Papiamento

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Papiamento

papiamentu

Pronúncia:/papjaˈmentu/
Outros nomes:papeamento
Falado(a) em: Aruba, Bonaire e Curaçau
Região: Ilhas do Caribe
Total de falantes: 319.400[1]
Família: Crioulos de base portuguesa
 Crioulos da Alta Guiné
  Papiamento
Escrita: Alfabeto latino
Estatuto oficial
Língua oficial de:  Aruba
 Bonaire
Curaçau
Regulado por: Não possui regulação oficial
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: pap
ISO 639-3: pap

A língua crioula papiamento ou papiamentu (Aruba: papiamento; Curaçao/Bonaire: papiamentu) é uma língua crioula falada no Caribe Neerlandês. É a língua mais falada nas ilhas ABC, com status oficial em Aruba e Curaçau. Papiamento também é uma língua reconhecida nos órgãos públicos neerlandeses de Bonaire, Santo Eustáquio e Saba.[2]

O papiamento é largamente baseado no português e espanhol e tem uma influência considerável proveniente da língua neerlandesa. Devido às semelhanças lexicais entre o português e o espanhol, é difícil distinguir a origem exata de cada palavra. Embora existam diferentes teorias sobre as suas origens, atualmente a maioria dos linguistas acredita que o papiamento se originou na costa da África Ocidental, uma vez que tem grandes semelhanças com o crioulo cabo-verdiano e o crioulo da Guiné-Bissau.[3][4]

O papiamento é uma língua viva e ativa. É falada cotidianamente nos mais diversos ambientes de convivência social, como nas casas, nas igrejas, no parlamento e nas escolas, nas quais as crianças são ensinadas em papiamento.[carece de fontes?]

Devido ao caráter de abrangência e praticidade, imigrantes estrangeiros preferem aprender o papiamento para a comunicação com os nativos. Em Aruba, se tornou uma língua oficial em maio de 2003. Assim, documentos oficiais, jornais e canais de televisão são criados em papiamento.[carece de fontes?]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome procede da palavra papiá, que significa 'conversar', derivada originalmente da palavra portuguesa "papear". Origina-se igualmente deste verbo coloquial o nome do crioulo de base lusófona de Malaca, o papiá kristáng. O verbo papiâ ainda existe no crioulo cabo-verdiano e significa falar.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

O papiamento originou-se do pidgin português conhecido como guene, por ser falado pelos escravos africanos (originários das zonas de Guiné-Bissau/Cabo Verde e São Tomé/Golfo da Guiné, entre outras) trazidos pelos neerlandeses para o trabalho na lavoura de cana-de-açúcar. Após a retomada de Cabo Verde por Portugal e a reconquista da Nova Holanda pelos portugueses, alguns judeus sefarditas, portugueses de Cabo Verde e quase todos os do Nordeste brasileiro foram para as Antilhas Neerlandesas levando consigo o idioma português. A linguagem judaico-portuguesa iria se misturar ao guene dos escravos africanos, dando origem à primeira forma do papiamento no século XVIII. Com a administração do império colonial neerlandês nas ilhas, a influência neerlandesa legou muitas palavras de seu idioma ao papiamento. No final do século XIX, a influência do castelhano ocorreu com o contato com os países vizinhos, especialmente a Venezuela. O papiamento sofreu também influencia da língua inglesa pelos missionários que se estabeleceram nas ilhas e posteriormente pela presença de turistas vindos de países anglófonos.[carece de fontes?]

Já existem jornais em papiamento e dicionários bilíngues. Alguns intelectuais portugueses interessam-se pela criação de uma rede de pesquisadores de crioulística que enlace os interessados nestas manifestações linguísticas mestiças, incluindo o papiamento.[carece de fontes?]

Laços linguísticos e históricos com os crioulos portugueses da Alta Guiné[editar | editar código-fonte]

As pesquisas atuais sobre as origens do papiamento incidem especificamente sobre as relações linguísticas e históricas entre o papiamento e os crioulos de base portuguesa da Alta Guiné falados na ilha de Santiago, em Cabo Verde e na Guiné-Bissau e Casamansa. Elaborando sobre as comparações feitas por Martinus e Quint,[5] Jacobs[6][7] defende a hipótese de que o papiamento é uma ramificação de uma variedade inicial do crioulo da Alta Guiné, transferido da Senegâmbia para Curaçau na segunda metade do século XVII, um período em que os neerlandeses controlaram o porto de Goreia, logo abaixo da ponta da península de Cabo Verde. Em Curaçau, esta variedade sofreu alterações internas, assim como as alterações induzidas por contato em todos os níveis da gramática (embora particularmente no léxico) devido ao contato com o espanhol e, em menor grau, com o neerlandês, bem como com uma variedade de línguas cuás e bantas. Estas mudanças não obstante, a estrutura morfo-sintática do papiamento ainda é notavelmente próxima à dos crioulos da Alta Guiné de Cabo Verde e da Guiné-Bissau/Casamança.[carece de fontes?]

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Vogais[editar | editar código-fonte]

O papiamento possui nove vogais: a ([a]), e ([e]), è ([ɛ]), i ([i]), o ([o]), ò ([ɔ]), u ([u]), ù ([ʏ]) e ü ([y]) e duas semivogais: w ([u]) e j ([y]).[8]

Entre as vogais, há distinção entre os sons de "e", "o" e "u" e, portanto, as vogais que aparecem com acento grave (`) são pronunciadas como [ɛ], [ɔ] e [ʏ], respectivamente. A vogal "ü", por sua vez, é utilizada para substituir "uu" de palavras vindas do holandês, como em "hür" (aluguel), do holandês "huur".[carece de fontes?]

Fonemas vocálicos orais da língua papiamento
Anterior Central Posterior
Fechada i u
Semifechada e ø o
Média ə
Semiaberta ɛ ɔ
Aberta a

As semivogais só se distinguem graficamente das vogais quando são posicionadas no início de uma sílaba. Como exemplo, a semivogal "w" é destacada em "wesu" (osso), mas aparece como "u" em ruina (ruína), apesar de seguir sendo uma semivogal do ditongo ascendente ui. Igualmente, o vocábulo "yabi" (chave) não pode ser escrito como "iabi". Além disso, "w" nunca aparece entre "u" e uma outra vogal qualquer e também "y" não aparece entre "i" e outras vogais.[9]

Ditongos

Em papiamento, ocorrem oito ditongos ascendentes ([ja], [je], [jo], [ju], [wa], [we], [wo], [wu]) e oito ditongos descendentes ([ai̯], '[au̯], [ei̯], [ɛi̯], [eu̯], [oi̯], [ɔu̯], [ʏi̯]). No dialeto de Curaçao e Bonaire, no entanto, é adicionado um nono ditongo descendente, "[ɔi̯]", devido a uma particularidade em sua pronúncia. [8]

Ditongos
Ascendentes Descendentes
ja ai̯
je au̯
jo ei̯
ju ɛi̯
wa eu̯
we oi̯
wo ɔu̯
wu ʏi̯
- ɔi̯

Vogais duplicadas ocorrem somente quando ambas são pronunciadas separadamente, como em "reeduca" (reeducar) e o uso do trema (¨) se restringe a palavras estrangeiras, não servindo para indicar a pronúncia separada de uma vogal, como ocorre na palavra espanhola pingüino  (pinguim).[carece de fontes?]

Consoantes e encontros consonantais[editar | editar código-fonte]

Consoantes
labial dental alveopalatal palatal velar glotal
oclusivas p, b t, d g, k
fricativas f, v s, z ʃ, ʒ x h
africadas t / tʃ

d / dʒ

nasais m n ɲ ŋ
líquidas l, r
semivogais w j

Dígrafos

Há quatro dígrafos em papiamento: "ch", "dj", "sh" and "zj", pronunciados respectivamente como [tʃ], [dʒ], [ʃ] and [ʒ].[carece de fontes?]

A letra C

O papiamento emprega a letra "c" forte [k] e fraca [s] como em vários idiomas derivados do latim. A letra "c" é pronunciada como [s] antes de "e" e "i", enquanto o "c" forte é utilizado nas demais situações. As letras "k" e "s" podem substituir o "c" em algumas ocasiões, mas o "c" tem preferência em relação a "k" quando aparece antes das letras "a", "o", "u", "l", "n", "r" e "t" e, igualmente, em relação a "s" na última sílaba de um vocábulo, bem como em conjugações verbais como "conoce" (conhece).[carece de fontes?]

A letra G

Assim como com a letra "c", o "g" também assume as formas forte e fraca, podendo ser pronunciado como [g] antes de "a", "o" ou "u" ou como [x], geralmente antes de "e" e "i". Para que soe como [g] antes de "e" e "i", é necessário adicionar um "u", como em "guera" (guerra), que se pronuncia como ['ge.ra].[carece de fontes?]

/X/, /H/ e /K/

Pode haver divergências entre as variações de Aruba e Curaçao/Bonaire quando à pronúncia de /x/, /h/ e /k/. Na primeira sílaba, /x/ e /h/ variam, como em /gèspo/ (Aruba) e /hèspu/ (Curaçao). Na última sílaba, /x/ e /k/ variam, como em /vlègtu/ (Aruba) e /flèktu/ (Curaçao).[carece de fontes?]

/V/, /F/ e /B/

Às vezes, /v/ alterna com /f/ e /b/, mas o inverso não ocorre. Como exemplo, a alternância entre /v/ e /f/ ocorre em palavras holandesas como /vèrnis/, que se transformam em /fèrnis/. Ainda, a alternância entre /v/ e /b/ ocorre em palavras de origem ibérica, como em /favor/, que vira /fabor/.[carece de fontes?]

Diacríticos[editar | editar código-fonte]

A variação de Curaçao e Bonaire adora o acento grave (`) para denotar diferenças de pronúncia entre duas vogais e o acento agudo (´) para indicar a tonicidade de uma palavra. Quanto à tonicidade, as palavras em papiamentu podem ser oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas ou "sobresdrúhulo". Essa última classificação ocorre no espanhol e caracteriza a sílaba tônica como a sílaba anterior à antepenúltima sílaba de uma palavra. Também há uso do trema nessa variação.[carece de fontes?]

Apócope[editar | editar código-fonte]

Assim como na língua espanhola, o fenômeno da apócope acontece no papiamento, principalmente em verbos no infinitivo (marcar - marká) ou em algumas profissões  (pescador - piskadó).[carece de fontes?]

Tons[editar | editar código-fonte]

Contraste entre tons[editar | editar código-fonte]

O papiamento possui dois níveis de tom: alto (A), representado pelo acento agudo (´), e baixo (B), representado pelo a acento grave (`), que auxiliam na identificação do significado de palavras de mesma grafia. Como exemplo, a palavra "papa", se pronunciada como "pápà", se refere ao cargo de Pontífice, enquanto "pàpá" significa "pai" ou "papai". Em geral, esse contraste entre tons altos e tons baixos não ocorre em palavras monossílabas, trissílabas ou polissílabas. [10]

Alfabeto e ortografia[editar | editar código-fonte]

Alfabeto e correspondência fonética[editar | editar código-fonte]

Alfabeto
Letra Nome Exemplo
A a antes
B be banko
C ce/se centro
D de documento
E e esei
F ef/èf fauna
G ge gesto
H ha habilidad
I i igual
J ye Juan
K ka kere
L el/èl lista
M em/èm mucho
N en/èn nada
Ñ eñe ñapa
O o otro
P pe palo
Q ku/kü quesillo
R er/èr rosa
S es/ès saya
T te tin
U u un
V ve verbo
W we wesu
X eks examen
Y igrek/igrèk yama
Z zed/zèd zona
Ortografia das vogais
IPA Aruba Curaçau e

Bonaire

a a a
e e e
ɛ e è
ǝ e e
i i i
o o o
ɔ o ò
u u u
ø u ù

Gramática[editar | editar código-fonte]

Pronomes[editar | editar código-fonte]

Pessoais

Os pronomes pessoais em papiamento são:[11]

Pronomes pessoais
mi eu
bo tu
e ele, ela
nos nós
boso vós
nan eles, elas

Observações: Os pronomes pessoais são utilizados da mesma forma, independentemente se são empregados como sujeito ou como objeto de uma oração. É considerado rude utilizar o pronome "bo" para se referir a uma pessoa desconhecida, sendo preferível empregar "Señor" (senhor) ou "Señora" (senhora).[carece de fontes?]

Possessivos

Os pronomes possessivos em papiamento são:[11]

Pronomes possessivos
mi meu, minha, meus, minhas
bo teu, tua, teus, tuas
su seu, sua
nos nosso, nossa, nossos, nossas
boso seus, suas
nan seus, suas
Pronomes possessivos (2)
di mi (o/a) meu, minha, (os/as) meus, minhas
di bo (o/a) teu, tua, (os/as) teus, tuas
di dje (o/a) seu, sua
di nos (o/a) nosso, nossa, (os/a

s) nossos, nossas

di boso (os/as) seus, suas
di nan (os/as) deles, delas

Reflexivos

Os pronomes reflexivos, que apresentam certa semelhança com o português, são:[carece de fontes?]

Pronomes reflexivos
mi mes eu mesmo (a)
bo mes tu mesmo (a)
e mes ele/ela mesmo (a)
su mes si mesmo (a)
nos mes nós

mesmos (as)

boso mes vocês mesmos (as)
nan mes eles/elas mesmos (

as)

Indefinidos

Os principais pronomes indefinidos em papiamento são:[11]

Pronomes indefinidos
un otro (um) outro
kualke qualquer
kualke kos qualquer coisa
tur kos todas as coisas
tur hende todas as pessoas
ni un, ningun hende ninguém
un hende alguém
algo/algu algo
ambos ambos
tur todos os/as
algun di algum (do todo)
ningun di nenhum (do todo)

Interrogativos

Os pronomes interrogativos são: [carece de fontes?]

Pronomes interrogativos
kiko? o quê?
cuandu? quando?
ki ora? que horas?
ki dia? que dia?
unda? onde?
ke

nde?

quem?
cua? qual?
pa kiko? por quê?
con? como?
cuanto? qu

anto?

Relativos

Os pronomes relativos em papiamento são:[11]

Pronomes relativos
ku que, o/a qual
ken su de quem (posse)
di ken de quem (origem)
lloke o que, o/a qual

Verbos[editar | editar código-fonte]

Conjugação e aspecto[editar | editar código-fonte]

A conjugação dos verbos em papiamento é dada pela adição das partículas "ta", "lo" e "a" antes do verbo, que não varia em o pessoa ou número. É importante destacar que não há  precisamente a ideia de passado, presente e futuro como nas línguas indoeuropeias*, mas sim a ideia de aspectos. São eles contínuo/não contínuo, perfectivo/não perfectivo e real/hipotético.[12]

A partícula "ta"

A partícula "ta" se refere a uma ação em progresso, seja no momento em que se fala ou em outro momento indicado pelo enunciador, podendo também indicar ação habitual ou contínua, a exemplo da estrutura "ta komiendo" (está comendo) que reproduz a estrutura espanhola "está comiendo". Ainda, é usada para indicar que uma ação está para ocorrer ou quando é certo que irá ocorrer. Não há, portanto, distinção entre ações imediatas ou ações que ocorrerão em um futuro próximo. A partícula "ta" também pode ser usada para enfatizar uma ação na frase, como em "mi mes ta kana bai" (eu mesmo posso ir).[13]

Alguns verbos não são acompanhados pela partícula "ta", como o próprio verbo "ta" e os verbos tin (ter), por (poder), ke (querer), konose (conhecer), mester (dever). Alguns outros podem ou não levar a partícula, como gusta (gostar), stima (amar), bal (valer), kosta (custar), debe (dever), parse (parecer).[carece de fontes?]

Ações futuras também podem ser expressas pela expressão "ta bai" + infinitivo, como em "mi ta bai piska" (lit. eu vou pescar).[carece de fontes?]

A partícula "a"

Indica uma ação que já foi completa até o momento da fala ou em alumínio outro momento indicado pelo enunciador. Quando o pronome "e" (terceira pessoa do singular) é seguido pela particula "a", ele é transformado em "el".[13]

Exemplo: "E mucha a hui bai" (o garoto fugiu).

A partícula "lo"

É utilizada para indicar uma ação hipotética ou uma ação futura. Segundo a lógica do papiamento, ações passadas e presentes podem ser reais ou hipotéticas, mas ações futuras só podem ser hipotéticas, pois não há como tomá-las como fato. Costuma-se empregar essa partícula antes do sujeito da oração.[14]

A partícula "táa" ou "tábata"

A partícula "táa", que se diferencia de "ta" por estar formada por uma sílaba longa de tom alto, enquanto a última é composta por uma sílaba curta de tom baixo, é a combinação entre as partículas "ta" e "a".[14]

Ambas as partículas servem para indicar ações contínuas completas no momento da fala ou em outro dado momento, ou ações que estavam em curso no momento em que algum outro evento ocorreu.[15]

A diferença entre as duas formas é a formalidade, sendo "tábata" considerada mais polida. Esta é, ademais, a forma utilizada em textos de gramática sobre o papiamento em detrimento da versão coloquial "táa".[15]

Modo[editar | editar código-fonte]

A partícula "lo ta"

A combinação entre as partículas "lo" e "ta" indica uma ação contínua e hipotética.[16]

A partícula "lo a"

Essa combinação indica ações passadas hipotéticas.[17]

As partículas "lo táa" e "lo tábata"

Indicam ações passadas contínuas e hipotéticas.[17]

A ausência de partículas

A ausência de quaisquer partículas, como na forma imperativa do papiamento ou em orações subordinadas, indica que a ação é não-contínua, não-perfectiva e não-hipotética.[18]

No caso das orações subordinadas, o aspecto verbal não é marcado pois já foi marcado na oração principal, está no contexto das orações ou não é relevante para a situação da comunicação.[19]

Orações[editar | editar código-fonte]

Ordem sintática[editar | editar código-fonte]

A ordem sintática do papiamento é sujeito-verbo-objeto, sendo o objeto indireto posicionado antes do objeto direto. [20]

Exemplo: E manda mi ruman bo number di telefon. (Ele manda à minha irmã o seu número de telefone).

Foco[editar | editar código-fonte]

Quando alguma estrutura sintática recebe o foco, ela passa a estar no início da frase, preferencialmente junto do marcador de foco "ta". [21]

Exemplo de foco em uma frase adverbial: "M'a bisa awor si mi ta bai skirbi-bo. (Eu disse (...) agora vou escrever para ela).

Frases comparativas[editar | editar código-fonte]

Frases comparativas
Equidade A ta mes X ku B (A é tanto X quanto B)
Superioridade A ta mas X ku B (A é mais X que B)
Inferioridade A ta menos X ku B (A é menos X que B)
Comparativa negativa A no ta asina X manera B (A não é tão X quanto B)
Superlativo E di mas X (É o mais X)

[22]

Frases negativas[editar | editar código-fonte]

As frases negativas em papiamento são formadas através da adicao da partícula "no" (não) ou de partículas negativas como "nada", "ningun" (nenhum), "ningun hende" (ninguém), nunka (nunca), "ningun kaminda" (nenhum lugar).[23]

Frases interrogativas[editar | editar código-fonte]

Não há mudança ou inversão na ordem sintática para a formação de perguntas. Basta adicionar um indicador de questão e aplicar adicionar entonação apropriada. [20]

Exemplo: Ki dia bo ta kere bo ta haya bo outo bèk? (Quando você acha que terá seu carro de volta?)

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

Declaração Universal dos Direitos Humanos[editar | editar código-fonte]

"Articulo 1

Tur ser humano ta nace liber y igual den dignidad y den derecho. Nan ta dota cu rason y cu consenshi y nan mester comporta nan den spirito di fraternidad pa cu otro."


("Artigo 1

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.) [carece de fontes?]

Frases do dia-a-dia[editar | editar código-fonte]

Cumprimentos
Bon bini bem-vindo (a)
Bon dia bom dia
Bon tardi boa tarde
Bon nochi boa noite
Con ta bai? como vai?
Mi ta bon estou bem
Outras frases
Danki Obrigado(a)
Por fabor Por favor
Di nada De nada
Sim
No Não
Ayó Adeus
Te otro biaha Até mais (lit. até outra viagem)

Números[editar | editar código-fonte]

Número Cardinal Ordinal
0 zero
1 unu prome(r) / di prome(r)
2 dos di dos
3 tres di tres
4 cuater di cuater
5 sinku, cincu di sinku / cincu
6 seis (segue o mesmo padrão)
7 shete
8 ocho
9 nuebe
10 dies
11 diesun
12 diesdos
13 diestres
14 diescuater
15 diessinku
16 diesseis
17 dieshete
18 diesocho
19 diesnuebe
20 binti
21 binti un
22 binti dos
30 trinta
40 cuarenta
50 cincuenta
60 sesenta
70 setenta
80 ochenta
90 nobenta
100 cien
200 dos cien
201 dos cien un
1000 mil
2000 dos mil

Comparação com outros crioulos[editar | editar código-fonte]

Português Papiamento Crioulo da Guiné-Bissau Crioulo de Cabo Verde* †
Bem-vindo Bon Bini Bô bim drito Bem-vindo
Bom Dia Bon dia bon dia Bon dia
Obrigado Danki Obrigado Obrigadu
Como vai? Con ta bai? Kuma ku bu na bai? Módi ki bu sa ta bai?
Muito bom Hopi bon I bon dimás Mutu bon
Eu estou bem Mi ta bon Ami n'stá bon N sta dretu
Eu, Eu Sou Mi Ami N, Mi e
Tenha um bom dia Pasa un bon dia Pasa un bon dia Pasa un bon dia
Vejo você depois, Até logo Te aworo N'ta odjau dipus N ta odjâ-u dipôs
Comida Cuminda Bianda; Kumida Kumida
Pão Pan Pon Pon
Suco, Refresco, Sumo Refresco Sumo Sumu
Eu amo Curaçau Mi stima Kòrsow N´gosta di Curaçau N gosta di Curaçao

*Variante de Santiago
†Escrita adotada neste exemplo: Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-Verdiano (ALUPEC)

Menções[editar | editar código-fonte]

  • O papiamento foi homenageado na edição de 2012 da Olimpíada Brasileira de Linguística, que recebeu o nome de "Paraplü", uma palavra em papiamento. Além disso, foi assunto de um problema da prova da primeira fase desta edição.[24]

Referências

  1. Ethnologue
  2. Koninkrijksrelaties, Ministerie van Binnenlandse Zaken en. «Invoeringswet openbare lichamen Bonaire, Sint Eustatius en Saba». wetten.overheid.nl (em neerlandês). Consultado em 18 de agosto de 2021 
  3. Romero, Simon (5 de julho de 2010). «A Language Thrives in Its Caribbean Home». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 18 de agosto de 2021 
  4. Lang, George (2000). Entwisted tongues : comparative creole literatures. Amsterdam: [s.n.] OCLC 44056748 
  5. Quint, Nicolas (2000). Le cap-verdien : origines et devenir d'une langue métisse : étude des relations de la langue cap-verdienne avec les langues africaines, créoles et portugaise. Paris, France: L'Harmattan. OCLC 47894425 
  6. Jacobs, Bart. «Papiamentu: a diachronic analysis of its core morphology». Consultado em 12 de maio de 2022 
  7. Jacobs, Bart. «Jacobs 2009 Origins of Old Portuguese Features in Papiamentu». Consultado em 12 de maio de 2022 
  8. a b Kouwenberg & Murray 1994, p. 6.
  9. Kouwenberg & Murray 1994, p. 8.
  10. Kouwenberg & Murray 1994, p. 12.
  11. a b c d «papiamentu / Pronouns». papiamentu.pbworks.com. Consultado em 11 de maio de 2022 
  12. Salazar 1975, p. 13.
  13. a b Salazar 1975, p. 31.
  14. a b Salazar 1975, p. 33.
  15. a b Salazar 1975, p. 34.
  16. Salazar 1975, p. 35.
  17. a b Salazar 1975, p. 36.
  18. Salazar 1975, p. 37.
  19. Salazar 1975, p. 40.
  20. a b Kouwenberg & Murray 1994, p. 35.
  21. Kouwenberg & Murray 1994, p. 36.
  22. Kouwenberg & Murray 1994, p. 53.
  23. Kouwenberg & Murray 1994, p. 41.
  24. Olimpíada Brasileira de Linguística. «Edição Paraplü». obling.org. Consultado em 12 de maio de 2022 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kouwenberg; Murray (1994). Papiamentu. [S.l.: s.n.] 
  • Salazar (1975). The Papiamento and Jamaican Creole Verbal Systems. [S.l.: s.n.] 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
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