Escola de samba virtual

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Escola de samba virtual é um hobbie surgido no Brasil, na década de 2000, onde aficionados por Carnaval se reúnem pela internet e criam uma espécie de jogo onde cada participante, ou grupo de participantes, um comanda uma escola de samba fictícia[1][2][3][4] As agremiações virtuais não devem ser confundidas com as escolas de samba de maquete[5][6][7].

O Carnaval Virtual é uma manifestação cibercultural que se fundamenta em traduzir elementos presentes nos desfiles reais em linguagem gráfica e na interatividade proporcionadas pelo ciberespaço, que ocorre de forma contínua em comunidades virtuais, e cujo foco principal é a realização do campeonato anual de escolas de samba virtuais.[6][7] Do ponto de vista socioantropológico o Carnaval Virtual é considerado uma manifestação carnavalesca legítima, fruto das mudanças das práticas culturais e estilo de vida gerados pela internet, capaz de criar novas possibilidades para a perpetuação do próprio carnaval. Do ponto de vista da comunicação é considerado um jogo eletrônico de simulação da realidade.[7][8]


História[editar | editar código-fonte]

As primeiras manifestações carnavalescas virtuais surgiram no Brasil na década de 1990. Acredita-se que a própria cobertura jornalística do carnaval real por veículos da internet tenha aberto as portas para debates online em fóruns, listas de e-mail e salas de bate-papo, e ao mesmo tempo assinalou desde o início a participação coletiva misturando pessoas de diversas regiões do Brasil.[7][9][10]

Conforme o domínio das tecnologias digitais disponíveis aumentava, compositores e artistas idealizaram as simulações de desfiles de escolas de samba online, com ilustrações estáticas de fantasias e alegorias. Os participantes então criaram escolas de samba virtuais e montaram um campeonato que, embora inspirado no desfile de escolas de samba reais, possui regras próprias. O termo “Carnaval Virtual” foi apresentado em um grupo de amigos liderado por Miguel Paul, que teve a ideia de criar "desfiles de escolas de samba na tela do computador", com os desenhos e sambas de enredo feitos por eles mesmos. As propostas iniciais eram de matar a saudade do carnaval no meio do ano, e colocar em prática algumas das ideias e projetos que as vezes lhes eram negadas ou mesmo inacessíveis nos barracões criativos do Carnaval Real.[6][7]


Surgiram no Brasil em 2003,[6][7][8] quando aficionados por Carnaval se reuniram pela internet e criaram uma espécie de jogo onde cada participante (ou grupo de participantes) comanda uma escola de samba fictícia, que disputa campeonatos em ligas.[4][6][9] As agremiações virtuais não devem ser confundidas com as escolas de samba de enredo e com as escolas de samba de maquete.[9]


Ainda em 2003, foi organizada a Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais (LIESV). Com o tempo, os projetos foram se tornando cada vez mais complexos e ganhando mais simpatizantes. Com isso, ferramentas surgiram, as gravações dos sambas se profissionalizaram, desenhos foram ficando cada vez mais detalhados, e enredos mais pesquisados. Aos poucos os desfiles das agremiações virtuais se tornaram um laboratório, vitrine e berço de talentos, como intérpretes, compositores, carnavalescos e pesquisadores.[6][7][11]

Dinâmica[editar | editar código-fonte]

Não há restrições para participação no Carnaval Virtual. São bem-vindos amantes da folia de todas as idades, gêneros e região do país. Basta a vontade de integrar a folia virtual e seguir as orientações do Estatuto e Regulamento. Para criar uma agremiação, é obrigatória a formação de uma equipe mínima composta por presidente, intérprete e carnavalesco. As demais funções não são obrigatórias.[6][12][13]

Ao longo do ano os usuários debatem assuntos específicos do carnaval. O desfile é visualizado devendo o usuário rolar o desfile com o mouse em sua tela de computador ou dispositivo móvel, enquanto escuta a transmissão do samba por uma rádio online. Os desenhos podem ser feitos manualmente com lápis e papel e depois escaneados ou desenhos feitos com softwares para design gráfico. O desfile virtual faz lembrar a apresentação audiovisual de croquis.[6][7]

A interatividade entre usuários durante o desfile é mantida. Há um locutor que explica o enredo de cada escola. Os roteiros com detalhes de todo o desfile, com a descrição pormenorizada da concepção das imagens e composições musicais também são disponibilizados.[12]

A classificação do campeonato se dá pela soma das notas atribuías pelo corpo de jurados em cinco quesitos: Enredo, Samba-enredo, Alegorias, Fantasias e Conjunto.[13]

Ligas em atividade[editar | editar código-fonte]

LIESV é a sigla para Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais. Realiza seus desfiles desde 2003. A partir de dissidentes da LIESV, foi criada a Virtuafolia, que não está mais em atividade.[6][7][14]

Em 2016 foi formado, por dissidentes da LIESV e remanescentes da extinta Virtuafolia, o Carnaval Virtual, com a missão de adquirir mais visibilidade, seriedade e profissionalismo, investindo em experimentação de novas ferramentas de comunicação, julgamentos técnicos, estatutos e regulamentos detalhados.[11][12] A comunidade do Carnaval Virtual tende a servir como uma forma contemporânea de perpetuar o carnaval brasileiro, sem as fronteiras físicas, levando a identidade cultural do Carnaval das Escolas de Samba para onde a Internet puder levar. A logomarca do Carnaval Virtual foi criada pelo artista plástico e carnavalesco Jorge Silveira.[11][12][13]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Em 2018 o carnavalesco Jorge Silveira desenvolveu no carnaval carioca o enredo "Academicamente Popular", sobre os 200 anos de fundação da Escola de Belas Artes da UFRJ, para a escola de samba São Clemente. Foi a primeira vez que um mesmo enredo desenvolvido no carnaval virtual foi adaptado posteriormente para o carnaval real. Conforme exposto pelo próprio artista, em 2012 o enredo já havia sido desenvolvido na linguagem de desfile virtual.[15][16]

Resultados[editar | editar código-fonte]

Escolas inscritas para o Carnaval Virtual 2018 e seus enredos[17]

Grupo Agremiação Enredo
Especial Acadêmicos do Setor 1 Fordlândia
Arranco da FGAF Outra vez na passarela, o mundo inteiro espera pra ver a Ilha passar… Segura a marimba!
Bohêmios Samba Club Hoje tem sambada! A Bohêmios anuncia, no galope da pisada, segue o banco no baião,

levanta a poeira na roda, que o Cavalo Marinho, meu povo, vai além da madrugada!

Caprichosos do Boa Vista Inezita, Menina da Cidade, Caipira de Coração
Corações Unidos A vida é pra celebrar! Um mundo em festa!
Dragões Lendários Histórias de dragões
Escola Virtual da Amazônia Voltei, Pernambuco!
Flor de Lótus Padma Lótus, a Divina Flor
Imperiais do Samba ANANSI – Um novo Itã à humanidade
Império do Progresso És Tu, Mulher…
Império do Rio Belo Laroyê Exu
Mocidade Tambores da Velha Serra
Morro do Esplendor Jorge Ben Jor – O Poeta Urbano e Suburbano
Ponte Aérea É por amor a essa pátria que a gente segue na fileira
Recanto do Beija-flor Baquaqua – Visões da Liberdade
União da Gávea Elza Soares: A mulher do fim do mundo desperta o poder feminino!
Acesso Acadêmicos de Realengo Alô Alô Realengo Aquele Abraço!
Águia Real Baroque Brasiliensis” – Uma história esculpida em ouro
Apoteose Cirandas
Arautos do Cerrado Arautos festeja o ano inteiro os folguedos do folclore brasileiro
Bambas de Ouro A farra do boi voador
Caboclinho Verde Cannabis: uma Caboclinho alucinógena
Curral das Éguas Nfa Mansa! O apogeu mandiga no Império Mali
Deixa de Truque As Divinas Águas De Um Caminho Que Mais Parece o Paraíso
Embaixada do Samba Mardi Grass Tricentennial – New Orleans, The Best Carnival
Estrela Guia O Rei da Praia
Ferozes do Samba Aruanã
Filhos do Tigre Que felicidade, que alegria!
Imperatriz Itaocarense O Reino dos dois Irmãos
Império da Carlota Mistérios da Fé na Ordem do templo
Império da Fênix O Português Submerso – Santa Rosa
Império da Praça XI Magno
Império de Niteroi A Pedra do Reino
Império do Samba Ananas comosus – Uma Realeza Tropical
Independentes Naminsky, Obí Alagbara, Obí Omaran
Malandros Madame Satã apresenta a Lapa Boêmia
Nobreza da Baixada Dos mitos, lendas e crendices – Floripa: a Ilha da Magia
Pindorama Lá vem o Brasil descendo a ladeira
Rosa Vermelha ÍLUBÀTÁ – Samba Raiz e Resistência
Simpatia Real Os Caminhos que levam ao mar, é o meu caminho
Ungidas Marcha da consciência branca: e se fosse com você?
Unidos de Franco da Rocha Portela, O Esplendor da Águia Guerreira no Carnaval
Unidos de Vila Betânia Elza Soares: Do Planeta Fome à Mulher do fim do Mundo!
Unidos do Bataclã Caravelas: Onde nasce o Bataclã

Resultados do Campeonato do Carnaval Virtual 2017

Grupo Especial[17]
Posição Escola de Samba Virtual Pontuação Enredo
01 Mocidade 99,8
02 Acadêmicos do Setor 1 99,8
03 Flor de Lótus 99,7
04 Bohemios Samba Club 99,4
05 Escola Virtual da Amazônia 99,3
06 Império do Progresso 99,1
07 Ponte Aérea 98,7
08 União da Gávea 98,3
09 Imperiais do Samba 97,9
10 Recanto do Beija-flor 97,9
11 Caprichosos do Boa Vista 97,8
12 Dragões Lendários 97,4
13 Rosa Vermelha 96,7
14 Apoteose 96,6
15 Bambas de Ouro 95,5

Resultados do Campeonato do Carnaval Virtual 2016

Em construção.

Referências

  1. Cibersociedad.net. «imitando os desfiles de escolas de samba na internet». Consultado em 3 de janeiro de 2010. 
  2. Novo Milênio. «Escolas de samba virtuais». Consultado em 3 de janeiro de 2010. 
  3. Tudo de Samba. «Escolas de samba virtuais». Consultado em 3 de janeiro de 2010. 
  4. a b A Rede. «Escolas de samba virtuais». Consultado em 3 de janeiro de 2010. 
  5. DA SILVA, José Maurício. As relações entre desfiles de escolas de samba e cibercultura: processos de construção de dramaturgias carnavalescas na Internet. Anuário Internacional de Comunicação Lusófona, p. 157, 2012.
  6. a b c d e f g h i Bora, Leonardo (2015). «"Navegar é preciso": as rotas carnavalescas do "maior espetáculo da tela".». Textos escolhidos de cultura e arte populares. doi:10.12957/tecap.2015.16476 
  7. a b c d e f g h i SÁ, Simone Pereira de (2005). O samba em rede - Comunidades virtuais, dinâmicas identitárias e carnaval carioca. Rio de Janeiro: E-Papers. 122 páginas. ISBN 85-7650-056-6
  8. a b DA SILVA, José Mauricio Moreira (2009). «Carnaval, Internet e Estratégias Organizativas: O Surgimento da Liga das Escolas de Samba Virtuais e seus desfiles.»
  9. a b c ALVARENGA, Ana Maria; FRADE, Isabela (2011). «Cyberfolia e os novos modos de presença carnavalesca». Textos Escolhidos de Cultura e Artes Populares. 8 (2)
  10. MARQUES, Rafael Montenegro Figueiredo. «Carnaval 2.0: as transformações da cobertura midiática dos desfiles das escolas de samba a partir das transmissões colaborativas da Web». Universidade Federal Fluminense, Instituto de Arte e Comunicação Social
  11. a b c «Muito além da Passarela do Samba, os desfiles virtuais fortalecem o Carnaval». carnario0. 15 de maio de 2018. Consultado em 22 de maio de 2018.
  12. a b c d «Carnaval Virtual». Futuraplay. 28 de fevereiro de 2017
  13. a b c RODRIGUES, Renan (2 de fevereiro de 2016). «Desfiles virtuais abrem portas para novos profissionais do carnaval». O Globo
  14. FERREIRA, Felipe (2005). Escritos Carnavalescos. [S.l.]: Aeroplano. ISBN 9788578200893
  15. CARDOSO, Gabriel (21 de junho de 2017). «Jorge Silveira fala sobre o enredo de 2018: "É o Carnaval da minha vida"». Carnavalizados
  16. «Jorge Silveira: "em 2019, a São Clemente voltará à crítica"». Rádio Arquibancada. 8 de janeiro de 2018
  17. a b «Carnaval Virtual» 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]