António Borges

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António Borges
Nome completo António Mendo de Castel-Branco do Amaral Osório Borges
Nascimento 18 de novembro de 1949
Ramalde  Portugal
Morte 25 de agosto de 2013 (63 anos)
Lisboa  Portugal
Nacionalidade português
Ocupação economista e professor universitário

António Mendo de Castel-Branco do Amaral Osório Borges GCIH (Ramalde, Porto, 18 de Novembro de 1949 – Lisboa, 25 de Agosto de 2013) foi um economista e professor universitário português. Ele também foi diretor administrativo e assessor internacional da Goldman Sachs.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Depois de se licenciar em Economia e Finanças, em 1972, no antigo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da antiga Universidade Técnica de Lisboa, estabeleceu-se nos Estados Unidos, em 1976 e aí obteve os graus de Mestre e Doutor em Economia, o último dos quais em 1980, na Universidade de Stanford. No mesmo ano iniciou funções docentes no INSEAD, em França.[1]

Assumiu a função de Vice-Governador do Banco de Portugal e leccionou na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, de 1990 a 1993. Nesse ano regressou ao INSEAD, tornando-se seu director e reitor, até 2000. Entre 2000 e 2008 foi Vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International, em Londres.[2] Do seu currículo de administrador de empresas consta ainda a passagem pela Administração do Citibank, BNP Paribas, Petrogal, Sonae, Jerónimo Martins, Cimpor e Vista Alegre.[3]

Foi consultor do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, do U.S. Electric Power Research Institute, da OCDE e colaborou com a União Europeia na criação da União Económica e Monetária. Em 2010 foi nomeado director do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional. É ainda professor catedrático convidado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, Presidente do Instituto Europeu de Corporate Governance[4] e administrador da Fundação Champalimaud.

Militante do Partido Social Democrata, do qual foi vice-presidente, sendo líder Manuela Ferreira Leite, entre 2008 e 2010, seria em seguida encarregado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho para liderar uma equipa que acompanhava, junto da troika, os processos de privatizações, as renegociações das parcerias público-privadas, a reestruturação do sector empresarial do Estado e a situação da banca, até então competências habitualmente cometidas ao Ministro da Economia, e que no executivo de Passos Coelho foram atribuídas a um elemento de fora do governo (em vez do titular da pasta da Economia, que era então Álvaro Santos Pereira)[5].

No contrato celebrado no dia 29 de Fevereiro de 2012 entre a empresa estatal Parpública Borges foi contratado António Borges como consultor para um extenso programa de privatizações inscrito no Memorando de entendimento com a troika como a RTP e os CTT. O contrato foi assinado entre a Parpública e a empresa ABDL L.da, uma sociedade por quotas entre António Mendo de Castel-Branco Borges e Diogo José Fernandes Homem de Lucena, em que António Borges tem uma quota de 15,012.02 euros e de Lucena uma de 4,987.98 euros.

De acordo com o contrato, em vigor desde o dia 1 de Fevereiro de 2012, a Parpública paga à referida sociedade uma verba mensal de 25 mil euros mais IVA, acrescida do reembolso de despesas "indispensáveis para a concretização do trabalho e previamente autorizadas, designadamente no caso de viagens ao estrangeiro, as quais deverão ser documentadas e respeitar as normas aplicáveis ao sector público".

De 1 de Fevereiro de 2012 a 1 de Fevereiro de 2013 António Borges recebeu 300.000 euros, mais despesas fora o montante das despesas efectuados neste ano de contrato que foi, entretanto, renovado por mais um ano.[6]

Condecorações[editar | editar código-fonte]

A 9 de Junho de 2014 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique a título póstumo.[7]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Família, casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Era filho primogénito de Rui Lourenço do Amaral Osório Drummond Borges (Oliveira de Azeméis, Oliveira de Azeméis, 18 de Julho de 1923 - Portalegre, 7 de Dezembro de 1988), trineto do 2.º Barão e 1.º Visconde de Almeidinha, e de sua mulher (Alter do Chão, Alter do Chão, 27 de Dezembro de 1948) Maria Inês Gagliardini Graça Caldeira de Castel-Branco (Lisboa, Anjos, 9 de Abril de 1922 - Porto, 14 de Março de 1990), neta paterna do 1.º Visconde de Alter do Chão e sobrinha-trineta do 1.º Barão de Brissos, de ascendência Italiana.[8][9] Era três vezes primo em segundo grau de Martim Borges de Freitas. Por morte de seu pai, foi co-Senhor da Casa da Barreira, em Alter do Chão.[8]

Casou em Paredes, Bitarães, a 26 de Agosto, com Isabel Maria Ferreira da Silva de Araújo Sobreira (Lisboa, Campo Grande, 21 de Abril de 1955), filha do Eng.º João da Cunha de Araújo Sobreira e de sua mulher Maria Alzira Carneiro de Vasconcelos Ferreira da Silva, da qual teve três filhos e uma filha: António Mendo Sobreira de Castel-Branco Borges (Lisboa, 24 de Julho de 1973), solteiro e sem geração, João Pedro Sobreira de Castel-Branco Borges (Porto, 2 de Junho de 1975), solteiro e sem geração, Sofia Sobreira de Castel-Branco Borges (São Francisco, Califórnia, 1 de Novembro de 1976), casada com João Pedro Mendes Carreiro Gomes (3 de Maio de 1973), com geração, divorciado com geração feminina de Isabel Margarida Gonçalves da Palma Valente (16 de Março de 1975), e Gonçalo Sobreira de Castel-Branco Borges (30 de Maio de 1980), solteiro e sem geração.[8]

Em 2002 António Borges foi considerado no "Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre de Manuel da Costa Juzarte de Brito", da autoria de Nuno Gonçalo Pereira Borrego e Gonçalo Manuel de Mello Gonçalves Guimarães, como sendo "um dos mais brilhantes economistas portugueses da actualidade".[10] Foi proprietário agrícola no concelho de Alter do Chão, onde foi presidente da Assembleia Municipal (2001-2009), e donde a sua família materna era oriunda.

Doença[editar | editar código-fonte]

No Verão de 2010, foi-lhe diagnosticado cancro do pâncreas, do qual viria a falecer no dia 25 de Agosto de 2013[11]. Dias antes tinha aceitado o convite do então presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, para ser o seu número dois em Washington, ficando à frente do departamento Europeu, da Rússia, da Ucrânia e da Turquia.

Posições pessoais[editar | editar código-fonte]

Em 2011, Borges ganhou 225.000€00 euros livres de impostos.[12] Defendeu que reduzir salários "não é uma política, é uma urgência".[13]

Em 2012, aquando da apresentação da parte do Governo duma proposta de redução da Taxa Social Única para as empresas, a qual foi rejeitada pela maioria dos empresários, António Borges acusou-os de serem "completamente ignorantes" e que "nunca passariam no primeiro ano do seu curso" se fosse seu professor, por desconhecerem a significância da medida,[14] o que lhe valeu críticas dos mesmos.[15][16]

Referências

  1. Insead.edu http://www.insead.edu  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  2. «Biography of Mr Antonio Borges» (em inglês). ECGI. Consultado em 14 de Fevereiro de 2011 
  3. «António Borges acumula Jerónimo Martins e equipa governamental». TSF Rádio Notícias 
  4. «Pagina oficial do Instituto Europeu de Corporate Governance» (em inglês). Ecgi.org. Consultado em 10 de setembro de 2012 
  5. «Privatizações nas mãos de António Borges». Semanário Sol 
  6. «Num só ano o Estado já pagou mais de 300 mil euros à empresa de António Borges». Jornal i. Ionline.pt 
  7. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "António Mendo de Castel-Branco do Amaral Osório Borges". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 4 de outubro de 2014 
  8. a b c "Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre de Manuel da Costa Juzarte de Brito", Nuno Gonçalo Pereira Borrego e Gonçalo Manuel de Mello Gonçalves Guimarães, 1.ª Edição, Lisboa, 2002, p. 436
  9. "Amaraes Osórios - Senhores da Casa de Almeidinha", José Carlos de Athayde de Tavares de Moraes da Cunha Cabral, Edição do Autor, 1.ª Edição, Lisboa, 1986, p. 114
  10. Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre de Manuel da Costa Juzarte de Brito", Nuno Gonçalo Pereira Borrego e Gonçalo Manuel de Mello Gonçalves Guimarães, 1.ª Edição, Lisboa, 2002, p. 436
  11. http://www.publico.pt/economia/noticia/morreu-o-economista-antonio-borges-1603941
  12. «Borges ganhou 225 mil € livres de impostos». Correio da manhã 
  13. «Economista António Borges defende que reduzir salários "é uma urgência"». Jornal de Notícias 
  14. Rádio e Televisão de Portugal http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=591164&tm=9&layout=121&visual=49  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  15. Diário Económico http://economico.sapo.pt/noticias/nprint/152872.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  16. Jornal i http://www.ionline.pt/dinheiro/filipe-botton-antonio-borges-demonstra-total-ignorancia-tecido-empresarial-portugues  Em falta ou vazio |título= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]