Petrus Plancius

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Petrus Plancius. J. Buys/Rein. Vinkeles (1791).

Petrus Plancius (155215 de Maio de 1622) foi um teólogo, clérigo, cartógrafo e astrónomo holandês. O nome que adoptou para assinar os seus trabalhos é a forma latinizada do seu nome de baptismo, Pieter Platevoet.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Dranouter,[1] uma pequena vila rural actualmente localizada no município de Heuvelland, na província belga da Flandres Ocidental. Estudou Teologia na Alemanha e em Inglaterra e com 24 anos tornou-se ministro da recentemente criada Igreja Reformada Holandesa, em nome da qual fundou igrejas em Mechelen, Lovaina e Bruxelas.[1] Após a tomada de Bruxelas pelos Espanhóis em 1585, Plancius fugiu da cidade temendo a Inquisição e estabeleceu-se em Amesterdão, onde desenvolveu o seu interesse pela cartografia.

Cartografia[editar | editar código-fonte]

Foi um dos membros fundadores da Companhia Holandesa das Índias Orientais,[2] para a qual produziu vários mapas e cartas náuticas em que adoptou, de forma inovadora, a projecção de Mercator. Ficou igualmente conhecido por ter desenvolvido um novo método para o cálculo da longitude, do qual recebeu a patente em 1594.[3]

Cartografia Celeste[editar | editar código-fonte]

A partir de relatos de Américo Vespúcio, Andrea Corsali e Pedro de Medina, em 1589 tentou reproduzir, num globo celeste feito em parceria com Jacob Floris van Langren,[4] as constelações do Triângulo Austral e do Cruzeiro do Sul sem sucesso, visto que as localizou em áreas totalmente distintas da realidade.[5] No caso particular do Cruzeiro do Sul, esta figura já havia sido descrita e esboçada de forma fidedigna - pela primeira vez - por Mestre João, numa carta datada de 1500, em que a denomina "a cruz". Não obstante, alguns investigadores atribuem a sua autoria a, entre outros, Américo Vespúcio (em 1501 ou 1503),[6] Andrea Corsali (em 1515 ou 1516),[7] [8] ou ao próprio Plancius, (em 1589 ou 1598).[5] [4] Em 1592 produziu um mapa-múndi em que constavam duas pequenas representações do céu de cada um dos hemisférios com as constelações correspondentes, introduzindo a figura da Pomba,[5] que viria a ser adoptada pela União Astronómica Internacional (UAI) como uma das actuais 88 constelações oficiais.

Em 1595 pediu aos navegadores holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman que cartografassem o céu do hemisfério Sul,[9] aproveitando a viagem destes às Índias Orientais a bordo do Hollandia. Após a recolha dos dados produziu, em finais de 1597 ou princípios de 1598, um globo celeste em que, para além de corrigir os erros presentes na representação do hemisfério celeste Sul nas obras anteriores, introduziu 12 novas figuras[10] que viriam a ser adoptadas como constelações oficiais pela UAI: Apis Indica (cuja designação viria a ser alterada posteriormente para a actual Mosca), Ave do Paraíso, Camaleão, Dourado, Grou, Hidra Macho, Índio, Pavão, Fénix, Triângulo Austral (corrigido), Tucano e Peixe Voador. A autoria destas 12 constelações mantém-se hoje em dia controversa - enquanto a maioria dos investigadores a atribuem aos próprios Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman,[11] [12] [13] outros creditam-nas exclusivamente a Keyser,[14] [15] enquanto há ainda quem defenda que os navegadores terão apenas recolhido os dados, cabendo a Plancius agrupar as estrelas e decidir que figuras ilustrariam[16] estes asterismos. Seja como for, o globo celeste de Plancius representou-as pela primeira vez, dando-lhes suficiente notoriedade para constarem da influente obra de Johann Bayer, o atlas celeste Uranometria, publicado em 1603, que as tornou célebres para a comunidade de astrónomos posteriores.

Em 1612 (ou 1613) introduziu, num novo globo celeste, mais duas figuras que viriam a ser adoptadas pela UAI como constelações oficiais, juntamente com a Pomba: Girafa e Unicórnio.[5]

Para além das que foram assimiladas na lista de 88 constelações oficiais modernas, Plancius retratou nas suas obras outras 7 que se tornaram obsoletas: Polophylax[17] - o "guardador do pólo" - (no mesmo mapa-múndi de 1592 onde surgiu a figura da Pomba), Jordanus (Rio Jordão), Tigris (Rio Tigre), Apis (Abelha) - cuja designação viria a ser alterada por autores posteriores para "Musca Borealis" (Mosca Boreal) -, Gallus (Galo), Cancer Minor (Caranguejo Menor) e Sagitta Australe (Seta Austral), tendo estas seis últimas sido introduzidas no globo celeste de 1612.[10]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Descoberto em 1960, o asteroide da cintura principal 10648 Plancius foi baptizado em sua honra.[18]

Mapas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. a b Website do município de Heuvelland. Petrus Plancius: predikant én vader van de zeevaart naar Indië (em holandês). Visitado em 27 de julho de 2013.
  2. C.J. Zandvliet. VOC ( Verenigde Oostindische Compagnie) Maps and Drawings (em inglês) Arquivo da Companhia Holandesa das Índias Orientais - projecto TANAP sob auspício da UNESCO. Visitado em 27 de julho de 2013.
  3. Cornelius Koeman. Flemish and Dutch Contributions to the Art of Navigation in the XVIth Century (em inglês) 496 pp. Revista da Universidade de Coimbra. Visitado em 29 de julho de 2013.
  4. a b L. Phil Simpson. Guidebook to the Constellations: Telescopic Sights, Tales, and Myths (em inglês) 559-560 pp.. Visitado em 31 de julho de 2013.
  5. a b c d Felice Stoppa. Le Constellazione di Petrus Plancius (em italiano) Atlas Coelestis. Visitado em 27 de julho de 2013.
  6. Michael E. Bakich. The Cambridge Guide to the Constellations (em inglês) 82 pp.. Visitado em 31 de julho de 2013.
  7. Robert Gendler, Lars Lindberg Christensen, David Mali. Treasures of the Southern Sky (em inglês) 12-14 pp.. Visitado em 31 de julho de 2013.
  8. Ian Ridpath. Star Tales - Crux (em inglês). Visitado em 31 de julho de 2013.
  9. Nick Kanas (2007). Star Maps: History, Artistry, and Cartography (em inglês) 119 pp.. Visitado em 27 de julho de 2013.
  10. a b Ian Ridpath (1988). Star Tales - The Constellations of Petrus Plancius (em inglês). Visitado em 27 de julho de 2013.
  11. Ian Ridpath. Star Tales - Scouting the southern sky (em inglês). Visitado em 2 de junho de 2014.
  12. The Dome of the Sky - The Dutch Navigators (em inglês). Visitado em 27 de julho de 2013.
  13. David Darling. Plancius, Petrus (em inglês) The Encyclopedia of Science. Visitado em 27 de julho de 2013.
  14. Knobel, E. B. (1917). On Frederick de Houtman's catalogue of southern stars, and the origin of the southern constellations (em inglês) 420 pp. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Visitado em 31 de julho de 2013.
  15. Sawyer Hogg, H (1951). Out of Old Books (Pieter Dircksz Keijser, Delineator of the Southern Constellations) (em inglês) 220 pp. Reprodução do artigo original publicado no Journal of the Royal Astronomical Society of Canada. Visitado em 31 de julho de 2013.
  16. Elly Dekker (1985). An alleged case of plagiarism: Frederick de Houtman and his contribution to celestial cartography (em inglês) Caert-Thresoor - Jornal da história da Cartografia nos Países Baixos. Visitado em 31 de julho de 2013.
  17. Ian Ridpath. Star Tales: Polophylax (em inglês). Visitado em 29 de julho de 2013.
  18. Arquivo do JPL da NASA. 10648 Plancius (em inglês). Visitado em 6 de Agosto de 2013.
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