O Senhor dos Anéis (1978)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
The Lord of the Rings
O Senhor dos Anéis (PT/BR)
Pôster promocional
 Estados Unidos
1978 •  cor •  133 min 
Direção Ralph Bakshi
Produção Saul Zaentz
Roteiro Chris Conkling
Peter S. Beagle
Baseado em O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien
Elenco Christopher Guard
William Squire
Michael Scholes
John Hurt
Simon Chandler
Dominic Guard
Michael Graham Cox
Anthony Daniels
David Buck
Gênero Fantasia
Animação
Música Leonard Rosenman
Paul Kont[1]
Cinematografia Timothy Galfas
Edição Donald W. Ernst
Peter Kirby
Companhia(s) produtora(s) Fantasy Films
Distribuição United Artists
Lançamento Estados Unidos 15 de novembro de 1978
Brasil 26 de janeiro de 1979
Portugal 5 de abril de 1980
Idioma Inglês
Orçamento US$ 4 milhões[2]
Receita US$ 30,5 milhões[3]
Página no IMDb (em inglês)

The Lord of the Rings (O Senhor dos Anéis, no Brasil e Portugal) é um filme de alta fantasia animado dirigido por Ralph Bakshi.[4][5] O filme é uma adaptação do épico conto de alta fantasia O Senhor dos Anéis, escrito por J. R. R. Tolkien, que conta os eventos de A Sociedade do Anel e a primeira parte de As Duas Torres. Situado na Terra Média, o filme segue um grupo de Hobbits, elfos, homens, anões e magos que formam uma sociedade. Eles embarcam em uma missão para destruir O Um Anel feito pelo lorde Sauron e garantir a destruição deste.

O diretor Ralph Bakshi descobriu os trabalhos de Tolkien cedo em sua carreira e fez várias tentativas para produzir O Senhor dos Anéis em um filme de animação antes de receber o apoio do produtor Saul Zaentz e a distribuição por parte da United Artists. O filme é notável por seu extenso uso da rotoscopia, técnica onde cenas são filmadas normalmente e depois desenhadas em celuloides de animação. O filme têm as vozes de Christopher Guard, William Squire, Michael Scholes, John Hurt, Simon Chandler, Dominic Guard, Michael Graham Cox, Anthony Daniels e David Buck. O roteiro foi escrito por Peter S. Beagle, baseado em um rascunho feito por Chris Conkling.

Apesar do filme ter sido um sucesso financeiro, ele foi recebido de forma mista pela crítica especializada. Não houve nenhuma sequela para contar o resto da história. Foi a primeira adaptação áudio-visual de O Senhor dos Anéis, sendo a segunda uma mini-série finlandesa chamada "Hobbitit" (Hobbits em português) e a terceira a famosa trilogia de Peter Jackson: O Senhor dos Anéis.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

No início da segunda era da Terra Média, ferreiros elfos forjaram nove anéis do poder para os homens mortais, sete para o lordes anões e três para os reis elfos. Logo depois, Sauron fez O Um Anel, usando-o para tentar conquistar a Terra Média. Após a queda da Última Aliança de Elfos e Homens, o anel é apreendido pelo príncipe Isildur; e depois deste ser morto por orcs, o anel se repousou no fundo do rio Anduin por mais de dois mil e quinhentos anos. Com o passar do tempo, Sauron capta os Nove Anéis e cria os Nazgûl. O Um Anel é descoberto por Déagol, cujo o amigo, Sméagol, mata-o e o leva O Um Anel para si. O Um Anel torce seu corpo e mente e ele se torna a criatura Gollum (Peter Woodthorpe). Centenas de anos depois, Bilbo (Norman Bird) encontra o Um Anel na caverna de Gollum e o leva de volta para o Condado.[6]

Anos mais tarde, durante a festa de aniversário de Bilbo, o mago Gandalf (William Squire) diz-lhe para deixar o anel para seu parente Frodo (Christopher Guard). Bilbo relutantemente concorda e deixa o Condado. Dezessete anos passam, durante o qual Gandalf descobre que forças do mal descobriram que o anel está na posse de um Bolseiro. Gandalf se encontra com Frodo para explicar a história do anel e o perigo que ele representa; e Frodo sai de sua casa, levando o anel com ele. Ele é acompanhado por três amigos hobbits: Pippin (Dominic Guard), Merry (Simon Chandler) e Sam (Michael Scholes). Após uma fuga estreita dos Nazgûl, os hobbits eventualmente encontram Aragorn (John Hurt) em Bree, que os levam até Rivendell. Frodo é esfaqueado no Topo do Vento pelo chefe dos Nazgûl e fica enojado com a viagem que progride. Os Nazgûl os alcançam logo após se depararem com o elfo Legolas (Anthony Daniels); e com um impasse no vau de Rivendell, os Nazgûl são arrastadas pelo rio.[6]

Em Rivendell, Frodo é curado por Elrond (André Morell). Ele encontra Gandalf novamente, depois deste ter escapado de Saruman (Fraser Kerr), que planeja se aliar com Sauron, mas também quer o anel para si. Em um conselho, Bilbo, Gandalf e outros debatem sobre O Um Anel, e Frodo se voluntária para ir para Mordor, onde o anel pode ser destruído. Posteriormente Frodo sai de Rivendell com oito companheiros: Gandalf; Aragorn; Boromir (Michael Graham Cox), filho do Regente de Gondor; Legolas; Gimli (David Buck), o anão; e os seus três amigos hobbits.[6]

A tentativa de cruzar as Montanhas da Névoa é frustrada pela forte neve e eles são forçados a ir para Moria. Lá, eles são atacados por orcs e Gandalf cai em um abismo, enquanto lutava contra um balrog. O restante da sociedade continua até o reino elfo de Lothlórien, onde eles encontram a rainha elfa Galadriel (Annette Crosbie). Boromir tenta tomar o anel de Frodo, este continua sua jornada por si só, mas Sam insiste em acompanhá-lo. Boromir é morto por orcs ao tentar defender Merry e Pippin, estes últimos são capturados pelos orcs, que pretendem levá-los para Isengard pela terra de Rohan. Os hobbits escapam e fogem para a Floresta de Fangorn, onde eles encontram Barbárvore (John Westbrook). Aragorn, Gimli e Legolas tentam rastrear Merry e Pippin pela a floresta, onde eles re-encontram com Gandalf, que renasceu depois de destruir o Balrog.[6]

Os quatro, em seguida, dirigem a capital de Rohan, Edoras, onde Gandalf convence o rei Théoden (Philip Stone) que seu povo está em perigo. Aragorn, Gimli e Legolas, em seguida, viajam para o Abismo de Helm. Frodo e Sam descobrem Gollum perseguindo-os em uma tentativa de recuperar o anel, e o captura; mas poupam sua vida em troca de orientação para a Montanha da Perdição. Gollum, eventualmente, começa a conspirar contra os hobbits, e se pergunta se "ela" pode ajudar. No Abismo de Helm, as forças de Théoden resiste aos orcs enviados por Saruman, até Gandalf chegar com os cavaleiros ausentes de Rohan, destruindo o exército inimigo.[6]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Dublagem original[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O diretor Ralph Bakshi foi apresentado a O Senhor dos Anéis durante os meados da década de 50, enquanto trabalhava como animador para o estúdio Terrytoons. Em 1957, o jovem animador começou a tentar convencer as pessoas de que a história poderia ser contada por meio de animação.[8] Em 1969, os direitos foram passados para a United Artists (UA), onde os cineastas Stanley Kubrick e John Boorman tentaram adaptar a história.[2] Ao contrário do que diz uma lenda urbana, a Disney nunca possuiu os direitos de O Senhor dos Anéis.[9]

Em meados da década de 70, Bakshi, que desde então alcançou sucessos de bilheterias produzindo filmes de animação para adultos como Fritz the Cat, deparou com as tentativas de adaptar a história por parte da UA e de Boorman. Ele disse que Boorman tinha planejado produzir todas as três partes de O Senhor dos Anéis em um único filme e comentou: "Eu pensei que era loucura, certamente, uma falta de caráter da parte de Boorman. Por que você quer mexer com qualquer coisa que Tolkien fez?"[10] Quando a adaptação proposta de Boorman se desfez, Bakshi aproximou-se do estúdio e propôs que ele dirigisse uma das três adaptações cinematográficas animadas do livro:

Eles disseram que tudo bem, porque Boorman entregou seu roteiro de 700 páginas, e perguntaram se eu queria lê-lo. Eu disse, "Bem, são todos os três livros em um?" Eles disseram, "Sim, mas ele mudou um monte de personagens e acrescentou outros. Ele tem alguns tênis que está comercializando no meio." Eu disse, "Não, eu prefiro não lê-lo. Prefiro fazer o roteiro o mais próximo do livro, usando diálogos e cenas de Tolkien. Eles disseram, "Tudo bem, porque não entendemos uma palavra que Boorman escreveu. Nós nunca lemos os livros. [...] Não temos tempo para lê-los. Você entende isso, Ralph, então vá fazê-lo."
Ralph Bakshi[10]

O Metro-Goldwyn-Mayer foi localizado no mesmo edifício e Bakshi conversou com o então presidente Dan Melnick. "Eu pensei que ele iria entender o que os anéis significava, porque o UA não o entendeu."[10] Bakshi e Melnick fez um acordo com Mike Medavoy da United Artists para comprar o roteiro Boorman. "O roteiro de Boorman custou 3 milhões de dólares, de modo que Boorman estava feliz na piscina, gritando, rindo e bebendo, porque ele recebeu 3 milhões para o seu script ser jogado fora."[10] No entanto, após Melnick ter sido demitido da MGM, o negócio caiu completamente.[10] Bakshi então contatou Saul Zaentz (que tinha ajudado a financiar Fritz the Cat) para pedir-lhe para produzir O Senhor dos Anéis e Zaentz concordou. Antes do início da produção, a adaptação de três peças originais foi negociada para duas partes pela United Artists, e Bakshi reuniu-se com a filha de Tolkien, Priscilla, para discutir como o filme seria feito. Ela mostrou-lhe o quarto onde seu pai fez sua escrita e seu desenho. Bakshi diz: "Minha promessa a filha de Tolkien era ser puro para o livro. Eu não ia dizer: 'Ei, vou jogar fora o Gollum e alterar esses dois personagens.' Meu trabalho era dizer: 'Isto é o que o gênio disse.'"[11]

Direção[editar | editar código-fonte]

Bakshi em janeiro de 2009

Bakshi disse que um dos problemas com a produção foi que tratava de um filme épico, porque "épicos tendem a arrastar. O maior desafio era ser fiel ao livro."[8] Quando perguntado o que ele estava tentando realizar com o filme, Bakshi afirmou: "O objetivo era trazer o máximo de qualidade possível para o trabalho. Eu queria ilustração real, em oposição aos desenhos animados."[8] Bakshi disse que as descrições dos personagens não foram incluídas porque eles são vistos no filme:

Não é tão importante para mim como um hobbit parece. Todo mundo tem sua própria ideia da aparência dos personagens. É importante para mim que a energia de Tolkien sobrevive. É importante que a qualidade da animação corresponde a qualidade de Tolkien. Quem se importa quão grande o nariz de Gandalf é? A tendência da animação é apenas se preocupar com o desenho. Se o filme funciona, se você concorda sobre o rosto ou não de Bilbo, o resto torna-se inconsequente.

As principais influências artísticas de Bakshi no filme foram ilustradores clássicos como Howard Pyle e N. C. Wyeth; ele declarou que não eram ilustradores contemporâneos uma influência sobre o estilo do filme.

O filme é um choque de um monte de estilos como em todos os meus filmes. Eu gosto dos fundos moody. Eu gosto de drama. Eu gosto de um monte de cores saturadas. Claro, um grande problema era controlar os artistas para que eles desenhem igualmente. Como você faz que seiscentas pessoas desenhem um personagem da mesma forma? A tendência é querer deixar o artista ter alguma liberdade, mas, em seguida, alguém iria deixar de fora um chapéu ou chifre em um personagem. [...] Eu acho que temos conseguido uma verdadeira ilustração em oposição a desenhos animados. Artisticamente, nós podemos fazer o que quisermos.
Ralph Bakshi[8]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Um primeiro rascunho do roteiro foi escrito por Chris Conkling,[2] que contou a maior parte da história por parte de flashbacks do ponto de vista de Merry Brandybuck.[12] Após Bakshi e Zaentz lerem o primeiro rascunho de Conkling, o autor de fantasia Peter S. Beagle foi chamado para fazer uma reescrita.[2][12] Segundo o site do editor Conlan Press, Beagle escreveu vários rascunhos do roteiro por apenas cinco mil dólares sob influência de fortes promessas de Saul Zaentz contratá-lo para futuros projetos mais bem pagos. Zaentz depois renegou estas promessas.[13]

Diferenças entre o livro[editar | editar código-fonte]

O filme tem alguns desvios em relação ao livro, mas no geral segue a narrativa de Tolkien.[14] Sobre o processo de adaptação, Bakshi afirmou que elementos da história "tiveram de ser deixados de fora, mas nada na história foi realmente alterada."[8] O filme se centra na jornada de Frodo de Bolsão para Bree. As cenas na fazenda de Maggot, casa de Frodo e a casa do misterioso Tom Bombadil nas profundezas da Floresta Velha são omitidas. Portanto, Maggot e sua família, Bombadil e sua esposa Fruta d'Ouro são totalmente omitidos, juntamente com Fatty Bolger, um hobbit que acompanhou Frodo no início. Segundo Bakshi, o personagem de Tom Bombadil "caiu", porque "ele não se moveu ao longo da história.[8]

Animação[editar | editar código-fonte]

A divulgação do filme anunciou que Bakshi havia criado "a primeira pintura do filme", utilizando "uma técnica totalmente nova no cinema."[8] Grande parte do filme utilizou de filmagens live-action, que, então, sofreram um processo de rotoscopia para produzir um olhar animado.[8] Este fato salvou a produção de altos custos e deu aos personagens animados um olhar mais realista. No The Animated Movie Guide do historiador de animação Jerry Beck, a contribuinte Marea Boylan escreveu que até aquele ponto, "os filmes de animações não retratavam extensas cenas de batalha com centenas de personagens. Ao utilizar o rotoscópio, Bakshi podia traçar cenas altamente complexas de live-action e transformá-las em animação, capturando a complexidade das filmagens live-action sem incorrer nos custos exorbitantes de produção de um filme desse molde."[2]

Eu contei que na Disney um ator foi reproduzido como um desenho animado com toda aquela exageração. Em O Senhor dos Anéis eu tinha os atores para transformar. A rotoscopia no passado tem sido utilizada em cenas até então exageradas. A ação se torna desenho animado. [...] É o método tradicional da rotoscopia mas a abordagem não é tradicional. A rotoscopia é um realismo diferente de tudo o que foi visto. É realmente uma coisa única para animação. O número de caracteres que se deslocam em uma cena é impressionante. Em O Senhor dos Anéis, você tem centenas de pessoas em uma cena.
Ralph Bakshi[8]

Para a parcela de produção live-action, Bakshi, o elenco e a equipe foram para a Espanha, onde os modelos dos rotoscópios agiram nas partes dos trajes. Durante uma grande filmagem, os diretores do sindicato pediram uma pausa para o almoço e Bakshi secretamente filmou os atores em trajes de orcs movendo-se para a mesa de craft service e usou a metragem no filme.[15] Muitos dos atores que contribuíram com as vozes desta produção também atuou nas cenas rotocopiadas. As ações de Bilbo e Sam foram realizadas por Billy Barty, enquanto Sharon Baird serviu como modelo para o desempenho de Frodo.[16] Outras performances usadas nas sessões de rotoscopia inclui: John A. Neris como Gandalf, Walt Robles como Aragorn, Felix Silla como Gollum, Jeri Lea Ray como Galadriel e Aesop Aquarian como Gimli. Embora alguma animação produzidas terem sido retiradas do filme.[17][18]

Bakshi afirmou que ele não pensava em rodar o filme totalmente em live-action até que ele realmente viu que ia funcionar bem. Ele aprendeu várias coisas sobre o processo, como a ondulação. "Uma cena, algumas figuras estavam de pé em uma colina e uma grande rajada de vento veio e as sombras se moveram para frente e para trás sobre as roupas e ficou intocada em animação. Eu não acho que eu poderia começar a sensação de frio na tela sem mostrar neve ou um pingente de gelo no nariz de um cara. Os personagens têm peso e eles se movem corretamente."[8] Depois que o laboratório espanhol que desenvolveu o filme descobriu que as linhas telefônicas, helicópteros e carros poderiam ser visto nas filmagens de Bakshi, tentaram incinerar o filme, dizendo para o primeiro assistente de Bakshi que "se esse tipo de cinematografia desleixada saísse, ninguém de Hollywood jamais voltaria para a Espanha para filmar novamente.[15]

Após as filmagens live-action, cada quadro das filmagens foram impressos e colocados atrás de uma animação de celuloide. Os detalhes de cada quadro foram copiados e pintados no celuloide. Tanto o live-action quanto as sequências animadas foram roteirizadas.[19] Sobre a produção, Bakshi é citado como dizendo:

Fazer duas imagens [a referência de live-action e a animação final do filme] em dois anos é uma loucura. A maioria dos diretores quando terminam uma edição estão acabados; estávamos apenas começando. Eu tive mais do que eu esperava. A equipe era jovem. A tripulação adorava. Se a tripulação adora, normalmente é um grande sinal.
Ralph Bakshi[8]

Embora continuasse a utilizar a rotoscopia em American Pop, Hey Good Lookin' e Fire and Ice, Bakshi mais tarde se arrependeu de utilizar o mecanismo, afirmando que ele sentiu que era um erro para traçar a fonte de filmagem ao invés de usá-lo como um guia.[20]

Mike Ploog (co-criador de Lobisomem) foi um dos numerosos funcionários que tiveram um papel na animação deste filme. Ploog também estava envolvido em outras animações de Ralph Bakshi, como no notável filme Wizards.[21]

Música[editar | editar código-fonte]

A trilha sonora foi composta por Leonard Rosenman. Bakshi quis incluir músicas do Led Zeppelin, mas o produtor Saul Zaentz insistiu em uma partitura orquestral, porque ele não seria capaz de liberar as músicas da banda em sua gravadora Fantasy Records. Bakshi mais tarde declarou que ele odiava a trilha sonora de Rosenman, achando que esta havia ficado muito clichê.[22] Em Lord of the Rings: Popular Culture in Global Context, Ernest Mathijs escreveu que a trilha sonora de Rosenman "é um meio termo entre seus maiores sons, mas dissonantes do que alguns sons anteriores e de sua mais tradicional (e menos desafiadora) música [...] Na análise final, a trilha sonora sobre a Terra Média de Rosenman tem pouco para marca-la como distinta, contando com tradições de músicas (incluindo músicas do filme) mais do que qualquer tentativa específica para pintar um retrato musical das diferentes terras e povos da imaginação de Tolkien."[23] A trilha do filme foi divulgada como um LP duplo no álbum da trilha sonora. A edição de colecionador limitada foi criada pela Fantasy Records como um LP duplo e disco de imagem com quatro cenas: The Hobbits leaving Hobbiton, The Ringwraiths at Bree, Gandalf and the Balrog e Journey with the Orcs. Em 2001, o álbum foi lançado em CD, com faixas bônus.[24]

Sequela[editar | editar código-fonte]

O filme foi originalmente destinado a ser distribuído como O Senhor dos Anéis Parte I.[10][11] Segundo Bakshi, quando ele completou o filme, os executivos da United Artists disse-lhe que eles estavam planejando lançar o filme sem indicar que uma sequela se seguiria, porque sentiram que o público não iria pagar para ver metade de um filme:

Eu disse a eles que não poderiam retirar a Parte I do título, porque as pessoas irão pensar que elas verão todo o filme e ele não está lá. Tivemos uma enorme luta, e eles lançaram como o O Senhor dos Anéis. Então, quando o filme chegou ao fim, as pessoas estavam atordoadas no teatro, ainda pior do que eu imaginava que seria, porque eles estavam esperando para ver o filme todo. As pessoas continuam me dizendo que eu nuca terminei o filme e eu continuo dizendo, "está certo.
Ralph Bakshi"[10]
"Se tivesse dito 'Parte I', eu acho que todo mundo teria respeitado isso. Mas porque o título não disse 'Parte I', todo mundo veio à espera de ver todos os três livros, e é aí que a confusão aconteceu."
Ralph Bakshi[11]

The Film Book of J.R.R. Tolkien's the Lord of the Rings publicado pela Ballantine Books em 12 de outubro de 1978, ainda se refere a sequela no revestimento interior da capa do livro.[25] Bakshi afirmou que ele nunca teria feito o filme se soubesse o que iria acontecer durante a produção. Ele é citado dizendo que a razão pela qual ele fez o filme era guardá-lo para Tolkien, porque ele amava muito os anéis.[26]

"[O filme] me fez perceber que eu não estou interessado em [adaptar histórias de outros escritores]. De que a coisa que parecia me interessar mais foi disparando minha boca grande, ou sentado em uma sala e pensar em como você se sente sobre esta questão ou aquela questão e como você se executa, que ao longo de uma audiência, era a parte mais emocionante da minha vida."
Ralph Bakshi[26]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Bilheteria e premiações[editar | editar código-fonte]

O Senhor dos Anéis foi um sucesso financeiro.[27] Em bilheteria, o filme arrecadou 30,5 milhões de dólares contra um orçamento de 4 milhões.[2] Nas premiações, o filme foi indicado nas categorias de melhor apresentação dramática e melhor filme de fantasia nos eventos Hugo e Saturno, respectivamente. A banda sonora de Leonard Rosenman foi indicada ao Globo de Ouro na categoria melhor banda sonora original e Bakshi conquistou um prêmio Golden Gryphon no Festival de Cinema de Giffoni.[28][29]

Resposta crítica[editar | editar código-fonte]

As respostas dos críticos em relação ao filme foram mistas, mas geralmente consideraram uma "falha, mas inspiradora interpretação".[2] No Rotten Tomatoes, um website que compila resenhas de uma ampla gama de críticos, o filme recebeu uma pontuação de 50%.[30]

O escritor Frank Barrow do The Hollywood Reporter escreveu que o filme era: "ousado e incomum no conceito."[2] Joseph Gelmis, contribuinte do Newsday, escreveu que "a recompensa principal do filme é uma experiência visual diferente de tudo o que os outros filmes de animação estão fazendo no momento."[2] Roger Ebert chamou o esforço de Bakshi de "uma faca de dois gumes" e "um trabalho inteiramente respeitável, ocasionalmente impressionante... [que] ainda está muito aquém do charme e da varredura da história original."[31] Vincent Canby do The New York Times chamou o filme de "entorpecente e impressionante."[32] David Denby da revista New York sentiu que o filme não faria sentido para os telespectadores que ainda não haviam lido o livro. Denby escreveu que o filme era muito escuro e faltava humor, concluindo que "as escabrosas violências sem sentido o deixou exausto e enojado com o final."[33] Michael Barrier, um historiador de animação, descreveu O Senhor dos Anéis como um dos dois filmes que demonstraram "que Bakshi estava completamente desprovido de auto-disciplina artística que poderia ter lhe permitido superar suas limitações."[34]

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

O filme tem sido citado como uma influência sobre O Senhor dos Anéis, a trilogia cinematográfica do diretor Peter Jackson. Depois de inicialmente negar ter visto o filme de Bakshi, Jackson admitiu ter encontrado a história pela primeira vez via o filme de 1978, afirmando que o mesmo era uma "tentativa corajosa e ambiciosa."[35] Bakshi é citado dizendo: Peter Jackson disse que o primeiro filme inspirou-o a ir em frente e fazer a série, mas isso aconteceu depois que eu estava reclamando e gemendo com um monte de entrevistadores, pois no início ele havia dito que nunca viu o filme."[26] Nos comentários do filme The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Jackson admite uma homenagem intencional para o filme de Bakshi, em uma cena onde aparece um hobbit na festa de aniversário de Bilbo gritando "Proudfeet!"[36]

Bakshi é citado dizendo que ele tinha "sentimentos mistos" sobre as adaptações de Jackson, embora ele não tivesse visto os filmes. "Em alguns aspectos eu me sinto bem que Peter Jackson continuou e prosseguiu, e em alguns aspectos eu me sinto mal que o produtor Saul Zaentz e várias pessoas nunca me chamou, agradeceu-me ou pediu minha permissão para fazer o filme. [...] [Nem] me enviaram uma garrafa de vinho pelo tremendo sucesso. [...] Mas eu tenho mais sentimentos sobre o lado do negócio do que o lado criativo. Estou contente por Peter Jackson ter um filme para olhar, eu nunca tive. E, certamente, há muito o que aprender ao assistir qualquer filme, tanto os seus erros quanto seus acertos. Então, ele teve condições mais fáceis do que eu e um orçamento muito melhor."[26]

Legado[editar | editar código-fonte]

O filme foi adaptado em forma de banda desenhada sob licença da Tolkien Enterprises e a arte desenvolvida pelo artista espanhol Luis Bermejo. No mercado europeu, três emissões foram publicadas, começando em 1979. Entretanto, não foram publicadas nos Estados Unidos ou traduzidas para o inglês devido a problemas de direitos autorais.[37][38]

A Warner Bros. (detentora dos direitos pós Rankin-Bass library em 1973 e pré Saul Zaentz theatrical library em 1990) lançou O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Retorno do Rei em VHS e DVD, ambos embalados e vendidos separadamente ou como uma trilogia em formato de box-set.[39][40] Enquanto a versão em VHS se encerra com o narrador dizendo "Aqui termina a primeira parte da história da Guerra do Anel", a versão em DVD tem uma narração alternativa: "As forças das trevas foram expulsas para sempre da face da Terra-Média pelos valentes amigos de Frodo. Como sua galante batalha terminou, assim, também, termina o primeiro grande conto de O Senhor dos Anéis." Em 6 de abril de 2010, O Senhor dos Anéis foi lançado em uma edição de luxo para Blu-ray e DVD.[41] O Senhor dos Anéis foi selecionado como o trigésimo sexto maior filme de animação pela revista Time Out,[42] e classificado como o nonagésimo maior filme de animação de todos os tempos pelo Online Film Critics Society.[43]

Referências

  1. Beck, Jerry (2005). «The Lord of the Rings». The Animated Movie Guide Chicago Review Press [S.l.] pp. 155–156. ISBN 978-1-55652-591-9. 
  2. a b c d e f g h i Beck, Jerry (2005). «The Lord of the Rings». The Animated Movie Guide Chicago Review Press [S.l.] p. 155. ISBN 978-1-55652-591-9. 
  3. «The Lord of the Rings (1978)». Box Office Mojo. Consultado em 3 de janeiro de 2012. 
  4. Maçek, J. C., III (2 de agosto de 2012). «'American Pop'... Matters: Ron Thompson, the Illustrated Man Unsung». PopMatters (em inglês). Arquivado desde o original em 15 de setembro de 2012. 
  5. Gaslin, Glenn (21 de novembro de 2001). «Ralph Bakshi's unfairly maligned Lord of the Rings». Slate (em inglês). Arquivado desde o original em 5 de janeiro de 2013. 
  6. a b c d e O Senhor dos Anéis. 1978. Ralph Bakshi. United Artists.
  7. a b c d e f g h i j k l m n o p q r «O Senhor dos Anéis (1978) (1978)». Omelete. Arquivado desde o original em 9 de outubro de 2016. Consultado em 8 de outubro de 2016. 
  8. a b c d e f g h i j k l Korkis, Jim. «If at first you don't succeed ... call Peter Jackson» (em inglês). Jim Hill Media. Arquivado desde o original em 4 de junho de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  9. Pepper, Jeffrey. «The Myth of Walt Disney's Lord of the Rings». 2719 Hyperion (em inglês). Arquivado desde o original em 21 de julho de 2012. Consultado em 30 de julho de 2012. 
  10. a b c d e f g Robinson, Tasha (31 de janeiro de 2003). «Interview with Ralph Bakshi» (em inglês). The Onion A.V. Club. Arquivado desde o original em 5 de dezembro de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  11. a b c Riley, Patrick (July 7, 2000). «'70s Version of Lord of the Rings 'Devastated' Director Bakshi». Fox News. Arquivado desde o original em 8 de dezembro de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  12. a b Croft, Janet Brennan. «Three Rings for Hollywood: Scripts for The Lord of the Rings by Zimmerman, Boorman, and Beagle» (em inglês). University of Oklahoma. Arquivado desde o original em 29 de junho de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  13. «Beagle/Zaentz FAQ» (em inglês). Conlan Press. Arquivado desde o original em 8 de dezembro de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  14. J.W. Braun, The Lord of the Films (ECW Press, 2009)
  15. a b Gibson, Jon M.; McDonnell, Chris (2008). «The Lord of the Rings». Unfiltered: The Complete Ralph Bakshi Universe Publishing [S.l.] pp. 148, 150, 154–55. ISBN 0-7893-1684-6. 
  16. «The Lord of the Rings (1978) – Full cast and crew». Internet Movie Database. Consultado em 8 de agosto de 2007. 
  17. «The Lord of the Rings – deleted scenes». The Official Ralph Bakshi website. Consultado em 8 de agosto de 2007. 
  18. «The Lord of the Rings – gallery image». The Official Ralph Bakshi website. Consultado em 8 de agosto de 2007. 
  19. «The Lord of the Rings – gallery image» (em inglês). The Official Ralph Bakshi website. Consultado em 8 de agosto de 2007. 
  20. The Directors Series: Interview with Ralph Bakshi (Part One). 1983
  21. «Michael Ploog». The New York Times (em inglês). Arquivado desde o original em 9 de março e 2015. 
  22. Segundo, Bat (21 de maio de 2008). «The Bat Segundo Show #214: Interview with Ralph Bakshi» (em inglês). Edward Champion's Reluctant Habits. Arquivado desde o original em 10 de dezembro de 2012. Consultado em 25 de junho de 2008. 
  23. Mathijs, Ernest (2006). Lord of the Rings: Popular Culture in Global Context Wallflower Press [S.l.] ISBN 1-904764-82-7. 
  24. «The Lord of the Rings soundtrack details» (em inglês). SoundtrackCollector. Arquivado desde o original em 29 de junho de 2012. Consultado em 1 de setembro de 2007. 
  25. produzido por Saul Zaentz ; dirigido por Ralph Bakshi. (Outubro de 1978) [1978]. The Film Book of J.R.R. Tolkien's the Lord of the Rings Ballantine Books [S.l.] ISBN 0-345-28139-X. 
  26. a b c d «Interview with Ralph Bakshi». IGN Filmforce. Arquivado desde o original em 9 de dezembro de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  27. Sacks, Terence J. (2000). Opportunities in Animation and Cartooning Careers McGraw-Hill [S.l.] p. 37. ISBN 0-658-00183-3. 
  28. «THE 35TH ANNUAL GOLDEN GLOBE AWARDS (1978)» (em inglês). Golden Globes.org. Arquivado desde o original em 24 de novembro de 2010. Consultado em 7 de outubro de 2016. 
  29. «Awards for The Lord of the Rings (1978)». Internet Movie Database. Consultado em 19 de dezembro de 2007. 
  30. «Tomatometer for The Lord of the Rings» (em inglês). Rotten Tomatoes. Arquivado desde o original em 13 de dezembro de 2001. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  31. Ebert, Roger (1 de janeiro de 1978). «Review of The Lord of the Rings» (em inglês). Chicago Sun-Times. Arquivado desde o original em 8 de dezembro de 2012. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  32. Canby, Vincent (15 de novembro de 1978). «Review of The Lord of the Rings» (em inglês) New York Times [S.l.] Arquivado desde o original em 4 de janeiro de 2013. Consultado em 9 de janeiro de 2007. 
  33. Denby, David (4 de dezembro de 1978). «Hobbit hobbled and rabbit ran». New York [S.l.: s.n.] 11 (49): 153–154. ISSN 0028-7369. 
  34. Barrier, Michael. Hollywood Cartoons: American Animation in Its Golden Age. Oxford University Press US, 2003. 572. Visitado em 15 de outubro de 2009. ISBN 0-19-516729-5, ISBN 978-0-19-516729-0.
  35. «Peter Jackson, as quoted at the Grauman's Egyptian Theatre» (em inglês). 6 de fevereiro de 2004. Arquivado desde o original em 26 de abril de 2006. Consultado em 22 de agosto de 2007. .
  36. Comentários de The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring. Peter Jackson. 2002.
  37. «J.R.R.Tolkien comics» (em inglês). J.R.R. Tolkien miscellanea. Arquivado desde o original em 30 de maio de 2012. Consultado em 22 de agosto de. 
  38. «Comic creator: Luis Bermejo» (em inglês). J.R.R. Tolkien miscellanea. Arquivado desde o original em 30 de maio de 2012. Consultado em 22 de agosto de 2007. 
  39. «ASIN: B00005UM49». Amazon.com. Consultado em 2007-08-04. 
  40. «ASIN: B00005RJ2W». Amazon.com. Consultado em 2007-08-04. 
  41. «Ralph Bakshi’s Lord of The Rings- BluRay & DVD Release Slated for April 6, 2010 Release» (em inglês). Bakshi Productions. Consultado em 2007-08-04. 
  42. Adams, Derek; Calhoun, Dave; Davies, Adam Lee; Fairclough, Paul; Huddleston, Tom; Jenkins, David; Ward, Ossian (2009). «Time Out's 50 greatest animated films, with added commentary by Terry Gilliam». Time Out (em inglês) [S.l.: s.n.] Arquivado desde o original em 27 de maio de 2012. Consultado em 11 de novembro de 2009. 
  43. «Top 100 Animated Features of All Time» (em inglês). Online Film Critics Society. Arquivado desde o original em 1 de abril de 2012. Consultado em 10 de dezembro de 2010. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]