Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Teresa Cristina
Imperatriz consorte do Brasil
Reinado 30 de maio de 1843 - 15 de novembro de 1889
Predecessor Amélia de Beauharnais
Sucessor Império extinto
Esposo Pedro II do Brasil
Descendência
Afonso Pedro
Isabel
Leopoldina
Pedro Afonso
Nome completo
Teresa Cristina Maria Giuseppa Gasparre Baltassarre Melchiore Gennara Rosalia Lucia Francesca d'Assisi Elisabetta Francesca di Padova Donata Bonosa Andrea d'Avelino Rita Liutgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde
Casa Bourbon
Pai Francisco I das Duas Sicílias
Mãe Maria Isabel de Bourbon
Nascimento 14 de março de 1822
Nápoles, Reino das Duas Sicílias
Morte 28 de dezembro de 1889 (67 anos)
Porto,  Portugal
Enterro Mausoléu Imperial,
Petrópolis  Brasil
Brasão

Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, cujo nome completo em italiano era Teresa Cristina Maria Giuseppa Gasparre Baltassarre Melchiore Gennara Rosalia Lucia Francesca d'Assisi Elisabetta Francesca di Padova Donata Bonosa Andrea d'Avelino Rita Liutgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde (Nápoles, 14 de março de 1822 - Porto, 28 de dezembro de 1889), foi uma princesa do Reino das Duas Sicílias, do ramo italiano da Casa de Bourbon, e a terceira[1] e última imperatriz-consorte do Brasil, esposa do imperador Dom Pedro II. Foi a mãe da princesa Isabel e D. Leopoldina, princesa imperial do Brasil e princesa do Brasil, respectivamente.

'"Brasil, terra abençoada que nunca mais verei".'
Últimas palavras de Dona Teresa Cristina, ditas a Maria Isabel, a baronesa de Japurá.[2] .

Princesa de Nápoles[editar | editar código-fonte]

Era filha de Francisco de Bourbon-Duas Sicílias, membro do ramo italiano da Casa de Bourbon - à época, príncipe herdeiro do Reino das Duas Sicílias e, mais tarde, rei Francisco I (Francesco Gennaro Guiseppe Saverio Giovanni Battista di Borbone-Due Sicilie) - e de Maria Isabel de Bourbon, Infanta de Espanha (em espanhol: María Isabel de Borbón y Borbón), segunda esposa de Francisco I.

Como princesa, teve uma educação esmerada: belas artes, música, canto, bordado, francês e religião. Possuía natureza sensível, inteligência apurada e inclinada naturalmente ao culto da arte, tendo sido educada e instruída pelo professor monsenhor Olivieri.

Estudiosa da cultura clássica, interessou-se especialmente pela arqueologia e as descobertas que estavam sendo realizadas, na sua época, em Pompeia e Herculano. A jovem princesa financiou e conduziu as escavações em Veios, um sítio etrusco, 15 km ao norte de Roma.[3] Esta é a razão pela qual, anos mais tarde, já casada com D. Pedro II, Teresa Cristina ser conhecida como "a imperatriz arqueóloga".[4]

Não sabemos a razão do fato de Teresa Cristina ser levemente claudicante (manca). Pode ser que a causa tenha sido uma queda no sítio arqueológico, ou um problema congênito pré-existente. O certo é que, devido a sua deficiência, ela ocupava a maior parte do tempo com seus estudos, a literatura e as artes, ao contrário de outras princesas, que apreciavam os bailes e as danças. Os biógrafos comentam a sua existência modesta, sem nenhum aparato, no velho Palácio Chiaramonti.[5]

Casamento[6] [editar | editar código-fonte]

Em 1842, assim que D. Pedro II atingiu 18 anos, o influente Pedro de Araújo Lima, ministro do império, enviou à Europa Bento da Silva Lisboa, um alto funcionário da corte, seu subordinado direto, que foi o encarregado de tratar do casamento de Dom Pedro II.

Teresa Cristina, em pintura anterior à época de seu casamento, tendo o monte Vesúvio ao fundo. Museu Imperial.

Várias tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, tendo sido cogitadas D. Maria, arquiduquesa de Saxe, princesa Alexandra, filha de Luís I da Baviera, infanta Luísa, filha do Duque de Sevilha e prima da rainha de Espanha, na Áustria e até na Rússia, mas não havia muitas princesas a quem fosse permitido morar no Brasil. Além do mais, para os padrões da época, o imperador era considerado "pobre" (o Brasil havia gastado muito dinheiro com a Guerra da Cisplatina e as agitações do Período Regencial), não podendo almejar casamento com uma princesa de primeira linhagem.

Após uma grande procura e negociações diplomáticas, no dia 20 de maio de 1842 foi assinado em Viena o contrato de casamento entre a princesa Teresa Cristina Maria e D. Pedro II. A noiva era três anos mais velha que o imperador e vinha de um Estado sem grande expressividade. A celebração do matrimônio deu-se por procuração, em Nápoles 30 de maio de 1843. Em 1º de julho do mesmo ano, na capela palatina do Palácio Chiaramonti, sua mão foi entregue ao imperador Dom Pedro II na pessoa do embaixador brasileiro, José Alexandre Carneiro Leão (Visconde de São Salvador de Campos), pelo príncipe de Cila, ministro e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, na qualidade de delegado de Sua Majestade o rei das Duas Sicílias.[7]

Ainda em 1842, Dom Pedro enviou a Nápoles uma frota que deveria trazer a imperatriz.

Durante a viagem, Teresa Cristina demonstrou suas virtudes, pois além de acompanhar com atenção um doente a bordo, estipulou que, a cada dia, um dos navios da frota destacasse um de seus oficiais para jantar com ela.

Chegou ao Brasil no dia 3 de setembro de 1843, às 5 horas e 35 minutos, com o céu escuro devido a chuvas e ventos fortes, a bordo da fragata Constituição na Fortaleza de São João (no atual Bairro da Urca - Rio de Janeiro), acompanhada pelo irmão, o príncipe Luís, Conde de Áquila, que se casaria com Januária, irmã do Imperador.

O desembarque ocorreu em 4 de setembro sendo que a Fragata Constituição foi precedida pela Corveta Euterpe, que anunciou aos brasileiros a chegada da imperatriz. Entraram no porto, logo depois a Corveta Dois de Julho, e mais uma nau e três fragatas napolitanas).

Há quem afirme que, ao conhecer a esposa, com quem casara por procuração, D. Pedro teria cogitado em pedir a anulação do matrimônio por conta de seus minguados atributos físicos: era baixa, manca e feia. Alguns cronistas relatam que o casamento só teria se consumado um ano depois e que o imperador só não remeteu a esposa de volta à sua terra natal graças à intervenção de D. Mariana Carlota de Verna Magalhães, Condessa de Belmonte e ama do jovem monarca. [8]

A imperatriz do Brasil[editar | editar código-fonte]

Teresa Cristina, já como imperatriz do Brasil.

Apesar destes percalços iniciais, o casamento duraria 46 anos. Teresa Cristina era dotada de raro senso de cordialidade. Discreta, caridosa e inteligente, conquistou a estima do marido graças ao interesse comum em assuntos culturais. Na frota que a trouxe ao Brasil fez embarcar artistas, músicos, professores, botânicos e outros estudiosos. Aos poucos, enriqueceria a vida cultural e científica brasileira, mandando vir de sua terra as primeiras preciosidades artísticas recuperadas de Herculano e Pompeia, enviadas por seu irmão, Fernando II. Boa cantora e boa musicista, alegrava o palácio com saraus constantes.

"Traço comum entre os napolitanos, a voz bonita e educada da imperatriz seria mencionada por um diplomata francês, citado por Afonso de Taunay no livro 'No Brasil de 1840': “Em fevereiro de 1844, um diplomata em trânsito, Jules Itier, visitando a Quinta da Boa Vista, parou, espantado, junto às janelas do Paço. ‘Era uma voz feminina, admiravelmente bem timbrada, que emitia as notas da famosa ária rossiniana Una voce poco fá’. Um bom piano acompanhava a cantora. Quis aplaudir e conteve-se. Porque surgiu, no balcão, a própria imperatriz”.[9]

A imperatriz possuía dotes artísticos que nem todos conheciam e hoje são pouco comentados. Enquanto cuidava de suas filhas em um dos jardins do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, denominado então "Jardim das Princesas", Teresa Cristina demonstrou o seu conhecimento e talento para o mosaico. Utilizou-se de conchas, recolhidas nas praias do Rio de Janeiro, e cacos das peças de serviço de chá da casa imperial que ela utilizou com argamassa para recobrir os bancos, tronos, fontes e paredes do Jardim das Princesas.[10]

Pouco utilizado entre nós, o mosaico é denominado arte musiva (tanto mosaico quanto museu e música vêm do latim musa). Teresa Cristina foi precursora deste tipo de arte, coisa pouco divulgada pelos historiadores e especialistas. Muitos anos depois Antoni Gaudí e Josep Maria Jujol "revolucionaram" o mundo das artes com um trabalho semelhante ao que Teresa Cristina já realizava em São Cristóvão, tendo, no entanto, muito mais reconhecimento do que ela. Atualmente é muito difícil ver esses trabalhos, pois esta área do museu está fechada ao público devido a atos de vandalismo perpetrados por visitantes que recolhiam pedaços, lascas e até cacos inteiros como lembrancinhas do passeio a Quinta da Boa-Vista. Existe publicação avulsa de 1997 realizada pela arqueóloga Maria Beltrão[11] , do Museu Nacional, a este respeito, citada por inúmeros domínios na internet.[12]

Pedro II foi um marido cordial, embora tenha sido infiel em várias ocasiões, especialmente por conta de seu longo romance com Luísa Margarida de Portugal e Barros, Condessa de Barral e Pedra Branca.

Apesar das aventuras extra-conjugais - bastante comuns no meio aristocrático da época, onde os casamentos eram tratados como assunto de Estado - o casal imperial viveu sempre em harmonia doméstica, a qual ficava mais patente quando estavam no Palácio de Petrópolis, construído entre os anos de 1845 e 1862.

Casal imperial com as filhas.

Em sua residência de verão, os soberanos podiam dar-se ao luxo de levar uma existência prosaica, onde o protocolo estava suspenso e o cotidiano era virtualmente idêntico ao das grandes famílias de fazendeiros da época: acordavam cedo, almoçavam às dez horas e jantavam às dezesseis. Banhavam-se, cada um na própria alcova, às dezessete horas, e ceavam entre as dezenove e as vinte.

A imperatriz cuidava ela mesma de parte dos jardins, especialmente as roseiras e, algumas vezes, cozinhava. Teresa Cristina era napolitana e, em assim sendo, acredita-se que tenha sido ela a responsável pela introdução das massas no cardápio da família imperial. Muito provavelmente, o primeiro prato de macarrão comido em terras brasileiras tenha sido preparado pela própria imperatriz.[carece de fontes?]

Em 1864 um evento demonstra a relativa "liberalidade" do casal. O imperador havia tratado, através de seus ministros, o casamento da princesa Isabel, herdeira do trono, com o duque Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, o segundo filho de Augusto de Saxe-Coburgo-Gota e da princesa Clementina de Orléans; ao mesmo tempo, o primo deste, Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans e Saxe-Coburgo-Gota (Louis Phillipe Marie Ferdinand Gaston d'Orléans et Saxe-Cobourg et Gotha), conde d'Eu, foi prometido à princesa Leopoldina.

Quando da chegada dos dois jovens, as princesas perceberam que deveria ocorrer uma troca, pois cada uma delas havia se encantado pelo pretendente da outra, e imediatamente solicitaram aos pais que a troca fosse realizada. Tanto Pedro II quanto Teresa Cristina, favoráveis a que os casamentos fossem motivados não apenas pelas questões dinásticas, mas também pelos afetos - até porque, no seu próprio caso, havia ocorrido um choque inicial - consentiram imediatamente.[13]

Viagens do casal imperial[editar | editar código-fonte]

Foram muitas as viagens que o casal imperial realizou, tanto nacionais quanto internacionais.

No sentido de conhecer as províncias do império, mesmo as mais distantes, estiveram em Santa Catarina e Rio Grande do Sul (1845 e 1865) em São Paulo (1846, 1876 e 1886); visitando as províncias do norte, numa viagem pela costa, entre 1859 e 1860, estiveram no Pará, Maranhão, Piauí (a cidade de Teresina recebeu este nome em homenagem à imperatriz), Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco (o "Palácio do Campo das Princesas", em Recife, recebeu este nome em homenagem às jovens Isabel e Leopoldina), Alagoas, Sergipe, Bahia e Espírito Santo[14] . Em Vila Rica (atual Ouro Preto-MG), em 1881, foram efusivamente comemorados pelo romancista Bernardo Guimarães, autor de A escrava Isaura.[15]

Em 1871 faleceu em Viena, de febre tifoide (muito comum na Europa naquela época, devido às precárias condições de higiene), a princesa Leopoldina. Os avós foram então buscar os dois netos mais velhos, Pedro Augusto e Augusto Leopoldo, que haviam mantido a nacionalidade brasileira, para serem criados no Brasil. Os dois mais novos, José Fernando e Luís Gastão, que não conservaram a nacionalidade brasileira, ficaram na Europa para serem criados pelo pai. O imperador e a imperatriz aproveitaram para viajar pela Europa e Oriente Médio (onde chegaram já em 1872 e visitaram o Egito e a Palestina).

Em 1876, viajaram à América do Norte (onde o monarca inaugura a Feira da Filadélfia, organizada para comemorar o Centenário da Independência dos Estados Unidos), novamente a Europa (regressaram também em 1888, para tratamento médico) e os seus locais favoritos no Oriente Médio.

"A visita de D. Pedro II a Jerusalém, em 1876, foi um dos marcantes acontecimentos locais da época. Para só citar um exemplo, basta dizer que a Imperatriz Dona Teresa Cristina, conforme sublinham as crônicas, foi a primeira imperatriz, depois de Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, que pisou naquelas terras tão caras aos cristãos."[16]

Pouco divulgada, a viagem do imperador à Inglaterra, Escócia e Irlanda, em 1877, onde esteve visitando a cervejaria Guinness e locais típicos como o Giant’s Causeway, foi registrada pelo Irish Times, principal jornal irlandês da época.[17]

Fotos do álbum de viagem da imperatriz[editar | editar código-fonte]

Últimos anos do império[editar | editar código-fonte]

Teresa Cristina em sua velhice, foto de Marc Ferrez, de 1887.

Um episódio bastante interessante, que pareceria até retirado de algum romance policial da época, repleto de ação e com grande repercussão junto à imprensa, desenrolou-se em 1882, quando foram roubadas as joias da imperatriz. O acontecimento foi coberto pelos principais jornais da corte, merecendo inclusive vários artigos de José do Patrocínio, e foi recentemente estudado por Ricardo Japiassu Simões[18] , sendo também descrito por Bárbara Simões Daibert e Robert Daibert Júnior:

"Na madrugada de 17 para 18 de março de 1882, um ladrão entrou sorrateiramente no Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial, e surrupiou de dentro de um armário todas as joias da imperatriz Teresa Cristina e de uma de suas filhas, a princesa Isabel. O tesouro foi avaliado em 400 contos de réis - verdadeira fortuna na época. Mas o escândalo que se seguiu, cheio de lances mirabolantes, deu-se menos pelo valor do furto do que pelo seu potencial conteúdo político. (...) A sete anos do golpe militar que proclamou a República, quando a abolição da escravatura e outras questões candentes eram debatidas em todas as esquinas da Corte por contendores apaixonados, o assunto não poderia deixar de se transformar, de fato, num prato cheio para a oposição. (...) Este seria apenas o começo de uma eletrizante novela, (...) que a imprensa soube explorar de maneira tão sensacionalista quanto impiedosa. Pela primeira vez no império, a roupa suja da monarquia era lavada no meio da rua, para desgosto de uma família que cultivava a discrição como um dos seus principais predicados. As joias roubadas haviam sido usadas dias antes, numa cerimônia no Paço da Cidade. Após o baile que comemorou os 60 anos de Teresa Cristina, o casal imperial havia seguido para Petrópolis. Antes disso, os ornamentos de valor foram depositados numa caixa, entregue a Francisco de Paula Lobo, funcionário do serviço particular, que deveria guardá-la em segurança. Como o criado não encontrou a chave do cofre, foi, em companhia de outro empregado, José Virgílio Tavares, até os aposentos imperiais e guardou a caixa dentro de um armário comum, de onde as joias desapareceram. (...) Dias depois, uma carta anônima apontou a localização das joias. Estavam dentro de latas de biscoito, enterradas em meio a um lamaçal, nos fundos da casa do suspeito. Com a ajuda do próprio Paiva, policiais cavaram o chão e encontraram o tesouro composto de dezenas de adornos raros e valiosíssimos, entre eles pulseiras, broches, comendas e colares de ouro incrustados de centenas de pérolas, brilhantes e outras pedras preciosas. (...) Prevalece a imagem de uma Teresa Cristina passiva e silenciosa, embora se soubesse que ela era muito ciumenta e, como uma mulher comum, não poupava a pessoa do imperador nos seus ataques de fúria. Teresa Cristina chegava a dar beliscões no marido quando, nos camarotes dos teatros, percebia que ele estava observando, de binóculos, as mulheres do palco e da plateia. Teresa Cristina parecia representar o papel de “boa mãe dos brasileiros”: indignada, mas calada, pacífica, amável, religiosa, traída, e ainda por cima... roubada.[19]

Teresa Cristina, usando novamente as suas joias, acompanhou seu esposo o imperador ao Baile da Ilha Fiscal, último baile da monarquia, no dia 9 de novembro de 1889:

"Dançou-se muito no baile da Ilha Fiscal, mas o que os convidados não imaginavam, nem o imperador D. Pedro II, é que se dançava sobre um vulcão. À mesma hora em que se acendiam as luzes do palacete para receber os milhares de convidados engalanados, os republicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para maquinar a queda do Império. "Mais do que nunca, preciso sejam-me dados plenos poderes para tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com sua honra e sua dignidade", discursou Constant na ocasião, tendo como alvo justamente o Visconde de Ouro Preto. Longe dali, ao lado da família imperial, o visconde desmanchava-se em sorrisos ao comandar seu suntuoso festim. A família imperial chegou ao cais pouco antes das 10 horas. D. Pedro II, fardado de almirante, a imperatriz Teresa Cristina e o príncipe D. Pedro Augusto embarcaram primeiro. Quinze minutos depois foi a vez da princesa Isabel e do conde D’Eu. Uma vez no palácio, foram conduzidos a um salão em separado, onde já se achavam reunidos membros do corpo diplomático estrangeiro oficiais e alguns eleitos da sociedade carioca. O guarda-roupa da imperatriz não chegou a causar impressão especial entre os convidados - um vestido de renda de chantilly preta, guarnecido de vidrilhos. A toalete da princesa Isabel, no entanto, causou exclamações de admiração pelo luxo e pela beleza. Ela portava uma roupa de moiré preta listada, tendo na frente um corpinho alto bordado a ouro. Nos cabelos, carregava um diadema de brilhantes." [20]

Morte da imperatriz deposta[editar | editar código-fonte]

O historiador Max Fleiuss afirma: “Costuma-se dizer que o dia 15 de novembro foi uma revolução incruenta, feita com flores. Houve, porém, pelo menos uma vítima: a imperatriz”.[21]

A historiadora Mary del Priore relata as dificuldades e todo o constrangimento ao qual foi submetida a idosa imperatriz durante o processo de expulsão/banimento: "O traslado foi difícil. Chovia. Riscos de escorregões e afogamento não faltaram. O imperador tinha as pernas fracas, a imperatriz era pesada e coxa. Custaram a ser içados para o deque. Enfim, todos reunidos no tombadilho diminuto do "Parnaíba", alguns, entre eles o imperador, aguardaram o nascer do sol.(...) Às 18 horas, o "Alagoas" ancorava na enseada do Abraão, lado a lado com a canhoneira. O traslado mais uma vez se fez à noite. Praticamente pendurada por cabos, oscilando de uma embarcação para a outra, a imperatriz dava gritos que penalizavam a todos."[22]

Durante toda a viagem marítima que conduziu a família imperial brasileira rumo ao exílio, Teresa Cristina esteve em estado de choque, entorpecida pelo tratamento rude que os republicanos dedicaram à dinastia deposta. Ao embaixador da Áustria presente no embarque, perguntou: "Que fizemos para sermos tratados como criminosos?"

No desembarque em Portugal retirou-se para um hotel simples, na cidade do Porto, onde sentiu-se mal. Um médico chamado às pressas nada pôde fazer. Suas últimas palavras teriam sido: "Brasil, terra abençoada que nunca mais verei". Era 28 de dezembro de 1889. A família imperial encontrava-se desprovida de recursos financeiros e foi o Conde de Alves Machado que tinha feito fortuna no Rio de Janeiro quem custeou as despesas do funeral.[23] [24]

Sobre as exéquias, escreve Mary Del Priore: "De novo Portugal, Porto, igreja da Lapa. Irmãs de caridade velavam o corpo embalsamado de Teresa Cristina numa câmara mortuária tão cheia de flores que mais parecia um jardim. “O enterro da imperatriz foi um acontecimento. Foi feito com muito respeito e todos mostraram muito sentimento. Dom Pedro Augusto tem uma cara de apetite simpática e bonita. Esta é minha opinião de relance. As irmãs de caridade são da mesma opinião” — escrevia para Paris a cunhada de Eça de Queiroz. A cara bonita era conhecida como a “daquele que vai ser imperador”. Satisfazendo o desejo de D. Pedro, o corpo foi trasladado para Lisboa e enterrado em São Vicente de Fora, panteão dos monarcas portugueses. Estavam presentes, também, os d’Eu, a melhor nobreza de Portugal segurando as alças do caixão, além dos representantes da Áustria e da Alemanha. Saudades da “minha santa”, repetia o monarca. “Quem diria que ela subiria aos céus para orar por mim e por todos que amou e estimou na terra?”, se perguntava acabrunhado. O programa do funeral foi publicado nos jornais."[25]

'“Era uma mulher virtuosa e boa, da qual a História fala pouco, porque nada há de mal a dizer-se”.'
Jornal Le Gaulois, 29 de dezembro de 1889

Tendo sido sepultada, como vimos, no Panteão de São Vicente de Fora, seus restos foram trasladados para o Mausoléu Imperial da Catedral de Petrópolis, após a revogação do ato de banimento, já no século XX, durante a presidência de Getúlio Vargas.

Os jornais europeus comentaram a morte da imperatriz. Le Figaro escreveu em 29 de dezembro de 1889: “A Europa saudará respeitosamente esta imperatriz morta sem trono, e dir-se-á, falando-se dela: sua morte é o único desgosto que ela causou a seu marido durante quarenta e seis anos de casamento”.

Posteridade[editar | editar código-fonte]

Em sua homenagem foram batizados os municípios brasileiros de:

Ao doar sua coleção iconográfica para a Biblioteca Nacional do Brasil, D. Pedro II fez uma única exigência: que a coleção ganhasse o nome de sua esposa (Coleção Teresa Cristina Maria). A coleção é hoje tombada pela Unesco como patrimônio mundial.

Dotado de vocação para a poesia, profundamente consternado com a morte da esposa, D. Pedro II escreveu em 1891:

À Imperatriz

Corda que estala em harpa mal tangida,
Assim te vás, oh doce companheira
Da fortuna e do exílio, verdadeira
Metade de minh'alma entristecida!
De augusto e velho tronco hastea partida
E transplantada em terra brazileira,
Lá te fizeste a sombra hospitaleira
Em que todo infortúnio achou guarida.
Feriu-te a ingratidão, no seu delírio;
Cahiste, e eu fico a sós, neste abandono,
Do seu sepulchro vacillante cirio!
Como foste feliz! Dorme o seu somno,
Mãe do povo, acabou-se o teu martyrio,
Filha de Reis, ganhaste um grande throno!

D. Pedro D'Alcantara[26]

Mais de cem anos após o golpe de Estado que destituiu a família imperial, o Brasil começa a resgatar a imagem não apenas do imperador, mas também de sua real consorte, conforme afirma Eugênia Zerbini:

"Comparado com o que já se escreveu sobre nossas duas outras imperatrizes - Leopoldina e Maria Amélia, esposas de D. Pedro I -, muito pouco se falou sobre Teresa Cristina, embora ela tivesse vivido por quase meio século em terras brasileiras. A lembrança dessa princesa napolitana, de gosto artístico refinado e um meio sorriso “à la Mona Lisa”, merece ser alçada de novo à luz, como aconteceu com os tesouros de Pompeia."[27]

Em 1996, a arqueóloga Maria Beltrão organizou a exposição "Jardim das Princesas e a Arqueologia Histórica" no Salão de Entrada da Exposição do Museu Nacional, UFRJ. No catálogo da exposição, pela primeira vez a academia divulgava e expunha a importância do trabalho da imperatriz Teresa Cristina no campo do mosaico.[28]

Em 1997 organizou-se pelo Museu Imperial uma exposição denominada "Teresa Cristina Maria: a imperatriz silenciosa".[29] , a qual itinerou, até 2002, por vários museus importantes, como o Museu Paulista e acabou originando a publicação de um livro[30] e a produção de um filme.[31]

Na quarta edição do evento "Rio Mosaico", de 8 a 31 de outubro de 2008, houve a homenagem à imperatriz, enquanto expoente da arte musiva:"O Grupo Rio Mosaico, nesta 4ª edição, homenageia os 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil, através dos trabalhos da imperatriz Teresa Cristina, a precursora da Arte Musiva no Brasil. Seus mosaicos estão no Jardim das Princesas, do Museu Nacional, pouco divulgados no meio artístico cultural."[32]

Entre os dias 1 e 7 de setembro de 2009, comemorando a Semana da Pátria aconteceu em Petrópolis a Semana Italiana. O evento, promovido pela Casa D'Itália Anita Garibaldi, com o apoio da Prefeitura, Câmara Municipal, Universidade Católica de Petrópolis, Museu Imperial e Petrópolis Convention & Visitors Bureau, comemorou os 166 anos da chegada da imperatriz Teresa Cristina ao Rio de Janeiro. Na programação, houve referências à cultura, à música, à dança e à culinária italianas.[33]

Descendência[editar | editar código-fonte]

A família imperial em 1887.

D. Teresa Cristina foi mãe dos príncipes:

  1. Afonso (1845-1847),
  2. Isabel (1846-1921),
  3. Leopoldina (1847-1871),
  4. Pedro (1848-1850).

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

A imperatriz Teresa Cristina já foi retratada como personagem no cinema e na televisão, interpretada por Regina Macedo nas minisséries "Abolição" (1988) e "República" (1989), Filomena Luísa na telenovela "Sangue do Meu Sangue" (1995) e Martha Overbeck no filme "O Xangô de Baker Street" (2001).

Retratos da imperatriz[editar | editar código-fonte]

Títulos[editar | editar código-fonte]

  • 1825-1831: Sua Alteza Real Princesa Real das Duas-Sícilias, Tereza Cristina
  • 1843-1889: Sua Majestade Imperial, dona Teresa Cristina, Imperatriz Consorte e Defensora Perpétua do Brasil.
  • 1889: Nenhum. Passou a assinar sempre como "dona Teresa Cristina".

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Equestrian order of the Holy Sepulcher of Jerusalem BAR.svg Grã-cruz da Ordem do Santo Sepulcro

MelitenseMilitare.png Grande Dama de Honra e Devoção da Soberana Ordem de Malta

Order of Queen Maria Luisa (Spain) - ribbon bar.png Dignitária da Ordem das Damas Nobres de Espanha

Ordine di Santa Isabella.png Dignitária de Ordem Real de Santa Isabel

Ordre de la Croix étoilée autro-hongrois.jpg Dignitária da Ordem da Cruz Estrelada

Order.of.Elizabeth-Bavaria.gif Dignitária da Ordem de Santa Isabel da Baviera

Galeria[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. Carlota Joaquina não é considerada imperatriz do Brasil, uma vez que em sua época o Brasil ainda era colônia. São contadas imperatrizes a partir da Independência do Brasil em 1822, portanto Maria Leopoldina de Áustria é considerada a primeira Imperatriz do Brasil.
  2. Esta é a frase conforme apontada pela Encyclopaedia Britannica (original, em inglês: "Brazil, blessed land that I will never see again"). Para a Encyclopedia e Diccionario Internacional, editada por W. M. Jackson Editores, São Paulo, logo no início do século XX (portanto, pouco mais de dez anos após a morte da imperatriz), a frase seria: "Brasil! Minha terra tão bonita, que não me deixam lá voltar". Por sua vez, Maria José Silva Caldas Fagundes, in Teresa Cristina de Bourbon, a imperatriz invisível do Brasil afirma que a última frase da imperatriz, à baronesa de Japurá, teria sido: “eu não morro de doença. Morro de dor e de desgosto”. Afirmação similar fez Eugênia Zerbini em A imperatriz invisível, Revista de História da Biblioteca Nacional : "D. Teresa Cristina viria a falecer 41 dias depois, de ataque cardíaco, em um quarto do Grande Hotel (modesto, apesar do nome), na cidade do Porto, na companhia apenas da baronesa da Japurá, Maria Isabel de Andrade Lisboa. A esta, antes do último suspiro, a ex-imperatriz teria dito: “Maria Isabel, não morro de moléstia, morro de dor e de desgosto”. Nesse momento, D. Pedro II visitava a Academia de Belas Artes da cidade."
  3. Site do Museu Nacional, seção de arqueologia.
  4. Edmilson Sanches - A imperatriz que deu nome a Imperatriz.
  5. vide, por exemplo, CENNI, Franco - Italianos no Brasil: Andiamo in Merica. São Paulo-SP, EDUSP, 2003, p. 78
  6. O suplemento Cultura do jornal O Estado de São Paulo (número 147, ano III, 03/04/1983) publicou artigo, de Francesco Jurlaro, intitulado "Um casamento imperial", o qual descreve de forma pormenorizada como se deu o enlace matrimonial do imperador e da imperatriz, desde as primeiras negociações.
  7. GUIMARÃES, Argeu. Em torno do casamento de Pedro II (pesquisas nos arquivos espanhóis) Depoimentos históricos. Rio de Janeiro, Z. Valverde, 1942
  8. Em relação aos embaraços vividos por ambos os cônjuges no seu primeiro encontro vide: MUNNO, Amina. Influências italianas em alguns contos de Machado de Assis: umas traduções, Revista Oriundi, Sábado - 06/09/2008: “Antes das núpcias, fora enviado ao imperador um retrato da noiva nos feitios da Gioconda com o Vesúvio ao fundo. O pintor conseguiu fazer com que o retrato da futura imperatriz ficasse um primor de beleza. Na verdade se dizia que fisicamente ela não era assim tão dotada.(...)A 3 de setembro, a fragata chegou na baía de Guanabara, antes do desembarque que só aconteceu no dia seguinte, o imperador foi a bordo para conhecer a linda esposa. Houve um momento de embaraço entre os dois e Teresa Cristina teve uma leve sensação de ter desiludido o marido. Retirou-se para o seu camarim e desabafou-se com sua dama de companhia, chorando copiosamente. Outras fontes afirmam ter sido o imperador quem se afastou para chorar.”Oriundi
  9. A imperatriz invisível, Revista de História da Biblioteca Nacional.
  10. Maiores informações sobre a imperatriz Teresa Cristina e a arte musiva: O primeiro mosaico em terras brasileiras: a obra da Imperatriz
  11. Biografia da imperatriz Teresa Cristina, pela arqueóloga Maria Beltrão.
  12. Mosaicos da Imperatriz Teresa Cristina - Jardim das Princesas.
  13. SCHWARCZ,Lilia Moritz, As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo-SP,Companhia das Letras, 2ª ed., 2003, p. 441
  14. Levy Rocha - Viagem de D. Pedro II ao Espírito Santo.
  15. Visita do Imperador e imperatriz a Ouro Preto.
  16. Fatos do Brasil Império.
  17. Suplemento Turismo Folha de São Paulo (9 de outubro de 2008).
  18. SIMOES, Ricardo Japiassu.. O Roubo das Jóias da Imperatriz Teresa Cristina. Revista Encontro (Gabinete Português de Leitura), Recife, p. 203-204, 2002..
  19. Bárbara Simões Daibert e Robert Daibert Júnior. Extra! Roubaram as jóias da imperatriz!.
  20. Veja na História, Festança sobre o Vulcão.
  21. op.cit.in: Fatos do Brasil Império
  22. DEL PRIORE, Mary. O Príncipe Maldito. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, pp. 244-245.
  23. Gomes, Laurentino. 1889: Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil. Globo Editora. ed. [S.l.: s.n.], 2013. 264-265 pp. ISBN 9788525054463.
  24. Barman, Roderick. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825-91 (em inglês). [S.l.]: Stanford University Press, 1999. p. 375. ISBN 9780804744003.
  25. DEL PRIORE, Mary, op. cit., pp. 252-253.
  26. transcrito por SCHWARCZ, op. cit., p. 488.
  27. A Imperatriz Invisível, op. cit..
  28. Exposições - site de Maria Beltrão.
  29. MESQUITA, Simone de Sousa Teresa Cristina Maria - A Imperatriz Silenciosa, 1997. (Exposição)
  30. Museu Imperial. Teresa Cristina Maria: a imperatriz silenciosa. - Rio de Janeiro: Pontificio Santuario di Pompei, Istituto Italiano di Cultura, c1997.
  31. Dona Thereza Christina - A imperatriz silenciosa, SP/2002, direção: Dimas de Oliveira Junior
  32. Rio Mosaico 2008.
  33. Petrópolis celebra a cultura italiana.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DAIBERT,Bárbara Simões & DAIBERT Jr., Robert. Extra! Roubaram as jóias da imperatriz! Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, Edição nº 21, junho de 2007.
  • DEL PRIORE, Mary. O príncipe Maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
  • FAGUNDES, Maria José Silva Caldas. Teresa Cristina de Bourbon, a imperatriz invisível do Brasil(pré projeto de pesquisa). Disponível em: Recanto das Letras
  • MESQUITA, Simone de Sousa. As Cerâmicas da Coleção trazida pela Imperatriz Teresa Cristina. In: 21ª Reunião da Associação Brasileira de Antropologia, 1998, Vitória. Anais da 21ª Reunião da Associação Brasileira de Antropologia - ABA. Vitória, 1998.
  • MARANHÃO, Ricardo; MENDES JR., Antonio & RONCARI, Luiz. Brasil História - texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 4ª ed., 1983.
  • MUSEU IMPERIAL.Teresa Cristina Maria: a imperatriz silenciosa. Rio de Janeiro: Pontificio Santuario di Pompei, Istituto Italiano di Cultura, c1997.
  • SIMOES, Ricardo Japiassu. O Roubo das Jóias da Imperatriz Teresa Cristina. Revista Encontro (Gabinete Português de Leitura), Recife, p. 203-204, 2002.
  • SIMOES, Ricardo Japiassu. Um esboço da Imperatriz Teresa Cristina por Raul Pompéia. Gênero em Pesquisa, Uberlândia - MG, v. 15, 2002.
  • ZERBINI, Eugênia Cristina de Godoy. A imperatriz invisível. Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, Edição nº 17, fevereiro de 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias
Casa Imperial do Brasil
Dinastia de Bragança
Teresa Cristina das Duas Sicílias
Nascimento: 14 de março de 1822; Morte: 28 de dezembro de 1889
Precedido por
Amélia de Beauharnais
CoA Empire of Brazil (1870-1889).svg
Imperatriz do Brasil
18431889
Sucedido por
Nenhuma
Monarquia Abolida