Primeira Guerra Macedônica

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Primeira Guerra Macedônica
Data 214 a.C.205 a.C.
Local Grécia e Ilíria
Desfecho Empate. Paz de Fenice
Casus belli Oposição da República Romana à expansão macedônica e à aliança macedônico-púnica.
Combatentes
Verginasun.jpg

Reino da Macedônia
Kunsthistorisches Museum Vienna June 2006 035.jpg

República Romana
Liga Etólia
Pérgamo
Comandantes
Filipe V da Macedônia Marco Valério Levino
Átalo I
   

A Primeira Guerra Macedônica foi o primeiro dos três conflitos militares que enfrentaram o Reino da Macedônia com a República Romana. A guerra, travada entre 214 a.C. e 205 a.C., começou como consequência da aproximação entre Filipe V da Macedônia e Aníbal.

Inicialmente Filipe tomou a iniciativa, construiu uma frota e tentou tomar o controle da Ilíria com o fim de obter uma base de operações através da qual se introduzir na Itália. Com o fim de evitar a união das tropas macedônio-púnicas em território italiano, a República assinou uma aliança com a Liga Etólia, o Reino de Pérgamo; deste jeito, o monarca macedônio via-se obrigado a manter as suas tropas no seu território a fim de se defender dos ataque dos seus vizinhos.

Após a vitória de Roma sobre Cartago, e a perda do apoio da Liga Etólia contra Macedônia, o senado acedeu a assinar um tratado de paz na cidade de Fenice - conhecido como a "Paz de Fenice" - (205 a.C.). O tratado acabava com o conflito entre romanos e macedônios, reconhecia Ilíria a Filipe - exceto certas cidades costeiras - com a condição de este renunciar a apoiar os cartagineses na sua luta contra os romanos. O cesse das hostilidades não foi duradouro, e Macedônia e Roma voltariam a enfrentar-se em duas ocasiões mais; estes conflitos receberam o nome de Guerras Macedônicas.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

No fim do século III a.C., a decadência dos estados helenísticos clássicos fez com que os etólios se unissem e criassem a Liga Etólia, a qual, aproveitando a debilidade dos estados vizinhos, expandiu-se em todas direções chegando a dominar Delfos, e configurou-se como a segunda potência grega, atrás do Reino da Macedônia. Coincidindo com uma etapa de enorme instabilidade política, a Liga Etólia iniciou uma belicosa política expansionista, conquistando a importante região de Ambrácia aos epirotas, e enfrentando-se à Liga Aqueia; estas ações desafiaram a supremacia macedônica na Grécia, o que causou o estouro de um conflito com Macedônia, que terminou com a derrota dos etólios.

Intrigas na corte macedônia[editar | editar código-fonte]

Filipe V da Macedônia

O começo da Segunda Guerra Púnica entre Roma e Cartago, na que os romanos centraram a sua atividade militar, alimentou as ambições de Filipe V de Macedônia que sonhava com expandir os seus territórios para oeste. Segundo Políbio, a influência de Demétrio de Faros - um dos conselheiros do monarca - causou o começo das hostilidades entre Filipe e Roma.

Ao término da Primeira Guerra Ilírica, os romanos deram a Demétrio a oportunidade de aceder ao poder na Ilíria.[1] Porém, Demétrio violou o acordo com os romanos e enfrentou eles (Segunda Guerra Ilírica). O comandante romano Lúcio Emílio Paulo, venceu Demétrio, que teve de fugir para a corte do monarca macedônio, a fim de salvar a sua própria vida.[2]

Nesses momentos, Macedônia estava envolvida num conflito com o seu inimigo natural, a Liga Etólia. Quando o monarca teve notícias da vitória de Aníbal frente aos romanos no Lago Trasimeno (217 a.C.), Filipe solicitou o conselho de Demétrio; o outrora aliado dos romanos recomendou-lhe reconciliar-se com a Liga Etólia, a fim de estabilizar as suas fronteiras enquanto marchava para Ilíria e Itália. Segundo Políbio, estas foram as palavras de Demétrio:

Cquote1.svg Para que Grécia se incline frente do teu poder por sempre: Os habitantes de Aqueia por um afeto verdadeiro e os etolianos pelo temor que inspire o resultado desta guerra. Itália e a tua travessia são o primeiro passo para a instituição de um império universal. Agora é o momento de agir, quando os romanos se estão ainda lambendo as feridas.[3] Cquote2.svg

Convencido por causa da eloquência do seu assessor, o monarca heleno começou as disposições militares pertinentes.[4]

Paz com Etólia[editar | editar código-fonte]

Filipe, após ser convencido por Demétrio, iniciou as negociações de paz com Etólia. O encontro entre Filipe e os líderes etólios aconteceu em Naupato, onde se redigiu um tratado de paz entre Macedônia e Etólia.[5] Segundo Políbio, o líder etoliano Agelao de Naupato falou desta maneira em favor da paz:[6]

Cquote1.svg O melhor que poderiam ter feito os gregos foi unir-se e não combater entre eles, se tem de agradecer aos deuses que tenham falado com uma só voz e unido para repelirem os ataques dos bárbaros e salvar-se a eles e as suas cidades. Mas se não o cremos impossível, agora mesmo devemos unirmo-nos e formar um vasto exército para assumirmos a guerra no oeste. É evidente que se os cartagineses vencem os romanos, ou os romanos os cartagineses, o vencedor não ficará satisfeito com as posses da Sicília e Ilíria. Devemos adiantarmo-nos aos acontecimentos e enfrentarmo-nos a esta perigosa situação na tua pessoa, Oh Rei!. Deves abandonar a política de debilitamento dos gregos para não cair como uma presa fácil do invasor, defendendo toda a Grécia por igual como se tudo fosse já parte dos teus domínios. Se atuas desta maneira, os gregos tornar-se-ão nos mais cálidos amigos e os mais fiéis aliados que te ajudarão em quaisquer das tuas empresas. Deves empreendê-lo com entusiasmo e dirigir a tua olhada para oeste e centrar os teus pensamentos nas guerras italianas. Aguarda com frialdade o transcurso dos acontecimentos e elige o momento adequado para iniciar a viagem para a dominação mundial. Devemos adiar o nossos conflitos para garantir a tranquilidade na nossas fronteiras.[7] Cquote2.svg

Construção da frota[editar | editar código-fonte]

Filipe construiu uma frota de cem navios militares e treinou um exército de homens ao seu comando (217 a.C.216 a.C.). Políbio afirmou que o vigor com o que monarca se entregou a esta tarefa não tinha precedentes entre os seus predecessores.[8] Macedônia não dispunha de suficientes recursos para construir e manter a classe de frota que era necessária para se enfrentar aos romanos.[9] Segundo Políbio, Filipe não esperava lutar com os romanos no mar,[8] talvez devido à carência de experiência e treino.

Assim mesmo, foram construídos um considerável número de lembis; estes eram pequenas e rápidas galeiras que usavam os habitantes da Ilíria, e que eram capazes de transportar cinquenta soldados, sem contar os tripulantes.[10] Contudo isso esperava evitar a frota romana, que trataria de impedir um encontro com a frota cartaginesa de Aníbal na sua base de Lilibeu, a oeste da Sicília.[8]

Filipe, além disso, expandiu os seus territórios para oeste, através dos vales dos rios Apso e Genuso, chegando às beiras da Ilíria.[11] O plano de Filipe era tomar as costas da Ilíria conquistando a área entre estas costas e Macedônia, e usar o novo território conquistado a fim de transportar os reforços depressa até as mesmas portas da Itália.[12]

Em princípios de verão, Filipe e a sua frota partiram da Macedônia e navegaram através do Estreito de Euripo, entre as regiões de Eubeia e Beócia, em território heleno, rodearam o Cabo Maleia, e, antes de cruzarem o largo entre as ilhas de Cefalônia e Leucas, aguardaram a receber a posição da frota romana; este informe devia partir de Lilibeu e chegar a norte de Apolônia (Ilíria).

Porém, quando a frota macedônica estava fundeada na ilha de Sazan, Filipe foi informado do avistamento de quinquerreme em Apolônia. Convencido de que a frota romana marchava para ali com o fim de capturá-lo, ordenou a retirada imediata para Cefalônia. Políbio descreveu a fuga da frota macedônia como "um exemplo de pânico e desordem". Apesar disso, os romanos apenas enviaram dez naves com o fim de fazer face ao que consideravam uma "alarma injustificada". Filipe deixara escapar uma boa oportunidade de tomar Ilíria e teve de regressar para Macedônia; embora não perdesse nenhuma nave, voltou ao seu reino com uma considerável desonra.[13]

Aliança macedônio-cartaginesa[editar | editar código-fonte]

Quando chegou a notícia à corte de Filipe da esmagadora vitória de Aníbal frente aos romanos na Batalha de Canas, o monarca enviou mensageiros ao acampamento de Aníbal na Itália com uma proposta de aliança. Concluiu-se no verão de 215 a.C. um tratado de amizade. No tratado prometia-se apoio militar mútuo contra os inimigos (exceto que sejam aliados dos outros). Especificamente prometia-se apoio mútuo na guerra contra Roma, Aníbal devia assinar uma paz com Roma que não devia incluir Filipe, mas Roma devia ser forçada a ceder Corfu, Apolônia, Epidamno, Faros, Dimale, Partínia e Atintânia e devia ser restaurado Demétrio no trono de Faros.[14]

Ao seu regressou a Macedônia, os embaixadores de Filipe e os embaixadores de Aníbal foram capturados por Públio Valério Flaco, comandante da frota romana que patrulhava o sul da costa de Apúlia. Uma carta de Aníbal a Filipe e os termos do tratado entre ambos foram descobertos pelos romanos.[15]

A notícia da aliança entre Filipe e Cartago foi um grande golpe para Roma. Foram enviados imediatamente 25 barcos para unirem-se à patrulha de Públio Valério Flaco na costa de Apúlia; foram enviados também um número igual de barcos para patrulhar a costa Adriática perto de Tarento, numa tentativa de frear os impulsos expansionistas de Filipe, reduzindo o seu campo de operações à própria Macedônia e encerrando-o progressivamente no seu próprio território.

Primeira Guerra Macedônica[editar | editar código-fonte]

Guerra na Ilíria[editar | editar código-fonte]

Macedônia durante o reinado de Filipe V.

No fim de verão de 214 a.C., Filipe tentou de novo tomar o controle da Ilíria por mar, com uma frota de 120 lembi. Filipe capturou Orico, pouco defendido, navegou através do rio Aous (o moderno Vjosë) e assediou Apolônia.[16]

Enquanto isso, os romanos mobilizaram uma frota desde Tarento para Brundísio para vigiar os movimentos de Filipe, e uma legião que agiria como apoio, sob as ordens do propretor Marco Valério Levino.[17] Levino desembarcou nas imediações de Orico e retomou-a facilmente após um pequeno combate.

Segundo os escritos recolhidos por Lívio,[18] Levino, quando teve notícias do assédio de Apolônia, enviou 2 000 homens sob o comando de Quinto Névio Crista para que auxiliasse a cidade. Através do exército de Filipe, Quinto Névio Crista e o seu exército foram capazes de entrarem na cidade sem ser vistos. À noite seguinte, Crista capturou o exército de Filipe e rodeou o seu acampamento. Filipe escapou com os seus barcos e regressou para Macedônia, deixando uma boa parte da sua frota e dos seus homens, que seriam assassinados ou feitos prisioneiros, e os barcos queimados. Lavino passou o Inverno em Orico.

Após a frustrada invasão da Ilíria por via marítima, e agora bloqueado pela frota de Lavino, fundeada no Adriático, Filipe passou os dois anos seguintes (213 a.C.212 a.C.) realizando incursões na Ilíria por via terrestre. Guardando a costa, Filipe tomou as populações de Atintânia e Dimales e subjugou as tribos ilíricas de Dassaretae, os partinos e os do sul de Ardieus.[19]

Filipe foi finalmente capaz de obter acesso ao Adriático capturando Lissos, uma cidadela considerada inexpugnável. A captura desta população fez com que os territórios adjacentes da zona se rendessem sem dilação. A captura de Lissos reavivou as esperanças do monarca de conquistar Itália.[20] Contudo, a perda da frota da qual tanto dependia Filipe tornara esta conquista quase impossível.

Aliança em Grécia[editar | editar código-fonte]

Visando deter a que parecia iminente invasão de Filipe a Itália ou a Ilíria, os romanos buscaram aliados entre os povos gregos, a fim de desestabilizar as fronteiras de Macedônio e obrigando o monarca a defender-se no seu próprio território.

Lavino explorou a possibilidade de chegar a um tratado de amizade com a Liga Etólia (212 a.C.)[21] Os etolianos tinham assinada uma paz com os macedônios, em Naupato em 217 a.C. mas, após destes cinco anos, tinham-se recuperados dos estragos causados na guerra contra os seus vizinhos e eram preparados de novo para se levantarem contra os que eram os seus inimigos tradicionais, os macedônios.

Em 211 a.C., uma assembleia etoliana reuniu-se para negociar com Roma. Lavino assinalou astutamente a recente captura de Cápua e Siracusa, anteriormente sob domínio cartaginês, como uma prova da capacidade militar de Roma. Firmou-se então um tratado de aliança entre Roma e a Liga Etólia com o fim de combater conjuntamente aos macedônios. Os etolianos dirigiriam as operações por terra, enquanto os romanos o fariam por mar. O tratado estipulava ademais alianças com outros membros da Liga: Elis, Esparta, Mesénia e Átalo I de Pérgamo e dois clientes de Roma, os chefes ilírios Pleurato e Scerdilaidas.[22]

Campanha em Grécia[editar | editar código-fonte]

Após o verão, Lavino conquistou a principal cidade de Zaquintos, exceto pela sua cidadela, a cidade de Oeníadas na Acarnânia e a ilha de Naxos, na qual comandou as forças etolianas. Após isto transladou a sua frota a Corfu para passar o Inverno.[23]

Após conhecer a aliança entre Roma e a Liga Etólia, Filipe apressou-se a assegurar a sua fronteira norte. Realizou incursões na Ilíria, Orico e Apolônia e tomou a cidade fronteiriça de Sintia em Dardânia. Filipe marchou depressa para sul através de Pelagônia, Linceste, Botieia e Tempe, voltou para norte outra vez atacando Trácia e à cidade principal de Janforina. Depois, retirou-se para Macedônia.

Apenas regressou, Filipe recebeu uma petição desesperada dos seus aliados os acarnianos. O estratego (general) etoliano Escopas mobilizara ao exército etoliano e preparava a invasão de Acarnânia. Desesperados e rodeados, mas prestes a resistirem, os acarnianos enviaram as suas mulheres, crianças e anciãos para que buscassem refúgio no Épiro e os demais marcharam à fronteira para combater. Após ter notícias da determinação dos acarnianos, os etolianos vacilaram e, ao conhecerem a chegada de Filipe, abandonaram definitivamente a invasão. Após isto, Filipe retirou-se para Pela, para passar o Inverno.[24]

Na Primavera de 210 a.C., Lavino navegou de novo desde Corfu com a sua frota e, com os etolianos conquistou Anticira Fócia. Roma escravizou a população e a Liga Etólia apropriou-se do território conquistado.

Embora os povos helênicos tivessem receios de Roma e dos seus métodos,[25] a coligação contra Filipe continuou crescendo. Uniram-se a esta coligação contra Macedônia: Pérgamo, Elis e Mesénia seguidos por Esparta. A frota romana unida à de Pérgamo controlava os mares, e Macedônia e os seus aliados eram bloqueados por terra pelo restante dos integrantes da coligação antimacedônica. A estratégia romana de semear a discórdia entre os gregos na própria Grécia e impedir que os macedônios passassem para Itália ou Ilíria estava dando resultado. Quando Lavino voltou a Roma para tomar posse do seu consulado, pôde informar sem temor ao senado de que a legião despregada contra Filipe estava completamente segura.[26]

Contudo, os demais componentes da coligação antimacedônica permaneceram num estado de passividade durante 210 a.C., tempo que Filipe aproveitou para continuar realizando incursões. Após intensos trabalhos de sítio, Filipe tomou Échino, defendida pelo estratego Dorímaco e a frota romana, comandada agora por Públio Sulpício Galba Máximo.[27] Trasladando-se para oeste, Filipe tomou Falara e a cidade portuária de Lámia. Galba Máximo tomou Egina, uma ilha do Golfo de Salônica, que os etolianos venderam ao rei de Pérgamo por trinta talentos e que se usou como base principal de operações contra Macedônia no Mar Egeu.

Na Primavera de 209 a.C., Filipe recebeu petições de ajuda dos seus aliados da Liga Aqueia do Peloponeso, que estavam sendo atacados por Esparta e os seus aliados da Liga Etólia. Também recebeu notícias da nomeação de Átalo I de Pérgamo como um dos líderes da Liga Etólia e de que intentava cruzar o Mar Egeu para a Ásia Menor.[28] Filipe marchou para sul de Grécia. Em Lámia enfrentou-se ao outro líder da Liga Etólia, o estratego Fírrias, que era apoiado por tropas auxiliares romanas e de Pérgamo. Filipe venceu em duas batalhas ao seu inimigo em Lámia e obrigou-o a retirar-se ao interior das muralhas após ter infligido graves perdas às tropas de Fírrias.

Negociações de paz[editar | editar código-fonte]

De Lámia, Filipe dirigiu-se para Falara. Ali se reuniu com os representantes dos estados neutrais do conflito: Egito, Atenas e Quios. Estes países visavam acabar com a guerra, pois esta afetava seriamente o comércio, atividade econômica mais importante destes países.[29] Às negociações acudiu ao líder etoliano Aminador, com o que Filipe negociou e assinou uma trégua de 30 dias.

De ali Filipe marchou para bloquear o possível desembarque de Átalo I e depois voltou de novo, para reunir-se com os etolianos. A conferência foi interrompida pela chegada de notícias de que Átalo conseguira desembarcar em Egina e que a frota romana estava em Naupato. Os representantes etolianos indicaram a Filipe que devia ceder Pilos a Mesénia, Atintânia aos romanos e Ardieus a Pleuratos e Escerdilaidas. Filipe marchou indignado da conferência, alegando que "embora ele buscasse verdadeiramente a paz, os etolianos apenas buscavam um pretexto para recrudescer a guerra."[30]

Retomada das hostilidades[editar | editar código-fonte]

Desde Naupato, Sulpício navegou para leste de Corinto e Sição, e dirigiu rápidas incursões por essa zona. Filipe, com a sua cavalaria surpreendeu os romanos e fê-los fugir para as suas próprias embarcações. Os romanos, com Sulpício à cabeça, retiraram-se para Naupato.

Após isso, Filipe uniu-se perto de Dyme ao general de Acaia, Ciclíadas, para dirigir um ataque conjunto à cidade de Elis, a base da Liga Etólia contra Acaia.[31] Contudo, Sulpício já navegara para Cilene e pôde reforçar a cidade com 4 000 legionários romanos antes do assédio. Filipe dirigiu o ataque da cavalaria contra o inimigo, mas foi abatido do seu cavalo e, após uma encarniçada batalha na que os macedônios foram derrotados, conseguiu escapar. Após esta derrota, Filipe capturou a cidadela de Fírico, tomando 4 000 prisioneiros e 20 000 animais. Quando teve notícias de novas incursões na Ilíria, Filipe abandonou Etólia e voltou para Demétrias, na Tessália.[32]

Entrementres, Sulpício navegara pelo Egeu e se unira ao seu aliado Átalo I de Pérgamo em Egina para passar o Inverno.[33] Em 208 a.C., Átalo e Sulpício combinaram a sua frota, composta por 25 barcos de Roma e 35 de Pérgamo, e tentaram sem sucesso tomar Lemnos, mas conseguiram ocupar a ilha próxima de Parapetos (Skolas), que era sob posse macedônia.[34]

Após o seu sucesso, Átalo e Sulpício reuniram-se em Heracleia de Traquínia com o conselho de líderes da Liga Etólia, que incluíam os estados neutrais de Egito e Rodas, que continuavam tentado conseguir que finalizara o conflito. Quando Filipe teve notícias da conferência, marchou depressa para sul onde tentou capturar os líderes inimigos, mas chegou tarde demais.[35]

Rodeado pelos seus inimigos, Filipe foi obrigado a adotar uma nova política defensiva.[36] Distribuiu os seus comandantes e líderes militares por todo o território macedônico e estabeleceu um sistema de fogueiras por todas as cidades importantes para informarem dos movimentos dos inimigos.

Após abandonar Heracleia de Traquínia, Átalo e Sulpício saquearam Oreus, ao norte de Eubeia e Opunte, a cidade principal do Leste da Lócrida Opuntia.[37] As riquezas de Oreus foram para Sulpício, enquanto as de Opunte foram para Átalo. Contudo, com as forças divididas pois Sulpício fora embora para iniciar a confiscação dos bens da sua cidade, Filipe, avisado pelo sistema de sinais de fogo, atacou e tomou Opunte. Átalo foi colhido por surpresa e apenas pôde escapar.

Fim do conflito[editar | editar código-fonte]

Apesar de considerar a fuga de Átalo como uma pequena derrota,[38] Filipe notou que a guerra estava outra vez mudando de lado. Átalo foi obrigado a voltar para Pérgamo onde ficou a saber que o rei da Bitínia, Prúsias I, aparentado com Filipe, estava-se mobilizando contra Pérgamo. Sulpício, enquanto isso, voltou para Egina. Livre da pressão das frotas combinadas de Roma e Pérgamo, Filipe pôde retomar a ofensiva contra os etolianos. Capturou a cidade de Trônio, à qual se seguiram as praças-fortes de Titrônio e Drimeia, a norte de Cépsio.[39] Filipe também retomou o controle de Oreus.[40]

Os estados comerciantes com grau de neutralidade no conflito continuaram visando a impulsionar um tratado de paz.[41] Em Elateia, Filipe entrevistou-se com os embaixadores de Rodas, Egito, Bizâncio, Quios, Mitilene e, talvez, Atenas, além de alguns líderes etolianos. A guerra estava-se inclinando cada vez mais do lado de Filipe, porém os etolianos não eram dispostos a assinar um acordo de paz com as imposições abusivas do monarca macedônio.[42] Contudo, após três meses mais de conflito, os etolianos viram-se obrigados a assinar uma paz desfavorável sem o consentimento de Roma com o fim de conservar o seu território (206 a.C.).

À Primavera seguinte os romanos enviaram Públio Semprônio Tuditano com 35 barcos e 11 000 x homens a Dirráquio, na Ilíria, onde incitou à revolta contra Filipe aos partinos e pôs cerco a Dimale. Contudo, quando chegou Filipe, Semprônio levantou o assédio e refugiou-se sob as muralhas de Apolônia. Semprônio tentou sem sucesso que os etolianos voltassem a entrar na guerra contra Filipe, mas estes, cansados de batalhar, negaram-se. Sem mais aliados na Grécia, mas cumprindo o objetivo de evitar que Filipe apoiasse Aníbal na guerra contra Roma, o senado estava preparado para assinar a paz. Um tratado assinado em Fenice em 205 a.C., conhecido como a "Paz de Fenice", finalizou oficialmente a Primeira Guerra Macedônica, um conflito armado que durara nove anos. [43]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Políbio, 2.11.
  2. Políbio, 3.16, 3.18–19, 4.66.
  3. Políbio, 5.101.
  4. Políbio, 5.102.
  5. Políbio, 5.103–-105.
  6. Políbio, 5.103.
  7. Políbio, 5.104.
  8. a b c Políbio, 5.109.
  9. Walbank, p. 69; Políbio, 5.1, 5.95, 5.108.
  10. Wilkes, p. 157; Políbio, 2.3.
  11. Políbio, 5.108.
  12. Walbank, p. 69.
  13. Políbio, 5.110.
  14. Políbio, 7.9.
  15. Lívio, 23.34.
  16. Walbank, p. 75; Lívio, 24.40.
  17. Lívio, 24.10–11, 20.
  18. Lívio, 23.40.
  19. Walbank p. 80; Lívio, 27.30, 29.12.
  20. Lívio, 24.13, 25.23.
  21. Etolia (satrapa1)
  22. Lívio, 26.40. Segundo Walkman, p. 84, note 2, "Lívio acidentalmente omite Mesénia e descreve a Pleurato como Rei de Trácia."
  23. Lívio, 26.24.
  24. Lívio, 26.25; Políbio, 9.40.
  25. Políbio, 9.37–39, 10.15.
  26. Lívio, 26.28.
  27. Políbio, 9.41–42.
  28. Lívio, 27.29.
  29. Walbank, p. 89–90.
  30. Lívio, 27.30.
  31. Lívio, 27.31.
  32. Lívio, 27.32.
  33. Lívio, 27.33.
  34. Lívio, 28.5.
  35. Políbio, 10.42; Lívio, 28.5.
  36. Políbio, 10.41; Lívio, 28.5.
  37. Lívio, 28.6.
  38. Políbio, 11.7; Lívio, 28.7.
  39. Lívio, 28.7; Walbank, p. 96.
  40. Lívio, 28.8.
  41. Lívio, 28.7.
  42. Políbio, 11.4.
  43. Lívio, 29.12.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]