Jogos Paralímpicos de Inverno

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Os Jogos Paralímpicos de Inverno são um evento multiesportivo internacional onde atletas com deficiência física competem. Isso inclui atletas com deficiência de mobilidade, amputações, cegueira e paralisia cerebral. Os Jogos Paralímpicos de Inverno são realizadas a cada quatro anos, logo após os Jogos Olímpicos de Inverno. Os Jogos Paralímpicos de Inverno também são hospedados pela cidade que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno. O Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) é responsável por supervisionar a competição. Medalhas são atribuídas em cada evento: medalhas de ouro para o primeiro lugar, prata para o segundo e bronze para o terceiro, seguindo a tradição começada nos Jogos Olímpicos de Verão de 1904.

As Paraolimpíadas de Inverno começaram em 1976 em Örnsköldsvik, Suécia. Esses jogos foram os primeiros Jogos Paraolímpicos (de Verão ou Inverno) que contou com outros atletas fora cadeirantes. Os Jogos têm se expandido e crescido e são (juntamente com os Jogos de Verão) parte do maior evento esportivo internacional depois dos Jogos Olímpicos. Dada a sua expansão a necessidade de um sistema de classificação muito específica foi criada. Este sistema também deu origem a controvérsias e abriu a porta para trapaças. Atletas paraolímpicos de inverno também foram condenados por uso de esteroides e outras formas de trapaça única para atletas paraolímpicos, que mancharam a integridade dos Jogos.

História[editar | editar código-fonte]

As origens dos Jogos Paralímpicos de Inverno são semelhantes aos Paraolímpicos de Verão. Soldados feridos que retornam da Segunda Guerra Mundial procuraram o esporte como um caminho para a cura.[1] Organizado pelo doutor Ludwig Guttmann, competições esportivas entre os hospitais de convalescença britânicos começaram em 1948 e continuaram até 1960, quando uma Olimpíada paralela foi realizada em Roma após os Jogos Olímpicos de Verão daquele ano. Mais de 400 atletas em cadeira de rodas competiram nos Jogos Paraolímpicos de Verão de 1960, que ficou conhecido como a primeira Paraolimpíada.[1]

Sepp Zwicknagl, um pioneiro dos esportes de neve para atletas deficientes, foi um esquiador austríaco amputado que praticou a modalidade usando próteses. Seu trabalho ajudou avanços tecnológicos pioneiros para pessoas com deficiência que desejavam participar em esportes de inverno.[2] Os avanços foram lentos, até que a primeira competição oficial de esqui mundial para atletas com deficiência física foi realizada em 1974, sendo disputadas as modalidades descida livre e esqui cross-country.[2] Os primeiros Jogos Paralímpicos de Inverno realizaram-se em 1976 em Örnsköldsvik, Suécia, entre 21 e 28 de fevereiro. Esqui alpino e nórdico para amputados e atletas com deficiência visual foram os principais eventos, que contou ainda com a corrida em trenós como um evento de demonstração.[2] Havia 198 atletas participantes de 16 países,[3] e foi a primeira vez que atletas com outras deficiências que não fossem cadeirantes puderam competir.[4]

A partir de 1988 os Jogos Paraolímpicos de Verão foram realizados na mesma cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de Verão. Isto foi possível devido a um acordo alcançado entre o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC). Os Jogos Paralímpicos de Inverno de 1992 foram os primeiros Jogos de Inverno a usar as mesmas instalações das Olimpíadas de Inverno.[4]

Trapaças[editar | editar código-fonte]

Os atletas têm fingido deficiências para ter uma vantagem competitiva, juntamente com uso de drogas que melhoram o desempenho.[5][6] O esquiador alemão Thomas Oelsner se tornou o primeiro atleta paraolímpico de Inverno a atestar positivo para esteroides em 2002. Ele tinha ganhado duas medalhas de ouro nos eventos alpinos, mas foi despojado de suas medalhas.[7] Uma preocupação agora enfrentada pelos oficiais Paraolímpicos é a técnica de aumentar a pressão arterial, conhecida como disreflexia autonômica. O aumento da pressão arterial pode melhorar o desempenho em 15% e é mais eficaz nos esportes de resistência, tais como esqui cross-country. Para aumentar a pressão dos atletas, eles deliberadamente causam traumas nos membros inferiores e uma lesão na coluna vertebral. Este trauma pode incluir a quebra de ossos, pressionando as extremidades do corpo com muita força ou usando meias de compressão de alta pressão. A lesão é indolor para o atleta, mas afeta o corpo e impacta a sua pressão arterial, como técnicas que permitem a bexiga encher demais.[8]

Categorias de deficiência[editar | editar código-fonte]

O Comitê Paraolímpico Internacional estabeleceu seis categorias de deficiência aplicáveis tanto para Jogos Paraolímpicos de Verão quanto para os de Inverno. Atletas com uma dessas deficiências físicas são capazes de competir, embora nem todos os esportes permitem todas as categoria de deficiência.[9]

Edições[editar | editar código-fonte]

Jogos Paralímpicos de Inverno[10]
Ano Jogos Cidade-sede País
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1976 I Örnsköldsvik  Suécia
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1980 II Geilo  Noruega
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1984 III Innsbruck  Áustria
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1988 IV Innsbruck  Áustria
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1992 V TignesAlbertville  França
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1994 VI Lillehammer  Noruega
Jogos Paralímpicos de Inverno de 1998 VII Nagano  Japão
Jogos Paralímpicos de Inverno de 2002 VIII Salt Lake City  Estados Unidos
Jogos Paralímpicos de Inverno de 2006 IX Turim  Itália
Jogos Paralímpicos de Inverno de 2010 X Vancouver  Canadá
Jogos Paralímpicos de Inverno de 2014 XI Sóchi  Rússia
Jogos Paralímpicos de Inverno de 2018 XII Pyeongchang  República da Coreia
Jogos Paralímpicos de Inverno de 2022 XIII Pequim  República Popular da China

Referências

  1. a b «History of the Paralympics» BBC Sport [S.l.] 2008-09-04. Consultado em 2010-04-21. 
  2. a b c «Örnsköldsvik 1976». International Paralympic Committee. Consultado em 2010-04-14. 
  3. «Results search». International Paralympic Committee. Consultado em 2010-04-14. 
  4. a b «History of the Paralympic Games». The Government of Canada. Consultado em 2010-04-14. 
  5. Slot, Owen (2001-02-03). «Cheating shame of Paralympics». The Daily Telegraph (London: Telegraph Media Group). Consultado em 2010-04-07. 
  6. Grey-Thompson, Tanni (2008-09-11). «Cheating does happen in the Paralympics». The Daily Telegraph (London: Telegraph Media Group). Consultado em 2010-04-07. 
  7. Maffly, Bryan (2002-03-13). «Skier Fails Drug Test». Salt Lake 2002 Paralympics. Consultado em 2010-04-07. 
  8. «Paralympic athletes who harm themselves to perform better». BBC News Magazine BBC [S.l.] 2012-08-22. Consultado em 2014-02-12. 
  9. a b «Making sense of the categories» BBC Sport [S.l.] 2000-10-06. Consultado em 2010-04-07. 
  10. «Past Games». International Paralympic Committee. Consultado em 2010-04-07.