Mafalda de Saboia (1902–1944)

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Mafalda
Princesa de Saboia
Condessa de Hesse
Marido Filipe de Hesse-Cassel
Descendência Maurício de Hesse
Henrique de Hesse
Oto de Hesse
Isabel de Hesse
Casa Saboia (por nascimento)
Hesse-Cassel (por casamento)
Nome completo
Maria Vitória Carlota Henriqueta dal Pozzo
Nascimento 2 de novembro de 1902
  Roma, Itália
Morte 27 de agosto de 1944 (41 anos)
  Buchenwald, Weimar, Alemanha Nazista
Pai Vítor Emanuel III da Itália
Mãe Helena de Montenegro
Religião Catolicismo
Brasão

Mafalda de Saboia (nome completo: Mafalda Maria Isabel Ana Romana) (Roma, 2 de novembro de 1902Buchenwald, 27 de agosto de 1944), foi a segunda filha do rei Vítor Emanuel III da Itália e da sua esposa Helena de Montenegro. Era irmã mais velha do futuro rei Humberto II da Itália.

O marido da princesa Mafalda, Filipe de Hesse-Cassel, era um grande admirador do ditador italiano Benito Mussolini e dos ideais fascistas, pelo que, quando Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha, em 1933, Filipe juntou-se ao partido nazi alemão. Em 1934, Filipe foi nomeado governador da província de Hesse-Nasau, na antiga Prússia, e Mafalda foi viver para a Alemanha com o seu marido e os seus quatro filhos.

Após a derrota militar dos italianos na Segunda Guerra Mundial, em 1943, Mussolini é destituído e o pai de Mafalda volta a assumir o cargo de líder de Itália e das tropas, pedindo o armistício. Hitler sentiu-se traído e mandou capturar todos os membros da família real italiana.

Mafalda foi presa em Roma pela Gestapo, que a levou para o campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha. A 24 de agosto de 1944, as tropas aliadas bombardearam um quartel em Buchenwald e Mafalda ficou gravemente ferida. Devido a uma infecção no braço, tiveram de amputar o membro da princesa, que levou à sua morte, no dia 27 de agosto, aos 41 anos.

Família[editar | editar código-fonte]

A rainha Helena com sua filhas, Mafalda (1.ª esq.) e Iolanda.

Mafalda nasceu a 2 de novembro de 1902 em Roma, Itália. Era a segunda filha do rei Vítor Emanuel III da Itália e da sua esposa Helena de Montenegro. Pertencia a Casa de Saboia através de seu pai. Sua mãe, Helena, era filha do rei Nicolau I de Montenegro e de Milena Vukotić o que fazia com que Mafalda tivesse ascendência eslava por parte da mãe.

Na altura de seu nascimento Mafalda tinha uma irmã mais velha, Iolanda, e depois, foi irmã mais velha de quatro irmãos; Humberto (futuro rei Humberto II da Itália, Joana (futura czarina da Bulgária) e Maria Francisca.

Durante a sua infância era muito chegada à sua mãe de quem herdou o seu amor por música e outras artes. Durante a Primeira Guerra Mundial, acompanhou-a em visitas a hospitais militares italianos.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Mafalda com o marido, Filipe, no dia de seu casamento em 1925.

No dia 23 de setembro de 1925, Mafalda casou-se com o príncipe Filipe de Hesse-Cassel no Castelo de Racconigi. O príncipe Filipe era um membro leal do Partido Nazista e o seu irmão Cristóvão fazia parte da alta hierarquia do partido e casou-se com a princesa Sofia da Grécia e Dinamarca, irmã do príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, o futuro marido da rainha Isabel II do Reino Unido.

O seu marido era bissexual e o casamento só ocorreu como parte de uma aliança de colocar a Itália de Benito Mussolini numa posição privilegiada para as negociações entre o governo nazi alemão.

Mafalda era contraria aos ideais do Parido Nazi. Durante a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler acreditava que a princesa Mafalda estava a trabalhar contra a guerra e chamou-a de "o membro mais podre da casa real italiana".

Prisão e morte[editar | editar código-fonte]

Mafalda com os três filhos mais velhos.

No inicio de setembro de 1943, a princesa Mafalda foi até à Bulgária para estar presente no funeral do seu cunhado, o czar Boris III. Enquanto lá estava, foi informada da rendição italiana às forças aliadas, que o seu marido estava em prisão domiciliária na Baviera e que os seus filhos tinham sido enviados para o Vaticano que lhes tinha oferecido santuário. A Gestapo deu-lhe uma ordem de prisão e, no dia 23 de setembro, recebeu uma chamada telefónica do hauptsturmführer Karl Hass, do alto comando alemão. O hauptsturmführer informou Mafalda que tinha em sua posse uma mensagem importante do seu marido. Quando chegou à embaixada alemã, Mafalda foi presa, supostamente por estar envolvida em actividades subversivas, mas acredita-se que ela tenha sido feita refém para impedir que o seu pai, o rei da Itália, se opusesse aos interesses alemães na guerra. A princesa Mafalda foi levada para Munique para ser interrogada, depois para Berlim e finalmente para o campo de concentração de Buchenwald.

No dia 24 de agosto de 1944, os aliados bombardearam uma fábrica de munições dentro de Buchenwald. Cerca de quatrocentos prisioneiros foram mortos e Mafalda ficou gravemente ferida. A princesa estava alojada numa casa numa unidade subjacente à fábrica bombardeada e quando o ataque aconteceu, ela foi enterrada até ao pescoço com entulho e sofreu várias queimaduras no braço. As condições no campo de trabalho fizeram com que o braço ficasse infectado e os médicos amputaram-no, fazendo com que sangrasse profundamente durante a operação. Depois do bombardeamento do dia 24 de agosto, diz-se que Mafalda, perto da morte, terá dito a duas prisioneiras italianas: "Lembrem-se de mim não como uma princesa italiana, mas como uma irmã italiana." Mafalda morreu na noite de 26 para 27 de agosto de 1944. O seu corpo foi enterrado no Castelo de Kronberg em Hesse.

A família real de Hesse não foi informada da morte de Mafalda, apesar de rumores sobre a mesma terem começado a circular no final de 1944. A sua morte só foi confirmada depois de os alemães se renderem aos aliados em 1945.

Em 1997 o governo italiano honrou a princesa Mafalda num selo com a sua imagem.

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

Em 2006, o canal de televisão italiano Canale 5 produziu uma mini-série sobre a vida de Mafalda intitulada "Mafalda di Savoia". O papel principal foi interpretado por Stefania Rocca e o seu marido, o príncipe Filipe de Hesse-Cassel foi interpretado por Johannes Brandrup.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Mafalda casou-se no dia 19 de novembro de 1925 com o príncipe Filipe de Hesse-Cassel e teve os seguintes filhos:

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Enrico d'Assia, Il lampadario di cristallo, Rizzoli, Milano, 1992;
  • Renato Barneschi, Frau von Weber. Vita e morte di Mafalda di Savoia a Buchenwald, Rusconi, Milano, 1982;
  • Carlo Delcroix, Quando c'era il Re, Rizzoli, Milano, 1959, pag. 149 ss;
  • Massimo de Leonardis, Giuseppe Tarò, Giulio Vignoli, La figura storica di Mafalda di Savoia nella vicenda italo-tedesca, De Ferrari, Genova, 1996;
  • (em alemão) Jobst Knigge, Prinz Philipp von Hessen - Hitlers Sonderbotschafter für Italien, Humboldt Universität, Berlin, 2009;
  • (em castelhano) Ovidio Lagos, Principessa Mafalda, historia de dos tragedias, El Ateneo, Buenos Aires, 2009;
  • Giovanni Marcato, A Buchenwald il mio nome era 34989, a cura di Enrico Chiara. 1999, Mursia;
  • Mirella Serri, Gli invisibili. La storia segreta dei prigionieri illustri di Hitler in Italia, Longanesi, Milano, 2015;
  • Cristina Siccardi, Mafalda di Savoia. Dalla reggia al lager di Buchenwald, Paoline Editoriale Libri, Milano, 1999;
  • Giulio Vignoli, Scritti politici clandestini. Politicamente scorretti, ECIG, Genova, 2000.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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