Porto Real

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Município de Porto Real
Bandeira de Porto Real
Brasão de Porto Real
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 5 de novembro de 1995 (18 anos)
Gentílico portorealense
Prefeito(a) Cida (PDT)
(2013–2016)
Localização
Localização de Porto Real
Localização de Porto Real no Rio de Janeiro
Porto Real está localizado em: Brasil
Porto Real
Localização de Porto Real no Brasil
22° 25' 12" S 44° 17' 24" O22° 25' 12" S 44° 17' 24" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Sul Fluminense IBGE/2008[1]
Microrregião Vale do Paraíba Fluminense IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Barra Mansa, Quatis e Resende
Distância até a capital 123 km
Características geográficas
Área 50,587 km² [2]
População 16 574 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 327,63 hab./km²
Altitude 385 m
Clima Tropical de Altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,743 (58º) – alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 3 232 358,753 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 203 561,86 IBGE/2008[5]
Página oficial

Porto Real é um município brasileiro do Estado do Rio de Janeiro. Localiza-se a uma latitude 22º25'11" sul e a uma longitude 44º17'25" oeste, estando a uma altitude de 385 metros. A população recenseada em 2010 foi de 16.574 habitantes. Emancipou-se em 1995 de Resende. Ocupa uma área de 50,781 km². É reconhecida como a primeira colônia italiana no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1874 a senhora Clementina Tavernari, nativa de Concórdia de Módena, na Itália, foi a Itália, vinda do Brasil, para recrutar 50 famílias de lavradores no norte daquele país a fim de fundar, em Santa Catarina, um núcleo colonizador. Essa colônia teria o nome da Imperatriz Tereza Cristina. Seria o primeiro experimento de colonização italiana no Brasil.

Depois de inscritas as famílias para a viagem ao Brasil, o entrave era conseguir que algum órgão assumisse a responsabilidade em pagar - se fosse o caso - as despesas dessas famílias de regresso à pátria. Quem se responsabilizou - finalmente - já que a viagem estava se atrasando por essa razão - foi o Dr. Sterlih, um deputado italiano. Dessa forma foram concedidos os passaportes à famílias de Módena, Mântova, Ferrara, Parma e Reggio.

Embarcaram no navio "Anna Pizzono", dia 22 de Dezembro de 1874, que havia sido um navio da marinha mercante americana, do qual tiraram as máquinas, transformando-o num navio com 4 velas. Dessa forma o navio dependia de ventos o que, por vezes, alongou a viagem. O relato do Sr. Secchi cobre toda a viagem, os enjoos de praticamente todos os passageiros, tempestades no mar, brincadeiras de batismo de passagem da linha do Equador, sobre as quais todos tinham as mais estranhas ideias, e infelizmente - algumas doenças à bordo que resultaram - poucas - em mortes.

Chegaram na cidade do Rio de Janeiro dia 16 de Fevereiro de 1875. Grassava a febre amarela no Brasil, e por essa razão os imigrantes ficaram na hospedaria de onde embarcaram no dia 19, de trem, diretamente para Porto Real. O Sr. Secchi se tornaria professor primário para os filhos dos colonos italianos, os quais foram acomodados em vários quartinhos erguidos à beira de um grande pátio. Receberam alimentos para sua sobrevivência e um pequeno salário durante 3 meses. Tinham um médico para atendê-los, que era o médico do pessoal da ferrovia de Barra do Piraí.

Ele conta que encontraram assentadas uma grande família suíça, duas famílias portuguesas das ilhas, uma espanhola e uma alemã. A senhora Malavazi ia ao Rio de Janeiro - às vezes - tratar com a Imperatriz sobre a transferência para Santa Catarina, o que o governo acabou por vetar devido a incidência daquela febre, a qual, acabou por vitimar aquela senhora.

Os colonos logo procuraram o Sr. Sechi dizendo que preferiam ficar em Porto Real e não ir mais para Santa Catarina. Argumentaram sobre as boas condições climáticas, o fato de ser perto da estação ferroviária e as boas relações com os outros colonos.

O Ministro da Agricultura e a Imperatriz foram consultados e logo mandaram engenheiros para subdividir em lotes de 10 hectares as melhores terras ainda não desmatadas. Os colonos começaram a trabalhar em seus lotes plantando cana de açúcar, à espera de que o governo ou uma empresa privada montasse um engenho para a produção de açúcar. Os engenheiros vieram do Rio para implantar engenho para a destilação do aguardente, quase no momento de perder a colheita por falta de local para seu processamento. Felizmente, em 1874 se criou o Engenho Central de Porto Real, para receber os colonos italianos, que ali decidiram permanecer e trabalhar. O então senhor do Engenho Central de Porto Real era o comendador Elói da Câmara, que, no ano de 1895, o alienou a Edward Pellew Wilson Junior, 1º Conde de Wilson, que revolucionou o Engenho Central, mandando vir da Inglaterra máquinas de tecnologia avançada, para beneficiar a cana-de-açúcar da região. O Engenho Central de Porto Real se situava numa propriedade, que compreendia cinco fazendas de tamanho médio. Foi no Engenho Central que o 1º Conde de Wilson (decreto de 08-10-1891, Dom Carlos I de Portugal), o cidadão brasileiro, súdito britânico e titular português contraiu uma doença, que veio a vitimá-lo a 24 de setembro de 1899. Sucedeu como senhor do Engenho Central de Porto Real o comendador Eduardo Pellew Wilson (1858-1924), que, logo mandou construir uma estrada de ferro em suas terras de Porto Real, para que a produção beneficiada fosse transportada para o Porto do Rio de Janeiro. A dita estrada de ferro existe até os nossos dias, assim como as duas locomotivas, hoje fora de uso, batizadas uma com o nome de Bissica, em homenagem à segunda esposa do comendador Eduardo Pellewj Wilson, D. Georgeanna de Sá Wilson (1866-1935), que era comendadeira da Igreja de Quatis, ao lado de Porto Real; a segunda locomotiva foi batizada de Belinha em homenagem à D. Isabel Ferreira, esposa de Silvio Betim Paes Leme, neto materno dos 1os. Condes de Wilson e neto paterno dos Marqueses de São João Marcos, na nobreza brasileira. Em 1916, o Engenho Central de Porto Real foi tornado uma sociedade de ações, cuja maioria absoluta (50% = 1%) pertencia aos então senhores do Engenho Central de Porto Real, o comendador Eduardo Pellew Wilson e sua esposa, D. Georgeana de Sá Wilson. Nesta data, passou a denominar-se o dito Engenho Engenho Central Conde de Wilson, que foi alienado em 1927 ao comendador Morganti Cordella, numa conjuntura de crise do capitalismo mundial, que afetou a economia brasileira desde 1925, até culminar com a Quebra da Bolsa de Valores de 1929. POsteriormente à propriedade do comendador Morganti Cordella, pertenceu o Engenho Central Conde de Wilson a França Junior, neto do criado da afamada Confeitaria Colombo, que mandou construir uma sede ao estilo das fazendas sulinas dos Estados Unidos. A casa grande do então Engenho Central Conde de Wilson, composta de dois grandes blocos retangulares, o primeiro com escadaria dupla central, no qual servia de parte social, e o segundo, perpendicular ao primeiro e a este ligado na sua parte central, servindo degrande copa, cozinha e aposentos da criadagem. Saía-se de lancha ao pé da sede do engenho, para navegar pelo rio Paraíba. A capela do Engenho, por despacho de Sua Santidade o Papa, sob o senhorio do comendador Eduardo Pellew Wilson (1858-1934) era aberta à comunidade de colonos, que ali assistiam à missa, junto com os senhores do Engenho,que representavam o patriarcado local, num convívio de paz e de amizade mútuas, que D. Georgeanna bem soube construir, o que era próprio das grandes senhoras da época. Os Wilson bem souberam reunir em Porto Real a boa sociedade do Rio de Janeiro, aparentados que eram com todos.

Porto Real, por ser próxima da capital era visitada por ministros e por embaixadores estrangeiros. Dom Pedro II, quando da sua visita, foi recebido com grande festa pelos colonos. O contato entre os colonos e o Imperador foi bem próximo a ponto deste questioná-los se estavam satisfeitos e sendo bem tratados.

Nessa época foi formada uma companhia no Rio de Janeiro com o nome de "Paile Fine & Companhia" para a exploração de mandioca e batata-doce da qual tiravam um conhaque que estava bem cotado no comércio. Porém não havia grandes plantações, em Porto Real, desses produtos, tendo por outro lado grandes canaviais, aumentou-se então a construção que estava à margem direita do rio Paraíba do Sul, transformando-a para produção de açúcar, com o nome de Engenho Central de Porto Real.

História Pós 2ª Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Em 1946, houve em Porto Real o ínico da construção de um viaduto chamado Bulhões uma ponte em arco que cruzava a estrada Bulhões-Resende e chamou se Viaduto Bulhões por homenagem ao múnicipio que teve esse nome até 5 de novembro de 1995. Em 1951, Porto Real recebeu a inauguração do Viaduto Bulhões em 19 de janeiro de 1951. E os homenagiados na inaguração foi o Eurico Gaspar Dutra e o prefeito do múnicipio. Por conta de uma reforma na ponte que estava com a estrutura comprometida, a "Ponte dos arcos" como era chamada foi implodida no dia 7 de Fevereiro de 2010. O trabalho foi de responsabilidade da NovaDutra e contou com o apoio da Defesa Civil, Polícia militar, Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e da Guarda Municipal de Porto Real.[6]

Economia[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2001 foi inaugurada em Porto Real a primeira fábrica nacional da montadora PSA Peugeot Citroën. Com capacidade para produzir até 100 mil veículos por ano e gerando mais de 2.500 empregos na região, o parque industrial montado em Porto Real, envolveu um investimento de aproximadamente um bilhão de dólares. Em pouco tempo a região se tornou um importante polo automotivo.

Foi anunciada para o ano de 2007 a implantação do terceiro turno na linha de montagem. Em decorrência, o quadro de colaboradores diretos cresceu 28%, somando um total de 3.170 funcionários. A meta desejada é a produção de 27 unidades/hora, em função de melhorias nos métodos de manufatura e investimento na capacitação e treinamento dos funcionários.

Possui uma agência dos Correios (AC Porto Real) e uma agência dos correios comunitária (AGC Bulhões)

Agências bancárias: Banco do Brasil, ABN Real, Bradesco.

Principais indústrias: Coca-Cola (Coca-Cola Femsa), PSA Peugeot Citroën, Guardian do Brasil, Galvasud, Faurencia.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Segurança e criminalidade[editar | editar código-fonte]

Polícia Militar

O policiamento ostensivo da cidade está a cargo da 3ª Companhia do 37º Batalhão de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (37º BPM/3ªCia), que ainda faz a guarda do fórum municipal, e controla, também, o destacamento da cidade de Quatis, além de um Posto de Policiamento Móvel (trailler) no Distrito de Falcão, também neste município, à beira da RJ-159, próximo à divisa com o município mineiro de Passa Vinte.

Corpo de Bombeiros

Ações de salvamento e combate a incêndios e sinistros no município ficam por conta do 23º Grupamento do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (23º GBM), cujo quartel fica na cidade de Resende.

Polícia Civil

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro mantém no município a 100ª Delegacia Policial (100ª DP), subordinada à 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (9ª CRPI), funcionando no Centro do município.

Guarda e Defesa Civil Municipais

A prefeitura também possui uma equipe de defesa civil, para monitoramento e auxílio da população em caso de desastres naturais, bem como mantém uma Guarda Municipal, responsável pela vigia do patrimônio público e organização do trânsito na cidade.

Educação[editar | editar código-fonte]

Escolas Municipais
  • Professora Eliana Provazi
  • Maria Hortência Nogueira
  • CIEP 487
  • Patricia Pineschi
  • Cruz e Souza
  • José Ferreira
  • Marina Graciani (Bulhoes)
  • Sebastião Barbosa de Almeida (Bulhoes)
Escolas Estaduais
  • Colégio República Italiana
Escolas Particulares
  • Instituto Educacional de Porto Real

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. http://www.diariodovale.com.br/noticias/0,16749.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]