Watchmen

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Watchmen
Publicado por DC Comics
Formato Série limitada
Data das publicações de setembro de 1986 a outubro de 1987
Personagens principais Rorschach
Nite Owl
Dr. Manhattan
Silk Spectre
Ozymandias
Comedian
Time criativo
Escritor(s) Alan Moore
Artista(s) Dave Gibbons
Criadores Alan Moore, Dave Gibbons

Watchmen é uma série de história em quadrinhos escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, publicada originalmente em doze edições mensais pela editora estadunidense DC Comics entre 1986 e 1987. A série foi reimpressa mais tarde em brochura (ou trade paperback[1]).

Watchmen é considerada um marco importante na evolução dos quadrinhos nos EUA: introduziu abordagens e linguagens antes ligadas apenas aos quadrinhos ditos alternativos, além de lidar com temática de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais publicadas naquele país. O sucesso crítico e de público que a série teve ajudou a popularizar o formato conhecido como graphic novel (ou "romance visual"), até então pouco explorado pelo mesmo mercado. Diz-se que Watchmen foi, no contexto dos quadrinhos da década de 1980 — juntamente com The Dark Knight Returns de Frank Miller e Maus de Art Spiegelman) — um dos responsáveis por despertar o interesse do público adulto para um formato até então considerado infanto-juvenil.

A série foi galardeada com vários Prêmios Kirby e Eisner, além de uma honraria especial no tradicional Prémio Hugo, voltado à literatura: é até o momento a única graphic novel a conseguir tal feito.[2] Watchmen também é a única história em quadrinhos presente na lista dos 100 melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923[3].

A trama de Watchmen é situada nos EUA de 1985, um país no qual aventureiros fantasiados seriam realidade. O país estaria vivendo um momendo delicado no contexto da Guerra Fria e em vias de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética. A mesma trama envolve os episódios vividos por um grupo de super-heróis do passado e do presente e os eventos que circundam o misterioso assassinato de um deles. Watchmen retrata os super-heróis como indivíduos verossímeis, que enfrentam problemas éticos e psicológicos, lutando contra neuroses e defeitos, e procurando evitar os arquétipos e super-poderes tipicamente encontrados nas figuras tradicionais do gênero. Isto, combinado com sua adaptação inovadora de técnicas cinematográficas, o uso frequente de simbolismo, diálogos em camadas e metaficção, influenciaram tanto o mundo do cinema[carece de fontes?] quanto dos quadrinhos.

Índice

[editar] Pano de fundo

Alan Moore, que pretendia transcender as percepções do estilo quadrinhos como algo juvenil, criou Watchmen pretendendo fazer um "Moby Dick dos super-heróis; algo que tivesse aquele mesmo peso, aquela mesma densidade."[4] Moore também citou William S. Burroughs como uma de suas "principais influências" durante a concepção de Watchmen, admirando seu uso de "símbolos repetidos permeados por significados" na primeira e única tira de Burroughs, The Unspeakable Mr. Hart, que apareceu na revista underground britânica Cyclops.[5]

Moore e Gibbons originalmente conceberam uma história que apresentaria "os familiares super-heróis à moda antiga sob um prisma completamente diferente."[6] Inicialmente, Moore buscou inspiração na linha de super-heróis da extinta MLJ Comics:

Eu comecei a pensar em usar os personagens da MLJ - os super-heróis Archie - só porque eles não estavam sendo publicados na época, e até onde eu sabia, eles estavam dispostos a negociar. O conceito inicial teria aquela versão tosca do personagem Shield dos anos 60/70 sendo encontrado morto em um bosque, e então teríamos provavelmente vários outros personagens, incluindo o Private Strong de Jack Kirby sendo trazido de volta, e a investigação de um misterioso assassinato. Acho que eu estava simplesmente pensando, 'Essa seria uma boa maneira de começar uma história em quadrinhos: com um super-herói famoso sendo encontrado morto.' Enquanto o mistério fosse sendo desvendado, iríamos cada vez mais fundo no verdadeiro coração daquele universo de super-heróis, mostrando uma realidade bem diferente da imagem que o público em geral tem de super-heróis. Era essa a idéia.
Alan Moore, entrevista à Comic Book Artists[7]

Dick Giordano, que trabalhara na Charlton Comics, sugeriu usar um elenco de antigos personagens da Charlton recém-adquiridos pela DC Comics. No entanto, os heróis Charlton estavam sendo lentamente integrados à continuidade normal da DC. Por Moore e Gibbons pretenderem montar uma história séria na qual alguns dos recém-adquiridos personagens poderiam morrer e o universo DC ser drasticamente alterado após sua conclusão, o uso dos heróis Charlton tornou-se assunto fora de cogitação. Giordano então sugeriu a Moore e Gibbons que simplesmente começassem do zero, inventando seus próprios personagens. Moore decidiu então criar personagens ligeiramente semelhantes aos heróis Charlton - Dr. Manhattan é inspirado no Capitão Átomo, Rorschach é baseado no Questão e o Nite Owl é uma espécie de Besouro Azul com elementos do Batman.

Originalmente, Moore e Gibbons tinham roteiro o suficiente para apenas seis edições, então compensaram "interpolando os assuntos principais com temas que proporcionariam uma espécie de retrato biográfico dos personagens principais."[8] Durante o processo, Gibbons teve grande autonomia para desenvolver o estilo visual de Watchmen, inserindo detalhes que Moore admitiu só perceber mais tarde, pois Watchmen foi feito para ser lido e compreendido totalmente somente após diversas leituras.[9]

[editar] Características

Ambientada em uma realidade fictícia na qual os super-heróis são uma presença real na história da humanidade, Watchmen é um drama de crime e aventura que incorpora temas e referências relacionados à filosofia, ética, moral, cultura popular e de massas, história, artes e ciência.

A trama principal trata dos desdobramentos de uma conspiração revelada após a investigação do assassinato de um super-herói. Em torno desta história giram várias tramas menores que exploram a natureza humana e as diferentes interpretações de cada pessoa para os conflitos do bem contra o mal, através das histórias pessoais e relacionamentos dos personagens principais.

A responsabilidade moral é um tema de destaque, e o título Watchmen refere-se à frase em latim "Quis custodiet ipsos custodes", traduzida comumente na língua inglesa como "Who watches the watchmen?" ("Quem vigia os vigilantes?"), tirada de uma sátira de Juvenal. Neste sentido, a obra procura questionar o próprio conceito de "super-herói" comum nos quadrinhos norte-americanos e enraizados na cultura de massas daquele país e a partir daí manifestar-se sobre questões diversas: ao longo de seu texto, a obra (assim como seus próprios personagens) evita mesmo utilizar-se da expressão "super-herói", preferindo termos como "aventureiros fantasiados" ou "vigilantes mascarados".

[editar] Enredo

Na realidade histórica alternativa apresentada em Watchmen, Richard Nixon teria conduzido os EUA à vitória na Guerra do Vietnã e em decorrência deste fato, teria permanecido no poder por um longo período. Esta vitória, além de muitas outras diferenças entre o mundo verdadeiro e o retratado nos quadrinhos, derivaria da existência naquele cenário de um personagem conhecido como Dr. Manhattan, um indivíduo dotado de poderes especiais, os quais o levam a possuir vasto controle sobre a matéria e a energia.

Neste mundo existiriam quadrinhos de super-heróis no final de 1930, inclusive do Superman, os quais eventualmente seriam a principal inspiração para que um dos personagens das série viesse a se tornar um combatente do crime (o primeiro Nite Owl). As revistas deste gênero então teriam deixado de existir, sendo substituídas por quadrinhos de piratas (talvez devido ao surgimento de heróis verdadeiros). O Dr. Manhattan, o único a possuir poderes paranormais, foi o primeiro da "nova era" de super-heróis mais sofisticados que durou do começo dos anos 60 até a promulgação da Lei Keene em 1977, implantada em resposta à greve da polícia e a revolta da população contra os vigilantes que agiam acima da lei.

A Lei Keene exigia que todos os "aventureiros fantasiados" se registrassem no governo. A maioria dos vigilantes resolveu se aposentar, alguns revelando suas identidades secretas para faturar com a atenção da mídia. Outros, como o Comedian e o Dr. Manhattan, continuaram a trabalhar sob a supervisão e o controle do governo. O vigilante conhecido como Rorschach, entretanto, passou a operar como um herói renegado e fora-da-lei, sendo freqüentemente perseguido pela polícia.

A história abre com a investigação do assassinato de Edward Blake, logo revelado como sendo a identidade civil do vigilante mascarado conhecido como Comedian. Tal assassinato chama a atenção de Rorschach, o qual passará toda a primeira metade da trama entrando em contato com seus antigos companheiros em busca de pistas, considerando praticamente todos como possíveis suspeitos.

[editar] Personagens

Apesar de os heróis de Watchmen serem inicialmente inspirados em personagens da Charlton Comics, vale dizer que Moore tomou emprestado elementos de vários outros quadrinhos, além de criar grande parte dos detalhes.

Os personagens principais da série são:

[editar] Filme

Uma adaptação para o cinema está atualmente em estágio de pós-produção, dirigida por Zack Snyder[10]. A data oficial de lançamento do filme é 6 de março de 2009.

[editar] Notas e referências

[editar] Ligações externas

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