Palavra do Ano

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A Palavra do Ano de 2020 foi "saudade" (O Desterrado, 1872, de Soares dos Reis)

A Palavra do Ano é uma sondagem anual realizada em Portugal desde 2009, da iniciativa da Porto Editora.

Racional e metodologia[editar | editar código-fonte]

A Porto Editora começou a organizar a eleição da Palavra do Ano para "sublinhar a riqueza lexical e o dinamismo criativo da língua portuguesa". A lista de palavras candidatas é produzida pela editora através da através da análise de frequência e distribuição de uso das palavras (avaliada pelo seu uso tanto nos meios de comunicação e redes sociais como no registo de consultas dos dicionários online da Porto Editora), a sua relevância relativamente aos acontecimentos actuais, e sugestões deixadas no sítio electrónico da Palavra do Ano.[1]

Até o final do mês de Novembro de cada ano, os portugueses são convidados a apresentar as suas sugestões; a votação final tem lugar durante o mês de Dezembro. Os resultados da votação são coligidos nos primeiros dias do novo ano e a Palavra do Ano é anunciada numa cerimónia pública, habitualmente no início de Janeiro.

Lista de Palavras do Ano[editar | editar código-fonte]

Ano Palavra do Ano Explicação
2009 esmiuçar Palavra popularizada pelo programa televisivo Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios, que caricaturou a campanha eleitoral para as eleições legislativas desse ano.
2010 vuvuzela Popularizada durante o Campeonato do Mundo de Futebol FIFA de 2010, a sua ubiquidade (e distúrbio) levou a que se tornasse bastante controversa, com muitas propostas para proibir o seu uso durante os jogos.
2011 austeridade No contexto da crise da dívida soberana, o Primeiro-Ministro José Sócrates apresentou a sua demissão quando o Parlamento rejeitou as medidas de austeridade propostas pelo seu governo; quando o Líder da Oposição, Pedro Passos Coelho, foi eleito Primeiro-Ministro, acabou por adoptar uma política de austeridade ainda mais rigorosa.
2012 entroikado A ruptura económica, na sequência da crise financeira do início da década de 2010, levou o país a negociar um empréstimo para ajudar a estabilizar as suas finanças públicas em 2011: as medidas impostas pelo do comité organizador do empréstimo (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional; vulgarmente chamados de "a Troika") levou a um grande aumento da taxa de desemprego.
2013 bombeiro A segunda metade do mês de Agosto de 2013 foi marcada pelos devastadores incêndios que causaram nove mortes e resultaram num total de cerca de 145.000 hectares de terra queimada — os piores incêndios dos últimos oito anos.
2014 corrupção Dois escândalos políticos de corrupção fizeram manchetes em 2014: o processo Face Oculta (uma rede de lavagem de dinheiro, que incluía, entre outros, o ex-ministro Armando Vara), e a operação Labirinto (em que o programa português de Vistos Gold se viu associado a redes de corrupção internacionais). Ainda neste ano, o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates foi detido em Lisboa, sob acusações de corrupção, evasão fiscal, e lavagem de dinheiro.
2015 refugiado Na sequência dos conflitos armados no Médio Oriente em países como a Síria, o Afeganistão, o Iraque, e a Eritreia, um grande afluxo de refugiados fugiram da guerra e perseguição para o espaço Schengen: a União Europeia viu-se a braços com a crise migratória.
2016 geringonça Como resultado das eleições legislativas de 2015, o Partido Socialista formou um governo minoritário com base num acordo de incidência parlamentar firmado com os outros três partidos de esquerda (Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português, e Partido Ecologista "Os Verdes"). Quando Paulo Portas, o líder do CDS-PP, na oposição, afirmou numa sessão parlamentar "isto não é bem um governo, é uma geringonça", o termo pegou e passou a ser usado para se referir ao governo tanto por opositores como por simpatizantes.
2017 incêndios Os sucessivos incêndios florestais, em Junho e em Outubro, resultaram em 111 mortes, 300 feridos, comunidades inteiras a sofrer stress pós-traumático, e mais de 520 mil hectares de floresta queimada, incluindo a quase totalidade do Pinhal de Leiria — mais da metade da área ardida em toda a Europa naquele ano. O governo decretou três dias de luto nacional em ambas as ocasiões.
2018 enfermeiro O ano ficou marcado pelos vários movimentos de protesto desta classe profissional, reclamando aumentos salariais, maior facilidade na progressão da carreira, e contratação de mais profissionais.
2019 violência [doméstica] Ao todo, 35 pessoas (27 mulheres, 7 homens e 1 criança) foram mortas em Portugal em 2019 no contexto de violência doméstica. Em resposta ao número crescente de vítimas mortais contabilizadas pela polícia, o governo decretou um dia de luto nacional a 7 de Março, véspera do Dia Internacional da Mulher, em homenagem às vítimas e como forma de consciencialização. Vários manifestantes demonstraram o seu protesto contra as decisões judiciais demasiado brandas nestes casos, especialmente após ter vindo a público o polémico acórdão do desembargador Neto de Moura que minimizava um caso de agressão contra uma mulher por parte do seu companheiro, por esta ser adúltera.
2020 saudade 2020 foi marcado pela pandemia de COVID-19, que levou a significativos impactos sociais e económicos a nível mundial. As medidas de distanciamento social, necessárias para controlar a propagação da doença, implicaram a adoção de muitas restrições à circulação ao longo do ano, como confinamentos, quarentenas, recolheres obrigatórios, e cordões sanitários, que impediram ajuntamentos e interações sociais. No fim do ano, contabilizavam-se perto de 7000 mortes atribuídas à COVID-19 em Portugal.

Links externos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Palavra do Ano: Regulamento». palavradoano.pt. Consultado em 29 de dezembro de 2017