Ignacio Zuloaga

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Ignacio Zuloaga
Ignacio Zuloaga em 1925
Nome completo Ignacio Zuloaga y Zabaleta
Nascimento 26 de julho de 1870
Eibar, País Basco (Espanha)
Morte 31 de outubro de 1945 (75 anos)
Madrid, Espanha
Nacionalidade Espanha
Área Pintura

Ignacio Zuloaga Zabaleta (Eibar, País Basco, 26 de julho de 1870Madrid, 31 de outubro de 1945) foi um dos mais importantes pintores espanhóis do final do século XIX e princípios do XX, primariamente conhecido pelos seus quadros costumbristas e retratos. Pelo seu estilo naturalista de forte desenho e colorido obscuro, influenciado por Ribera e Goya, foi tradicionalmente etiquetado como "reverso" ou oponente do estilo luminoso e optimista de Sorolla.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Monumento a Ignacio Zuloaga em Eibar
Monumento a Ignacio Zuloaga em Madrid

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Pertenceu a uma saga de artistas. Foi filho do notável damasquinador Plácido Zuloaga e sobrinho de Daniel Zuloaga, um ceramistas que exerceu grande influência sobre ele. Trabalhou de criança na oficina do seu pai em Eibar, onde teve os primeiros contatos com o desenho e a gravura.

A sua formação escolar foi realizado com os jesuítas na França, completando-se em Madrid, Paris e Roma.

Em 1887 apresentou um quadro na Exposição Nacional de Madrid, intitulado Um sacerdote rezando num quarto antigo. Copiou no Museu do Prado obras de Velázquez e El Greco. No ano seguinte pintaria Fuente de Eibar e O cego de Arrate, as suas primeiras obras conhecidas.

Vai embora a Roma em 1889, meta de muitos novos artistas, onde se empapa com os mestres do Renascimento. A sua estadia dura mais de meio ano. Pinta O forjador ferido.

Em 1890 mudou-se para Paris. Viveu em Montmartre. Frequentava a Academia de La Palette. Presentou um quadro na Exposição Nacional de Madrid. Travou amizade com Santiago Rusiñol e com os artistas catalães de Montmartre, assim como com Toulouse-Lautrec, Jacques Émile Blanche, Degas, Maxime Dethomas e Gauguin. Vive na rua Durantin, depois na rua Cortot e depois na rua des Saulnes. É atraído pela pintura de Monet, Degas e Carrière. Expôs, com Gauguin, Van Gogh, Degas e Toulouse-Lautrec, e de seguida adquire fama representando a parte gráfica da geração de 98. Enrique Lafuente Ferrari diria dele:

Cquote1.svg Zuloaga extraía dos seus motivos a máxima capacidade de expressão, magnificando-os até um plano de verdadeira grandeza artística e humana Cquote2.svg

No período entre 1891 e 1895 teria uma intensa relação com o grupo de Gauguin, com o que esse ano exporá duas paisagens na galeria Le Barc de Boutteville . Viajou a Bilbau, sendo fundador da Sociedade Festiva O Escritório, também conhecida como Kurding Club, e decora um dos seus muros com a tela intitulada Amanhecer.

Na Andaluzia[editar | editar código-fonte]

Em 1892 descobre em Paris dois Grecos, que adquire Rusiñol (atualmente em Sitges, Museu do Cau Ferrat). Vive na ilha de St. Louis com Rusiñol e Maurice Utrillo. Acode à VIII Mostra do salão dos Independentes com cinco quadros. Marcha à Andaluzia durante a temporada, buscando os seus temas na Espanha.

Durante 1893 estudou em Sevilha na Rua da Féria. Acode ao salão dos Independentes com seis quadros. Descobre a obra de James McNeill Whistler e consolida a sua amizade com os literatos franceses, ainda que fujam das influências simbolistas e impressionistas. No ano seguinte presenta no Salão Nacional de Belas-Artes de Paris dois quadros: Retrato da avó do pintor e O anão Dom Pedro. Juntamente com Rusiñol compra, em Paris, dois Grecos e viaja pela Itália e pela Suíça. Em Bermeo, localidade biscaínha, pinta os afrescos do Casino, que terminará ao ano seguinte.

Em 1895 realiza uma segunda exposição em Le Barc de Bouteville; mostra 6 quadros e compartilha estudo com Paco Durrio e Gauguin. Retrata a Valentine Dethomas. Mantém a sua residência principal na Andaluzia até 1898. Na Exposição de Barcelona de 1896 obtém a 2ª medalha pelo quadro Amigos. Viaja pela Espanha e chega a tourear em Sevilha.

Em 1898 expõe na Societé Nationale de Paris. Em Barcelona mostra a sua Véspera da corrida, obtendo a primeira medalha. Mudou-se para Segóvia.

Segóvia[editar | editar código-fonte]

No final do verão de 1898 chega a Segóvia, onde se instala com o seu tio Daniel à frente de uma oficina cerâmica. Pinta, entre outras obras, Meu tio e minhas primas, quadro que será adquirido pelo Estado francês para colocá-lo no Musée du Luxembourg.

Em 18 de maio de 1899 casou-se com Valentine Dethomas, irmã do seu amigo, o pintor Maxime. São testemunhas de casamento Carrière e Albéniz. O casal instala-se em Elgueta, localidade próxima a Eibar. Pinta A anã Dona Mercedes. O Estado belga compra O prefeito de Riomoros.

De novo em Segóvia estuda na Casa do Crime e na Canonjía. Em Paris, com ocasião da Exposição Universal, vende o quadro Vésperas da corrida. Esta obra foi recusada pelo jurado espanhol que selecionava as obras que acudiriam. Foi comprada pelo Estado belga. Realiza exposições em Bruxelas, Berlim, Colônia, Düsseldorf e Bilbau.

Em 1901 trava amizade com o poeta Rainer María Rilke. Gana a Grande Medalha da Exposição Internacional de Dresde. A relevância internacional é já importante e a Ópera de Berlim encarrega-lhe a cenografia de uma montagem de Carmem, enquanto a publicação Le Paris Ilustré dedica-lhe um número monográfico e recebe uma homenagem em Madrid.

No ano seguinte trava amizade com o escultor Auguste Rodin. Nessa época, a sua litografia O pregador (Segóvia) é incluído num livro da editorial Insel Verlag, com gravuras de James Ensor, Edouard Vuillard, Pierre Bonnard, Max Liebermann e outros.

Em 1902 voltou a pintar em Sevilha. Foi nomeado Sócio da Nacional de Belas-Artes de Paris. A sua mãe, Lucía Zamora Zabaleta, falece em Eibar. Pouco depois, em 15 de maio, nasceu a sua filha Lucia. Passa longas temporadas em Segóvia pintando junto ao seu amigo Pablo Uranga. A sua obra segue-se mostrando por diversas cidades europeias: Paris, Bordeaux, Munique, Budapeste e Berlim.

Em 1904 realiza as pinturas de Nossa Senhora de Arrate. Em Segóvia junta-se com o seu amigo Cottet, que pintará quatorze quadros; a este seguir-lhe-ão outros artistas, empurrados por Ignacio a trabalhar em Segóvia. Daniel Zuloaga compra a abandonada igreja de São João dos Cavalheiros, que albergará a oficina e estudo de tio e sobrinho. Expõe em Düsseldorf convidado por Rodin. No ano seguinte expõe em Paris, Praga, Rotterdam, Antuérpia, Liège, Veneza, Dresde e Viena. Em Bruxelas colabora na montagem da ópera Pepita Jiménez, cujo autor é o seu amigo Isaac Albéniz. Viaja pela Espanha com Rodin e o colecionador russo Tchoukin. Começa uma relação por carta com Picasso.

Em 1906 muda-se novamente para Paris, onde estabelece o seu estudo na rua Caulaincourt. O seu filho Antônio nasce em 10 de janeiro. Seguiu trabalhando no seu estudo de São João dos Cavalheiros. Deste trabalho sairão onze quadros que mostrará em Paris; entre eles Celestina. Em 1907 expõe na Quinta Exposição Internacional de Barcelona, na qual lhe é dedicada uma sala, e obtém o prêmio do rei e o diploma de honra. Concorrem com ele Maxime Dethomas e Rodin. Inicia por Guipúscoa a procura de uns terrenos onde edificar habitação, estudo e museu. Em Segóvia realiza quatorze quadros, entre eles As bruxas de São Milhão e O anão Gregório.

Em 1908, realiza uma exposição em Paris no Salão Nacional de Belas-Artes.

Gira americana[editar | editar código-fonte]

Em 1909 expõe nos Estados Unidos (Nova Iorque, Buffalo e Boston) um total de 38 quadros, 15 de eles com temática segoviana. Dedica-se ao estudo da paisagem, ocupando-se do seu tempo parisino. No mês de outubro Charles Morice escreveu uma monografia sobre Zuloaga e aparece publicada na revista L'Art les Artistes.

No ano seguinte expõe no México, em Santiago do Chile e em Buenos Ares (na capital argentina comunicam-lhe o falecimento do seu pai, embora provocando uma confusão no nome e destacando-se uma rápida especulação sobre os seus quadros). Apresenta quadros à Bienal de Veneza. Adquire terrenos em Zumaia para construir, com o tempo, Santiago Echea. Obtém o Grande Prêmio na Exposição Internacional de Roma de 1911. Contudo, teve de acudir fora da representação espanhola por não ter sido convidado. Paradoxalmente foi reclamada a sua assistência pelo Governo italiano. De 25 obras penduradas, 14 são segovianas. Esse ano viaja pela Itália.

Em 1912 recebe uma homenagem em Eibar. Em Paris, Leónce Bénédite dedica-lhe um artigo especial em L'Art et le Beau. Expõe em Viena, Dresde, Budapeste, Munique e Amsterdam.

Em 1913 realiza uma homenagem a Goya em Fuendetodos, descobrindo uma lápide na sua casa natal, que compraria ao ano seguinte. Pinta Ídolos futuros o Torerillos de Turégano, assim como Cortesana espanhola. Em Paris, Manuel de Falla espera-o, pois Ignacio oferecera-se para desenhar os trajes e o palco da representação de A vida breve. Inicia-se uma fecunda colaboração.

Em 19 de janeiro de 1914 presenta em Nova Iorque, nas Kraushaar Galleries, vários dos seus retratos mais famosos, incluindo A Morenita, com Xale Branco, com uma muito boa crítica na revista New York American sob o título 'Zuloaga's New Work Shown'.

Museu de Zuloaga em Zumaia

A 14 de julho de 1914 inaugura "Santiago Echea" em Zumaia (Guipúscoa), atualmente um museu. Expõe em Nova Iorque e Bruxelas e pela última vez em ao salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes de Paris. Pinta A minha prima Cándida e Bailarina vestida de toureiro.

Em plena Primeira Guerra Mundial manifesta-se em favor dos aliados e participa, mediante a doação de um dos seus quadros (o retrato Cándida) para aliviar a situação econômica de Eibar afundada na crise da guerra. Expõe em Eibar a benefício dos órfãos da Guerra Mundial de 1914.

Fachada de um edifício de Eibar retratando o pintor

No período compreendido entre 1916 e 1917 expõe nos Estados Unidos: envia a Nova Iorque 34 quadros, dos quais 20 são segovianos. Realiza os rascunhos para Goyescas, de Enrique Granados. Pelos méritos realizados em favor da França é-lhe outorgada, pelo presidente Poincaré, a Legião de Honra.

Juan de la Encina, pseudônimo de Ricardo Gutiérrez Abascal, publica um estudo sobre Zuloaga. Nos dois anos seguintes é requerido para realizar o retrato de Afonso XIII. Viaja com o doutor Gregório Marañón a Las Hurdes e à serra de Gredos. Em Bilbau, o financeiro Sota compra o quadro A duquesa de Noailles, que posteriormente será obsequiado ao Museu da Vila. Mudou-se para Madrid em 1920, onde instalou a sua oficina no bairro das Vistillas. Realizou o retrato do seu amigo Ortega y Gasset. Inaugurou em Fuendetodos o monumento a Goya.

Visitou à serra de Albarracín em 1921. A morte do seu tio Daniel afundou-o na tristeza.

Em 1925 voltou aos Estados Unidos. Expõe em Nova Iorque, na sala Reinhardt. Foi recebido pelo presidente Calvin Coolidge. Expõe também em Boston e Palm Beach, terminando a sua gira em Havana. Compra o castelo de Pedraza de la Sierra.

Inaugura-se com uma grande exposição de Zuloaga no novo Círculo de Belas-Artes de Madrid em 1926. É nomeado em Madrid presidente do Padroado do Museu de Arte Moderna em 1931. Retrata a Valle-Inclán e Pérez de Ayala. Na Itália, convidado pelo embaixador dos Estados Unidos, pinta A italiana.

Em 1936 realiza o retrato do escultor Julio Beobide. A guerra civil provoca um recolhimento na vida do pintor, abrindo-se caminho no mundo da escultura. Em 1938 ganha o Grande prêmio na Bienal de Veneza. Expõe esse ano em Londres.

Uma vez finalizada a guerra civil, em 1941, expõe individualmente no Museu de Arte Moderna de Madrid e ao ano seguinte em Barcelona na sala Argos.

Em 1945 é nomeado filho predileto de Guipúscoa por mediação da Sociedade Bascongada de Amigos do País. Além de retratos dos seus amigos, pinta As presidentas. Também dedicou a sua criatividade à elaboração de naturezas-mortas. More no seu estudo de Madrid a 31 de outubro e é enterrado em San Sebastián.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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