Cristianismo ortodoxo no Brasil

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O cristianismo ortodoxo chegou no Brasil no século XIX com o advindo de imigrantes de regiões ortodoxas, principalmente de origem árabe, e a primeira Divina Liturgia foi celebrada em São Paulo em 1897.[1] Hoje, contam-se 131.571 cristãos ortodoxos no Brasil, segundo dados no Censo de 2010.[2]

Igreja Ortodoxa[editar | editar código-fonte]

As igrejas ortodoxas calcedonianas são as mais antigas do Brasil dentro da família cristã ortodoxa. Atualmente, existem paróquias das igrejas de Antioquia, da Russa, do Patriarcado Ecumênico (tanto pela Arquidiocese Grega quanto pela Eparquia Ucraniana), da Polonesa e da Sérvia no país. Até 2007 havia presença da Igreja Ortodoxa Russa no Exterior, mas neste ano, em reação à união desta com o Patriarcado de Moscou, suas paróquias no país entraram em cisma.[3] Houve no mínimo uma paróquia sob a Igreja Ortodoxa Americana, a Paróquia Santa Mártir Zenaide, no Rio de Janeiro, que se retirou da Igreja Russa no Exterior e foi recebida pela Igreja Americana em 1976. Desde 1998, no entanto, esta paróquia está sob Moscou novamente.[4]

Igreja Antioquina[editar | editar código-fonte]

A Igreja Ortodoxa Antioquina é representada no Brasil por duas comunidades sob sua jurisdição, a Arquidiocese Ortodoxa Antioquina de São Paulo e Todo o Brasil, dirigida por Dom Damaskinos Mansour, Metropolita de São Paulo e Todo o Brasil, e também um Vicariato Patriarcal no Rio de Janeiro, não sujeito à arquidiocese, tendo por vigário o Arquimandrita Ignatios Al Sayegh, nascido em Daraa e naturalizado brasileiro.[5]

Arquidiocese de São Paulo e Todo o Brasil[editar | editar código-fonte]

A Sé Antioquina foi a primeira a ter presença no Brasil, tendo celebrado a primeira Divina Liturgia da qual se tem notícia no país em 1897, com a primeira paróquia, a Igreja da Anunciação à Nossa Senhora, construída em São Paulo em 1904 pela comunidade sírio-libanesa e presidida pelo Arquimandrita Silvestros As-Seghir como vicariato patriarcal da Igreja de Antioquia, emergindo da mesma comunidade. Em 1958, esta comunidade seria elevada ao status de arquidiocese, com Dom Ignatios presidindo-a como o primeiro bispo residente no país.[1]

Hoje, a Igreja Antioquina conta com dois bispos residentes da Arquidiocese Ortodoxa Antioquina de São Paulo e Todo o Brasil, na Catedral Metropolitana Ortodoxa em São Paulo, sendo chefiada por Dom Damaskinos, Arcebispo Metropolitano de São Paulo e todo o Brasil, sírio nato, e seu bispo auxiliar Dom Romanós[6] Há paróquias sob seu omofório espalhadas pelos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Minas Gerais e Pernambuco, mais o Distrito Federal[7]. Tanto há fiéis árabes como há brasileiros convertidos.

Igreja Russa[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a Igreja Ortodoxa Russa canônica (isto é, em comunhão plena com toda a Igreja) se faz presente através da Eparquia da Argentina e América do Sul, sediada em Buenos Aires. A Eparquia foi criada em 1946, com a elevação de um vicariato da Diocese Norte-Americana ao status eparcal. A diocese, desde 2016 administrada pelo Metropolita Inácio, tem jurisdição sobre paróquias nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.[8] A mais antiga destas, a Igreja do Santo Apóstolo João o Evangelista, em Campina das Missões, foi construída ainda em 1910.[9][10][11] Muitas das paróquias russas no país são étnicas, mas há atividade missionária.

Desde 2007 não há mais paróquias da Igreja Ortodoxa Russa no Exterior no Brasil, apenas paróquias veterocalendaristas fora de comunhão com o restante da Igreja utilizando-se de nomes semelhantes, como referido abaixo.[3]

Patriarcado Ecumênico[editar | editar código-fonte]

O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla está representado no Brasil por duas comunidades sob seu omofório: a grega e a ucraniana.

Arquidiocese Grega[editar | editar código-fonte]

A Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul foi criada como diocese da Arquidiocese Ortodoxa Grega das Américas em 1952 e desconectada desta em 1996. Uma comunidade de gregos em Berisso já tinha assistência espiritual de um padre ortodoxo desde ao menos 1905, mesmo ano em que se organizam fiéis gregos em uma igreja em Florianópolis.[12] As igrejas gregas das Américas são organizadas sob jurisdição da Igreja da Grécia em 1908 e assim permanecem até 1922, quando ficam diretamente sob a jurisdiação do Patriarca de Constantinopla.[13][14]

Atualmente, as igrejas da Arquidiocese fazem presença no Brasil nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.[15] O Arcebispo da diocese é desde 2001 Dom Tarásios, primeiro americano nato a servir em Constantinopla, desde 2012 auxiliado por Dom Iosif, argentino.[16][17]

Eparquia Ucraniana[editar | editar código-fonte]

A Ortodoxia ucraniana no Brasil é representada não pela Igreja Ortodoxa Ucraniana propriamente dita, mas pela Eparquia Ortodoxa Ucraniana da América do Sul, sujeita canonicamente ao Patriarca Ecumênico. A Arquieparquia, cujo arcebispo é atualmente o catarinense de origem ucraniana Dom Jeremias, é sediada na Catedral Ortodoxa Ucraniana São Demétrio, em Curitiba, mas, além do Paraná, tem igrejas nos estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Está ligada à Igreja Ortodoxa Ucraniana na Diáspora, cujo lugar-tenente é o arcebispo da Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos da América.[18]

Igreja Polonesa[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a Metrópole Ortodoxa de Portugal, Espanha e Todo o Brasil, presidida pelo Metropolita de Lisboa, Dom Gabriel, que rompera com a Ortodoxia Veterocalendarista, entra em comunhão com a Igreja Ortodoxa da Polônia. No ano de 2000, no entanto, com Dom Gabriel já falecido, conflitos de natureza eclesial e disciplinar levam a comunhão a romper-se e a Eparquia do Rio de Janeiro e de Olinda, presidida pelo Arcebispo Dom Chrisóstomo Muniz Freire, a vincular-se diretamente ao Metropolita de Varsóvia.[19]

A Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia ministra, no Brasil, igrejas em cidades nos estados de Rio de Janeiro, Pernambuco e Paraíba, com clérigos e fiéis massivamente brasileiros, sejam convertidos, sejam das primeiras gerações de ortodoxos em suas respectivas famílias.[20] No Nordeste, há jurisdição do bispo vigário Dom Ambrósio Cubas. A Igreja Polonesa no Brasil é curiosamente composta não por imigrantes de países com população ortodoxa milenar, mas por brasileiros.

Igreja Sérvia[editar | editar código-fonte]

Divina Liturgia celebrada pelo Padre Jairo Carlos no sítio de construção da Paróquia de São João Crisóstomo, em Caruaru, da Igreja Sérvia.

A Igreja Ortodoxa Sérvia é representada no Brasil por paróquias em São Paulo, Recife, Camaragibe (onde fica o Mosteiro Ortodoxo da Santíssima Trindade), Caruaru e Belo Jardim, sob jurisdição da Arquidiocese de Buenos Aires, América do Sul e Central, presidida desde 2016 pelo Bispo Kiril Bojovic.[21][22]

Ortodoxia Oriental[editar | editar código-fonte]

As igrejas ortodoxas orientais, que não aceitam o Concílio de Calcedônia, são massivamente representadas no Brasil pela Igreja Ortodoxa Síria, mas há três outras igrejas desta comunhão no estado de São Paulo.[23][24]

Igreja Siríaca[editar | editar código-fonte]

A Igreja Ortodoxa Síria foi trazida para o país por imigrantes sírios no começo do século XX, mas se expandiu grandemente em atividade missionária desde a incansável busca por fiéis de todas as etnias a partir do pontificado do bispo Mor Moussa, consagrado em 1959, de forma que a maioria de seus fiéis hoje são brasileiros.[25]

A Igreja é dividida em duas dioceses no país: a Arquidiocese do Distrito Federal, presidida por Dom Titos Tuza, consagrado delegado apostólico para o Brasil; e a Arquidiocese do Centro-Oeste, Tocantins e Pará, presidida por Dom José Faustino Filho. Há atualmente paróquias nos estados de Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Igreja Armênia[editar | editar código-fonte]

Há presença da Igreja Apostólica Armênia no estado de São Paulo, com uma catedral em Bom Retiro presidida pelo bispo Dom Nareg Berberian e uma paróquia em Osasco.[23]

Igreja Copta[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a Igreja Ortodoxa Copta é representada desde 2001 por uma catedral em Jabaquara, São Paulo, presidida pelo bispo Dom Aghason Anba Paul, a única comunidade da Igreja no país.[24]

Veterocalendarismo[editar | editar código-fonte]

As igrejas ortodoxas veterocalendaristas são comunidades ortodoxas tradicionalistas que, apesar de manterem os dogmas da Igreja Ortodoxa, não estão em comunhão com esta, que alegam ter se perdido no modernismo e ecumenismo. Uma das características mais marcantes destas igrejas é a rejeição dogmática do calendário juliano revisado (isto é, o calendário gregoriano com o paschalion do calendário juliano), cortando comunhão com as igrejas que o utilizam.[26]

Igreja Ortodoxa da Grécia de Genuínos Ortodoxos Cristãos[editar | editar código-fonte]

A Igreja Ortodoxa da Grécia de Genuínos Ortodoxos Cristãos tem presença no Brasil por meio de dois bipos diferentes: Dom Kyrillos (Alves) e o Metropolita Chrysóstomos (Celi).[27]

A Eparquia sob Dom Kyrillos existe como parte desta jurisdição desde 2011, quando esta Igreja recebeu sua comunidade sediada em Maracanaú, no Ceará, egressa da Igreja Ortodoxa Autocéfala Ucraniana em 2008, hoje com paróquias no Ceará e em São Paulo.

Sob o Metropolita Chrysóstomos há paróquias nos estados de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.[28]

Esta jurisdição tem como primaz o Metropolita Angelos de Avlona e Beócia e se encontra em comunhão plena com a Verdadeira Igreja Ortodoxa Russa e com a Metrópole Ortodoxa Autônoma da América do Norte e do Sul e das Ilhas Britânicas.[27]

Igreja Ortodoxa Russa no Exterior (Autoridade Eclesial Suprema Provisória)[editar | editar código-fonte]

Após a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior entrar em comunhão com o Patriarcado de Moscou, o Bispo Agafangel recusou a união e consagrou novos bispos, formando a Autoridade Eclesial Suprema Provisória, que estava em comunhão com o Santo Sínodo em Resistência até este deixar de existir formalmente em 2014 e fundir-se com a Igreja dos Cristãos Ortodoxos Genuínos da Grécia, o que inseriu a jurisdição do Bispo Agafangel em uma comunhão mais ampla.[3][29] Hoje, a jurisdição conta com o Bispo Dom Gregório Petrenko e igrejas em São Paulo e no Rio de Janeiro.[30]

Igrejas não-canônicas[editar | editar código-fonte]

Há algumas igrejas no Brasil que utilizam o nome de ortodoxas mas não estão em comunhão nem com a Igreja Ortodoxa (calcedoniana), nem com as Igrejas Ortodoxas Orientais, nem com sínodos veterocalendaristas. Dada a grande variedade destas, não é possível dizer muito coletivamente sobre elas ou suas origens, mas é possível listar algumas, tais quais:

  • Igreja Ortodoxa Bielorrussa Eslava[31]
  • Igreja Católica Ortodoxa Hispânica[31]
  • Igreja Católica Ortodoxa Bizantina[32]
  • Igreja Ortodoxa da Unidade (Patriarcado das Nações)[33]
  • Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Brasil
  • Igreja Apostólica Católica Ortodoxa[34]

Referências

  1. a b Igreja Ortodoxa Antioquina - Arquidiocese de São Paulo e de Todo o Brasil: História
  2. IBGE. Tabela 1.4.1 - População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de religião - Brasil - 2010.
  3. a b c Agafangel (Pashkovsky) of Odessa
  4. Paróquia Santa Zenaide
  5. Moção de Louvor nº 17884/2016, do Vereador Jorge Felippe
  6. Igreja Ortodoxa Antioquina - Arquidiocese de São Paulo e de Todo o Brasil: Biografia
  7. Rahme, Cláudia (2015). «Catedral Metropolitana Ortodoxa de São Paulo». Gazeta de Beirute. Consultado em 3 de Agosto de 2016. 
  8. Site oficial do Metropolita Inácio (em russo, espanhol e português)
  9. Orthodox Wiki: Lista de templos e paróquias russas na América do Sul
  10. Paróquia Santa Zenaide
  11. Sputnik News
  12. Ecclesia
  13. Pappaioannou 1984, p. 180.
  14. Pappaioannou 1984, p. 182.
  15. Ecclesia Arcebispo
  16. Ecclesia: O Arcebispo Metropolitano
  17. Ecclesia: Dom Iosif Bosch é consagrado bispo
  18. The Ukrainian Orthodox Church of the United States of America (em inglês)
  19. Eparquia do Rio de Janeiro de Olinda
  20. http://www.mosteiroortodoxo.natureba.org/enderecos.htm
  21. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Diocesis
  22. «Brasil». Patriarcado Ortodoxo Serbio (em espanhol). Consultado em 2 de março de 2018.. Cópia arquivada em 4 de fevereiro de 2018 
  23. a b Diocese da Igreja Apostólica Armênia do Brasil
  24. a b Agência de Notícias Brasil-Árabe: Igreja Copta ordena bispo para o Brasil
  25. Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
  26. The Church of the G.O.C. of the America: The Calendar Question, por Pe. Basil Sakkas (em inglês)
  27. a b Site oficial da Igreja Ortodoxa da Grécia de Genuínos Ortodoxos Cristãos (em grego e inglês)
  28. Анти-Раскол: Статистика и география распространения "Православной Церкви Латинской Америки" (em russo)
  29. The Union of the Old Calendarist Orthodox in Resistance with the Church of the True Orthodox Christians of Greece and Its Inter-Orthodox Character, documento do Santo Sínodo em Resistência (em inglês)
  30. Igrejas na América do Sul, do Bispo Alexander (em inglês)
  31. a b Canonicidade Bielorrussa Eslava
  32. Nigeria Orthodox Catholic Church (em inglês)
  33. Patriarcat Orthodoxe: Metropolie du Brésil (em francês)
  34. Comunicados da Sé Apostólica da Hispânea