Élia Flacila

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Élia Flacila
Imperatriz-consorte romana
Busto de Élia Flacila.
Reinado agosto de 378-385
Consorte Teodósio I
Antecessor(a) Albia Dominica (oriente)
Flávia Máxima Constância (ocidente)
Sucessor(a) Gala
Dinastia Teodosiana
Nome completo
Aelia Flavia Flacila
Morte 386
Filho(s) Arcádio
Honório
Pulquéria

Élia Flávia Flacila, (em latim: Aelia Flavia Flaccilla; m. 385) conhecida geralmente apenas como Élia Flacila, foi uma imperatriz-consorte romana, primeira esposa do imperador Teodósio I. Ela era descendente de romanos hispânicos. Ela teve dois filhos, os futuros imperadores Arcádio e Honório, e uma filha, Pulquéria. Deu-se-lhe o titulo de Augusta, como demonstram as moedas cunhadas com a sua efígie.

Família[editar | editar código-fonte]

De acordo com o poema "Laus Serenae" ("Elogio a Serena"), de Claudiano, tanto Serena quando Flacila eram originárias da Hispânia.[1]

Uma passagem de Temístio (Oratio XVI, De Saturnino) tem sido interpretada como identificando Flávio Cláudio Antônio, prefeito pretoriano da Gália entre 376 e 377 e cônsul romano em 382 como seu pai. Porém, o relacionamento é duvidoso.[2] Em 1967, John Robert Martindale, que seria posteriormente um dos vários autores da Prosopografia do Império Romano Tardio, sugeriu que a passagem na verdade identifica Antônio como sendo o cunhado de Teodósio. Porém, ela é vaga o suficiente para permitir que Flávio Afrânio Siágrio, co-cônsul de Antônio em 382, seja o tal cunhado.[3]

O único parente dela claramente identificado nas fontes primárias era seu sobrinho Nebrídio, filho de uma irmã não identificada. Ele se casou com Salvina, uma filha de Gildão. O casamento dos dois foi mencionado por Jerônimo em sua correspondência com Salvina. Eles tiveram um filho e uma filha.[4]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Por volta de 375-376, Flacila se casou com Teodósio, filho do conde Teodósio.[5] Na época, seu marido havia caído em desgraça com Valentiniano I e havia se retirado da corte para viver em Cauca, na Galécia.[6]

O primeiro filho do casal, Arcádio, nasceu antes da elevação dos dois ao trono. O segundo, Honório, nasceu em 9 de setembro de 384 e sugere-se que a filha, Pulquéria, também teria nascido antes por conta de outra passagem em "Laus Serenae". É certo porém que ela faleceu antes dos pais, como menciona Gregório de Níssa.[2]

Um Graciano, mais jovem - mencionado juntamente com as crianças por Ambrósio - já foi sugerido como tendo sido um terceiro filho. Porém, Gregório de Níssa relata a existência de apenas três filhos e outras fontes não mencionam Graciano. Ele era provavelmente um parente, mas não um membro de fato da Dinastia teodosiana.[5]

Imperatriz[editar | editar código-fonte]

Valente, o imperador romano do oriente, foi morto na Batalha de Adrianópolis em 9 de agosto de 378 e deixou a esposa, Albia Dominica, e suas filhas, Anastácia e Carosa. Porém, ele já havia perdido seu único filho, Valentiniano Galates. Seu sobrinho, Graciano, imperador romano do ocidente, era seu herdeiro e assumiu o controle da metade oriental do império também. Seu meio-irmão mais jovem, Valentiniano II, era nominalmente seu co-imperador.

Em 19 de janeiro, Graciano declarou Teodósio, mestre dos soldados da Ilíria (magister militum per Illyricum), como seu novo colega no Império Romano do Oriente. É possível que Teodósio tenha sido o mais graduado oficial de origem romana disponível para promoção na época, uma vez que Merobaldo e Frigérido, os dois mestres dos soldados em presença (magistri militum in praesenti), tinham origem germânica e diversas outras posições equivalentes ainda estavam vagas desde as enormes perdas em Adrianópolis.[6]

Flacila se tornou imperatriz-consorte nesta época.

Ela era uma fervorosa defensora do credo niceno e Sozomeno relata que ela teria evitado um encontro entre Teodósio e Eunômio de Cízico, o principal líder do anomoeanismo, uma das mais radicais seitas arianas e que ensinava que Jesus (o Deus Filho) era de uma natureza diferente e de forma nenhuma similar a Deus (o Pai). Ambrósio e Gregório elogiam sua virtude cristão e comentam sobre seu papel como "líder da justiça" e "pilar da Igreja".[5]

Teodoreto conta sobre suas obras de caridade e sua atenção pessoal aos aleijados. Ele afirma que ela teria dito que "distribuir dinheiro é missão da dignidade imperial, mas eu ofereço à própria dignidade imperial serviço pessoal ao Provedor".[5]

Élia Flacila morreu no início de 386 e sua morte foi mencionada por, entre outros, Claudiano, Zósimo, Filostórgio e João Zonaras. De acordo com o Chronicon Paschale, o Palatium Flaciilianum de Constantinopla foi batizado em sua homenagem e uma estátua dela foi colocada no Senado bizantino.[7]

Glorificação[editar | editar código-fonte]

Élia é comemorada como santa pela Igreja Ortodoxa no dia 14 de setembro.[5][8]

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]