Infecção do trato urinário

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Infecção do trato urinário
Classificação e recursos externos
CID-10 N39.0
CID-9 599.0
DiseasesDB 13657
MedlinePlus 000521
eMedicine emerg/625 emerg/626
Star of life caution.svg Aviso médico

A infecção do trato urinário (ITU) é a infecção ou colonização do trato urinário (uretra, bexiga, ureter e rins) por micro-organismos. A infecção pode ser causada por vírus ou fungos, mas na grande maioria dos casos a infecção é causada por bactérias, principalmente as Gram negativas. Embora a urina contenha uma variedade de fluidos, sais e produtos que o metabolismo excreta, ela geralmente não possui bactérias. Quando bactérias entram na bexiga urinária ou rins e se multiplicam na urina, elas causam ITU. O tipo mais comum de ITU é a infecção da bexiga urinária, também conhecida como cistite. Outro tipo de ITU é a infecção renal, conhecida como pielonefrite, que é muito mais grave. Embora elas causem desconforto, as infecções do trato urinário geralmente são tratadas rapidamente e facilmente com tratamento médico adequado. Os sintomas mais comuns são a dor ao urinar , vontade anormal de urinar e coceira.
É infecção comum na população geral e a mais prevalente em hospitais. Infecção urinária ou infeção de urina são nomes usados como sinônimo de infecção do trato urinário.

Classificação[editar | editar código-fonte]

A infecção do trato urinário pode ser dividida segundo os órgãos acometidos: uretra, bexiga, ureter, pelve e parênquima renal, fáscia e gordura perirenal. Assim, ela pode ser dividida em:

  • Cistite : normalmente se refere à infecção da bexiga, causada geralmente por bactérias. Muitas vezes o termo é usado como sinônimo de ITU por médicos e leigos. Cabe lembrar que a terminação "ite" à rigor remete à inflamação, podendo essa ser causada por agentes químicos e por radioterapia que afetem a bexiga.
  • Pielonefrite: Infecção mais alta, dos rins. É uma infecção de maior gravidade. Pode evoluir com formação de abcesso e sepse grave.

A ITU ainda pode ser dividida em complicada e não complicada. Complicada quando vem associada à alterações funcionais ou anatômicas das vias urinárias (exemplo: rim em ferradura, rim ectópico, refluxo vésicoúretral) e não complicada quando não associada a alterações anatômicas.
A bacteriúria assintomática é a colonização da urina por bactérias sem a presença de sintomas. É caracterizada pela presençade mais de 100.000 UFC na urina[1] . Mais comum em pacientes mais idosos ou com sonda vesical, pode estar presente em pessoas jovens e saudáveis.

Causas da infecção urinária[editar | editar código-fonte]

Escherichia Coli no microscópio eletrônico. Bactéria da flora normal que pode causar ITU

A ITU é causada por bactérias, fungos e outros microorganismos que infectam o trato urinário (Rim, ureter, bexiga e uretra). Os principais microorganismos envolvidos são as bactérias Gram negativas, com a Escherichia coli sendo a mais prevalente tanto em indivíduos saudáveis como em pacientes com algum fator de risco como sonda vesical ou em idosos. Essas bactérias estão normalmente presentes na flora intestinal. O sexo feminino normalmente é mais afetado devido à proximidade da uretra com o ânus e por ela ser muito mais curta que a uretra masculina. Quando não tratada adequadamente a infecção pode causar complicações, levando a infecção dos rins e das vias urinárias superiores, passando a ser denominada de pielonefrite. Outros gram negativos importantes são a Klebsiella, Acinetobacter sp e Pseudomonas sp.

No homem, normalmente a infecção do trato urinário está associada com o aumento da próstata, como na hiperplasia prostática benigna. Um dos mecanismos de defesa do sistema urinário seria o fluxo constante de urina ou clereance de urina, responsável pela "limpeza" constante de bactérias que enventualmente caiam ali. Com a obstrução ou diminuição desse fluxo, como no aumento da próstata, as bactérias teriam mais tempo para se estabelecer e proliferar.
Meninos com fimose têm mais facilidade de adquirirem ITU por Proteus Mirabilis, mas ainda sim o agente Escherichia coli é o mais comum.
Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus são uropatógenos gram positivos. Candida albicans é um exemplo de fungo que causa ITU em indivíduos debilitados ou imunodeficientes.

Fatores de risco para contrair infecção urinária[editar | editar código-fonte]

  • Mulher
  • Pessoas com Diabetes mellitus.
  • Mulheres que usam diafragma como método contraceptivo.
  • Histórico de cálculos renais (pedras nos rins).
  • Pessoas submetidas à passagem de sonda vesical.
  • Portadores de complicações com a próstata
  • Idosos
  • Imunodeficiência

Sintomas da infecção urinária ou cistite[editar | editar código-fonte]

A infecção do trato urinário começa normalmente com um quadro localizado de cistite (infecção da bexiga). O paciente começa com uma dor/queimação ao urinar (disúria) muito incômoda, dor no baixo ventre e o aumento do número de vezes que precisa urinar, só que paradoxalmente fazendo apenas "poucas gotinhas" de cada vez (polaciúria, que ocorre devido à irritação da bexiga). Sangramento leve não é sinal de gravidade e pode ocorrer. Por outro lado, febre associada, dor nas costas importante e queda do estado geral necessitam de avaliação de um serviço de emergência, pois indicam que a doença progrediu e atingiu os rins, causando uma pielonefrite.
No entanto, pacientes idosos e imunodeprimidos podem apresentar um quadro atípico, com ITU sem dor ao urinar e sem polaciúria. Muitas vezes esses pacientes apresentam apenas uma queda do estado geral ou um episódio de confusão mental. Às vezes, evoluem com infecção dos rins com febre baixa ou mesmo sem febre, o que dificulta o diagnóstico. Em crianças o quadro pode ser de febre sem outros sinais (sem sinais localizatórios), dor na palpação da barriga ou choro ao urinar.

Sinal de Giordano (Murphy Renal) é o nome da dor produzida pela punho-percussão ("soquinhos" com o punho fechado) nas costas. Pode ser um sinal de infecção alta das vias urinárias quando associada a outros sintomas.

Exames[editar | editar código-fonte]

Em mulheres saudáveis, não gestantes e com um quadro clássico de Infecção urinária, ou seja, dor ao urinar, dor em baixo ventre e polaciúria, não são necessários exames. Nesse caso, eles podem inclusive atrasar o tratamento, aumentando gastos e podendo a doença evoluir. Na presença de gestação, paciente do sexo masculino, criança, quadro atípico ou suspeita de uma complicação como pielonefrite, é prudente solicitar Urina I e Urocultura.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Nas formas clássicas não complicadas, o tratamento de base é feito com antibióticos por via oral a curto período de tempo - 3 a 5 dias. Pode-se usar uma cefalosporina de 1ºgeração como a cefalexina (Keflex), Sulmetoxazol-trimetropim (bactrim), Macrodantina ou uma quinolona (Norfloxacina ou ciprofloxacina, esta última com alcance para pielonefrite).

O Cloridrato de Fenazopiridina, marca comercial Pyridium, pode ser tomado por via oral, aliviando o desconforto urinário da doença, mas não tratando a infecção, pois não é um antibiótico. Pode deixar a urina alaranjada.

A bacteriúria assintomática não deve ser tratada de rotina, com algumas exceções. Nas gestantes por exemplo, ITU ou bacteriúria assintomática devem ser tratadas por 7 dias por via oral pelo risco de trabalho de parto precoce e infecção amniótica e neonatal - lembrar que o uso de bactrim e quinolonas pode ser teratogênico e deve ser evitado na gestação.

A pielonefrite é um quadro mais grave, podendo a vitima evoluir com queda do estado geral e sepse grave. Por isso, muitas vezes é necessário internação e antibiótico por via endovenosa e coleta de exames.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Existem algumas medidas importantes que podem prevenir as infecções do trato urinário, tais como:

  • Cuidados com a higiene pessoal;
  • Evitar transportar as bactérias da região anal para a uretra, para isso, as meninas devem ser orientadas desde cedo a fazer a higiene da frente para trás sempre que usarem o banheiro;
  • lavar as mãos antes e após de utilizar o banheiro;
  • No banho as mulheres e meninas devem lavar-se sempre na direção da frente para trás;
  • Durante o período menstrual os absorventes devem ser trocados várias vezes, pois o sangue menstrual é um meio de proliferação de bactérias;
  • Ingerir bastante água, pelo menos de 2 litros por dia;
  • Não reter a urina por longos períodos, o ideal é urinar a cada duas ou três horas;
  • Para mulheres que sofrem de ITU após atividade sexual, recomenda-se ingerir água antes e depois da relação, para que, após o ato, esvaziem a bexiga o quanto antes . Com este procedimento simples, as bactérias que podem ter entrado na uretra são expelidas.

Situações especiais[editar | editar código-fonte]

Infecção do trato urinário em crianças[editar | editar código-fonte]

O quadro clínico em crianças pode ser atípico, e depende muito da idade. Os Recém Nascidos podem se aprsentar com sepse neonatal e sintomas inespecíficos, como choro, febre sem outros sinais (sem sinais localizatórios), hipoglicemia, tremores, convulsão e febre. Em crianças um pouco maiores, até os 2 ou 3 anos, as queixas também podem ser vagas: recusa ou choro ao urinar, dor abdominal, queda do estado geral e febre sem sinais (aliás, vale lembrar que uma importante causa de febre sem sinais entre 1 e 3 meses é a ITU, causa que deve ser excluida em muitos protocolos).

Em pré escolares (a partir de 3 anos de idade) e escolares (5a anos), quando a criança consegue verbalizar o que sente, o diagnóstico fica mais evidente.

Um conceito importante de ITU em crianças é a chance aumentada de lesão renal. Essa sequela deve ser evitada com diagnóstico e tratamento precoces. Apesar da importância do tema, existem vários protocolos de infecção do trato urinário em crianças, podendo existir pequenas diferenças na investigação e conduta entre centros de estudo.

Agente etiológico[editar | editar código-fonte]

O principal agente é a Escherichia Coli, bactéria Gram negativa da flora normal do intestino. Klebsiella sp, outro Gram negativo, também pode ser encontrada. Proteus Mirabillis pode estar presente em meninos com fimose e Staphylococcus saprophyticus tende a incidir mais em meninas maiores que já iniciaram a atividade sexual (inicidência aos 13 anos, sempre lembrando que Escherichia Coli é sempre a mais prevalente).

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Depende da idade, quadro clínico e estado geral. Um ponto crucial é a coleta da Urocultura, que deve seguir a técnica correta de acordo com a idade. No geral, urocultura de jato médio deve ser usada para crianças com controle vesical (que não usa fralda), após assepsia correta e ajuda de um adulto. Para crianças menores deve se optar pela sondagem vesical, embora muitos pais possam achar o procedimento desnecessário - e, portanto, deve ser conversado e explicado a importância do exame com calma. O padrão ouro é a punção supra púbica, porém é um método ainda mais invasivo. De modo geral, utiliza-se mais a sondagem vesical.

Saco coletor é o pior método: descarta ITU se negativo, mas não faz diagnóstico devido à alta chance de contaminação do exame. No geral, não é um método utilizado nos protocolos modernos de rotina.

Acompanhamento[editar | editar código-fonte]

Diferentemente da mulher adulta, algumas crianças devem ser acompanhadas em ambulatório e investigadas para fatores que contribuam para o desenvolvimento de ITU. A idade de corte varia de protocolo para protocolo e depende também do sexo (meninos são mais investigados do que meninas). É importante, se indicada a investigação, solicitar Uretrocistografia miccional para pesquisa de Refluxo Vésico Ureteral. O ultrassom de vias urinárias, como rastreio/pesquisa inicial, não é consenso, mas pode ser uma boa opção em países onde o pré-natal não é bom (alguns estudos apontam que o Ultrassom de terceiro trimestre de gestação já cumpre o papel de mostrar possíveis alterações nas vias urinárias de crianças que mais tarde apresentarão ITU).[2]

Referências

  1. Bacteriúria assintomática Lino Lima Lenz http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/390.pdf
  2. Up to date
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