Peter Wilhelm Lund

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P. W. Lund
Paleontologia, História Natural
Peter W. Lund
Nome de nascimento Peter Wilhelm Lund
Nascimento 14 de junho de 1801
Local Copenhague
 Dinamarca
Morte 25 de maio de 1880 (78 anos)
Local Lagoa Santa, MG
 Brasil
Atividade
Campo(s) Paleontologia, História Natural
Alma mater Universidade de Copenhague
Tese 1829: De genere Euphones
Conhecido(a) por Pai da paleontologia e arqueologia no Brasil
Influência(s) Georges Cuvier, Alexander von Humboldt, Auguste de Saint-Hilaire, J. C. H. Reinhardt, Joakin F. Schouw
Influenciado(s) Eugenius Warming, Johannes Theodor Reinhardt, Carlos de Paula Couto, André Prous, Walter Alves Neves, Castor Catelle


Peter Wilhelm Lund (Copenhague, 14 de Junho de 1801Lagoa Santa, 25 de Maio de 1880) foi um dos naturalistas dinamarqueses mais notáveis do século XIX[1] . Mudou-se definitivamente para o Brasil em 1833 e fez extraordinárias escavações em grutas calcárias no vale do Rio das Velhas, em Minas Gerais durante 10 anos, descrevendo minuciosamente a fauna de mamíferos dessa região e as mudanças ambientais que aconteceram desde o Pleistoceno[2] . Em sua obra-prima, A Origem das Espécies, Charles Darwin menciona a admirável coleção de ossadas fósseis recolhidas nas cavernas do Brasil por Lund, que é considerado o pai da paleontologia e arqueologia no Brasil.[3]

Vida[editar | editar código-fonte]

Nasceu de uma próspera família de camponeses da parte central da Jultândia e diplomou-se em Medicina pela Universidade de Copenhague em 1824. Grande estudioso de Botânica e Zoologia, viajou para o Brasil, se estabelecendo no Rio de Janeiro e realizando várias excursões nessa província entre 1825 e 1829. Nestas excursões, coletou grande quantidade de material botânico e zoológico, que enviava, em parte, para o Museu de História Natural da Dinamarca.[1]

Em 1829 retornou à Europa, doutorando-se pela Universidade de Kiel, e visitou universidades europeias, incluindo Berlim, Dresden, Praga, Viena, Roma e o Museu de História Natural de Paris, onde freqüentou cursos de Georges Cuvier, ministrados no Collège de France, aderindo, profundamente, ao catastrofismo daquele naturalista francês.[4]

Peter Lund e colaboradores trabalhando em uma caverna.

Em 1833, voltou definitivamente ao Brasil e ao lado do botânico Ludwig Riedel, viajou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. O resultado dos estudos botânicos promovidos nesta expedição foram publicados em Observações a respeito da vegetação dos campos no interior do Brasil, especialmente fito-históricas, de 1835. Em Curvelo, Minas Gerais, encontrou outro dinamarquês, Peter Claussen, que o apresentou às grutas da região cárstica do vale do Rio das Velhas. Decidiu estabelecer residência em Lagoa Santa e estudou uma enormidade de fósseis encontrados nas centenas de cavernas entre Sabará e Curvelo. Dedicou-se também às pesquisas arqueológicas. Estudou as montanhas da Serra do Espinhaço, recolheu material e remeteu-os para a Sociedade Real de Antiquários do Norte, em Copenhague, junto com um memorial sobre o assunto.[1]

Residência de Lund em Lagoa Santa

Ao longo dos anos, a sua maior preocupação foi com a curadoria de sua coleção, a cargo do zoólogo Johannes Theodor Reinhardt (18161882). Ele também recebeu a visita de jovens naturalistas europeus, com destaque para o botânico Eugenius Warming (1841-1924). Além das visitas do Impérador Pedro II e do Duque de Saxe filho da Rainha Vitória. O estudo completo de sua coleção, E Museo Lundii, só seria publicado pelos curadores desta na Dinamarca, em 1888.

Em 1845, alegando falta de recursos, Lund terminou repentinamente o trabalho nas cavernas. Ele empacotou e doou a sua vasta coleção, com cerca de 20 mil itens, para o rei Cristiano VIII da Dinamarca. Um único exemplar de crânio humano encontrado por ele permanece no Brasil, no IHGB. Permaneceu em Lagoa Santa pelo resto da vida. No início de 1880, Lund ficou doente e morreu de forma tranquila em 25 de maio, O enterro ocorreu com muita música tocando durante todo o cortejo até o cemitério e toda população da cidade de lagoa santa seguiu o caixão.[1]

Realizações[editar | editar código-fonte]

Smilodon populator de Lund

Em 1842, segundo um relato seu, já tinha explorado mais de 200 cavernas na região e descrito 115 espécies de animais - entre os quais o célebre tigre de dentes de sabre (Smilodon populator). Em 1843 encontrou na região vestígios de homens pré-históricos, cujos estudos definiram as características daquele que ficaria conhecido posteriormente como o Homem de Lagoa Santa.

Lund examinando pinturas rupestres

Os trabalhos de Lund levaram à identificação de 150 espécies de mamíferos que habitavam a região desde o Pleistoceno, fazendo de Lagoa Santa a região mais bem conhecida do Brasil em termos de fauna de mamíferos[5] . As descobertas de fósseis humanos levaram Lund, em 1842, a escrever uma carta ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, publicada naquele mesmo ano e intitulada “Sobre a antiguidade do homem de Lagoa Santa”, onde ele discutiu se aquelas ossadas fósseis, uma vez que se encontravam em estratos geológicos que também continham fósseis da fauna extinta. Esta constatação contrariava a premissa do catastrofismo de Georges Cuvier, de que as faunas extintas por catástrofes ocorridas em diferentes momentos, não poderiam estar contidas no mesmo estrato geológico. Esta anomalia na teoria catastrofista levou-o a um questionamento desta teoria, que pode ter contribuído para a súbita interrupção dos trabalhos de Lund[6] . Uma tese de doutorado recente, baseada na imensa coleção de cartas de Lund depositada na Biblioteca Real de Copenhagen, conclui que Lund encerrou suas pesquisas de campo abruptamente devido à falência de uma lavra de ouro em Sabará (MG), da qual era um dos sócios. [7]

Placa em homenagem a Peter Wilhelm Lund, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Peter Lund tem vários táxons nomeados em sua homenagem, dentre eles o gênero de roedor semi-aquático Lundomys[8] e a espécie de rato-de-espinho arborícola Phyllomys lundi[9] .

Obras[editar | editar código-fonte]

Publicou várias memórias em dinamarquês (E Museo Lundii), ricamente ilustradas com pinturas do norueguês Peter Andreas Brandt (1791-1862), que foram organizadas e traduzidas para o português em 1950 pelo paleontólogo Carlos de Paula Couto (1910-1982), sob o título Memórias sobre a Paleontologia Brasileira.

Entre seus trabalhos, Lund escreveu a história do Pleistoceno brasileiro. Entre sua vasta obra, pode-se destacar:

  • Vista da fauna do Brasil anterior à última revolução geológica;
  • Cavernas calcáreas existentes no interior do Brasil, contendo algumas delas ossadas humanas;
  • Relatório sobre vertebrados do Brasil;
  • Sobre os animais carbonizados no Brasil na época geológica atual e anterior;
  • Anotações sobre os últimos exames e descobertas em cavernas do Brasil.

Referências

  1. a b c d Holten, B. & M. Sterll (2011) Peter Lund e as grutas de ossos em Lagoa Santa. Editora UFMG, Belo Horizonte.
  2. Voss, R.S. & P. Myers (1991). Pseudoryzomys simplex (Rodentia: Muridae) and the significance of Lund's collections from the caves of Lagoa Santa, Brazil. Bull. Am. Mus. Nat. Hist. 206:414-432. 
  3. http://www.lagoasanta.com.br/homem/historia_lund_raquel_aguiar.htm
  4. Faria, Felipe. Georges Cuvier: do estudo dos fósseis à paleontologia, 2012. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 978-85-7326-487-6
  5. Leite, Y.L.R. & Costa, L.P. (2002) Peter Wihelm Lund e a fauna de mamíferos do vale do Rio das Velhas. O Carste 14(1):33-40.
  6. Faria, F.Felipe de A.. Peter Lund (1801-1880) e o questionamento do Catastrofismo(in)Filosofia e História da Biologia Volume 3, 2008 - Seleção de Trabalhos do VI Encontro de Filosofia e História da Biologia, pp:139-156 (disponível em http://www.abfhib.org/FHB/FHB-03/FHB-v03-08-Frederico-Felipe-Faria.pdf). [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 1983-053X
  7. Luna Filho, P. E. (Peter Moon) (2007). Peter Wilhelm Lund: o auge das suas investigações científicas e a razão para o término das suas pesquisas. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo. [1]
  8. Voss, R.S. & M.D. Carleton (1993) A new genus for Hesperomys molter Winge and Holochilus magnus Hershkovitz (Mammalia, Muridae) with an analysis of Its phylogenetic relationships. American Museum Novitates 3085:1-39.
  9. Leite, Y.L.R. (2003). Evolution and systematics of the Atlantic tree rats, genus Phyllomys (Rodentia, Echimyidae), with description of two new species. University of California Publications in Zoology 132: 1-135. http://escholarship.org/uc/item/5kp5b25q

Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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