Igreja Ortodoxa da Ucrânia

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Igreja Ortodoxa da Ucrânia
Православна церква України
80-391-9007 Kyiv DSC 5895.jpg

Mosteiro de São Miguel das Cúpulas Douradas, sede da Igreja
Fundador Concílio de unificação
Independência 5 de janeiro de 2019 (Recebimento do tomos de autocefalia)
Reconhecimento Reconhecida pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, Igreja da Grécia, Igreja Ortodoxa Grega de Alexandria e Igreja Ortodoxa de Chipre
Primaz Epifânio(Dumenko)
Sede Primaz Kiev, Ucrânia
Território  Ucrânia
Posses Nenhuma (os ortodoxos ucranianos no exterior estão sob outras jurisdições)
Língua ucraniano
Adeptos 43,9% da população ortodoxa ucraniana (janeiro de 2019, estudo da SOCIS)
Site https://www.pomisna.info


A Igreja Ortodoxa da Ucrânia (em ucraniano : Православна церква України, transl. Pravoslavna tserkva Ukrayiny)[1][2], ou Igreja Ortodoxa Ucraniana, é uma jurisdição da Igreja Ortodoxa cujo território canônico alegado é a Ucrânia.

A igreja foi estabelecida por um concílio de unificação ocorrido em 15 de dezembro de 2018, e recebeu seus tomos de autocefalia (decreto de independência eclesial) do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla em Istambul em 5 de janeiro de 2019[3][4]. O concílio votou para unir as jurisdições ortodoxas ucranianas existentes: a Igreja Ortodoxa Ucraniana (Patriarcado de Kiev), a Igreja Ortodoxa Autocéfala Ucraniana e uma parcela da Igreja Ortodoxa Ucraniana obediente ao Patriarca de Moscou. O primaz da igreja é o Metropolita de Kiev e toda a Ucrânia. O concílio de unificação elegeu Epifânio Dumenko como seu Primaz, anteriormente Metropolita de Pereiaslav e Bila Tserkva (Patriarcado de Kiev)[5][6]. Segundo informações da própria igreja, possui aproximadamente 7000 paróquias.[7]

A outra jurisdição ortodoxa na Ucrânia é a Igreja Ortodoxa Ucraniana, um ramo autônomo da Igreja Ortodoxa Russa, que considera a Igreja Ortodoxa da Ucrânia como cismática.

De acordo com a constituição adotada pela nova denominação ortodoxa no mesmo concílio de unificação, os ucranianos ortodoxos da diáspora estão sujeitos à jurisdição do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.[8][9][10]

A criação e o status da Igreja causaram conflito entre os Patriarcados de Constantinopla e Moscou. O Patriarcado de Moscou e a Igreja Ortodoxa Ucraniana romperam a comunhão eucarística com o Patriarcado de Constantinopla, não reconhecendo suas ações[11].

O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Ucraniana, que faz parte da Igreja Ortodoxa Russa como uma igreja autônoma, chamou o Conselho de Unificação de "uma associação de cismáticos" e declarou que "a Igreja Ortodoxa Ucraniana continua sendo a verdadeira Igreja de Cristo na Ucrânia"[12].

Em 28 de dezembro de 2018, o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa declarou a "natureza não canônica do chamado 'Conselho de Unificação' realizado em Kiev em 15 de dezembro de 2018" e apelou aos Primazes e Santos Sínodos das Igrejas Ortodoxas locais para apoiarem o Metropolita Onuphry(Berezovsky), bem como " não reconhecer a comunidade estabelecida no chamado "Conselho de Unificação" <...> como uma Igreja Ortodoxa Local autocéfala"[13].

Nome[editar | editar código-fonte]

O nome oficial da igreja ucraniana unificada é "Igreja Ortodoxa da Ucrânia" (o uso "Igreja Ortodoxa Ucraniana" também é permitdo) e o nome do seu primaz é "Sua Beatitude (nome), Metropolita de Kyiv e toda a Ucrânia".[14][15][16]

História[editar | editar código-fonte]

Concílio de Unificação[editar | editar código-fonte]

Em 15 de dezembro de 2018, membros das três igrejas ortodoxas ucranianas existentes (Igreja Ortodoxa Ucraniana (Patriarcado de Kiev), a Igreja Ortodoxa Autocéfala Ucraniana e parte da Igreja Ortodoxa Ucraniana (Patriarca de Moscou)) votaram através de seus representantes (eparcas) para se unirem à Igreja Ortodoxa da Ucrânia com base na completa independência canônica. Eles elegeram seu primaz e adotaram uma constituição para a estabelecida Igreja Ortodoxa da Ucrânia. [8][17]

O Metropolita Epifânio, oriundo da juridição sob o comando do Patriarcado de Kiev, escolhido em 13 de dezembro como único candidato de sua igreja, e considerada como braço direito[18] e protegido[19] de Filareto, então Patriarca de Kiev, foi eleito Metropolita de Kiev e toda Ucrânia pelo concílio de unificação em 15 de dezembro de 2018 após o segundo turno da votação.[20] [21]

Metropolita Epiphanius de Kiev e toda Ucrânia

Em seu discurso após a eleição, o Metropolita Epifânio agradeceu o Presidente Petro Poroshenko, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, o Metropolita Makariy, líder da Igreja Ortodoxa Autocéfala Ucraniana, o Parlamento Ucraniano, bem como Filareto. Sobre Filaret, Epifânio disse: "Quero expressar minha gratidão a Sua Santidade, Sua Santidade o Patriarca Filaret, que é nosso mentor espiritual e continuará a ser honrado, ajudando-nos, por toda a vida, a construir em conjunto nossa Igreja Ortodoxa Local Única. Obrigado, Santidade ".[22] Epifânio acrescentou que as portas de sua igreja estavam "abertas a todos".[23]

Epifânio mais tarde deixou claro que nenhuma decisão importante seria tomada por sua igreja até que tivesse recebido o decreto eclesiástico formal de autocefalia (os tomos).[24][25]

O Patriarca Ecumênico felicitou e abençoou o recém-eleito Metropolita no dia de sua eleição e disse que o recém-eleito primaz foi convidado a ir a Istambul para concelebrar a Divina Liturgia com o Patriarca Ecumênico e receber o tomos de independência da Igreja Ortodoxa da Ucrânia em 6 de janeiro de 2019. [26][27]Foi anunciado que o Presidente Poroshenko acompanharia o recém-eleito primaz em sua viagem para receber a o tomos e concelebrar uma Divina Liturgia com o Patriarca Ecumênico. [28][29]



Após o concílio, Filareto tornou-se o "patriarca honorário" da Igreja Ortodoxa da Ucrânia e servirá na Catedral de São Volodymyr.[30][31][32][33] Em 16 de dezembro de 2018, Filareto celebrou a Divina Liturgia em que ele usou o koukoulion (paramento dos patriarcas).[34][35] Filareto declarou em sua homília, que ele ainda era patriarca: "O Patriarca permanece para a vida e, juntamente com o Primaz, governa a Igreja Ortodoxa Ucraniana".[36] Após a Divina Liturgia, ele foi aclamado pelos hierarcas da igreja como "grande vladyka e pai Filaret, o mais sagrado patriarca de Kiev e toda a Ucrânia-Rus e arquimandrita sagrada da Santa Dormição Kiev-Pechersk Lavra". [37]

O Metropolita Epifânio declarou em 21 de dezembro que a igreja tinha cerca de 7 mil paróquias. [38]

Propagandas para promover a igreja ortodoxa ucraniana unificada foram feitas meses antes do concílio de unificação.[39] Petro Poroshenko declarou que não foi utilizado dinheiro do Estado ucraniano e que ele pagou esses anúncios com sua própria fortuna, se recusando a revelar a quantia gasta.[40][41]

Entrega do Tomos de Autocefalia[editar | editar código-fonte]

Em 5 de janeiro de 2019, o Patriarca Bartolomeu e o Metropolita Epifânio celebraram a Divina Liturgia na Catedral de São Jorge em Istambul; os tomos foram assinados depois disso, também na Catedral. Sua assinatura estabeleceu oficialmente a autocéfala Igreja Ortodoxa da Ucrânia. [42]

Patriarca Bartolomeu assina os tomos, com o Metropolita Epifânios e o Presidente Petro Poroshenko atrás


Após a assinatura dos tomos, o Patriarca Batholomew fez um discurso dirigido ao líder nova jurisdição ortodoxa.[43] O Presidente Poroshenko[44] e o Metropolita Epifânio também discursaram. Em sua fala, Epifânio declarou sobre Poroshenko: "Seu nome, senhor presidente, permanecerá para sempre na história do povo ucraniano e na igreja ao lado dos nomes de nossos príncipes Vladimir, o Grande, Jaroslau I, o Sábio, Kostiantyn Ostrozky e o Hetman Ivan Mazepa".[45]

Patriarca Bartolomeu entregando os tomos ao Metropolita Epifânios

Em 6 de janeiro de 2019, depois de uma Liturgia Divina concelebrada pelo Metropolita Epifânio e por Bartolomeu, o Patriarca de Constantinopla leu os tomos da nova igreja ortodoxa e depois os entregou ao seu primaz.[46] O Presidente Poroshenko esteve presente durante a assinatura e entrega dos tomos.[47][48][49]

Em 7 de janeiro de 2019, Epifânio celebrou a Divina Liturgia na Catedral de Santa Sofia, em Kiev, onde os tomos de autocefalia foram expostos durante a celebração. Os tomos foram então depositados na igreja do refeitório da Catedral de Santa Sofia, em perpetuidade, e expostos para os fiéis e turistas para serem vistos diariamente. [50][51][52]

Em 9 de janeiro de 2019, os tomos foram trazidos de volta a Istambul para que todos os membros do Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico pudessem assiná-los. Os tomos já foram totalmente ratificados e serão devolvidos novamente a Kiev, onde permanecerão permanentemente.[53][54][55] O representante do serviço de imprensa da igreja unificada, padre Ivan Sydor, disse que os tomos se tornaram válidos após a assinatura do Patriarca Ecumênico, "mas de acordo com o procedimento, deve haver também as assinaturas de os bispos que participam do sínodo do Patriarcado de Constantinopla ".[56]

Os tomos foram feitos em pergaminho por famoso pintor e calígrafo do Monte Athos, hieromonge Lucas do Mosteiro de Xenofontos.[57]

Status[editar | editar código-fonte]

Em uma entrevista a um canal de televisão em 29 de dezembro de 2018[31][32][33], sobre o fato de não ter recebido o título de patriarca, o Metropolita Epifânio declarou:

"Não há restrição definitiva aqui. É claro que, no primeiro estágio da formação de nossa Igreja independente, teremos um status metropolitano. Esta é também uma condição definida através da qual todas as outras Igrejas Ortodoxas Locais passaram. Quase nenhuma das Igrejas Locais recebeu status patriarcal de uma só vez. Este status está provavelmente desatualizado. Para este status, talvez, agora não é a hora. Mas quando nos tornarmos uma igreja grande, forte e unificada na Ucrânia, será uma questão de tempo. Mas agora temos que passar pelo estágio de formação, reconhecimento de nosso status autocéfalo por outras Igrejas Ortodoxas Locais. E, a longo prazo, o Senhor admitirá que nós, como a única Igreja Ortodoxa local, elevemos o status."[33][58][59]

Os tomos da Igreja Ortodoxa da Ucrânia afirmam que a igreja não pode mudar o título de seu primaz ("Metropolita de Kiev e toda a Ucrânia") sem a permissão do Patriarcado Ecumênico.[60]

Após a assinatura dos tomos de autocefalia, o Patriarca Honorário, Filareto, declarou em janeiro de 2019 em uma entrevista[61][62]:

"Até agora fomos reconhecidos como uma arquidiocese metropolitana, concordamos com isso. Embora tenhamos sido um patriarcado por 25 anos, agora concordamos que somos uma arquidiocese metropolitana, mas uma arquidiocese metropolitana para todo o mundo cristão ortodoxo... Por que aspiramos a nos tornar um patriarcado? Porque somos uma grande igreja. Temos a esperança de que, com o decorrer do tempo, a Igreja ucraniana também seja reconhecida como um patriarcado. Acreditamos que obteríamos um status autocéfalo. Agora acreditamos que seremos reconhecidos como um patriarcado. Este é o futuro, mas definitivamente virá."

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Σύνταξης, Αίθουσα (15 de dezembro de 2018). «Ανακηρύχθηκε η αυτοκέφαλη Ορθόδοξη Εκκλησία της Ουκρανίας». Tribune.gr (em grego). Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  2. «Αυτοκέφαλη η Εκκλησία της Ουκρανίας, επικεφαλής ο μητροπολίτης Επιφάνιος |thetoc.gr». The TOC. 15 de dezembro de 2018. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  3. Денисов, Святослав Хоменко, Михаил (6 de janeiro de 2019). «"Томос наш!" Новая украинская церковь получила независимость». BBC News Русская служба (em russo) 
  4. «Патриарх Варфоломей вручил Томос Православной церкви Украины». www.ukrinform.ru (em russo). Consultado em 10 de agosto de 2020 
  5. Jorge, Jonas. «"Sem Putin e sem Kirill". Foi eleito o Primaz da nova Igreja ortodoxa ucraniana». www.ihu.unisinos.br. Consultado em 1 de dezembro de 2020 
  6. Pro. Sperandio (15 de dezembro de 2018). «Eleito o Primaz da Igreja Ortodoxa na Ucrânia». Eparquia Ortodoxa Ucraniana da América do sul. Consultado em 1 de dezembro de 2020 
  7. «Epifaniy: Orthodox Church of Ukraine counts nearly 7,000 parishes and is open to other communities». risu.org.ua. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  8. a b «Православна церква України буде автокефальною - статут (повний текст документу)». РБК-Украина (em russo). Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  9. «СМИ обнародовали проект устава ПЦУ, принятый на «объединительном Соборе»». spzh.news (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  10. «Nova igreja ortodoxa não apontará bispo ou estabelecerá paróquias fora da Ucrânia». www.interfax-religion.com. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  11. Guerini, Cristina. «A Igreja ortodoxa russa anuncia o rompimento dos seus laços com o Patriarcado de Constantinopla». www.ihu.unisinos.br. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  12. «Звернення Священного Синоду УПЦ до архіпастирів, пастирів, чернецтва та вірян від 17 грудня». Українська Православна Церква (em ucraniano). 17 de dezembro de 2018. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  13. «ЖУРНАЛЫ заседания Священного Синода от 28 декабря 2018 года / Официальные документы / Патриархия.ru». Патриархия.ru (em russo). Consultado em 10 de agosto de 2020 
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  16. «Official name of new Orthodox Church and title of its Primate, both according to Charter, announced». risu.org.ua. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  17. «СМИ обнародовали проект устава ПЦУ, принятый на «объединительном Соборе»». spzh.news (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  18. Cazabonne, Emma (15 de dezembro de 2018). «Bishop Epifaniy (Dumenko) elected Primate of the "Orthodox Church in Ukraine" ⋆ Orthodoxie.com». Orthodoxie.com (em inglês). Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  19. «History in the making: future Ukrainian Orthodox Church elects its Primate |». Euromaidan Press (em inglês). 16 de dezembro de 2018. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  20. «Metropolitan Epifaniy (Dumenko) becomes Primate of One Local Orthodox Church of Ukraine». risu.org.ua. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
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  32. a b Телеканал Прямий, Ексклюзивне інтерв‘ю з митрополитом Київським і всієї України Епіфанієм, consultado em 10 de janeiro de 2019 
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