Império Monomotapa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Mwene a Mutapa (Chixona)
Império Monomotapa

Império

Zimbabwe Bird.svg
1430 – 1760 Blank.png

Brasão de Império Monomotapa

Brasão

Localização de Império Monomotapa
Império Monomotapa em 1635.
Continente Africa
Capital Zvongombe
Língua oficial ChiXona
Kalanga
Governo Monarquia
Mwenemutapa
 • c. 1430 - c. 1450 Nyatsimba Mututa (primeiro)
 • 1740 - 1759 Dehwe Mupunzagutu (ultimo)
Período histórico Idade Média
 • 1430 Fundação
 • 1760 Dissolução
Área
 • Século XVI 700 000 km2

O Império Monomotapa (também grafado Mwenemutapa, Muenemutapa, ou ainda Monomatapa, que era o título do seu chefe) foi um império que floresceu entre os séculos XV e XVIII na região sul do rio Zambeze, entre o planalto do Zimbabwe e o Oceano Índico, com extensões provavelmente até ao rio Limpopo.[1] O território desse Império corresponde ao território dos atuais Moçambique e Zimbábue. Segundo alguns, o império Monomopata ficava em Mbiri, ao norte da atual cidade de Harare,[2] no atual Zimbabwe.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Este estado africano era extremamente poderoso, uma vez que controlava uma grande cadeia de minas e de metalurgia de ferro e ouro, cujos produtos eram muito procurados por mercadores doutras regiões do mundo. É importante notar que, ao contrário dos soberanos de muitos reinos atuais ou recentes, os Mwenemutapas não formavam uma cadeia de descendentes - o sucessor de um Mwenemutapa falecido (ou deposto) era escolhido pelo conjunto dos seus conselheiros e dos chefes seus aliados, guiados por um ou mais "chefes espirituais" que interpretavam os "sinais" enviados pelos espíritos ancestrais da tribo.

História[editar | editar código-fonte]

As origens da dinastia governante remontam à primeira metade do século XV.[3] De acordo com a tradição oral, o primeiro "mwene" foi príncipe guerreiro de um reino Shona ao sul, chamado Nyatsimba Mutota, enviado para encontrar novas fontes de sal ao norte.[4] O Príncipe Mutota encontrou o sal entre os Tavara, uma subdivisão dos Shona que era notória caçadora de elefantes. Foram então conquistados,[5] e sua capital estabelecida a 358 quilômetros ao norte do Grande Zimbábue, no Monte Fura, perto do rio Zambeze.[6]

O primeiro europeu a tomar contato com a cidade de Grande Zimbabwe, capital de Monomotapa, teria sido o navegador e explorador Português Sancho de Tovar[7] Este Estado africano possuía ricas minas de ouro. O ouro teria sido a razão pela qual os portugueses engendraram a conquista do território. O ouro era trocado pelos moradores por mercadorias que os portugueses ofereciam e, num primeiro momento, justificou a manutenção lusa no atual território moçambicano, a partir de Sofala.[8]

Ruínas de torres da Grande Zimbabwe

Quando da exploração da costa oriental africana por Vasco da Gama, colheram, os portugueses, informes de que havia ouro em quantidade na região, vindo dum reino não muçulmano. Tais informações foram confirmadas pelo espião Sancho de Tovar.[9] Numa primeira tentativa, os lusitanos procuraram cooptar a aristocracia local, sem sucesso. Em 1567, travou-se a guerra que veio, enfim, destruir o império Monomotapa. Para tal, os portugueses contaram com a ajuda do Rei de Malawi.[9] Esta conquista possibilitou a consolidação dos portugueses no território de Moçambique.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. UEM, Departamento de História, 1982. História de Moçambique Volume 1: Primeiras Sociedades Sedentárias e Impacto dos Mercadores. Cadernos TEMPO. Maputo.
  2. [1], pesquisado em 15 de outubro de 2007, às 12:25
  3. Oliver, Roland & Anthony Atmore (1975). Medieval Africa 1250-1800. Cambridge: Cambridge University Press, 738. ISBN 0-52120-413-5., page 203
  4. Oliver, page 203
  5. Oliver, page 204
  6. Cambridge History of Africa V.5, CUP, Cambridge, 1981
  7. artigo "Figuras do Outro: identidades pós-coloniais no romance moçambicano contemporâneo", Prefácio, citando a obra "Santos, M. Emilia Madeira, Viagens de Exploração terrestre dos portugueses em África. Lisboa: Centro de estudos de cartografia antiga, 1978. (página acessada em 18 de outubro de 2008)
  8. artigo, Moçambique como centro de articulação do comércio português do Índico Afro-Asiático - A conquista da África oriental. Corcino Medeiros dos Santos (página acessada em 18 de outubro de 2008)
  9. a b Estudo sobre a história portuguesa em Moçambique. Pesquisado em 15 de outubro de 2007, às 12:20
Ícone de esboço Este artigo sobre História ou um(a) historiador(a) é um esboço relacionado ao Projeto História. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.