Igreja Ortodoxa Polonesa

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Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia
Polski Autokefaliczny Kościół Prawosławny
Herb Warszawskiej Metropolii Prawosławnej.png

Brasão da Metrópole Ortodoxa de Varsóvia
Fundador São Cirilo e Metódio
Independência 1924,1948
Reconhecimento 1924 (do Patriarcado de Constantinopla)

1948 (do Patriarcado de Moscou)

Primaz Metropolita Sawa (Hrycuniak)
Sede Primaz Varsóvia
Território  Polónia
Posses  Brasil
Língua Eslavo Eclesiástico, polonês, ucraniano e português
Adeptos 600 mil [1] a 1 milhão
Site www.orthodox.pl

A Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia (em polonês/polaco: Polski Autokefaliczny Kościół Prawosławny), comumente conhecida como Igreja Ortodoxa Polonesa, é uma das Igrejas Autocéfalas Ortodoxas em Plena comunhão com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. A Igreja foi fundada em 1924, para reunir os cristãos ortodoxos de origem polonesa, ucraniana e bielorrussa na parte oriental do país, quando a Polônia reconquistou a independência, depois da Primeira Guerra Mundial. Tradicionalmente, seu Primaz tem o título de Metropolita de Varsóvia e de Toda a Polônia.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Santos Cirilo e Metódio - Apóstolos dos eslavos

Ainda que a maioria do povo polonês seja católico-romana, alguns cristãos de rito bizantino passaram a residir na área que compõe a atual Polônia, contemporaneamente è época das missões dos Santos Cirilo e Metódio no Século IX.

No Século XIII existiam duas dioceses ortodoxas centralizadas em Chełm e Przemyśl.

Com a União de Brest, em 1596, a maior parte dos fieis ortodoxos submeteu-se à guia espiritual do Papa de Roma, passando a se autodesignarem como greco-católicos. A eles, a Santa Sé permitiu continuar com suas diferentes práticas orientais, incluindo a liturgia em eslavo eclesiástico, o Matrimônio para os padres, e a celebração da Eucaristia sob as duas espécies. A lealdade dos fieis variou com o passar do tempo entre a ortodoxia e os ritos orientais.

A fundação da atual Igreja acontece depois que o Tratado de Riga deixou uma considerável parte do território sob o Império Russo, como parte integrante da Segunda República da Polônia. A ortodoxia era muito difusa nas regiões ocidentais da Bielorrússia e na Volínia ucraniana. A perda da unidade eclesiástica, resultante da perseguição da Igreja Ortodoxa Russa na União Soviética, deixou o clero regional num momento de crise e, em 1924, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla começou a criar as diferentes igrejas autônomas nos territórios dos novos estados que eram oficialmente parte – integral ou parcial – do Império Russo. Em 1927, concede ao Metropolita de Varsóvia o título de "Beatitude".

Catedral Metropolitana de Varsóvia

Durante o período entreguerras, porém, as autoridades polacas impuseram severas restrições à Igreja e ao seu clero. O exemplo mais famoso foi a destruição da Catedral de Alexandre Nevsky em Varsóvia. Em Volínia, 190 igrejas ortodoxas foram destruídas e outras 150 foram convertidas ao catolicismo romano. A Lavra de Pochaiv, hoje território da Ucrânia, também foi frequentemente processada.

Depois da Segunda Guerra Mundial, grande parte dos territórios etnicamente ucranianos e bielorrussos foi anexada à União Soviética, e com eles, 80% das paróquias e dos membros da Igreja Ortodoxa Polonesa, os quais foram reunidos ao recente restabelecimento do Patriarcado de Moscou. As paróquias remanescentes que se encontram agora sobre o território da República Popular da Polônia permaneceram sob a Igreja Ortodoxa Polaca, compreendia a maior parte daquelas sobre territórios orientais de etnia mista como no entorno de Chełm e Białystok. Em 1948, o Metropolita de Varsóvia é deposto e o Patriarcado de Moscou declara que a autocefalia da Igreja Ortodoxa Polonesa outorgada pelo Patriarcado de Constantinopla era nula e inválida. Não obstante, seu Santo Sínodo decretou sua própria Autocefalia. No mesmo ano, depois que a União Soviética estabeleceu o controle político sobre a Polônia, a Igreja Ortodoxa Russa reconheceu o status autocéfalo da Igreja Ortodoxa Polonesa. Em 1951, os bispos poloneses requerem à Igreja Ortodoxa Russa a nomeação de um novo Metropolita, cargo dado a Makary Oskaniuk, de Lwów. [3][4][5]

O Santo Sínodo traduziu e publicou as liturgias de São João Crisóstomo e de São Gregório Magno. Em 2002, seguindo as deliberações dos bispos da Igreja Ortodoxa Polonesa foram canonizados os novos mártires de Chełm e Podlasie, que padeceram perseguições durante a década de 1930.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a Metrópole Ortodoxa de Portugal, Espanha e Todo o Brasil, presidida pelo Metropolita de Lisboa, Dom Gabriel, que rompera com a Ortodoxia Vetero-Calendarista, entra em comunhão com a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia. No ano de 2000, no entanto, com Dom Gabriel já falecido, conflitos de natureza eclesial e disciplinar levam a comunhão a romper-se e a Eparquia do Rio de Janeiro e de Olinda, presidida pelo Arcebispo Dom Chrisóstomo, a vincular-se diretamente ao Metropolita de Varsóvia. [6] A Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia ministra, no Brasil, igrejas em cidades nos Estados de Rio de Janeiro, Pernambuco e Paraíba, e mosteiros em Itatiaia e João Pessoa.[7] A Divina Liturgia foi traduzida para a língua portuguesa no país.

Organização[editar | editar código-fonte]

Igreja Ortodoxa da Comuna de Białowieża

A Igreja está dividida em seis eparquias na Polônia[8]:

Além destas circunscrições eclesiásticas, pertencem à Igreja as seguintes dioceses:

Muitos fieis ainda estão concentrados nas regiões orientais, onde se usa a língua eslava como idioma eclesiástico na liturgia – com consideráveis minorias bielorrussas e ucranianas, num total de 600.000 adeptos. A Igreja é governada por Sua Beatitude, o Metropolita Sawa de Varsóvia. Nos últimos anos, os fieis ortodoxos retornaram à região do Lemko, que é a parte da Eparquia de Przemyśl e Nowy Sącz. Nesta área, a língua liturgia é geralmente o eslavo eclesiástico.

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Arcebispos e Bispos[11]:

  • Sawa (Hrycuniak), Metropolita de Varsóvia e de Toda a Polônia[2]
  • Simon, Arcebispo de Łódź e Poznań
  • Adam, Arcebispo de Przemyśl e Nowy Sącz
  • Jeremiash, Arcebispo de Breslavia e Stettino
  • Abel, Arcebispo de Lublin e Chełm
  • Chrisóstomo, Arcebispo do Rio de Janeiro e Olinda[9]
  • Ambrósio, Bispo Vigário do Recife[9]
  • Miron, Bispo de Hajnowka e Bispo Auxiliar para o Exército Polonês
  • Jakub, Bispo de Białystok e Danzica
  • Gregory, Bispo de Bielsk Podlaski
  • George, Bispo de Siemiatycze
  • Paisios, Bispo de Piotrkow

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «CNEWA - Polish Orthodox Church». Consultado em 24 de agosto de 2015. Arquivado do original em 3 de novembro de 2006 
  2. a b «ORTHODOX | METROPOLIA». www.orthodox.pl. Consultado em 23 de junho de 2021 
  3. Ecclesia
  4. «Statement of the Holy Synod of the Russian Orthodox Church concerning the uncanonical intervention of the Patriarchate of Constantinople in the canonical territory of the Russian Orthodox Church». The Russian Orthodox Church. Department for External Church Relations. (em inglês). Consultado em 23 de junho de 2021 
  5. «Polish Autocephalous Orthodox church». www.encyclopediaofukraine.com. Consultado em 23 de junho de 2021 
  6. Eparquia do Rio de Janeiro de Olinda
  7. http://www.mosteiroortodoxo.natureba.org/enderecos.htm
  8. «ORTHODOX | DIECEZJE». www.orthodox.pl. Consultado em 23 de junho de 2021 
  9. a b c «ORTHODOX | Kościelne jednostki zagraniczne». www.orthodox.pl. Consultado em 23 de junho de 2021 
  10. «ORTHODOX | Prawosławny Ordynariat Wojska Polskiego». www.orthodox.pl. Consultado em 23 de junho de 2021 
  11. «ORTHODOX | ŚWIĘTY SOBÓR BISKUPÓW». www.orthodox.pl. Consultado em 23 de junho de 2021