Michel Warschawski

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Michel Warschawski (Mikado), em Jerusalém, 2005.

Michel (Michael) Warschawski, também conhecido como Mikado (Estrasburgo, 1949), é um escritor ativista pacifista e antissionista israelense. Warschawski defende a substituição de Israel, como Estado judeu, por um Estado binacional.

Criou, em 1984, o Centro de Informação Alternativa de Jerusalém,[1] uma organização que divulga estudos e análises críticas das sociedades palestina e israelense, assim como do conflito entre Israel e Palestina, e promove a cooperação entre palestinos e judeus israelenses, com base em valores de justiça social, solidariedade e envolvimento da comunidade.[2] .

É membro do comitê de apoio ao Tribunal Russell sobre a Palestina, cujos trabalhos começaram em 4 de março de 2009.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do grande rabino de Estrasburgo e do Baixo Reno, Meri (Max) Shimon Warschawski. Depois de passar seus primeiros anos em Estrasburgo, decide partir para Jerusalém, aos 16 anos. Lá realiza estudos talmúdicos na yeshivá sionista Merkaz HaRav

Em 1967, adere ao movimento trotskista antissionista Matzpen, hoje extinto, que tinha como objetivo a transformação socialista do Oriente Médio, considerando o sionismo como uma forma de colonialismo.

Em 1984, Warschawski cria o Centro de Informação Alternativa (AIC), que reúne vários movimentos pacifistas israelenses e organizações palestinas. Em 1987, é preso pelo serviço de segurança israelense Shin Beth, sob a acusação de terrorismo, por ter imprimido panfletos sobre a Frente Popular para a Libertação da Palestina, de George Habash, organização tida terrorista, pelo Estado de Israel. Em 1989, apesar de ter sido absolvido de todas as acusações, exceto uma ("prestação de serviços a organizações ilegais"), foi condenado a vinte meses de prisão por ter apoiado a publicação de um livro que continha relatos de vítimas de torturas praticadas pelo Shin Beth. Desde então, Warschawski continua sua atividade no Centro de Informação Alternativa e é uma das mais conhecidas figuras da esquerda israelense.

Entre 2003 e 2005, deu uma série de conferências sobre o conflito israelo-palestino, em cerca de vinte cidades francesas e suas periferias, em centros associativos e escolas, com Dominique Vidal, do Monde diplomatique, e Leïla Chahid, delegada geral da Palestina na União Européia. A presença desses intervenientes em estabelecimentos públicos gerou protestos pela imprensa, notadamente dos periódicos Le Figaro e France-Israel. Assim as reuniões foram proibidas nos estabelecimentos escolares.

Desde setembro de 2008, Mikado participa como cronista do jornal satírico Siné Hebdo.

É casado com Lea Tsemel, advogada de direitos humanos.

Sobre o Muro da Cisjordânia[editar | editar código-fonte]

Segundo Warschawski, depois de 11 de setembro de 2001, o caráter do conflito leste-oeste mudou, e o Muro da Cisjordânia expressa concretamente essa transformação - o advento do chamado choque de civilizações:

"Se antes havia um Muro que separava o oeste capitalista do leste comunista, agora há um outro, que separa o Islã da Civilização Judaico-Cristã. O muro não é um muro local, mas global, que separa o mundo em dois" [3]

Sobre o Estado binacional[editar | editar código-fonte]

A idéia de Estado binacional, defendida por Warschawski, consiste na coabitação de judeus e árabes sob governo compartilhado de um mesmo Estado. Perguntado sobre sua ligação a Israel, declara, em 2005, que ama Israel, "como se ama o filho nascido de um estupro", pois não se pode culpar a criança pelas circunstâncias da sua concepção.[4]

Crítica[editar | editar código-fonte]

O acadêmico israelense Ilan Greilsammer, do movimento Paz Agora, lamenta a audiência que Michel Warschawski tem tido na Europa, considerando delirante a proposta de um Estado binacional. Greilsammer acredita que a esquerda antissionista apenas contribui para o fortalecimento da direita em Israel.[5] .

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

Em português

Referências

  1. Site do Centro de Informação Alternativa (em espanhol)
  2. En Israël, ceux qui refusent (artigo sobre Warschawski). Réseau 'No Pasaran', maio de 2002: (em francês)
  3. Entrevista com Michel Warschawski, em julho de 2007. In CAMPAGNUCCI, Fernanda - O outro lado do muro: uma viagem à Palestina. Rio de janeiro: Multifoco, 2011, p. 37- 44. ISBN:978-85-7961-328-9 (em português)
  4. Entrevista de Michael Warschawski. Article XI, 12 de janeiro de 2009. (em francês)
  5. "Tous les périls, plus la trahison perverse". Artigo de Ilan Greilsammer, do movimento "Paz Agora" (em francês)
  6. Vídeo: O Oriente Médio e a próxima década - o fim do mundo unipolar e o aprofundamento da crise econômica. Entrevista com Michel Warschawski. The Real News network, 14 de abril de 2010 (em inglês).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]