Júlio César (Shakespeare)

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A morte de Júlio César, por V. Camuccini (1804-1805)
Brutus enfrenta o fantasma de César. Gravura de Edward Scriven (1802)

Júlio César (The Tragedie of Julius Caesar, no original inglês) é uma tragédia de William Shakespeare, provavelmente escrita em 1599. Retrata a conspiração contra o ditador romano Júlio César, seu assassinato e suas consequências. É uma das diversas peças romanas que ele escreveu, baseada na verdadeira história romana, que incluem também Coriolano e Antônio e Cleópatra.

Embora o título da peça seja Júlio César, César não é a personagem central de sua ação; ele aparece em apenas três cenas, e é morto no início do terceiro ato. O protagonista da peça é Marco Júnio Bruto, por fornecer um psicodrama e um conflito íntimo entre sua honra, seu patriotismo e sua amizade.

A obra reflete a ansiedade geral da Inglaterra sobre a sucessão de liderança. Na altura de sua criação e da primeira performance, a Rainha Elizabeth, uma grande governante, estava idosa e recusaram indicar um sucessor, levando preocupação de que uma guerra civil semelhante ao de Roma poderia acontecer após sua morte.

Data e texto[editar | editar código-fonte]

Frontispício da primeira página de Júlio César, do First Folio, publicado em 1623

Júlio César foi primeiramente publicada no First Folio, em 1623, mas a peça foi mencionada por Thomas Platter em um diário seu, em Setembro de 1599. E a obra não é mencionada na lista das peças de Shakespeare publicado por Francis Meres em 1598. Com base nestes dois pontos, assim como na série de alusões contemporâneas de que a peça é semelhante à Hamlet no que diz seu vocabulário, sugere-se que foi escrita em 1599. O texto de Julius Caesar no First Folio é a única fonte de autenticidade do texto da peça. O texto do First Folio é notável pela sua qualidade e consistência; os estudiosos crêem que tenha sido composto a partir de um guião teatral.[1]

A peça contem muitos elementos anacrónicos da era isabelina. As personagens referem objetos como chapéus e casacas que não existiam na Roma antiga. É referido César a usar uma casaca isabelina em vez de uma toga romana. Num determinado momento ouve-se o bater de um relógio e Brutus sublinha-o com "Toca o relógio".


Personagens[editar | editar código-fonte]

Triúnviros após a morte de César

Conspiradores contra César

Tribunos

  • Flavius (Lucius Caesetius Flavus)
  • Marullus (Gaius Epidius Marullus)

Senadores

  • Cícero
  • Publius
  • Popilius Lena (Gaius Popillius Laenas)

Cidadãos

  • Calpúrnia – esposa de César
  • Pórcia – esposa de Brutus
  • Adivinho
  • Artemidorus – sofista de Knidos
  • Cinna (Helvius Cinna|) – poeta
  • Sapateiro
  • Carpinteiro
  • Poeta (que se crê seja baseado em Marcus Favonius)[2]
  • Lucius – ajudante de Brutus

Leais a Brutus e Cassius

  • Volumnius (Publius Volumnius)
  • Titinius
  • Marcus Porcius Catão (filho de Catão, o Jovem) – irmão de Pórcia
  • Messala – mensageiro
  • Varrus
  • Clitus
  • Claudio
  • Dardanius
  • Strato
  • Lucilius
  • Labeo (papel não falante)
  • Flavius (papel não falante)
  • Statilius (papel não falante)
  • Pindarus – Servo de Cassius

Outros

Resumo[editar | editar código-fonte]

A Trajédia de Júlio César
Cenas da representação da trajédia no Festival Shakespeare in Styria de Murnau em 2014, dirigida por Nicholas Allen e Roberta Brown

A peça começa com os plebeus de Roma a celebrar o regresso triunfal de César após a derrota dos filhos de Pompeu na Batalha de Munda. Dois tribunos, Flávius e Marrullus, encontram os plebeus a comemorar, insultam-nos pela mudança da sua lealdade de Pompeu para César e dispersam a multidão. Também planeiam remover todas as decorações das estátuas de César e terminar quaisquer outras festividades. Na cena seguinte, durante o desfile de César na festa da Lupercália, um adivinho adverte César para ter "Cuidado com os Idos de março", um aviso que ele ignora. A ação então vira-se para a discussão entre Brutus e Cássio. Nesta conversa, Cássio tenta convencer Brutus de que César deve ser morto, pretendendo que Brutus se juntasse à sua conspiração para matar César. A seguir, eles ouvem de Casca que Marco António ofereceu a César a coroa de Roma três vezes, e todas vezes César recusou, desmaiando após a última recusa. Mais tarde, no segundo ato, Brutus junta-se à conspiração, embora depois de um longo debate moral, acabando por decidir que César, apesar de seu amigo e nunca ter feito nada contra o povo de Roma, devia ser morto para o impedir de fazer algo contra o povo de Roma se chegasse a ser coroado. Ele compara César a "um ovo de serpente/ que eclodindo, como a sua espécie, cresceria malevolamente,/ pelo que o urge matar na casca" e decide juntar-se a Cássio para assassinar César.

O assassinato de César é uma das mais famosas cenas da peça, ocorrendo no Ato 3, Cena 1 (a outra é a oração fúnebre de Marco António "Amigos, romanos, compatriotas"). Depois de ignorar o adivinho, bem como as premonições da sua própria esposa, César chega ao Senado. Os conspiradores criam um motivo superficial para se aproximarem o suficiente para assassinar César através de uma petição trazida por Metellus, que intercede em nome do seu irmão que havia sido banido. Previsivelmente, César rejeita a petição, Casca atinge César na nuca, e os outros apunhalam-no sendo Brutus o último. É neste ponto, que Shakespeare faz César proferir a famosa frase "Também tu, Brutus?"[3] Shakespeare fá-lo acrescentar "Então cai, César", sugerindo que tal traição destruiu a vontade de César de viver.

Os conspiradores deixam claro que cometeram este ato a favor de Roma, não pelos seus próprios objetivos e não tentam fugir do local. Após a morte de César, Brutus faz um discurso defendendo as suas ações e, no momento, a multidão está do lado dele. No entanto, Marco António, com um discurso eloquente e sutil sobre o cadáver de César — começando com a muito citada Amigos, Romanos, Compatriotas, emprestem-me os vossos ouvidos[4] — habilmente vira a opinião pública contra os assassinos manipulando as emoções dos cidadãos comuns, em contraste com o tom racional do discurso de Brutus, havendo, no entanto, método no seu discurso retórico e gestual: ele recorda-lhes o bem que César tinha feito a Roma, a sua solidariedade com os pobres e a sua recusa em ser coroado na Lupercal, assim questiona a acusação de Brutus sobre a ambição de César; ele mostra à multidão o corpo ensanguentado e sem vida de César para os sensibilizar e ganhar a simpatia deles para o seu herói; e lê o testamento de César, pelo qual cada um dos cidadãos romanos receberia 75 dracmas. Marco António, mesmo que afirme que seja contra tal, incita a multidão a afastar os conspiradores de Roma. No meio da violência, uma poeta inocente, Cina, é confundido com o conspirador Lucius Cinna e é assassinado pela multidão.

O início do Ato Quatro é marcado pela cena da discussão, em que Brutus ataca Cássio por sujar o nobre ato de regicídio ao aceitar subornos ("Não sangrou o grande Julius pela justiça ? / Que vilão tocou o seu corpo, que o esfaqueou, / e não pela justiça?").[5] Os dois reconciliam-se, especialmente após Brutus revelar que a sua amada esposa, Porcia, se suicidou angustiada pela sua ausência de Roma; eles preparam-se para uma guerra civil contra Marco António e o filho adotivo de César, César Augusto. Nessa noite, o fantasma de César aparece a Brutus com um aviso da derrota ("Vais ver-me em Filipos"[6] ).

Na batalha, Cassius e Brutus, sabendo que provavelmente irão ambos morrer, sorriem entre si e seguram as mãos um do outro. Durante a batalha, Pindarus, servo de Cássius, mata o seu senhor depois de saber a captura do melhor amigo dele, Titinius. A seguir, Titinius, que realmente não tinha sido capturado, vê o cadáver de Cassius, e comete suicídio. No entanto, Brutus vence esta fase da batalha - mas a vitória não é definitiva. Com o coração apertado, Brutus vai para a batalha de novo no dia seguinte. Mas é derrotado e comete suicídio com a sua própria espada, que é segura por um soldado chamado Strato.

A peça termina com uma homenagem a Brutus por Marco António, que proclama que Brutus foi sempre "o mais nobre de todos os Romanos"[7] porque foi o único conspirador que agiu, segundo crê, pelo bem de Roma. Há então uma pequena indicação do atrito entre Marco António e César Augusto que irá caracterizar outra peça de Shakespeare sobre Roma, António e Cleópatra.

Fontes[editar | editar código-fonte]

A principal fonte de Shakespeare para a criação da peça terá sido a tradução por Thomas North da obra Vidas Paralelas de Plutarco.[8]

Desvios relativamente a Plutarco[editar | editar código-fonte]

  • Shakespeare situa o regresso triunfal de César no dia da Lupercalia (15 de Fevereiro) em vez de seis meses antes.
  • Para enfatizar o dramatismo, situa no Capitólio o local do assassínio de César em vez de na Cúria Pompeia.
  • A morte de César, o funeral, a oração de Marco António, a leitura do testamento e a chegada de César Augusto ocorrem na peça todos no mesmo dia. Contudo, historicamente, o assassínio ocorreu em 15 de março (Idos de março), o testamento foi publicado em 18 de Março, o funeral a 20 de março, tendo César Augusto chegado apenas em Maio.
  • Shakespeare situa o encontro dos Triúnviros em Roma em vez de perto de Bononia para evitar um local adicional.
  • Juntou as duas Batalhas de Filipos embora tenha havido um intervalo de 20 dias entre elas.
  • Shakespeare atribui a César como últimas palavras Et tu, Brute? (Também tu, Brutus?). Plutarco e Suetónio não relatam que ele as tenha dito, tendo Plutarco acrescentado que ele puxou a sua toga sobre a sua cabeça quando viu Brutus entre os conspiradores,[9] embora Suetónio registe outros relatos de que César disse em Greek "καὶ σὺ, τέκνον;" (Kai su, teknon?, "E tu, filho?".[10] [11] As palavras em latim Et tu, Brute?, contudo, não foram pensadas por Shakespeare para esta peça dado que elas foram atribuídas a César em anteriores obras Isabelinas e que se tornaram convencionais em 1599.

Shakespeare desviou-se destes factos históricos para reduzir o tempo e comprimir os fatos para que a peça pudesse ser encenada mais facilmente. A força da tragédia é condensada em algumas cenas para reforçar o seu efeito.

Análise e crítica[editar | editar código-fonte]

Historicismo[editar | editar código-fonte]

Maria Wyke tem escrito que a peça reflete a ansiedade geral na Inglaterra isabelina acerca da sucessão da rainha solteira. No momento da sua criação e da primeira representação, a Rainha Isabel I de Inglaterra, uma governante forte, já não era jovem e recusara-se a nomear um sucessor, gerando preocupações de que uma guerra civil semelhante à de Roma pudesse ocorrer após a sua morte.[12]

Debate sobre o protagonista[editar | editar código-fonte]

Pintura do final do Séc. XIX do Ato IV, Cena 3: Brutus vê o fantasma de César

Os críticos da tragédia Júlio César de Shakespeare divergem muito relativamente à apreciação das principais personagens, César e Brutus. Muitos têm debatido se é César ou Brutus o protagonista da peça, por causa da morte do personagem do título no Ato 3, Cena Um. Mas César compara-se à Estrela do Norte, e seria talvez irrazoável não o considerar como o personagem axial da peça, em torno do qual gira toda a história. Ligado a este debate está um conjunto de ideologias filosóficas e psicológicas sobre republicanismo e monarquismo. Um autor, Robert C. Reynolds, dedica atenção aos nomes ou epítetos dados a Brutus e a César no seu ensaio "Ironic Epithet in Julius Caesar" ("Epítetos irónicos em Júlio César"). Este autor assinala que Casca elogia explicitamente Brutus, mas a seguir inadvertidamente compara-o desonrosamente a um alquimista, "Oh, ele está bem no alto nos corações de todos, / e o que poderia parecer ofensa em nós / o seu semblante, como forte alquimia, / muda para virtude e dignidade" (I.iii.158-60). Reynolds também fala sobre César e o seu epíteto de "Colosso", que sublinha ele tem uma conotação óbvia de poder e virilidade, mas também menos conhecidas conotações de uma imagem externa gloriosa mas caótica internamente.[13] Nesse ensaio, a conclusão sobre quem é o herói ou protagonista é ambígua, por causa da qualidade poética dos epítetos de César e Brutus.

Myron Taylor, no seu ensaio Shakespeare's Julius Caesar and the Irony of History (Júlio César de Shakespeare e a Ironia da História), compara a lógica e as filosofias de César e Brutus. César é considerado um filósofo intuitivo que tem sempre razão quando segue o seu instinto, como por exemplo quando diz que teme Cássio como uma ameaça ainda antes de ser assassinado, estando a sua intuição correta. Brutus é retratado como um homem semelhante a César, mas cujas paixões o levam a raciocinar erradamente, que ele percebe no final quando ele diz em V.v.50–51, César, agora jaz: / Matei-te, mas nem com metade da vontade que tinha ("Caesar, now be still:/ I kill'd not thee with half so good a will").[14] [15]

Joseph W. Houppert reconhece que alguns críticos tentaram atribuir a César o protagonismo, mas que, em última análise, Brutus é a força motriz na peça e, portanto, o herói trágico. Brutus tenta colocar a República acima da sua relação pessoal com César e mata-o. Brutus comete erros políticos que destroem a República que os seus antepassados criaram. Age dominado pelas suas paixões, não reúne os dados suficientes para tomar decisões razoáveis e é manipulado por Cassius e pelos outros conspiradores.[16]

As leituras tradicionais da peça sustentam que Cássio e os outros conspiradores são motivados em grande parte por inveja e ambição, enquanto que Brutus é motivado pelas exigências da honra e do patriotismo. Esta é certamente a visão que Marco António expressa na cena final. Mas um dos pontos fortes da peça é que os seus personagens resistem a ser catalogados como simples heróis ou vilões. O jornalista político e classicista Garry Wills sustenta que "Esta peça é única porque não tem vilões".[17]

É um drama famoso pela dificuldade em decidir qual o papel que deve ser realçado. Os personagens giram em torno uns dos outros, como as placas de um mobile. Toque num e isso afetará a posição de todos os outros. Eleve um e o outro decai. Mas continuam a regressar a um equilíbrio precário.[18]

A interpretação contemporânea de Wills pende mais para o reconhecimento da natureza consciente, sub-consciente das ações e interações humanas. Neste aspecto, destaca-se o papel de Cássio.

História da encenação[editar | editar código-fonte]

Esta foi provavelmente uma das primeiras peças de Shakespeare a ser representada no Globe Theatre.[19] Thomas Platter Filho, um viajante suiço, presenciou uma tragédia acerca de Júlio César num teatro no Bankside de Londres em 21 Setembro de 1599 e esta terá sido muito provavelmente a peça de Shakespeare, até porque não há candidato alternativo. (Ainda que a história de Júlio César tenha sido repetidamente teatralizada no período isabelino, nenhuma das outras peças conhecidas corresponde à descrição de Platter como a peça de Shakespeare.)[20]

Após a reabertura dos teatros no início da era da Restauração, a peça foi reencenada pelo teatro King's Company de Thomas Killigrew em 1672. Julius Caesar foi uma das poucas peças de Shakespeare que não foi adaptada durante a Restauração ou do século XVII.[21]

Representações notáveis[editar | editar código-fonte]

  • 29 de Maio de 1916: Uma encenação de uma só noite teve lugar na bacia natural de Beachwood Canyon, em Hollywood, L.A., tendo atraído 40.000 espectadores e teve nos principais papeis Tyrone Power e Douglas Fairbanks. Os estudantes dos liceus de Hollywood e Fairfax actuaram como exércitos em guerra e as pormenorizadas cenas de batalha foram realizadas num palco enorme, bem como nas colinas circundantes. A peça comemorou o tricentenário da morte de Shakespeare. A representação foi elogiada por L. Frank Baum.[22]
  • 1926: Outra representação complexa da peça foi encenada para benefício do Actors Fund of America no Hollywood Bowl. César chegou para a Lupercalia numa carruagem puxada por quatro cavalos brancos. O palco era do tamanho de um quarteirão e dominado por uma torre central de oitenta pés de altura. O evento destinou-se principalmente a criar trabalho para atores desempregados. Trezentos gladiadores surgiram numa cena de arena não caracterizada na peça de Shakespeare; um número semelhante de raparigas dançou como cativas de César; um total de três mil soldados participou nas cenas de batalha.
Orson Welles no papel de Brutus no Júlio César do Mercury Theatre em 1937–38
  • 1937: A famosa encenação de Júlio César por Orson Welles no Mercury Theatre gerou comentários acalorados porque o encenador vestiu os protagonistas com uniformes do tempo da Itália fascista e da Alemanha nazista, gisando uma analogia específica entre César e o líder fascista italiano Benito Mussolini. A revista Time publicou uma revisão entusiástica,[23] juntamente com os críticos de Nova Iorque.[24] O fulcro da encenação era o assassínio do poeta Cinna, cena com que literalmente acabava a peça.[25]
  • 1950: John Gielgud desempenhou o papel de Cassius no Shakespeare Memorial Theatre de Stratford-on-Avon, produção que foi considerada um dos pontos altos do notável festival anual sobre Shakespeare, o que levou Gielgud (com pouca experiência cinematográfica até então) ao papel de Cassius na versão fílmica de Joseph L. Mankiewicz de 1953.
  • 1994: Arvind Gaur, que traduziu Julius Caesar para Hindi, encenou a peça na Índia com Jaimini Kumar no papel de Brutus e Deepak Ochani no de César (24 representações); mais tarde voltou a encenar a peça com Manu Rishi como César e Vishnu Prasad como Brutus no Shakespeare Drama Festival em Assam em 1998.
  • 2005: Denzel Washington desempenhou o papel de Brutus na primeira encenação na Broadway em cinquenta anos. Esta encenação recebeu comentários geralmente negativos, mas foi um sucesso de bilheteria.[26]
  • 2012: O Royal Shakespeare Company encenou a peça com todos os atores negros dirigida por Gregory Doran.
  • 2012: Uma encenação com um elenco totalmente feminino com Harriet Walter no papel de Brutus e Frances Barber no de César teve lugar no Donmar Warehouse, em Londres, dirigida por Phyllida Lloyd.

Adaptações cinematográficas[editar | editar código-fonte]

Adaptações e referências culturais[editar | editar código-fonte]

A encenação em 1963 de Julio César na The Doon School, Índia

Uma das primeiras referências culturais à tragédia foi no Hamlet do próprio Shakespeare. Num dado momento, o Príncipe Hamlet pergunta a Polónio sobre a carreira dele como ator, a que este responde "Fiz de Júlio César. Fui morto no Capitólio. Brutus matou-me", o que deve ser provavelmente uma metaficção.

Em 1851, o compositor alemão Robert Schumann compôs uma abertura Júlio César, inspirada na peça de Shakespeare. Outros compositores musicais que criaram obras que se lhe referiram foram Giovanni Bononcini, Hans von Bülow, Felix Draeseke, Josef Bohuslav Foerster, John Ireland, John Foulds, Gian Francesco Malipiero, Manfred Gurlitt, Darius Milhaud e Mario Castelnuovo-Tedesco.[30]

O duo de cómicos canadianos Wayne and Shuster parodiou Julio César no sketch de 1958 Rinse the Blood off My Toga. Flavius Maximus, detective privado, é contratado por Brutus para investigar a morte de César. Os procedimentos policiais combinam Shakespeare, Dragnet, e piadas de revista na emissão de The Ed Sullivan Show.[31]

O filme An Honourable Murder de 1960 é uma recriação moderna da tragédia.[32]

Em 1973, a BBC produziu uma peça para televisão Heil Caesar, escrita por John Griffith Bowen. Foi uma adaptação da peça com um enquadramento moderno num país não indicado, com referências a acontecimentos recentes de alguns países. Destinava-se à apresentação da peça a crianças mas provou ser suficientemente boa para televisão para adultos, tendo sido posteriormente produzida uma versão de palco.[33] [34]

Em 1984, a Riverside Shakespeare Company de Nova Iorque produziu uma versão moderna de Julius Caesar situada na Washington contemporânea, designada simplesmente CAESAR!, com Harold Scott como Brutus, Herman Petras como Caesar, e que foi encenada por W. Stuart McDowell no The Shakespeare Center.[35]

Em 2006, o cómico Chris Taylor do grupo cómico australiano The Chaser escreveu uma comédia musical chamada Dead Caesar que foi apresentada em Sidney.

O filme de 2009 Me and Orson Welles, baseado num livro com o mesmo título de Robert Kaplow, é uma história ficcionada centrada na famosa encenação de 1937 por Orson Welles de Julius Caesar no Mercury Theatre. Christian McKay representou Welles, tendo contracenado com Zac Efron e Claire Danes.

O filme italiano de 2012 César deve morrer (em italiano: Cesare deve morire), dirigido pelos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, filma presos em ensaios de Julius Caesar antes de uma encenação na prisão.[36]

No seu livro Fahrenheit 451 de 1953 Ray Bradbury, algumas das últimas palavras da personagem Beatty são: "There is no terror, Cassius, in your threats, for I am armed so strong in honesty that they pass me as an idle wind, which I respect not!" ("Não há nenhum terror, Cássio, nas tuas ameaças, pois estou armado tão fortemente na honestidade que passam por mim como brisa fraca, que eu não respeito!").

A expressão da peça "o erro, caro Brutus, não reside nas nossos astros, mas em nós mesmos", dita por Cassius no Acto I, cena 2, entrou na cultura popular. A expressão deu o seu nome à peça Dear Brutus de J.M. Barrie, e também deu o título ao romance juvenil The Fault in Our Stars de John Green e à sua adaptação fílmica The Fault in Our Stars.

Edições em português[editar | editar código-fonte]

Júlio César, William Shakespeare, Editora - Cotovia, Coleção - Teatro, ISBN - 9789727951901, EAN - 978-9727951901, Nº Páginas 172, reimpressão 2008.

Júlio César, William Shakespeare, Edição/reimpressão:2008, Páginas: 232, Editor: Lello Editores, ISBN: 9789724818467, Coleção: Obras de Shakespeare.

Júlio César, William Shakespeare, L&PM Editors, Coleccção: L&PM Pocket, Gênero: Teatro, Literatura clássica internacional, Série: Shakespeare, Referência: 325, Cód.Barras: 9788525412621, ISBN-10: 85.254.1262-7, ISBN-13: 978.85.254.1262-1, Páginas:144

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Wells e Dobson, ibid.
  2. Referido em Vidas Paralelas e citado em Spevack, Marvin (2004). Julius Caesar. New Cambridge Shakespeare 2 ed. (Cambridge, England: Cambridge University Press). p. 74. ISBN 978-0-521-53513-7. 
  3. .Julius Caesar, Ato 3, Cena 1, Linha 77
  4. Julius Caesar, Ato 3, Cena 2, Linha 73.
  5. Julius Caesar, Ato 4, Cena 3, Linhas 19–21.
  6. Julius Caesar, Ato 4, Cena 3, Linha 283.
  7. Julius Caesar, Ato 5, Cena 5, Linha 68.
  8. Shakespeare, William (1999). : Arthur Humphreys. Julius Caesar Oxford University Press [S.l.] p. 8. ISBN 0-19-283606-4. 
  9. Plutarco, Caesar 66.9
  10. Suetónio, Julius 82.2
  11. Suetónio, The Twelve Caesars, traduzido por Robert Graves, Penguin Classic, p.39, 1957.
  12. Wyke, Maria (2006). Julius Caesar in western culture (Oxford: Blackwell). p. 5. ISBN 978-1-4051-2599-4. 
  13. Reynolds 329–333
  14. Taylor 301–308
  15. Esta interpretação resulta de se considerar "half so good a will" para significar "metade da vontade" em vez da mais intuitiva "boa intenção".
  16. Houppert 3–9
  17. Wills, Garry (2011), Rome and Rhetoric: Shakespeare's Julius Caesar; New Haven e London: Yale University Press, p. 118.
  18. Wills, Op. cit., pg 117.
  19. Evans, G. Blakemore (1974). The Riverside Shakespeare. Houghton Mifflin Co. p. 1100.
  20. A peça em latim Caesar Interfectus (1582?) de Richard Edes não se ajusta. O teatro Admiral's Men teve uma peça anónima Caesar and Pompey no seu repertório em 1594–5, e outra peça, Caesar's Fall, or the Two Shapes, escrita por Thomas Dekker, Michael Drayton, Thomas Middleton, Anthony Munday, e John Webster, em 1601-2, demasiado tarde para a referência de Platter. Nenhuma das peças sobreviveu. A peça anónima Caesar's Revenge data de 1606, enquanto que Caesar and Pompey de George Chapman data de cerca de 1613. E. K. Chambers, Elizabethan Stage, Vol. 2, p. 179; Vol. 3, pp. 259, 309; Vol. 4, p. 4.
  21. Halliday, p. 261.
  22. L. Frank Baum., Julius Caesar: An Appreciation of the Hollywood Production. Mercury Magazine, 15 de Junho de 1916. http://www.hungrytigerpress.com/tigertreats/juliuscaesar.shtml
  23. "Theatre: New Plays in Manhattan: Nov. 22, 1937". TIME [S.l.: s.n.] 22 November 1937. 
  24. Houseman, John (1972). Run-Through: A Memoir (Nova Iorque: Simon & Schuster). ISBN 0-671-21034-3. 
  25. Lattanzio, Ryan (2014). "Orson Welles' World, and We're Just Living in It: A Conversation with Norman Lloyd". EatDrinkFilms.com. Consultado em 2015-11-05. 
  26. "A Big-Name Brutus in a Caldron of Chaosa". The New York Times. 4 dede Abril 2005. 
  27. http://www.imdb.com/title/tt0042622/?ref_=fn_al_tt_5
  28. http://www.imdb.com/title/tt0045943/?ref_=fn_al_tt_1
  29. http://www.imdb.com/title/tt0065922/?ref_=fn_tt_tt_3
  30. Grove's Dictionary of Music and Musicians, 5ª edição, ed. Eric Blom, Vol. VII, p. 733
  31. "Rinse the Blood Off My Toga". Adaptações de Shakespeare na Universidade de Guelph. 
  32. http://www.imdb.com/title/tt0053920/?ref_=fn_al_tt_1
  33. "Julius Caesar On Screen". BFI Screenonline – The Definitive Guide to Britain's Film and TV History. 
  34. "Heil Caesar!". The Internet Movie Database. 
  35. Herbert Mitgang, The New York Times, 14 de Março de 1984, escreveu: "A produção animada da Riverside Shakespeare Company faz-nos pensar sobre a ambição anti-libertária intemporal em qualquer lugar."
  36. http://www.imdb.com/title/tt2177511/?ref_=fn_al_tt_1

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]

  • Boyce, Charles. (1990). Encyclopaedia of Shakespeare, New York, Roundtable Press.
  • Chambers, Edmund Kerchever. 1923. The Elizabethan Stage. 4 volumes, Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-811511-3.
  • Halliday, F. E. (1964). A Shakespeare Companion 1564–1964. Shakespeare Library ser. Baltimore, Penguin, 1969. ISBN 0-14-053011-8.
  • Houppert, Joseph W. (1974). Fatal Logic in 'Julius Caesar. South Atlantic Bulletin. Vol. 39, No.4. Nov. 1974. 3–9.
  • Kahn, Coppelia. (2005) Passions of some difference: Friendship and Emulation em Julius Caesar: New Critical Essays. Horst Zander, ed. New York: Routledge, 2005. 271–283.
  • Parker, Barbara L. The Whore of Babylon and Shakespeares's Julius Caesar. Studies in English Literature (Rice); Spring95, Vol. 35 Issue 2, p. 251, 19p.
  • Reynolds, Robert C. (1973). Ironic Epithet in Julius Caesar. Shakespeare Quarterly. Vol. 24. No.3. 1973. 329–333.
  • Taylor, Myron. (1973). Shakespeare's Julius Caesar and the Irony of History. Shakespeare Quarterly. Vol. 24, No. 3. 1973. 301–308.
  • Wells, Stanley e Dobson, Michael eds. (2001). The Oxford Companion to Shakespeare Oxford University Press

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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