, ajuda alguns judeus a se esconderem dos alemães e depois quando Vladek vai para Hungria ele e sua família se escondem com Motonowa.
  • Pesach Spiegelman - primo de Vladek. Vendeu "bolo de sabão em pó" no gueto.
  • Sr. Lukowski - porteiro da antiga casa de Anja. Ajuda-os a se esconder e indica-os a casa de Sra. Kawka.
  • Sra. Kawka - Abrigou Vladek e Anja no celeiro de sua casa em Sosnowiec. Apresentou-os aos traficantes que combinaram de levá-los para Hungria.
  • Sra. Motonowa - Polonesa que vendia comida sem cupom. Abrigou Vladek e Anja em Sosnowiec.
  • Mandelbaum - antigo conhecido de Vladek, possuia uma loja de massas antes da guerra. Foi com Vladek para Hungria.
  • Abraham - Sobrinho de Mandelbaum, vai primeiro para a Hungria e promete a Vladek e a seu primo enviar-lhes cartas avisando sobre sua situação.
  • Os Karps - vizinhos de Vladek nos bangalôs de Catskills.
  • Kapo do Vladek - Ajudou Vladek no campo de concentração em troca de aulas de inglês.
  • Pavel - Judeu sobrevivente do Holocausto. Atualmente psicólogo de Artie.
  • Yidl - Chefe de Vladek na funilaria em Auschwitz. Comunista.
  • Mancie - Namorada de um Kapo que ajuda Anja e Vladek a se encontrarem.
  • O Francês - Amigo de Vladek. Recebia pacotes da Cruz Vermelha com comida e dividia com Vladek, já que este era o único com quem conversava, afinal não sabia falar nem polonês nem alemão.
  • Shivek - Amigo de Vladek de antes da Guerra. Os dois se reencontram quando saem de seus respectivos campos de concentração.
  • A cigana -Fala sobre passado e futuro de Anja, seus filhos e família, e dá esperanças sobre Vladek.

Personificação[editar | editar código-fonte]

Nos quadrinhos de Spiegelman os animais simbolizam diferentes nacionalidades e etnias:

  • Ratos - Judeus: Podem ser vistos como vítimas fracas e indefesas e simbolizam a ideia nazista dos judeus serem insignificantes, assim como a incapacidade dos nazistas de acabar com essa raça por causa do seu grande número populacional.
  • Porcos - Poloneses: Os poloneses ficaram ofendidos, mas Spiegelman explica que os porcos têm boa reputação com os americanos por causa de programas de TV como: Miss Piggy e Pork Pig.
  • Gatos - Alemães: Inimigos e perseguidores naturais dos ratos.
  • Sapos - Franceses: Referência direta ao apelido francês e participação dos sapos na culinária francesa.
  • Cachorros - Estadunidenses: Compara a antipatia do cão ao gato aos estadunidenses e alemães, inimigos na II Guerra Mundial.
  • Renas - Suíços
  • Ursos - Russos
  • Peixes - Britânicos
  • Spiegelman queria dar um ar de sofisticação aos franceses, e em uma conversa com sua esposa transcrita nos quadrinhos ele fala que coelhos seriam muito inocentes para os franceses pois teriam sido anti-semitas.

Resumos dos primeiros seis capítulos dale[editar | editar código-fonte]

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Prólogo: Uma breve história em quadrinhos onde o autor criança em um dia de verão de 1958, patinava com seus amigos. Então um de seus patins soltou do pé e seus "amigos" não o ajudaram a levantar e continuaram. Abandonado, foi choramingando até seu pai e explicou o ocorrido. Seu pai disse que para saber quem são seus amigos de verdade basta trancá-los em um quarto sem comida por uma semana.

O sheik (capítulo 1): Artie encontra seu pai depois de muito tempo em sua casa no Rego Park. Lá ele conhece Mala, atual esposa dele. Após um breve jantar Art e seu pai foram "colocar o papo em dia", e ele perguntou sobre um livro em que o filho gostaria de fazer contando a história da família. O pai começa a contar como e onde ele conheceu sua mãe. Disse que antigamente as meninas o achavam parecido com Rodolfo Valentino, "O Sheik", e que viviam aos seus pés. Contou também que conheceu Anja, mãe de Art, em Sosnowiec, quando foi visitar sua família. Lá ele ficou encantado com Anja e após alguns anos eles ficaram noivos. E que quase não se casaram por causa de Lúcia, uma antiga namorada que não o largava em paz. Finalmente em 14 de fevereiro de 1937 ocorreu o casamento.

A Lua-de-mel (capítulo 2): Vladek conta o dia em que descobriu que Anja estava envolvida em conspirações. Anja traduzia cartas comunistas e passava adiante. A polícia por pouco não descobre o envolvimento e prende uma pobre costureira, inquilina de Anja, que concordou em guardar as cartas para a freguesa. Pouco tempo depois Vladek vira dono de uma fábrica de tecidos "doada" pelo seu sogro, que se preocupava com o futuro de um possível neto. Richieu, o primeiro filho do casal, nasce em outubro 1937. Vladek procura um apartamento em Bielsko, onde ele mora e fica a fábrica. Anja continua em Sosnowiec com a família e o bebê. Vladek tem que voltar para Sosnowiec quando descobre que Anja sofre de uma intensa depressão. Em 1938 - mesmo ano da cobiça alemã pela Sudetas, território tchecoslováquio - Vladek acompanha a internação de Anja em um sanatório na Tchecoslováquia. No trem ele e os outros judeus ficam chocados quando veem a bandeira com a suástica em pleno centro da cidade. O casal volta depois de 3 meses, quando Anja parecia plenamente recuperada. Vladek descobre que sua fábrica foi saqueada, mas mesmo assim continua o trabalho intenso. Vladek termina o capítulo contando a Art que no dia 24 de Agosto de 1939 recebeu uma carta de recrutamento de guerra para a reserva polonesa.

Prisioneiro de guerra (capítulo 3): Artie passa a visitar o pai mais vezes para saber sobre seu passado. Vladek conta sobre 1939 quando foi recrutado para a guerra onde permaneceu por duas horas em trincheiras guerreando contra os nazistas onde foi pego e tornado prisioneiro. Levado a um campo de prisioneiros de guerra permaneceu lá durante 6 semanas vivendo a uma casca de pão e sopinha e tomando banho no rio. Se mudou para uma boa casa de madeira onde ganhara pão e sopa ao aceitar um anúncio onde os alemães precisavam de trabalhadores para substituir aqueles que foram para o front. Vladek e seus companheiros foram forçados a trabalhar movendo rochas. O trabalho era tão pesado que alguns preferiram congelar e definhar nas barracas. Uma noite Vladek teve um sonho que dizia que ele iria ser livre no dia de parshas truma. Seu sonho se tornaria realidade: nesse dia todos foram alinhados em fila e enviados para seu destino, porém, Vladek acaba passando de Sosnowiec e vai até Lublin. Lá, encontra autoridades judaicas onde ajudam-lo a ser solto. Permaneceu na casa de Orbach, um amigo de sua família, onde ficou se recuperando. Depois pegou um trem onde ficou escondido com a ajuda de um funcionário polonês até retornar a sua casa.

Os laços se apertam (capítulo 4): O capítulo começa com uma pequena discussão entre pai e filho. E então Vladek Spiegelman começa a contar como foi sua vida em 1940. Quando voltou para casa, tudo parecia igual. Se reuniu com os 12 parentes que viviam na casa de seu sogro. Conversavam sobre a rigorosa vigilância que os nazistas faziam sobre os judeus. Além disso, falavam sobre a presença dos arianos em seu comércio, no qual eles mandavam em tudo. Com a ajuda de seu sogro, aprendeu como contornar a fiscalização nazista. Um tempo depois as dificuldades apareceram. A família de Vladek Spiegelman queria vender a mobília da casa, mas foram enganados pelos alemães que pegaram a mobílias sem pagar. Uma vez enquanto Vladek estava indo ver Ilzecki, presenciou cenas brutais, dos alemães sobre os judeus, em que por pouco seria pego, se não fosse pela ajuda de seu amigo Ilzeki, que o levou para sua casa. No final de 1941, os alemães obrigaram todas as famílias judias a se transferirem de suas casas para morarem em alojamento, e a família de Vladek foi também. Os nazistas começaram a matar os judeus que desobedeciam suas regras, deixando Vladek assustado pois ele também as infligia vendendo tecidos sem cupom. Vieram depois mais novidades alemães: que todas as pessoas com mais de 70 anos teriam que ser transferidas para Theresienstadt. Assim, os avós de Anja, com 90 anos, logo teriam que ser transferidos. Mas a família fez um esconderijo onde esconderam os avós de Anja.

Buraco de rato (capítulo 5): Mala ligou para Artie cedo para reclama de seu pai, que insistia em consertar o cano do telhado. Artie fala com seu pai que o chama para consertar.Ele fala que não pode ir então Vladek chama o vizinho que ficou de ajudar no final de semana.

Uma semana depois, Artie fala com seu pai e o sente bastante entristecido. Então ele pergunta para Mala o que houve e ela responde que Vladek leu a história em quadrinhos que ele havia feito sobre o suicídio da mãe e por isso estava triste. Artie fica surpreso pelo seu pai também ter lido. Vladek fala que chorou quando leu a história. Mala sente ciúmes por ele guardar as fotos dela. Artie e Vladek vão ao banco. No caminho Vladek contou um pouco de sua história para Artie. Vladek teve que se mudar para Strodula segundo a ordem de 1943. Eles tiveram que pagar aos poloneses de Strodula para ir morar em suas casas. Vladek e sua família moraram em uma cabana, mas havia gente vivendo na rua. Parte da família de Vladek foi morar com o tio Wolfe que residia em Zawiece, que era o cabeça do Conselho Judáico. Os alemães eram maldosos e perseguiam os judeus. Vladek ficava triste e ao mesmo tempo feliz por saber que suas crianças estavam salvas com Persis. Os alemães atacaram o Conselho Judáico e mataram Persis. Com medo de ir para as câmaras de gás as três crianças e Tosha tomaram veneno e morreram. Mataram também o marido de Tosha a tiro. Vladek tinha um esconderijo em um porão, por isso não foi pego. Os nazistas liquidaram completamente o gueto. Vladek e parte de sua família se mudaram para outro esconderijo. Lá apareceu um homem com uma criança que depois os mostrou para os nazistas. Os nazistas os prenderam, mas Vladek viu um parente (Jakov) e ofereceu dinheiro para os ajudar a fugir. Anja e Vladek conseguiram fugir, mas os pais de Abja não - e morreram nas câmaras de gás. Anja e Vladek foram trabalhar na sapataria. O homem que entregou o esconderijo para os judeus foi morto. No caminho Vladek sofre um mal-estar cardíaco e Artie lhe dá uma pílula que o faz melhorar. Vladek conta que comeu um bolo que comprou de Haskel, mas disse que todo o gueto adoeceu (Haskel sobreviveu da guerra). Todas as quartas-feiras saíam vários caminhões levando as pessoa de Strodula para Auschwitz. Então, para se esconderem, Miloch levou Vladek até a sapataria e mostrou um túnel em meio aos sapatos que levava a um quarto (esconderijo). Lolek não quis ir para o esconderijo e foi levado para Auschwitz. Então foram para o esconderijo Vladek e Anja com outros judeus. No esconderijo eles passaram fome. Tentaram fugir dali mas alguns tiveram que voltar. Quando perceberam que todos os guardas já haviam ido embora eles saíram só que não tinham para onde ir. Vladek dá a chave do cofre para Artie. E fala que se alguma coisa acontecer é para ele ir lá e pegar todos os bens. Vladek se arrepende de ter casado com Mala e sente falta de Anja.

A ratoeira (capítulo 6): Mala, cada vez mais chateada já que seu marido (Vladek) não lhe dá dinheiro para comprar até as coisas mais simples, se encontra angustiada. Art revela que com Anja (sua mãe) sempre fora assim. Artie tenta justificar a atitude do pai, usando o motivo da guerra, mas como Mala também viveu no mesmo cenário, mostra a Art, que nem a guerra é uma justificativa para tal modo de pensar avarento.

Um tempo depois, Vladek conversa com Art. Vladek conta como foi difícil este período. Anja e Vladek tiveram de procurar abrigo na casa de amigos mas são rejeitados pela justificativa do risco que corriam. Por fim, se refugiam na casa dos pais de Vladek, mas os próprios cidadãos o delatam e a polícia não os leva a sério.

Com medo de serem descobertos, Anja e Vladek procuram refúgio em uma fazenda de uma senhora, em troca de dinheiro.

Um tempo depois, Vladek vai a Dekerta, um ponto de troca, por via de um bonde (dividido entre oficiais nazistas e poloneses). Chegando à Dekerta, Vladek conhece a Sra. Motonowa, esposa de um oficial nazista, que quase não ficava em casa, só vinha periódicamente de dois em dois meses, permanecendo por dez dias. A Sr. Motonowa oferece hospedagem mas a um preço muito caro.

Um certo dia, Motonowa teve seus bens confiscados e volta correndo em casa avizando para que Art e Anja fossem embora.

Com isso, Art e Anja voltam a fazenda onde a dona desta conta-lhes que um dos hóspedes iria para Hungria.

De volta Dekerta Vladek reencontra a Sr. Motonowa que se desculpa pelo ocorrido e lhes oferece abrigo novamente. Vladek vai à casa de um senhor rico onde encontra contrabandistas de transporte de pessoas, que estão fazendo negócios com um homem que quer ir a Hungria. Ele diz a Vladek que se tudo correr bem ele lhe enviaria uma carta.

Valderk tenta convencer Anja a ir mas ela acha muito perigoso. Depois disso Vladek vai visitar seu primo.

Chegando ao lugar onde seu primo morava, o encontra em condições sub-humanas. Nesse momento, Vladerk recebe a carta do homem que foi a Hungria, dizendo que tudo correu bem. No início da viagem aquele país, os nazistas encontram-os e capturam-os. Na prisão, os nazistas confiscam os bens dos judeus e são colocados em celas.

Um caminhão recolhe os judeus, incluindo Vladek e Anja. E os levam a Auschwitz. Lá, são separados os homens das mulheres. Com isso Vladek não vê mais Anja até depois do fim de Auschwitz. Depois de muito tempo, após o suicídio de Anja, num dia de angustia, Vladek queima todas as recordações de Anja. Fazendo isso, provoca grande revolta em Art, levando a ser chamado por ele de assassino.

Resumos dos cinco últimos capítulos[editar | editar código-fonte]

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Mauschwitz[editar | editar código-fonte]

Mala abandona Vladek e Art e a esposa resolvem passar as férias com ele. Ele começa contar sobre Auschwitz, onde encontrou Abraham, sobrinho de Mandelbaun. Abraham conta que fora forçado pela Gestapo a escrever a carta que enganou os judeus ao dizer que a rota até a Hungria era segura. Os judeus ficam então sob a supervisão de um cruel Kapo polonês que submete os cativos a todo tipo de violência e maus-tratos. Vladek conta ao homem que pode lhe ensinar inglês então o Kapo passa a protegê-lo enquanto duram as aulas. No fim da narrativa Vladek leva o filho ao Hotel dos Pinheiros onde lhe conta que se misturava aos hóspedes para usufruir de algumas mordomias.

Auschwitz (O tempo voa)[editar | editar código-fonte]

Art começa a história contando que era 1987 quando desenhou aquela página e que seu pai falecera em 1982[13] . Ele conta que conseguira publicar o livro com os primeiros seis capítulos e que o mesmo fora um sucesso, já tendo sido traduzido em 15 línguas. Ele, contudo, sofre de culpa por temer ter exposto o seu pai ao ridículo. Vai a um psicólogo, Paul Pavel, um tcheco sobrevivente do holocausto e lhe conta seus problemas. Pavel diz que todos os que morreram não tem como contar o seu lado da história e que o melhor talvez fosse não haver mais histórias ("maybe it's better not to have any more stories"). Art replica citando Samuel Beckett: "Every word is like an unnecessary stain on silence and nothingness" (na versão em português:"Toda palavra é uma mancha desnecessária no silêncio e no vazio"), mas acrescenta "por outro lado, ele disse isso" (on the other hand, he said it).[14]

Vladek continua a contar seu sofrimento no campo, a começar das frequentes "selektion", seleção pelos médicos nazistas dos mais fracos e doentes para serem enviados para a morte. Vladek consegue trabalhar como funileiro e ganhar a proteção de Ylde, um áspero comunista. Anja está em Bikenau ou Auschwitz - 2 e Vladek se comunica com ela e lhe envia comida através de uma prisioneira húngara amante de um soldado alemão, Mancie, que se comove com o amor do casal. Depois Vladek consegue uma ocupação como sapateiro e com serviços para a Gestapo consegue bastante comida e tenta enviar para Anja mas é roubado. Ele vai até Bikenau se oferecendo para fazer parte de um grupo de trabalho forçado e consegue ver e conversar com Anja. Mas numa dessas jornadas é ouvido conversando por um soldado nazista que o espanca e manda para o hospital. Ele volta para os trabalhos forçados mesmo bastante machucado. Ao todo ele conta que passou doze meses em Auschwitz. Vladek começa a narrar o que viu em relação ao extermínio de judeus em Auschwitz e conta em detalhes como funcionavam os 4 crematórios.

E foi aí que começaram os meus problemas[editar | editar código-fonte]

Com o avanço aliado, os alemães preparam a evacuação de Auschwitz. Vladek e os outros são obrigados a marcharem por mais de cinquenta quilometros através da fronteira alemã até o campo Gross-Rosen e depois tomam um trem de gado, chamado de "trem da morte", onde 200 prisioneiros são espremidos num vagão. Vladek consegue se salvar ao amarrar um cobertor em ganchos perto da janela, ficando suspenso sobre os outros. Ele pega neve pela janela para saciar a sede. Quando chegam a Dachau em fevereiro de 1945, a maioria dos judeus havia morrido e os sobreviventes já conseguiam espaço para sentarem dentro do vagão. No campo, Vladek faz amizade com um prisioneiro francês e os dois se ajudam mutuamente. Vladek contrai tifo e fica bastante debilitado. Usando de parte de ração de pão para dar aos outros, ele consegue ser ajudado para pegar um trem de prisioneiros que serão enviados para serem trocados na Suiça por prisioneiros alemães.

Sãos e salvos[editar | editar código-fonte]

A guerra acaba e Vladek e o amigo Shvek são deixados pelos soldados alemães que fogem, e vagam pelo lugar até encontrarem uma fazenda abandonada, onde conseguem se restabelecer. Os americanos chegam e fazem amizades com eles mas logo os dois tem que deixar o lugar quando surge a proprietária. Após contar essa parte da hitória, Vladek mostra a Art diversos retratos de família que ele conseguira recuperar da governanta de Richieu.

A segunda lua-de-mel[editar | editar código-fonte]

Vladek conta que ficou em Estocolmo onde ganhou bastante dinheiro vendendo meias de nylon. No entanto mudou-se para os Estados Unidos a pedido de Anja, que queria ficar perto de parentes, e lá sobreviveu comercializando diamantes. Vladek estava na Flórida quando passou mal e Mala retorna para cuidar dele. Ele não quer ser tratado lá e Art o traz até o Hospital de La Guardia em Nova Iorque. Continuando com suas memórias, Vladek conta que chegou em Hanover enquanto Anja estava em Sosnowiec, saindo de Auschwitz pelo lado russo. Mesmo sendo alertado que os judeus que retornavam à Polônia estavam sendo mortos, viaja para lá. Anja não tinha notícias dele mas estava esperançosa ao ter o futuro lido por uma cigana. A história termina com o reencontro dos dois em Sosnowiec. O livro fecha com Vladek chamando Art de Richeu ao falar "Eu estou cansado de falar, Richieu, e já contei histórias suficientes por agora". O quadrinho final mostra as sepulturas de Vladek e Anja[15] .

Referências

  1. Stanley, Alessandra. "'Thousand Acres' venceu como ficção", The New York Times, 8 de abril de 1992. “Art Spiegelman venceu um prêmio especial por "Maus", a história de um sobrevivente de Auschwitz contada em forma de quadrinhos. Os membros do Pulitzer, assim como os editores e proprietários de livrarias anteriormente, tiveram dificuldades de classificar a história sobre a Alemanha Nazista” (requires login)
  2. Art Spiegelman (http) Witness & Legacy - Contemporary Art about the holocaust:. Visitado em 14 de fevereiro de 2006.
  3. "Art Spiegelman's MAUS: Working-Through The Trauma of the Holocaust Recuperado em 20 de maio de 2010
  4. Kaplan 2008, p. 171.
  5. Kaplan 2006, p. 113.
  6. a b Kois 2011.
  7. Petersen 2010, p. 222.
  8. Hignite 2007, p. 57.
  9. Garner 2011.
  10. Smith 2007, p. 93.
  11. Weschler 2001.
  12. http://www.dw-world.de/popups/popup_lupe/0,,1473462_ind_1,00.html
  13. Wood 1997, p. 85.
  14. Rothberg 2000, p. 217.
  15. Mandel 2006, p. 118.