Soledade (Rio Grande do Sul)

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Município de Soledade
"A capital das Pedras Preciosas"
Bandeira de Soledade
Brasão de Soledade
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 29 de março de 1875 (139 anos)
Gentílico soledadense
CEP 99300-000
Prefeito(a) Paulo Ricardo Cattaneo (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Soledade
Localização de Soledade no Rio Grande do Sul
Soledade está localizado em: Brasil
Soledade
Localização de Soledade no Brasil
28° 49' 04" S 52° 30' 36" O28° 49' 04" S 52° 30' 36" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Noroeste Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Soledade IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Ibirapuitã e Victor Graeff a norte, Arvorezinha a leste, Barros Cassal a sul, e Espumoso a oeste
Distância até a capital 225 km
Características geográficas
Área 1 213,410 km² [2]
População 30 065 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 24,78 hab./km²
Altitude 726 m
Clima subtropical Cfb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,798 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 317 192,046 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 10 254,50 IBGE/2008[5]
Página oficial

Soledade é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.

A lenda[editar | editar código-fonte]

Segundo a lenda, "nos idos de 1820, aqui aportaram caravanas dos chamados 'Mineiros', em busca de novas terras, novas minas e novos horizontes. Avançam sempre, impelidos pela aventura, pela coragem e pela fé. Traziam consigo uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e outra de Nossa Senhora das Dores. Ao partirem de seu local de origem, haviam feito a promessa: ergueriam uma capela a Nossa Senhora no lugar de onde não mais pudessem prosseguir viagem. Chegados a essas colinas, onde tudo era beleza, clima seco e ameno, água em abundância, pastagens fartas e verdejantes, pinheirais e matas, aqui armaram acampamento, deixando-se ficar por vários dias. Reiniciando a caminhada, colocaram as duas imagens de Nossa Senhora sobre uma das carroças, puxadas a bois de tração. Percorridos poucos metros, eis que uma das rodas da carroça que conduzia as imagens sagradas teria se partido ao meio. Desatrelaram os bois e puseram-se a consertar a roda. Completada a tarefa, constataram que os bois haviam sumido. Depois de muitas buscas, foram encontrados e novamente atrelados ao veículo rústico. Ao tentarem nova partida, outra vez partiu-se a roda. Tomaram isto como um sinal da vontade de Nossa Senhora, para que no local se erigisse a Capela prometida no início de viagem. Isto fizeram. Diante daquela imagem, faziam suas preces de louvor e agradecimento. Como o local era por demais tranquilo e ermo, recebeu deles o nome de Nossa Senhora da Solidão, substituído, mais tarde, pelo de Nossa Senhora da Soledade."

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros homens brancos a entrarem em contato com os indígenas da serra foram os missionários. Os discípulos de Santo Inácio de Loyola começaram o trabalho de catequese e aldeamento dos índios por volta de 1626. Nas cabeceiras do Rio Pardo, hoje Barros Cassal, os Jesuítas ergueram a Redução de São Joaquim que chegou a congregar mais de mil famílias catequizadas que dez anos após foram vítimas da ação devastadora dos Bandeirantes que chegavam com a poderosa bandeira de Antônio Raposo Tavares.

Desde o abandono e destruição da Redução de São Joaquim, em 1637, até o início do século seguinte, a região de Soledade permaneceu querência de índios selvagens, até que Aegon, o Conquistador unificou os sete povoados.

No século XVIII, durante a fase áurea do desenvolvimento econômico e cultural dos Sete Povos das Missões, a região de Soledade voltaria a interessar às missões jesuítas. Da experiência anterior da Redução de São Joaquim, ficou guardada a memória dos ricos ervais existentes na serra que divide as águas dos rios Jacuí e Taquari. A erva-mate era o sustentáculo econômico dos Sete Povos, o principal produto a que dispunham os jesuítas para comercializar em Buenos Aires.

Pelos meados de 1716, os índios missioneiros começavam a frequentar a Serra do Botucaraí para o fabrico da erva. Vinham em carretas e acampavam em locais definidos a cada povo e somente retornavam com seus carros carregados depois de muitos meses de trabalho.

Espalhou-se também a notícia de que na Serra do Botucaraí havia minas de ouro e prata exploradas pelos padres da Companhia de Jesus. Motivado por tal notícia, Francisco de Brito Peixoto, capitão-mor de Laguna, organizou uma frota composta pelos melhores elementos que dispunha. Tudo inútil, pois o "ouro e a prata" a que se referiam eram os grandes ervais que os jesuítas exploravam junto à Serra do Botucaraí.

A exploração e cultivo de erva-mate prosseguiu mesmo após a expulsão dos jesuítas e passado um século, nada mais restando das rancharias e capelas dos índios, a velha estrada das carretas transportando erva continuou sendo a artéria das comunicações de Soledade com a região das Missões.

Em 1801 com o fim das reduções, cessam as longas viagens dos índios ervateiros e começa a povoação por pioneiros luso-brasileiros. Apesar dos campos de Soledade não oferecerem a mesma fertilidade e qualidade dos campos das Missões e os pastos da mesma natureza que os de Vacaria, assim mesmo despertaram o desejo de posse de alguns expedicionários. Foi o que sucedeu com o Alferes André Ferreira de Andrade. Após ter participado da conquista ou destruição das Missões, procurou estabelecer-se nos campos de Soledade.

A abertura da Picada de Botucaraí, em 1801, facilitou a ocupação da região e possibilitou uma comunicação direta entre Rio Pardo e o Planalto Médio. Estabeleceu também a possibilidade de um comércio direto entre Rio Pardo e as Missões, encurtando o caminho dos tropeiros e afugentando os bugres da encosta da serra.

Em 29 de março de 1875, pela Lei Provincial nº 962, a Freguesia de Nossa Senhora da Soledade foi elevada à categoria de Vila, emancipando-se de Passo Fundo, ato assinado pelo presidente José Antônio de Azevedo Castro. As providências para a instalação da nova comuna foram tomadas de imediato. E demorou o procedimento para tal. Na Igreja Matriz, foram realizadas as eleições para a constituição da Primeira Câmara que tomou posse em 9 de setembro de 1875. Após as Juntas Municipais, passou-se, em 1891, o município a ser dirigido pelos Intendentes Municipais, tendo o primeiro assumido em 1892 seguindo desta forma até 1931 quando passou a ser dirigida por um Prefeito Municipal.

1816

Segundo notícias, nesse ano, dá-se o início da efetiva ocupação branca do território de Soledade, as quais referem-se à época da concessão de sesmarias, pelo Governador e Capitão-General Marquês de Alegrete e, em 1823, pela Junta Governativa da Província, na região denominada Cima da Serra do Botucaraí.

Segundo documentos do Arquivo Histórico do Estado, os primeiros sesmeiros foram o Tenente André Ferreira de Andrade, o Furriel Vicente Ferreira de Andrade (pai e filho), a senhora Ana Angélica Ricarda, Antônio Francisco de Morais, Miguel Joaquim Borges e outros.

1832

Como demonstração de uma nascente consciência comunitária, é construída uma capela para o culto divino. O líder foi Lúcio Ferreira de Andrade e as terras foram adquiridas da senhora Francisca Maria da Silva, vulgo "Chica Mineira".

A capela ficou pronta em 1837, conforme registros da Diocese de Santa Maria. Segundo a tradição, o local da capela teria sido escolhido em função de um acidente que pareceu mensagens do céu: ... "lá por volta de 1830 uns estancieiros, que pretendiam se estabelecer na zona, levando na carreta uma imagem de Nossa Senhora, ao passarem pelo topo de uma formosa colina, viram os bois parar e se negar a ir adiante. Repetido por diversas vezes o fato extraordinário, convenceram-se de que ali deviam deixar a referida imagem e, em breve, ergueram modesta capelinha, que foi chamada da Senhora da Soledade".

1833

A Câmara de Rio Pardo elevou a localidade à condição de distrito, denominado "Cima da Serra do Botucaraí". O distrito passa a pertencer ao município de Cruz Alta, com o nome de distrito do Botucaraí.

1846

A Lei Provincial n.º 50, de 19 de Maio de 1846 eleva à Capela Curada, a povoação de Nossa Senhora da Soledade, do município de Cruz Alta.

1857

Lei Provincial n.º 335, de 14 de Janeiro de 1857, elevou a Capela de Nossa Senhora da Soledade à categoria de freguesia. A freguesia de Soledade passa a pertencer à vila de Passo Fundo. A Câmara de Passo Fundo divide a freguesia de Soledade nos distritos de Restinga do Botucaraí, de Soledade e de Lagoão.

1875

A Lei Provincial n.º 962, de 29 de Março de 1875, eleva a freguesia de Nossa Senhora da Soledade à categoria de vila, emancipando-a de Passo Fundo. Assinou-a o Presidente da Província José Antônio de Azevedo Castro, sancionando o que fora aprovado pela Assembleia Legislativa, em razão de um projeto dos deputados Cândido Lopes, A. Correia de Oliveira, Antunes Ribas e Antônio Eleutério de Camargo.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Possui uma área de 1.213,41 km². Soledade pertence à Microrregião de número 13, à Mesorregião número 1 e está localizada no norte do Rio Grande do Sul, no Planalto Médio sul-rio-grandense, no Alto da Serra do Botucaraí, a 726 metros acima do nível do mar. As coordenadas geográficas são 29 graus 03’ 14’ de latitude sul e 51 graus 26’ 00’ de latitude W. Gr. Soledade é o polo do Conselho Regional de Desenvolvimento Alto da Serra do Botucaraí.

Acessos
  • Rodovia BR-386: Acesso ao Mercosul, a Porto Alegre e à região do Planalto Médio (norte).
  • Rodovias BR-153 e RS-471: Soledade ao Porto de Rio Grande e ao sul do Estado.
  • Rodovia RS-332: Soledade à região das Missões e ao Vale do Taquari.

Economia[editar | editar código-fonte]

Pecuária[editar | editar código-fonte]

A bovinocultura de corte é a principal atividade em termos de área no município.

Indústria[editar | editar código-fonte]

O parque industrial de Soledade é constituído, predominantemente, pelo setor de industrialização de pedras preciosas, exportando 95% de seus produtos para os Estados Unidos, Europa e Ásia.

Conta também com indústrias do ramo da metalurgia, erva-mate, madeira, trigo e desdobramento de mármores e granitos.

Apicultura e piscicultura[editar | editar código-fonte]

Com o trabalho intensificado no interior do município, apicultura e piscicultura vêm ganhando muito espaço, principalmente incentivado pela Feira do Mel e do Peixe.

Agricultura[editar | editar código-fonte]

A área de exploração agrícola do município apresenta características bastante diversificadas, devido a sua topografia, onde se explora as culturas de soja, milho, canola, feijão preto, fumo, trigo, arroz de sequeiro, mandioca e batata-doce.

Comércio[editar | editar código-fonte]

Confecções, calçados, pedras preciosas e minerais para coleção, móveis, informática, mercado (Índice: 31,63% - Ano base: 2006)

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • VERDI, Valdemar Cirilo. Soledade das Sesmarias, dos Monges Barbudos, das Pedras Preciosas. Gesa, Não Me Toque, 1987
  • FRANCO, Sergio da Costa. Soledade na História. 1975, p. 29

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]