Niède Guidon

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta biografia de uma pessoa viva cita fontes confiáveis e independentes, mas elas não cobrem todo o texto. Ajude a melhorar esta biografia providenciando mais fontes confiáveis e independentes. Material controverso sobre pessoas vivas sem apoio de fontes confiáveis e verificáveis deve ser imediatamente removido, especialmente se for de natureza difamatória.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)


Niède Guidon
Arqueologia
Dados gerais
Nome de nascimento Niède Guidon
Nacionalidade Brasil Brasileira
Residência  Brasil
Nascimento 12 de março de 1923 (93 anos)
Local Jaú
Atividade
Campo(s) Arqueologia
Instituições Parque Nacional Serra da Capivara
Piauí
Brasil
Alma mater Universidade de São Paulo
Universidade de Paris (Sorbonne)
Prêmio(s) Prince Claus Fund Award

Niède Guidon (Jaú, 12 de Março de 1933), é uma arqueóloga brasileira descendente de franceses.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formada em História Natural pela USP, trabalhou no Museu Paulista, quando tomou conhecimento do sítio arqueológico de São Raimundo Nonato (há cerca de 525 km de distância de Teresina) no Piauí, no ano de 1963. Durante uma exposição no Museu Paulista onde expunha pinturas rupestres de Minas Gerais, recebeu a visita de um morador de São Raimundo Nonato, que lhe informou existir pinturas semelhantes em sua cidade, porém conseguiu visitar o Piauí somente em 1973, após cerca de 8 anos fora do Brasil, lecionando na École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris.[1]

Doutorou-se em arqueologia pré-histórica pela Sorbonne e especialização pela Université de Paris I.

Desde 1973 integra a Missão Arqueológica Franco-Brasileira, concentrando no Piauí seus trabalhos, que culminaram na criação, ali, do Parque Nacional Serra da Capivara, que atualmente dirige, assim como é atualmente Diretora Presidente da Fundação Museu do Homem Americano.[2]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

Os achados arqueológicos de Guidon[3] levam a crer que o povoamento do continente americano se deu muito antes do que se acredita de ordinário. Enquanto a teoria mais comumente aceita do povoamento das Américas postula que os primeiros humanos chegaram no continente há 15.000 anos, alguns dos sítios arqueológicos de Guidon contém artefatos que datam de até 58.000 anos atrás. O problema de sua hipótese é que o que é tido por Guidon e sua equipe como sendo "artefatos" é tido por outros como sendo "geofatos" - os primeiros sendo produtos do trabalho humano e os últimos sendo produtos da ação de forças naturais. Antropólogos estadunidenses - entre os quais estão os mais ferrenhos críticos das teorias de Guidon - se encontram em ambos os lados da questão: alguns aceitam as evidências arqueológicas sem contestá-las; outros pensam que elas não são sólidas o suficiente para derrubar as antigas hipotéses. Enquanto isso, os achados se acumulam. Em 2006 foram divulgados os resultados das pesquisas de Eric Boeda, da Université de Paris, e Emílio Fogaça, da Universidade Católica de Goiás, afirmando que os artefatos achados por Niéde em 1978 no Boqueirão da Pedra Furada, em São Raimundo Nonato, foram realmente feitas por seres humanos, e possuem idade entre 33 mil e 58 mil anos, contrariando os adversários de sua teoria.[4] Quando da descoberta dos vestígios encontrados por Niéde, a teoria Clóvis First dominava a ciência da arqueologia, impossibilitando uma interpretação diferente sobre a ocupação humana da América.[4]

Com uma grande equipe trabalhando para si e com inúmeros projetos em andamento, Guidon espera reescrever a versão corrente da história demográfica do homem. Embora sua teoria tenha lacunas, o acúmulo de evidências arqueológicas fortalece cada vez mais suas hipóteses. O seu trabalho resultou em mais de 1,3 mil descobertas de sítios arqueológicos e centenas de fósseis na região da caatinga.[5]

Premiações nacionais[editar | editar código-fonte]

  • Em 1997 foi uma das finalistas do prêmio Mulher do Ano da Revista Cláudia, da editora Abril;
  • Em 2005, no dia 2 de março, ganhou o Prêmio Faz Diferença, entregue pelo jornal O Globo;
  • Em 2010, no dia 8 de março, ganhou o Prêmio Tejucupapo da Revista Nordeste VinteUM;
  • Em 2013 ganhou o Prêmio da Fundação Conrado Wessel na categoria cultura, por seu trabalho na Fundação Museu do Homem Americano;[6]

Premiações internacionais[editar | editar código-fonte]

  • Em dezembro de 2010, recebeu a medalha comemorativa pelo aniversário dos 60 anos da UNESCO concedida em Joanesburgo, África do Sul (Esta comenda só é entregue às pessoas que tem relevantes trabalhos prestados na área da pesquisa, divulgação e preservação dos patrimônios culturais da humanidade);
  • Em dezembro de 2010, recebeu pela Fundham, para o Parque Nacional da Capivara, a medalha de ouro pelo primeiro lugar na premiação para a Cultura do Herity Italia (Organizzazione per la Gestione di Qualità del Patrimonio Culturale - Commissione Nazionale Italiana).

Referências

  1. «Com maior concentração de sítios com pinturas rupestres do mundo, Parque da Serra da Capivara está perto do fim, diz arqueóloga». Ópera Mundi. Consultado em 29 de fevereiro de 2016. 
  2. «Niède Guidon. Brasil». Associação Vivier a Ciência. Consultado em 29 de fevereiro de 2016. 
  3. «Descobertas de brasileira mudaram a história da ocupação das Américas». G1. Consultado em 3 de fevereiro de 2013. 
  4. a b «Homem ocupou o Piauí há 58 mil anos». Folha de S. Paulo. Consultado em 29 de fevereiro de 2016. 
  5. «Niède Guidon, uma arqueóloga ecossistêmica». Página 22. Consultado em 29 de fevereiro de 2016. 
  6. «Fundação Conrado Wessel premia Niéde Guidon e parasitologistas». Folha de S. Paulo. Consultado em 29 de fevereiro de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.