Tropaeolum majus

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Como ler uma caixa taxonómicaTropaeolum majus
cinco-chagas, bico-de-papagaio
T. majus (hábito e flor).

T. majus (hábito e flor).
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Brassicales
Família: Tropaeolaceae
Género: Tropaeolum
Espécie: T. majus L.
Nome binomial
Tropaeolum majus
L.
Ilustração científica.
T. majus (Setúbal, Portugal).
Hábito da planta.
Hábito de T. majus.
Detalhe da flor.
Utilização como alimento.
Selo postal da Ucrânia.

Tropaeolum majus L. é uma planta da família das Tropaeolaceae[1] com distribuição natural nas regiões e elevada altitude dos Andes, desde a Bolívia à Colômbia. A espécie é utilizada como planta ornamental em parques e jardins das regiões subtropicais temperadas de todo o mundo, estando naturalizada em múltiplas dessas regiões.[2][3] Existem numerosos cultivares, incluindo híbridos, com colorações florais distintas. Também tem vindo crescentemente a ser utilizada para fins alimentares e como planta medicinal. A espécie é conhecida por diversos nomes comuns, entre os quais cinco-chagas, capuchinha, bico-de-papagaio, capuchinho, mastruço-do-peru, flor-de-chagas, nastúrcio, agrião-do-méxico, chaguinha, agrião-da-índia e mastruço.[4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A espécie T. majus é planta herbácea anual de pequeno porte (caméfito), com ramos rasteiros e retorcidos, ligeiramente suculenta, trepadora ou rastejante. Apresenta um aroma característico, mais intenso nos caules e folhas, ausente das flores. As flores e as folhas apresentam um sabor picante, similar ao do Lepidium sativum (agrião).

As folhas são suborbiculares, peltadas, de 3–10 cm de diâmetro, glabras, inteiras ou com as margens undulados. Os pecíolos são longos, com 15–20 cm de comprimento.

A flores ocorrem em longos pedúnculos, com 10–20 cm de comprimento, com 5 sépalas com 15–18 mm de comprimento e 8–9 mm de largura, de coloração verde-amarelada, com um esporão de 25–35 mm de comprimento. As pétalas são 5, desiguais, inteiras ou unduladas, amarelas a vermelhas, com linhas e pontos amarelos iregulares, as pétalas superiores afiladas, com 30–40 mm de comprimento, as inferiores com 15–20 mm de comprimento e de largura, com uma unha com 12–15 mm de comprimento, ciliada. Os carpelos com 10 mm de comprimento quando em fruto, com aduelas rugosas.[5][6]

Existem numerosas variedades cultivadas, frequentemente assilvestradas, com flores flores que vão da cor vermelha a branca, sendo mais frequentes as variedades de flores alaranjadas e amarelas. As flores podem ser usadas na culinária[7] e os frutos são utilizados na confecção de conservas, mas a planta inteira é comestível, crua ou cozida, frequentemente em saladas.[8]

A planta contém um óleo essencial, rico em tiocianato de benzilo e glucotropeolina, ao qual são atribuídos efeitos antibióticos, sendo utilizado em medicina tradicional em casos de infecções das vias urinárias, nefrite e gripes. As folhas são também ricas em ácido ascórbico, isoquercitrina e helenina, sendo utilizadas maceradas no tratamento de hematomas.

O seu fruto é preferido pelas maritacas.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A espécie Tropaeolum majus foi descrita por Carolus Linnaeus e publicado em Species Plantarum 1: 345. 1753.[5] A etimologia do nome genérico deriva do grego Τροπαιον (tropaion), "pequeno troféu", devido à disposição das folhas e flores.[9] O epíteto específico majus deriva do vocábulo latino que significa "o maior".

A espécie foi introduzida na Europa pelos jesuítas no século XVI, dando notícia da sua utilização culinária, tanto das folhas como das flores. O botânico Rembert Dodoens cultivou-a no seu jardim em 1600.

Nos altiplanos da Bolívia e na região andina existe a espécie Tropaeolum tuberosum, que produz tubérculos do tamanho de uma castanha, flores de bela coloração carmesim, cuja altura não ultrapassa os 50 cm. Estes tubérculos têm um sabor áspero muito acentuado, sendo um alimento bastante consumido.

A espécie apresenta grande variabilidade morfológica, do que resultou uma rica sinonímia taxonómica:

  • Cardamindum majus Moench
  • Nasturtium indicum Garsault
  • Tropaeolum pinnatum Andrews
  • Tropaeolum quinquelobum Bergius
  • Trophaeum majus (L.) Kuntze[10]

Notas

  1. LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ª ed., Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2008. 544 p.
  2. Germplasm Resources Information Network: Tropaeolum majus
  3. Huxley, A., ed. (1992). New RHS Dictionary of Gardening. Macmillan ISBN 0-333-47494-5.
  4. «Tropaeolum majus». Real Jardín Botánico: Proyecto Anthos. Consultado em 8 de mayo de 2015. 
  5. a b «Tropaeolum majus». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 8 de mayo de 2015. 
  6. Tropaelum majus.
  7. Francisco José de Abreu, Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ª ed., Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2008.
  8. J.L. Berdonces:(2005) Especias y Plantas Aromáticas Océano Barcelona
  9. En Nombres Botánicos
  10. «Tropaeolum majus». The Plant List. Consultado em 8 de mayo de 2015. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CONABIO. 2009. Catálogo taxonómico de especies de México. 1. In Capital Nat. México. CONABIO, Mexico City.
  • Correa A., M.D., C. Galdames & M. Stapf. 2004. Cat. Pl. Vasc. Panamá 1–599. Smithsonian Tropical Research Institute, Panamá.
  • Davidse, G., M. Sousa Sánchez, S. Knapp & F. Chiang Cabrera. 2015. Saururaceae a Zygophyllaceae. 2(3): ined. In G. Davidse, M. Sousa Sánchez, S. Knapp & F. Chiang Cabrera (eds.) Fl. Mesoamer.. Universidad Nacional Autónoma de México, México.
  • Flora of North America Editorial Committee, e. 2010. Magnoliophyta: Salicaceae to Brassicaceae. Fl. N. Amer. 7: i–xxii, 1–797.
  • Gleason, H. A. 1968. The Choripetalous Dicotyledoneae. vol. 2. 655 pp. In H. A. Gleason Ill. Fl. N. U.S.. New York Botanical Garden, New York.
  • Hickman, J. C. 1993. The Jepson Manual: Higher Plants of California 1–1400. University of California Press, Berkeley.
  • Idárraga-Piedrahita, A., R. D. C. Ortiz, R. Callejas Posada & M. Merello. (eds.) 2011. Fl. Antioquia: Cat. 2: 9–939. Universidad de Antioquia, Medellín.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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