Maria Alexandrovna (Maria de Hesse e Reno)

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Maria Alexandrovna
Princesa de Hesse e Reno
Imperatriz Consorte da Rússia
Reinado 2 de março de 1855
a 3 de junho de 1880
Coroação 7 de setembro de 1855
Predecessora Carlota da Prússia
Sucessora Maria Feodorovna
 
Marido Alexandre II da Rússia
Descendência Alexandra Alexandrovna da Rússia
Nicolau Alexandrovich, Czarevich da Rússia
Alexandre III da Rússia
Vladimir Alexandrovich da Rússia
Aleixo Alexandrovich da Rússia
Maria Alexandrovna da Rússia
Sérgio Alexandrovich da Rússia
Paulo Alexandrovich da Rússia
Casa Hesse-Darmstadt (nascimento)
Holstein-Gottorp-Romanov (casamento)
Nome completo
Maximiliana Guilhermina Augusta Sofia Maria
Nascimento 8 de agosto de 1824
  Darmstadt, Hesse e Reno, Confederação Germânica
Morte 3 de junho de 1880 (55 anos)
  Palácio de Inverno, São Petersburgo, Rússia
Enterro Catedral de Pedro e Paulo, São Petersburgo, Rússia
Pai Luís II, Grão-Duque de Hesse e Reno
Mãe Guilhermina de Baden
Brasão

Maria Alexandrovna (Darmstadt, 8 de agosto de 1824São Petersburgo, 3 de junho de 1880), nascida princesa Maria de Hesse e Reno, foi a esposa do imperador Alexandre II e Imperatriz Consorte do Império Russo de 1855 até sua morte. Era a filha mais nova de Luís II, Grão-Duque de Hesse e Reno, e sua esposa a princesa Guilhermina de Baden.

Família[editar | editar código-fonte]

Nascida em Darmstadt, Maria era a terceira e única filha sobrevivente da grã-duquesa Guilhermina, irmã mais nova da antiga imperatriz russa Isabel Alexeievna. Conforme se alega, seu pai biológico foi o barão Augusto de Senarclens de Grancy; entretanto, para evitar um escândalo, Luís II, Grão-Duque de Hesse, marido de sua mãe, reconheceu Maria e seu irmão Alexandre de Hesse e Reno (também filho de Augusto), como seus filhos. Contudo, o grão-duque morava em Darmstadt, enquanto que eles residiam em Heiligenberg. Acredita-se que seus dois irmãos mais velhos, entre eles Luís III, eram filhos de Guilhermina e de Luís II.

Noivado[editar | editar código-fonte]

Em 1838, o czarevich Alexandre Nikolayevich viajou pela Europa para procurar uma esposa e acabou apaixonando-se por Maria, então com catorze anos de idade, quando fez uma paragem não planeada em Darmstadt sugerida por um dos seus acompanhantes, o general Kavelin.[1] Maria estava a comer cerejas quando foi chamada a aproximar-se e teve de cuspir as sementes para a mão antes de conseguir falar com ele. Esta era a Maria, a nossa adorada Maria, que se tornou a felicidade do Sasha, escreveu a irmã do czar, Olga Nikolaevna Os sentimentos dele despertaram assim que ela disse a primeira palavra. Não era uma boneca como as outras, não havia nada de convencido nela, nem ela esperava nada deste encontro.[2] Embora fosse ainda uma criança, Maria era alta para a idade, inteligente e segura de si sem parecer demasiado precoce. Talvez esta maturidade se devesse ao facto de ter tido uma infância infeliz. Os seus pais tinham passado vários anos sem comunicar um com o outro antes de a sua mãe morrer de tuberculose quando Maria tinha apenas onze anos de idade. Não só corria o rumor de que a princesa teria nascido vários anos depois de os seus pais se separarem, mas também que ela e o irmão Alexandre seriam filhos do mestre de cavalaria do grão-duque de Hesse-Darmstadt que apenas os tinha reconhecido como seus filhos para evitar um escândalo. No entanto, estas histórias não assustaram o czarevich que as via apenas como uma estratégia para o convencer a desistir das suas intenções.[3]

No entanto o caminho até ao noivado não foi fácil. Os pais de Alexandre não estavam a favor da união devido aos rumores sobre as origens duvidosas da princesa, mas também à sua saúde frágil que, segundo se dizia, poderia prejudicar a sua capacidade de conceber herdeiros para o trono. A última princesa de Darmstadt que se tinha casado com um futuro czar russo tinha sido a princesa Guilhermina, primeira esposa do czar Paulo I, que tinha morrido após um parto de cinco dias. Uma autópsia realizada ao seu corpo revelou que a princesa sofria de uma má-formação óssea rara que a teria impedido de dar à luz uma criança viva. Além do mais, temia-se que Maria sofresse de tuberculose como a mãe, algo que se confirmou alguns anos depois. Além de tudo isto, a mãe de Alexandre, Carlota, filha da rainha Luísa da Prússia, achava que a família de Hesse era muito inferior aos Hohenzollern e aos Romanov.[3]

Alexandre não desistiu. Apesar de ser obrigado a continuar a sua visita educacional pela Europa, regressou a Darmstadt em outubro, quando Maria tinha quinze anos e os planos para um noivado tinham começado a ser traçados. No entanto, como a princesa era ainda demasiado nova, Alexandre teve de esperar. No final de 1839, o czarevich viajou mais uma vez para Darmstadt e em abril do ano seguinte o noivado foi anunciado oficialmente. Maria era inteligente e profundamente séria. Não foi capaz de se converter à religião ortodoxa antes de sentir que o desejava realmente, algo que aconteceu algumas semanas depois do seu décimo-sexto aniversário.[3] Maria acabaria por se tornar ainda mais ortodoxa do que a maioria dos russos.[2]

Casamento e vida na Rússia[editar | editar código-fonte]

Maria Alexandrovna em traje tradicional russo

Por Ivan Makarov

Como Maria era muito tímida, foi considerada à época uma mulher esquisita, áustera, sem gosto para vestir-se, lábia ou charme. O úmido clima de São Petersburgo provocou nela tosse e períodicas febres. Apesar disso, Maria Alexandrovna foi mãe de sete filhos. Tais gravidezes e sua saúde afastaram-na das festividades da corte russa, trazendo tentações ao seu marido.

Embora Alexandre a tratasse bem, Maria sabia que ele era infiel e tinha muitas amantes. Sua favorita, a princesa Catarina Dolgorukov, e os três filhos que teve com essa chegaram a se mudar para o palácio imperial. Alexandre e ela casaram-se morganaticamente em 6 de julho de 1880, ou seja, menos de um mês depois da morte de Maria.

Maria tinha uma grande admiração pela imperatriz Isabel Alekseievna, esposa do czar Alexandre I da Rússia. Embora nunca a tivesse conhecido pessoalmente, uma vez que a imperatriz morreu quando Maria tinha apenas dois anos de idade, sempre ouviu muitas histórias e os mais rasgados elogios sobre ela da parte da mãe, a princesa Guilhermina de Baden que era irmã de Isabel. Assim, quando chegou à Rússia, uma das primeiras coisas que fez foi reunir material sobre ela, desde cartas a diários, um passatempo que manteve até pouco antes da sua morte. As mais de mil cartas que Maria coleccionou passaram directamente para o seu filho Sérgio que, seguindo o exemplo da mãe, continuou a reunir informação sobre a sua tia-avó, chegando a traduzir centenas de cartas dela de alemão para russo. Com o tempo este material tornou-se tão preponderante que Sérgio o entregou ao seu primo, o grão-duque Nicolau Mikhailovich, que era um afamado historiador. Assim, em inícios do século XX, foi publicada a primeira biografia desta imperatriz na Rússia.

Imperatriz russa[editar | editar código-fonte]

Maria Alexandrovna

Por Franz Xaver Winterhalter, 1855

Em 1855, Alexandre tornou-se o imperador, o que obrigou Maria a realizar suas funções de Estado doente ou não. De 1858, para frente, ela notou que seu marido tinha sentimentos por outra. A morte de seu filho mais velho e favorito, Nicolau Alexandrovich da Rússia, em 1865, foi uma grande desgraça para Maria.

Maria tinha permissão para visitar seu irmão Alexandre e sua esposa morganática, Julia de Hauke, que viviam em Heiligenberg. Lá, ela conheceu a princesa Alice do Reino Unido, filha da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Alice era casada com o príncipe Luís, seu sobrinho.

Maria não gostou da ideia, sugerida por Alice, de casar sua filha com Alfredo, Duque de Edimburgo, irmão de Alice, mas essa união acabou acontencendo no final. Quando Alice morreu em 1878, Maria freqüentemente passou a convidar os órfãos da princesa inglesa para visitas em Heiligenberg.

Foi durante essas visitas que o filho de Maria, o grão-duque Sérgio Alexandrovich, conheceu sua futura esposa, Isabel Feodorovna (filha de Alice). A irmã menor de Isabel, Alexandra Feodorovna, acabou por sua vez desposando o neto mais velho de Maria, Nicolau II.

Rumores sobre assombrações[editar | editar código-fonte]

Existem pelo menos dois relatos publicados sobre possíveis fenómenos paranormais relacionados com a imperatriz Maria Alexandrovna, ambos descritos pela ama das filhas de Nicolau II, Margaret Eagar. No primeiro ela fala sobre a sua primeira estadia no Palácio de Inverno depois de chegar à Rússia, quando ficou a dormir no quarto da filha mais velha do czar, Olga Nikolaevna. Durante a noite, Margaret disse ter ouvidos uma mulher chorar compulsivamente mesmo ao pé de si enquanto se lamentava em francês. Embora assustada, Eagar não fez caso do sucedido, pensando que o choro vinha de outro quarto. No entanto, ao fim de três noites sempre a ouvir o mesmo som, a ama decidiu contar o que estava a acontecer à imperatriz Alexandra Feodorovna. Esta olhou-a espantada. É extraordinário! Terá dito ela. O quarto onde a senhora está pertencia à imperatriz Maria Alexandrovna. Há pouco tempo mudei toda a mobília, mas decidi deixar ficar a cama onde a senhora dorme. Se não me engano foi nessa cama que ela morreu. Eagar conta depois que os criados mais antigos do palácio lhe falaram sobre o facto de a imperatriz sofrer imensamente com as infidelidades do marido e, sempre que descobria alguma, tinha o costume de se fechar no seu quarto e chorar na sua cama, lamentando-se sempre em francês para que não a percebessem.

O segundo relato terá ocorrido alguns meses depois, quando Olga tinha já cerca de três anos de idade e a família estava novamente a passar alguns dias no Palácio de Inverno. A pequena grã-duquesa insistia em contar à sua ama que falava todos os dias com uma senhora vestida de azul, algo ao qual ela deu pouca importância, atribuindo estes relatos a amigos imaginários próprios da época. No entanto, um dia, enquanto as duas passeavam pelos longos corredores do palácio, Olga deteve-se junto de um quadro da sua bisavó, Maria Alexandrovna e disse prontamente: É esta! É esta a senhora que fala comigo!

Descendência[editar | editar código-fonte]

  Nome Nascimento Morte Consorte (datas de nascimento e morte) filhos [4]
Alekszandra Alekszandrovna orosz nagyhercegnő.jpg Alexandra Alexandrovna 182030 de agosto de 1842 190110 de julho de 1849 Morreu de meningite aos 6 anos de idade
Nicholas Alexandrovich, Tsarevich of Russia.JPG Nicolau Alexandrovich 184120 de setembro de 1843 191024 de abril de 1865 Morreu de tuberculose quando estava noivo de Dagmar da Dinamarca
Alexander III. Czar Of Russia Nadar.jpg Alexandre III 184310 de março de 1845 18781 de novembro de 1894 Casado em 9 de novembro de 1866,

Dagmar da Dinamarca;

com descendência

(Nicolau II, Jorge, Xenia, Miguel e Olga)

Grand Duke Vladimir Alexandrovich.jpg Vladimir Alexandrovich 184422 de abril de 1847 17 de fevereiro de 1909 Casado em 28 de agosto de 1874,

Maria Alexandrina de Mecklemburgo-Schwerin;

com descendência

(Cyrill, Boris, André e Helena)

Grand Duke Alexey Alexandrovich.jpeg Aleixo Alexandrovich 184614 de janeiro de 1850 192314 de novembro de 1908 Casou-se morganaticamente com Alexandra Vasilievna Zhukovskaya
Grand Duchess Maria Alexandrovna, 1914.JPG Maria Alexandrovna 184817 de outubro de 1853 193924 de outubro de 1920 Casada em 23 de janeiro de 1874,

Alfredo de Saxe-Coburgo-Gota;

com descendência

(Alfredo, Maria, Vitória Melita, Alexandra e Beatriz)

SzergejAlexandrovics.jpg Sérgio Alexandrovich 185011 de maio de 1857 194217 de fevereiro de 1905 Casado em 15 de junho de 1884,

Isabel de Hesse e Reno;

sem descendência

Paul Alexandrovich, Grand Duke of Russia.jpg Paulo Alexandrovich 18573 de outubro de 1860 1944 26 de outubro de 1919 Casado em 17 de junho de 1889,

Alexandra Georgievna da Grécia e Dinamarca;

com descendência

(Maria Pavlovna e Demétrio Pavlovich)

Casado em 10 de outubro de 1902,

Olga Paley;

com descendência

(Vladimir, Irina e Natália)

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Maria Alexandrovna em três gerações
Maria Alexandrovna Pai:
Luís II, Grão-Duque de Hesse
Avô paterno:
Luís I, Grão-Duque de Hesse
Bisavô paterno:
Luís IX, Conde de Hesse-Darmstadt
Bisavó paterna:
Carolina do Palatinado-Zweibrücken
Avó paterna:
Luísa de Hesse-Darmstadt
Bisavô paterno:
Jorge Guilherme de Hesse-Darmstadt
Bisavó paterna:
Maria Luísa de Leiningen-Falkenburg-Dagsburg
Mãe:
Guilhermina de Baden
Avô materno:
Carlos Luís, Príncipe-Herdeiro de Baden
Bisavô materno:
Carlos Frederico de Baden
Bisavó materna:
Carolina Luísa de Hesse-Darmstadt
Avó materna:
Amália de Hesse-Darmstadt
Bisavô materno:
Luís IX, Conde de Hesse-Darmstadt
Bisavó materna:
Carolina do Palatinado-Zweibrücken

Títulos, estilos e honras[editar | editar código-fonte]

  • 8 de agosto de 1824 - 3 de junho de 1880: Sua Grande Alteza Ducal princesa Maria do Hesse e do Reno
  • 16 de abril de 1841 - 2 de março de 1855: Sua Alteza Imperial grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia, a Czarina da Rússia, Princesa do Hesse e do Reno
  • 2 de março de 1855 - 3 de junho de 1880: Sua Majestade Imperial a Imperatriz de Todas as Rússias

Honras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Van Der Kiste, 11
  2. a b Zeepvat, 43
  3. a b c Van Der Kiste, 12
  4. Marlene A. Eilers, Queen Victoria's Descendants (Baltimore, Maryland: Genealogical Publishing Co., 1987), pág. 147.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ZEEPVAT, Charlotte, "The Camera and the Tsars", Sutton Publishing, 2004
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