Envelhecimento

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre envelhecimento nos seres humanos. Para envelhecimento em todos os seres vivos, veja senescência.
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Envelhecimento, nos seres humanos, é o processo de desgaste do corpo (ou das células), depois de atingida a idade adulta. As causas do envelhecimento ainda não são totalmente conhecidas; teorias propõem que acúmulo de danos (por exemplo, mutações no DNA) possa causar aumento de falhas no organismo. Outras teorias propõem que o envelhecimento possa ser programado geneticamente.

Introdução[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Senescência
  1. O envelhecimento do organismo como um todo relaciona-se com o fato das células somáticas do corpo irem morrendo e não serem substituídas por novas como acontece na juventude. O motivo é que para a substituição poder acontecer células somáticas têm de se dividir para criarem cópias que vão ocupar o lugar deixado vago pelas que morrem.
  2. Em virtude das múltiplas divisões celulares que a célula individual registra ao longo do tempo, para esse efeito, o telómero (extensão final do DNA que serve para a sua proteção ) vai diminuindo até que chega a um limite crítico de comprimento, chamado de limite de Hayflick, ponto em que a célula perde a capacidade de se dividir, levando a uma conseqüente diminuição do número de células do organismo, das funções dos tecidos, órgãos, do próprio organismo e o aparecimento das chamadas doenças da velhice.
  3. Uma enzima endógena (telomerase) encarrega-se da manutenção dos telómeros. A cada divisão da célula acrescenta a parte do telómero que se perde em virtude da divisão, de modo que o telómero não diminui e a célula pode-se dividir sempre que precisa. Ela realiza essa função unicamente em células germinativas e em alguns tipos de células cancerosas, fazendo com que estas sejam permanentemente jovens independentemente do organismo envelhecer.
  4. As células somáticas têm o gene da telomerase mas não a produzem. Atualmente a ciência já consegue ativar a telómerase e criar células com potencial imortal. Revistas científicas como a Science (1998) já trouxeram artigos sobre este assunto.
  5. O envelhecimento pode ser entendido como a consequência da passagem do tempo ou como o processo cronológico pelo qual um indivíduo se torna mais velho. Esta tradicional definição tem sido desafiada pela sua simplicidade.
  6. No caso dos seres vivos relaciona-se com a diminuição da reserva funcional, com a diminuição da resistência às agressões e com o aumento do risco de morte.

Rosangela Machado postula que no ser humano caracteriza-se por um processo biopsicossocial de transformações, ocorridas ao longo da existência, suscitando diminuição progressiva de eficiência de funções orgânicas (biológica), criação de novo papel social que poderá ser positivo ou negativo de acordo com os valores sociais e culturais do grupo ao qual o idoso pertence (socio-cultural); e pelos aspectos psíquicos vistos tanto pela sociedade quanto pelo próprio idoso (psicológico).

  1. Inicialmente foi postulado que o envelhecimento do ser humano seria o processo de deterioração dos sistemas com o tempo, permitindo assim a existência de filosofias “antienvelhecimento” (onde velho é tão bom quanto novo, ou mesmo potencialmente igual ao novo) e mesmo de intervenções designadas a reparar ou impedir o envelhecimento.
  2. Em que pese que, à luz do conhecimento atual, o envelhecimento é um processo inexorável e irreversível, este artigo tratará especificamente dos aspectos sociais, cognitivos, culturais e econômicos do envelhecimento. A biologia do envelhecimento será considerada em detalhe em senescência.
  3. O envelhecimento é uma parte importante de todas as sociedades humanas, refletindo as mudanças biológicas, mas também as convenções sociais e culturais.

Também na maioria das sociedades é comum a negação do processo de envelhecimento e dos eventos a este associados. Muita energia, tempo e dinheiro são gastos exclusivamente para esconder os efeitos do envelhecimento. Tingimento capilar, maquiagens elaboradas ou mesmo cirurgia plástica por razões cosméticas são exemplos muito comuns. Contrastando com estes fenômenos, entre os mais jovens é muito comum procurar aparentar mais idade no intuito de receber o respeito associado às idades mais avançadas ou mesmo permissão para realizar atividades reservadas às pessoas mais velhas, como comprar bebidas alcoólicas ou dirigir veículos.

  1. Assuntos ligados ao envelhecimento populacional, em que a idade média das populações tem aumentado nas últimas décadas, constituem um fator importante em muitas nações do mundo. Os efeitos sociais deste envelhecimento são enormes. Por um lado, a criminalidade tende a ser maior entre os mais jovens; uma população muito jovem também demandará altas taxas de emprego, acesso à educação básica e universitária e adoção de novas tecnologias. Idosos apresentam diferentes necessidades à sociedade e aos governos, bem como freqüentemente diferentes valores. Em nações em que o voto é voluntário, os idosos tendem a votar com mais freqüência que os jovens, aumentando seu peso político. Por outro lado, em nações com voto obrigatório é freqüente a adoção do voto voluntário para idosos, diminuindo potencialmente seu peso político.

“Senescência orgânica” é o envelhecimento do organismo como um todo, ligado, entre outros fenômenos, ao envelhecimento celular. O envelhecimento do organismo é geralmente caracterizado pela diminuição da capacidade de responder a estresses biológicos. Estes desafios em geral oneram a capacidade funcional de nossos órgãos e sistemas, que diminui com o passar dos anos. De forma interessante, em indivíduos jovens e saudáveis, esta capacidade funcional se encontra muito além do necessário para o quotidiano, de forma que existe uma denominada reserva funcional; o envelhecimento fisiológico ou normal pode também ser entendido como uma diminuição progressiva desta reserva funcional, de forma a diminuir a capacidade de resposta a desafios. Esta diminuição na capacidade de manter a homeostase do organismo tem sido denominada homeostenose e está ligada a riscos progressivamente maiores de doença ou perda da capacidade funcional. Por esta razão, a morte é a conseqüência final do envelhecimento, mas vale notar que a diminuição das reservas funcionais em seres humanos é lenta e progressiva, sendo compatíveis com a vida saudável em idades tão avançadas como a dos centenários. É o estresse adicional das doenças (especialmente as doenças crônicas) e dos maus hábitos de vida (como tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, obesidade e outros) o grande vilão para a saúde do idoso: ao atingirem negativamente uma reserva funcional já normalmente diminuída em relação ao jovem que estas causam insuficiências orgânicas em idades menos avançadas.

Alguns pesquisadores trataram no passado o envelhecimento como mais uma doença. No entanto, esta visão ainda não é consenso no meio científico.

Alguns fatores podem aumentar a velocidade do envelhecimento,[1] como por exemplo, a reação alérgica.[2][3][4]

Dividindo o ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando a idade mediana global em 2001.

A vida humana é freqüentemente dividida em várias etapas. Esta divisão é arbitrária, uma vez que todos os processos biológicos de modificação são lentos e progressivos – e muitas vezes coexistem uns com os outros, como o processo de envelhecimento e o de desenvolvimento, ambos se iniciam desde a concepção, se considerados todos os aspectos bioquímicos já conhecidos.

Assim, a divisão da vida humana em períodos de um ciclo reflete fenômenos ou estados observáveis, mas padece de enorme variabilidade individual. Brooke Greenberg morreu com 20 anos, assombrando os especialistas, devido ao fato de seu organismo não envelhecer, tendo uma aparência física de um bebê.[5][6][7] [8][9] [10][11]

Dada a influência cultural destas divisões, em algumas culturas, a divisão mostrada abaixo não reflete um dado homogêneo.

Na maioria dos países ocidentais, a idade adulta inicia-se entre os 16 e os 21 anos, enquanto que é geralmente considerado idoso aquele que tem 65 anos ou mais.

Aspectos biológicos do envelhecimento[editar | editar código-fonte]

No momento, as causas biológicas do envelhecimento ainda não são totalmente compreendidas. Um modelo animal usado para o estudo do envelhecimento em laboratórios é o nematoide C. elegans, por conta de sua curta expectativa de vida (de 2 a 3 semanas) e pelas ferramentas disponíveis para modificar geneticamente o organismo. Muitos dos genes implicados em controlar a taxa de envelhecimento foram primeiramente descobertos em C. elegans[12]. Alguns animais vivem muito mais do que humanos. A espécie Baleia-da-groenlândia, por exemplo, pode chegar até os 200 anos de idade.

Apesar do envelhecimento humano ainda ser um processo extremamente misterioso, e cientistas ainda debaterem por que envelhecemos, há razões para acreditarmos que o envelhecimento humano possa ser manipulado. No momento, não há nenhum tratamento farmacológico que comprovadamente aumente a expectativa de vida humana.

Em diferentes organismos, incluindo humanos, já foi mostrado que a dieta tem um papel fundamental no controle do envelhecimento. Em especial, a dieta Restrição calórica, é uma dieta em que há redução das calorias ingeridas, e é capaz de aumentar a longevidade em quase todos organismos testados até hoje em laboratórios[13]. Os efeitos a longo-prazo em humanos são desconhecidos, mas há indicativos de que pode melhorar a saúde[14].

No país, existem grupos de pesquisa interessados em entender o processo de envelhecimento em diferentes organismos[15].

Aspectos legais[editar | editar código-fonte]

Há grande variação entre os países sobre com qual idade um indivíduo se torna legalmente um adulto.

No Brasil existem questões como a idade mínima para o voto (16 anos), a obrigatoriedade do voto (entre 18 e 65 anos), o voto opcional (entre 16 e 18 anos de idade ou mais de 65 anos), bem como a maioridade civil e criminal aos (18 anos), bem como a aposentadoria compulsória para servidores públicos (70 anos).

Aspectos econômicos e mercadológicos do envelhecimento[editar | editar código-fonte]

A economia do envelhecimento é da maior importância. Crianças e adolescentes em geral dispõem de pouco dinheiro, mas a maior parte deste é destinada à aquisição de bens de consumo. Estes também têm grande impacto no modo como seus pais gastam seu dinheiro.

Adultos jovens são considerados uma coorte muito valorizada pelo mercado. Estes em geral recebem seu próprio dinheiro e apresentam poucas responsabilidades, como crianças ou dividas. Em geral, estes ainda não têm hábitos de consumo fixos e estão mais abertos a novos produtos. Assim, em geral, os mais jovens constituem o alvo central das estratégias de marketing. A televisão é programada principalmente para atrair pessoas entre 15 e 35 anos de idade, e os filmes também são construídos em torno deste apelo.

As pessoas de meia-idade e os idosos tendem a comprar menos e são tradicionalmente enxergados como possuindo hábitos de compra muito arraigados e estáveis, portanto, estando menos abertos ao marketing. Idosos em geral tendem a possuir maior patrimônio, mas tendem a ser mais económicos, estando assim mais abertos ao marketing de instituições financeiras do que ao mercado de consumo. É importante notar que isto reflete, nos países em desenvolvimento, o estado dos idosos das classes média e alta, enquanto que idosos oriundos das classes menos favorecidas podem não apresentar renda e depender de seus filhos, por exemplo.

No Brasil, o fenômeno da pobreza e do desemprego tem levado, no entanto, a situações em que são os idosos aposentados ou pensionistas a sustentar seus descendentes desempregados.

Finalmente, a diminuição da população jovem (e, portanto, da percentagem da população contribuidora dos sistemas de pensão e impostos) está projetando uma situação de queda na arrecadação dos sistemas previdenciários e aumento nos gastos (com aumento da parcela de aposentados), ameaçando um colapso dos sistemas previdenciários. Embora diferentes estratégias tenham sido propostas, esta é ainda uma questão aberta atualmente.

Variações culturais[editar | editar código-fonte]

Certas culturas se encontram diante de uma situação ou entendimento menos problemático do que o descrito acima, pela própria maneira como entendem o ser idoso: a idade avançada é vista como um estágio a ser atingido e o idoso, visto com respeito e status. Isto é particularmente mais comum nas culturas orientais.

Mudanças cognitivas no envelhecimento[editar | editar código-fonte]

Um declínio constante em muitos processos cognitivos é visto ao longo da vida, particularmente a partir dos 30 anos de idade. A maioria das pesquisas tem se focalizado em memória e envelhecimento e tem-se verificado declínio em diferentes tipos de memória com o envelhecimento, mas não na memória semântica ou no conhecimento geral, como definições e vocabulário, os quais tipicamente aumentam ou mantêm-se estáveis.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]