Jessé de Souza

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Jessé de Souza
Jessé de Souza em 2015
Nascimento 29 de março de 1960 (59 anos)
Natal, RN
Nacionalidade brasileiro
Alma mater Universidade de Brasília
The New School
Orientador(es) Wolfgang Schluchter
Campo(s) Sociologia
Tese Die Entwicklung der okzidentalen Moderne (1991)
Notas Professor Universitário

Jessé José Freire de Souza (Natal, 29 de março de 1960) é um sociólogo, professor universitário e pesquisador brasileiro que atua nas áreas de Teoria Social, pensamento social brasileiro e estudos teórico/empíricos sobre desigualdade e classes sociais no Brasil contemporâneo, é autor de livros como A Ralé Brasileira, A Radiografia do Golpe, A Elite do Atraso e A Classe Média no Espelho.[carece de fontes?]

Em 2 de abril de 2015 foi nomeado[1] pela Presidência da República ao cargo de presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O cargo era anteriormente ocupado por Sergei Suarez Dillon Soares.[2] Pediu demissão do cargo em maio de 2016, quando Michel Temer assumiu interinamente a Presidência, depois do impeachment de Dilma Rousseff. Atualmente, escreve artigos para a revista CartaCapital.[carece de fontes?]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formado em Direito pela Universidade de Brasília (1981), concluiu o mestrado em Sociologia pela mesma instituição em 1986. Em 1991, doutorou-se em Sociologia pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg (Alemanha), país onde obteve livre docência nesta mesma disciplina Universität Flensburg em 2006. Também fez pós-doutorado em Filosofia e Psicanálise na New School for Social Research, Nova Iorque, (1994/1995).[carece de fontes?]

A partir de 2009, Souza empreendeu pesquisa sociológica em todo o país para confrontar a tese de que havia surgido uma "nova classe média" no país. O resultado foi a configuração de nova nomenclatura, a saber, "ralé", "batalhadores", "classe média e "elite", sendo que os dois últimos dispõem de privilégios que os dois primeiros não têm.[carece de fontes?]

Escreveu e organizou 22 livros, em português, inglês e alemão sobre sociologia política, teoria da modernização periférica e desigualdade no Brasil contemporâneo. Atualmente, é professor titular da [[Universidade Federal do ABC|Universidade Federal do ABC (UFABC).[carece de fontes?]]]

Em 2 de abril de 2015 foi nomeado[1] pela Presidência da República ao cargo de presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cargo anteriormente ocupado por Sergei Suarez Dillon Soares, mas demitiu-se em 2016 logo após Michel Temer assumir provisoriamente a presidência do Brasil durante o impeachment de Dilma Roussef.[carece de fontes?]

Análise histórica do desenvolvimento do pensamento do autor[editar | editar código-fonte]

A desigualdade no Brasil[editar | editar código-fonte]

Como presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no período correspondente as anos de 2015/2016, Souza realizou pesquisas importantes na área de desigualdade econômica, contribuindo para o surgimento de um novo paradigma para os estudos econômicos e social referentes a essa área. Dessa forma, fica evidente, ao menos nos artigos publicados pelo autor na primeira década do século XXI, a centralidade da discussão a respeito da “desigualdade social” e o esforço de Jessé por autonomização do pensamento científico brasileiro para a produção de categorias, eixos de sentidos, significações e explicações que partissem das reais demandas experimentadas no cenário nacional. Mesmo sendo um forte leitor do pensamento weberiano, isso não impede que Jessé produza críticas diretas a outros reprodutores do autor que, de acordo com o posicionamento de Jessé, reduzem a realidade brasileira para comportar os conceitos e categorias pretéritas que, ao serem produzidas, não consideraram a realidade brasileira. Essa mesma crítica é endereçada aos marxistas e a outras linhas de produção científica que não se esforçam na direção de dialogo acurado com o campo brasileiro. Em seus escritos, sempre críticos, Jessé dialoga com diversos pensadores, destaca-se entre ele o sociólogo francês Pierre Bourdieu, do qual Jessé toma de empréstimo a noção de habitus, além de tratar com interesse a discussão em torno das noções de estruturas estruturantes e estruturas estruturadas, centrais para boa parte do pensamento bourdieusiano. Jessé não é um institucionalista, tampouco um culturalista, o que ele procura construir é uma intersecção entre os processos de institucionalização, ideologização e subjetivação, afim de dar conta de uma realidade multifacetada, a brasileira.[carece de fontes?]

Crítica ao paradigma vigente nas Ciências Sociais[editar | editar código-fonte]

Souza analisa as produções de Sérgio Buarque de Holanda, Raimundo Faoro e Simon Schwartzman que, a partir de bases Weberianas, vão produzir discussões e conceitos que marcarão a produção das ciências sociais, como as ideias de Homem Cordial, Patrimonialismo e modernização, muito caras para produção teórica do século XX. Souza desenvolve e articula as ideias da produção Weberiana com os acertos e equívocos relativos a sua apropriação para explicação da realidade brasileira por acreditar que é importante “rejeitarmos modelos societários exemplares e absolutos. As escolhas culturais, assim como as individuais, implicam perdas e ganhos. Perceber aonde temos a aprender com outros povos e sociedades é uma reflexão que deve ser simultânea àquilo que devemos rejeitar" (1998, p.19).[3]

A instituição de um novo paradigma[editar | editar código-fonte]

Jessé de Souza argumenta que a desigualdade social como fenômeno de massa em países de desenvolvimento tardio como o Brasil, pode ser compreendida “como resultante de um efetivo processo de modernização de grandes proporções que se implanta paulatinamente no país a partir de inícios do século XIX” (2005, p.80).[4] Para isso, o autor parte da desconstrução do paradigma vigente nas ciências sociais no século XX, no qual o subdesenvolvimento nacional brasileiro é explicado através da noção de patrimonialismo, personalismo e familismo como fundamentos para a caracterização de uma sociedade pré-moderna. Nesse sentido, Jessé inicia a desconstrução de tal paradigma a partir da retomada da teoria elaborada por Max Weber, em sua sociologia comprada das religiões, confrontada às concepções desenvolvidas por Charles Taylor e Pierre Bourdieu. Em princípio, Souza apresenta de forma breve o modelo teórico elaborado por Weber, para quem as instituições chaves do capitalismo moderno - o mercado e o Estado- deveriam ser incorporadas pelas sociedades não-ocidentais (restringindo a consideração “sociedades ocidentais” aos Estados Unidos e à Europa ocidental) fadando, aqueles que se opuserem, à pré- modernidade. Assim, como forma de oposição a essa teoria etapista e culturalista, Jessé utiliza a arqueologia da hierarquia valorativa das sociedades aonde o capitalismo monopolista irá se desenvolver, apresentada por Charles Taylor em seu livro Sources of the self: the making of the modern identity, aliada a ideia de “self pontual” -a noção de “dignidade” que se estabelece ao instituir todos como iguais e a produtividade laboral como fatores de inclusão social- também do mesmo autor, para confrontar a ideia tida como irrefutável do Estado e do mercado como grandezas sistêmicas. Para Taylor, na verdade, a hierarquia valorativa perpassa a eficácia de tais instituições e, desse modo, a reificação dessas e seu transplante, como “artefatos prontos”, sem que haja uma hierarquia valorativa do “self pontual”, para as sociedades periféricas, ocasionaria a naturalização das desigualdades sociais. Além disso, Jessé Souza incorpora as reflexões de Pierre Bourdieu, principalmente a sua noção de habitus, juntamente com a “ideologia do desempenho” analisa por Reinhard Kreckel, para ampliar a contribuição desses e estabelecer uma tripartição da noção de habitus em: habitus primário, habitus secundário e habitus precário. O primeiro ao “incorporar as características disciplinarizadoras, plásticas e adaptativas básicas para o exercício das funções produtivas no contexto do capitalismo moderno” (2005, p.80)[4] será classificado pelo autor como: “precondições sociais, econômicas e políticas do sujeito útil, “digno” e cidadão no sentido tayloriano de ser reconhecido intersubjetivamente como tal” (2005, p.87)[4]. Já o segundo, “diz respeito às “sutis distinções” analisadas por Bourdieu em Distinction: a social critique of the judgement of taste, no qual compreende tanto o horizonte da individualização “profunda”, baseada no ideal da identidade original dialógica e constituída em forma narrativa, como o processo de individuação superficial. O habitus precário, por sua vez, diz respeito “a formação de todo um segmento de indivíduos inadaptados – fenômeno marginal, em sociedades desenvolvidas; fenômeno de massa, em sociedades periféricas – é resultado de mudanças históricas, implicando a redefinição do que estou chamando habitus primário” (2005, p.87). Para Jessé de Souza o fato de as desigualdades sociais nos países periféricos, onde a modernização das estruturas chaves do capitalismo se deu de forma retardatária, se deriva a imposição de instituições modernas como “artefatos prontos”, carregadas de um arcabouço valorativo desenvolvidos em sociedades onde o capitalismo se desenvolveu de forma natural e por isso não se trata da concepção de uma sociedade pré-moderna com a presença do patrimonialismo, familismo e personalismo.[carece de fontes?]

Posições[editar | editar código-fonte]

Jessé é um crítico da Operação Lava Jato, analisada por ele nos livros A Radiografia do Golpe e e A Elite do Atraso. Ele afirma que a operação “só existe por conta da Rede Globo” e tem a ver com a quebra dos BRICS, que seria uma ameaça à hegemonia estadunidense.[5]

“A classe média, que antes nunca se expunha, encontrou seu discurso. Então essa direita que atua hoje é filha do casamento entre Rede Globo e Lava Jato, e Jair Bolsonaro é o filho mais legítimo dessa união.[5]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Subcidadania brasileira: Para entender o pais além do jeitinho brasileiro. Leya, 2018.
  • A radiografia do Golpe: Entenda como e por que você foi enganado. Rio de Janeiro: Leya. 2016. ISBN 978-85-441-0447-7 
  • A elite do atraso: Da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya. 2017. ISBN 978-85-441-0538-2 
  • A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo, Leya, 2015.
  • Com Boike Rehbein. Ungleichheit in kapitalistischen Gesellschaften. Weinheim y Basel: Beltz Juventa, 2014.
  • Os batalhadores brasileiros: Nova classe média ou nova classe trabalhadora? Belo Horizonte: UFMG, 2010. (Coleção Humanitas) (2ª edição em 2012)
  • A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: UFMG, 2009.
  • Die Soziale Konstruktion der peripheren Ungleicheit. Wiesbaden: VS Verlag für Sozialwissenschaften, 2008.
  • (Org.). A Invisibilidade da Desigualdade Brasileira. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
  • (Org.). Imagining Brazil. Lanham: Lexington Books, 2006.
  • Thomas Kuhn; Jessé Souza. (Orgs.) Das moderne Brasilien. Gesellschaft, Politik und Kultur in der Peripherie des Westens. Wiesbaden: VS Verlag für Sozialwissenschaften, 2006.
  • A Construção Social da Subcidadania. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
  • Subcidadania e Naturalização da desigualdade. Política & Trabalho, João Pessoa, v. 22, p. 67-97, 2005.[4]
  • A Modernização Seletiva: Uma Reinterpretação do Dilema Brasileiro. Brasília: UNB, 2000.
  • Max Weber e a ideologia do atraso brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 38, 1998.[3]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Menção honrosa no concurso de melhores Dissertações de Mestrado da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), 1986.

Referências

  1. a b Imprensa Nacional (2 de abril de 2015). «Diário Oficial da União de 02/04/2015». Imprensa Nacional. Consultado em 2 de abril de 2015 
  2. Sergei Soares é nomeado presidente do Ipea
  3. a b SOUZA, Jessé (1998). «Max Weber e a ideologia do atraso brasileiro». Revista Brasileira de Ciências Sociais 
  4. a b c d SOUZA, Jessé (2005). «Subcidadania e Naturalização da desigualdade». Política & Trabalho 
  5. a b «Intérprete de um Brasil só, entrevista com Jessé de Souza». Cult (revista). 8 de maio de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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