Kizomba

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Kizomba
Origens estilísticas Semba
Kilapanda
Merengue angolano
Contexto cultural Angola no inicio dos anos 80
Popularidade Elevada, especialmente nos países lusófonos e comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo
Subgéneros
Passada
Quadrinha
Tarraxinha
Formas regionais
Angola
Cabo Verde
Guiné-Bissau
Moçambique
São Tomé e Príncipe
Timor Leste
Brasil
Macau
Portugal
França
Reino Unido
Polónia

Kizomba é um género musical e de dança originário de Angola [1] , erradamente confundido com o Zouk, devido ao ritmo ser muito semelhante. Em Portugal a palavra "kizomba" é usada para qualquer tipo de música derivada do zouk, mesmo que não seja de origem angolana.

Origens[editar | editar código-fonte]

Nos anos 50/60 em Angola dançava-se nas grandes farras, conhecidas por "kizombadas" muitos estilos musicais tipicamente angolanos, como o Merengue angolano o Semba a Maringa e o Caduque (que deu origem à Rebita). O Kizomba, como dança, tem origem exactamente nessas farras, com dançarinos de renome como Mateus Pele do Zangado, João Cometa e Joana Perna Mbunco ou Jack Rumba que eram os mais conhecidos e escreviam no chão, as passadas notórias dos seus estilos de exibição ao ritmo do Semba. Estas passadas, evoluíram com o tempo para um estilo mais lento acompanhando também um ritmo menos corrido do Semba, já típico na década de 70 e conhecido por Semba lento, um ritmo menos tradicional mas mais do agrado dos jovens, tornando-se uma mescla de ritmos e de sabores, uma dança plena de calor e de sensualidade que propicia uma verdadeira cumplicidade e empatia entre os pares [1] . Este estilo começou a evoluir entre 1980 e 1981 com grupos como Os Fachos, um grupo ligado às FAPLA e liderados por Bel do Samba e os Afro Sond Star que misturavam o Semba lento com a Kilapanda levando ao aparecimento do ritmo conhecido por Kizomba [2] [3] .

O termo Kizomba surge também ligado ao estilo em 1981, através do "Bibi o rei da passada", percussionista dos SOS, um grupo que juntando outros estilos, como o Merengue angolano, aos ritmos desenvolvidos pelos outros grupos contemporâneos, desenvolveram uma sonoridade mais apetecível e dançante que começou a circular pelas farras angolanas [2] . Um dos membros deste grupo era Eduardo Paim que, após a dissolução dos SOS, se mudou para Portugal levando com ele o ritmo Kizomba, que começou a granjear adeptos em terras Lusas mas erradamente confundido com uma variante do Zouk [2] .

Estrutura musical[editar | editar código-fonte]

O Kizomba é normalmente marcado por uma batida forte em ritmo 4/4, dado por um tambor grave como o surdo, acompanhado por uma melodia dada por um prato de choque. Na introdução e durante as pontes, a batida forte é muitas vezes omitida, ficando apenas a melodia dada pelo prato de choque e pelos outros instrumentos da bateria.

Confusões com o Zouk[editar | editar código-fonte]

O Zouk surge nas Antilhas no inicio dos anos 80 pela mão do grupo Kassav', através de uma mistura entre o Calipso, um estilo musical afro-caribenho, e a Makossa, um estilo musical originário das regiões urbanas do Camarões (daí o ser tão parecido ao Kizomba), e aparece na Europa, onde se impõem com esse nome, em 1985 através da música "Zouk la sé sèl médickaman nou ni" que cunhou o estilo com o nome Zouk. É de notar que Zouk não era o nome do estilo musical, de facto os Kassav' nunca tinham atribuído esse nome ao estilo que desenvolveram, significando Zouk em Crioulo do Haiti, farra. Por outras palavras o nome da musica em português é "A farra é o único medicamento que temos". Como em França pouca gente entendia o Crioulo, e o nome que sobressaia do titulo era Zouk, o estilo passou a ser conhecido por Zouk.

É nesse contexto, que muitos emigrantes cabo-verdianos em França, tomam contacto com o Zouk e misturam o Zouk com a Coladeira, criando o Cola-Zouk, um derivado muito semelhante ao Kizomba e tipicamente cantado em Crioulo de Cabo-verde. É este ritmo que se confundo com o Kizomba e que se ouve por Portugal quando Eduardo Paim ai chega e lança o seu primeiro disco com Kizombas, sendo acusado de criar uma má imitação do Zouk [2] .

Presentemente, nos países e comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo, e devido ao facto de ser muito difícil distinguir entre Zouk, Cola-Zouk e Kizomba, todas esses estilos são chamados de Kizombas, no entanto de uma forma rude e genérica pode-se dizer que Zouk é cantado em francês, Colá-Zouk em crioulo de Cabo-verde e Kizomba em português.

Alguns artistas conhecidos[editar | editar código-fonte]

Entre muitos dos artistas que difundiram e ainda difundem o Kizomba, destacam-se: Eduardo Paim, Ruca Van Dunem, Luandino Carvalho, Ricardo Abreu, Don Kikas, Irmãos Verdades, Yola Semedo, Anselmo Ralph, Maya Cool, Yola Araujo, Eddy Tussa , G-Amado, Badoxa , Hugo Pina entre outros.

Outros significados[editar | editar código-fonte]

Kizomba significa festa do povo, tendo o nome origem nas danças dos negros que resistiram à escravidão. Era congregação, confraternização, resistência. Um chamado à luta por liberdade e por justiça. Kizomba era festa e resistência cultural de um povo. Era a exaltação da vida e da liberdade [4] . É de notar que esta interpretação da palavra kizomba e da sua origem no kimbundo é relatada já em 1894 no Bulletin of the American Geographical Society of New York [5] .

Kizomba é uma corrente dentro do movimento estudantil brasileiro [6] .

Kizomba é também o nome de uma plataforma petrolífera angolana [7] .

Escolas de Kizomba pelo mundo[editar | editar código-fonte]

hoje em dia a kizomba tem sido muito aderida por Europeu e Americano, com isso há uma tendência muito grande de angolanos profissionais na arte de dançar kizomba, emigrem para essas partes do planeta por causa das oportunidades de emprego na área de docência nas escolas de dança a volta do mundo.

Já tem havido alguns concursos de kizomba em algumas discotecas da Europa e América porque o estilo tem se expandido muito como as outros estilos por causa do seu folclore cheio de ritmo.


Referências

  1. a b Adebayo Oyebade. Culture and customs of Angola. [S.l.: s.n.]. p. 156.
  2. a b c d Eduardo Paim "Sou o precursor da Kizomba". O País. Página visitada em 22 de Junho de 2012.
  3. Artistas nacionais à conquista do mundo. O País Online. Página visitada em 22 de Junho de 2012.
  4. Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti. O rito e o tempo. [S.l.]: Civilização Brasileira, 1999. 111 p. p. 41.
  5. Bulletin of the American Geographical Society of New York. [S.l.]: American Geographical Society of New York, 1894. p. 58. vol. 26.
  6. Luís antónio Groppo, Michel Zaidan Filho, Otávio Luiz Machado. Movimentos Juvenis na Contemporaneidade. [S.l.: s.n.]. p. 94.
  7. American Association of Petroleum Geologists. Giant oil and gas fields of the decade, 1990-1999. [S.l.: s.n.], 2003. p. 227. vol. 78.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]