Nova classe média (Brasil)

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Nova classe média é uma expressão que se refere, no Brasil, à parte da população anteriormente classificada como classe de renda D e que, na segunda metade da década de 2000, ascende à classe de renda C.

Entre 2003 e 2008, o número de brasileiros estatisticamente considerados como pobres se reduziu em 3 milhões.[1] O aumento de renda dessas pessoas propiciou uma significativa mudança no seu padrão de consumo, mediante o acréscimo de vários novos itens, especialmente alimentos industrializados e bens duráveis. A inclusão desse grupo na classe média, com base no recente aumento do seu poder de compra, é contestada por alguns autores, que apontam a insuficiência desse critério como definidor de classe social. Segundo esses críticos, o estrato populacional de renda média não se confunde com a noção de classe média, conceito muito mais abrangente e teoricamente muito mais complexo. Assim, apesar de terem passado a consumir certos bens materiais (alimentos industrializados, roupas, aparelhos eletrônicos etc) e serviços (especialmente bancários) também consumidos pela "velha" classe média, os recém-chegados à classe C teriam valores, hábitos e visões de mundo parcialmente distintos daqueles atribuídos à classe média tradicional.[2][3][4]

Definição[editar | editar código-fonte]

A chamada nova classe média brasileira é constituída por famílias com renda per capita mensal entre R$ 291,00 a R$ 1.019,00[5] e representa mais de 50% da população total.[6] O crescimento desse segmento deve-se principalmente ao aumento na renda dos mais pobres. A elite econômica (classes A e B) tem renda per capita mensal superior a R$ 4.591,00 enquanto os indivíduos da classe D têm renda mensal entre R$ 768 e R$ 1.064. A classe E , por sua vez, reúne famílias consideradas pobres, com rendimentos abaixo de R$768.[7][carece de fontes?][necessário esclarecer]

Significado econômico[editar | editar código-fonte]

Responsável por injetar cerca de R$ 1,1 trilhão na economia brasileira,[8] a nova classe média tornou-se foco das empresas, que passaram a se adequar para atender a esse novo público.[9] O consumo da nova classe média aqueceu o mercado e ajudou o Brasil a minimizar os impactos da crise internacional de 2008-2011.

Um exemplo dado pelo Instituto Data Popular sobre o consumo em supermercados revela que, em 2002, a nova classe média só consumia 28 categorias de produtos, contra 40 em 2011. Este número é praticamente o mesmo das Classes A e B. Segundo análises da Pesquisa de Orçamentos Familiares feitas pela SAE,[10] o segmento de renda média já representa o maior poder de consumo no Brasil, quer se tome o consumo total (a vista e financiado), quer se tome somente o consumo financiado, o que revela o amplo acesso da classe média a serviços financeiros.

Políticas públicas específicas[editar | editar código-fonte]

Na percepção do governo brasileiro, essa importante parcela da população brasileira requer políticas públicas específicas,[11] que impeçam o seu retorno à pobreza e ofereçam oportunidades eficazes para sua contínua progressão, tais como qualificação profissional.

Com a finalidade de traçar a evolução socioeconômica e o perfil da chamada nova classe média, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República lançou o aplicativo Nova Classe Média em Números.[12] Com ele, é possível fazer um diagnóstico dessa população ao longo da última década. Características pessoais, regionais, educacionais e habitacionais; participação no mercado de trabalho, composição familiar e consumo fazem parte dos indicadores que podem ser consultados na ferramenta.

Um grupo de trabalho[13] foi formado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) para trabalhar com o mapeamento dos dados estatísticos, a fim de obter uma definição de classe média empiricamente prática, com bases conceitual e metodológica sólidas, que seja capaz de identificar quem são os membros desta nova classe, avaliar seu tamanho e sua heterogeneidade. O Grupo é formado por representantes da Fundação Getúlio Vargas, do Ministério da Fazenda, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Internacional Center for Inclusive Growth, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Instituo de Ensino e Pesquisa de São Paulo, da USP e do Instituto Data Popular, entre outros. O resultado dos debates irá orientar a SAE na formulação de uma segunda geração de políticas públicas,[14] específicas para esse público, com a finalidade de evitar que retornem à pobreza e garantam oportunidades para seu desenvolvimento.

Perfil[editar | editar código-fonte]

Segundo pesquisa [15] do Instituto Data Popular,[16] a nova classe média apresenta-se assim:

  • Mais de 42 milhões de brasileiros ascenderam à nova classe média na última década
  • Metade dos cartões de crédito pertence à nova classe média
  • Renda anual dos internautas da nova classe média é de R$ 328 bilhões
  • 68% dos jovens da nova classe média estudaram mais que seus pais
  • 41% da renda da nova classe média vem do trabalho da mulher, contra apenas 25% da Elite
  • A nova classe média representa 48% da renda nacional
  • 6 a cada 10 pessoas que acessam a internet são da nova classe média
  • A região sul é a que apresenta maior concentração da nova classe média, com 64% da população
  • O Nordeste lidera o crescimento da nova classe média. De cada 10 pessoas que melhoraram de vida, 3 são dessa região
  • O interior cresce mais que as regiões metropolitanas
  • A nova classe média gasta mais com serviços. Em 2002, de cada R$100,00, R$49,50 eram gastos em serviços. Hoje são R$65,00.
  • O impacto da classe C no setor aeroportuário é maior que qualquer Copa do Mundo.
  • As classes A e B compram mais produtos de baixo preço do que as classes C e D.
  • De cada R$100,00 que uma família da classe A gasta, R$25,00 vêm do trabalho da mulher; na classe C, esse número sobe para R$41,00.
  • 62% da nova classe C prefere comprar produtos brasileiros, contra 25% da elite.

Ainda segundo a pesquisa, em que 4 mil pessoas foram ouvidas, os consumidores foram separados em quatro perfis. Primeiro, há 14,7 milhões (19% do total) de promissores: jovens com média de idade de 22,2 anos, mais propensos a gastar em beleza, veículos, educação, entretenimento, itens para casa e tecnologia, que gastaram R$ 230,8 bilhões em 2013. Segundo, há os batalhadores (39%): 30,3 milhões com idade média de 40,4 anos, que procuram a casa própria, o carro e o estudo dos filhos e gastaram R$ 388,9 bilhões em 2013. Em terceiro vêm os experientes: 20,5 milhões de pessoas com idade média de 65,8 anos (41% são viúvos), que querem continuar no mercado de trabalho para não perder renda e gastaram R$ 274 bilhões.E há os empreendedores: 16% do total ou 11,6 milhões de pessoas que se destacam pela maior renda individual, idade média de 43 anos, com gastos de R$ 276 bilhões em 2013 (mais do que as categorias de promissores e experientes) e que mais investiram em educação, eletroeletrônicos, turismo internacional, tecnologia, veículos e entretenimento.A pesquisa se destina a ajudar as áreas de vendas das empresas, mas, além disso, mostra que a classe C brasileira, isoladamente, seria o 18.º maior mercado de consumo do mundo.

Referências

  1. A classe média e conformada. Por José de Souza Martins. Instituto Humanitas Unisinos - IHU, 10 de agosto de 2008
  2. A nova classe média existe?. Por André Barrocal . Carta Capital, 5 de setembro de 2014.
  3. Conjuntura da Semana. A nova classe média brasileira. Instituto Humanitas Unisinos, 1º de dezembro de 2010.
  4. Vídeo: Marcio Pochmann fala sobre seu livro Nova classe média? O trabalho na base da pirâmide social brasileira . Boitempo Editorial.
  5. «Governo define que a classe média tem renda entre R$ 291 e R$ 1.019 (valores de 2012)». Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. 24 de julho de 2013. Consultado em 24 de outubro de 2014 
  6. «Classe C cresceu mais no Nordeste». Carta Capital. 11 de agosto de 2012. Consultado em 16 de julho de 2012 
  7. Rudá Ricci (21 de maio de 2010). «O Maior Fenômeno Sociológico do Brasil: a nova classe média». Escola de Governo. Consultado em 16 de julho de 2012 
  8. Fábio Chaib (17 de novembro de 2011). «Nova Classe C consumirá mais de R$ 1 tri em 2011». Jovem Pan Online. Consultado em 16 de julho de 2012 
  9. Margareth Castro e Evaldo Pighini (Fevereiro de 2011). «A força que vem debaixo». Revista Mercado. Consultado em 16 de julho de 2012 
  10. «Classe C tem mais gastos pessoais que A e B, diz pesquisa». Agência Brasil. Terra. 8 de agosto de 2011. Consultado em 16 de julho de 2012 
  11. Francisco Carlos de Assis e Elizabeth Lopes (6 de agosto de 2011). «Risco de retrocesso da nova classe média preocupa». IstoÉ Dinheiro. Consultado em 16 de julho de 2012 
  12. «Brasil tem uma nova classe média». Diário de Pernambuco. 9 de agosto de 2011. Consultado em 16 de julho de 2012 
  13. «Grupo de Trabalho vai traçar perfil da nova classe média brasileira». Portal Brasil. 28 de setembro de 2011. Consultado em 16 de julho de 2012 
  14. «País precisa de segunda geração de políticas públicas, afirma ministro da SAE». Portal Fator Brasil. 9 de agosto de 2011. Consultado em 16 de julho de 2012 
  15. pesquisa
  16. Daiane Souza. «Instituto Data Popular divulga perfil da nova classe média brasileira». Blog Heli Fidelis. Consultado em 16 de julho de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]