Curvelo

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Município de Curvelo
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Vista aérea noturna de parte da cidade.

Vista aérea noturna de parte da cidade.
Bandeira de Curvelo
Brasão de Curvelo
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 15 de novembro de 1875 (143 anos)[1]
Gentílico curvelano[2]
Lema O temor do senhor é o princípio da sabedoria... (Prov. 9, 10).
Padroeiro(a) Santo Antônio[3]
CEP 35789-000 a 35799-999[4]
Prefeito(a) Maurílio Soares Guimarães (DEM)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Curvelo
Localização de Curvelo em Minas Gerais
Curvelo está localizado em: Brasil
Curvelo
Localização de Curvelo no Brasil
18° 45' 21" S 44° 25' 51" O18° 45' 21" S 44° 25' 51" O
Unidade federativa Minas Gerais
Região intermediária

Belo Horizonte IBGE/2017[5]

Região imediata

Curvelo IBGE/2017[5]

Municípios limítrofes Cordisburgo, Corinto, Felixlândia, Inimutaba, Morro da Garça, Papagaios, Paraopeba, Pompéu, Presidente Juscelino Santana de Pirapama e Santo Hipólito.[6]
Distância até a capital 168 km
Características geográficas
Área 3 296,2 km² [2]
Distritos Angueretá, Curvelo (sede), JK, Santa Rita do Cedro e Tomás Gonzaga[7]
População 79 625 hab. estatísticas IBGE/2018[2]
Densidade 24,16 hab./km²
Altitude 672 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,713 alto PNUD/2010[8]
PIB R$ 1 354 417,01 mil IBGE/2016[9]
PIB per capita R$ 17 057,93 IBGE/2016[9]
Página oficial
Prefeitura www.curvelo.mg.gov.br
Câmara www.cmcurvelo.mg.gov.br

Curvelo é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central mineira e sua população em 2018 era de 79 625 habitantes.[2] Seu nome tem origem em um dos seus primeiros moradores, o padre Antônio de Ávila Curvelo.[1] Ocupa o 14º lugar no ranking das 50 cidades pequenas brasileiras que apresentam melhor desenvolvimento econômico, segundo estudos recentes.[10]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Conspiração do Curvelo

Por volta de 1700, baianos e paulistas, dentre outros desbravadores – aqueles subindo ou descendo os rios São Francisco e Guaicuí em busca de ouro e pedras preciosas –, tinham como pouso as margens do ribeirão Santo Antônio. Alguns decidiram ficar nestas paragens e, em torno de humilde capela, deram início ao núcleo populacional.

Depois de existir como arraial e distrito, designado por outras denominações, Curvelo se desmembrou de Sabará e se tornou município autônomo, por um decreto da Regência, de 13 de outubro de 1831, tendo como sede a vila homônima. Em 30 de julho de 1832, foi instalada a Câmara de Vereadores. Em 7 de dezembro do mesmo ano, houve a ereção do pelourinho, símbolo da autonomia do poder, e, em 15 de novembro de 1875, a sede da comuna elevou-se à categoria de cidade.

Destacou-se durante longos anos na cotonicultura, sendo considerada a "terra do ouro branco". Aliás, sua rica indústria receberia prêmio internacional na Itália, em Turim, no ano de 1911. Teve, e ainda tem grande evidência em outros setores, como agropecuária, educação, comércio, serviços, cultura e saúde.

É a cidade-mãe de muitos distritos hoje emancipados, tais como Morro da Garça, Inimutaba, Presidente Juscelino e Santana de Pirapama. É também o berço de uma das mais elegantes facas brasileiras, denominada "Curvelana" e que teria surgido por volta de 1880-90.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa urbano de Curvelo 2016

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE,[11] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Belo Horizonte e Imediata de Curvelo.[5] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Curvelo, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Mineira.[12]

A população estimada de Curvelo era de 79 401 habitantes em julho de 2016.[13] O município encontra-se situado na mesorregião central de Minas Gerais, na microrregião de Curvelo, com uma área de 3.306,1 km² e distante aproximadamente 170 km da capital mineira. Tem localização privilegiada numa região servida por importantes sistemas rodoviários, onde se destaca a rodovia BR-040 que faz a ligação entre Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, a BR-135 (Trajeto Rio/Bahia) e BR-259 (Acesso à Diamantina).

A sede do município apresenta altitude de 633 m e tem sua posição geográfica determinada pelo paralelo de 18º 45' da latitude sul em sua interseção com o meridiano de 44º25'de longitude oeste. Está situado na chamada Depressão Sertaneja-São Francisco, de relevo ondulado, mas onde não há serras propriamente ditas, entre as bacias do rio São Francisco, rio das Velhas, rio Paraopeba, Cipó e Bicudo. Curvelo é cortada por diversos ribeirões que desaguam nestes rios, sendo os mais importantes o Maquiné, o Picão, o Almas, o Meleiros, o Santo Antônio e o Riacho Fundo.

Possui reservas minerais de Ardósia, Calcário, Zinco, Cristais e Quartzo.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Curvelo é classificado como tropical de altitude (tipo Cwa segundo Classificação climática de Köppen-Geiger), característica advinda de sua altitude média de 672 metros acima do nível do mar e da latitude de 18,45ºS e longitude de 44,25ºW. Sendo assim, o período de verão registra chuvas e temperaturas elevadas, enquanto o inverno é seco com temperaturas mais baixas. A temperatura é amena a quente durante o ano.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1976, 1978 a 1984, 1986 a 1990 e a partir de 1992, a menor temperatura registrada em Curvelo foi de 3 °C em 18 de julho de 2000,[14] mas o recorde mínimo absoluto desde 1912 foi de 1,2 °C em 26 de junho de 1918.[15] Já a maior atingiu 39,9 °C em 29 de outubro de 2007.[16] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 152 milímetros (mm) em 26 de janeiro de 1979. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram 148 mm em 4 de janeiro de 1997, 139 mm em 21 de novembro de 1994, 129 mm em 16 de janeiro de 1992, 120,8 mm em 25 de dezembro de 2008, 119,8 mm em 1° de março de 2010, 116,4 mm em 30 de novembro de 2007, 114,6 mm em 17 de dezembro de 2013 e 100,6 mm em 8 de fevereiro de 2015.[17] Janeiro de 1979, com 633,8 mm, foi o mês de maior precipitação.[18]

Dados climatológicos para Curvelo
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 38,3 39 38 36 34,2 33,6 34 36,3 39,3 39,9 38,6 38,5 39,9
Temperatura máxima média (°C) 31,2 32,1 31,6 31,1 29,4 28,4 28,5 30,1 32 32,3 30,8 30,3 30,7
Temperatura média compensada (°C) 24,4 24,9 24,6 23,6 21,4 19,8 19,7 21,3 23,5 24,6 24 23,9 23
Temperatura mínima média (°C) 19,1 19 18,6 17 14,2 12,1 11,6 12,9 15,8 18,2 18,7 19,1 16,4
Temperatura mínima recorde (°C) 11,8 11,4 11,4 10,2 4,6 4 3 6,4 8 10 10,6 11,6 3
Precipitação (mm) 208,8 116,3 154,6 43,1 18,7 6,6 6,2 11,7 19 67,8 191 250,2 1 094
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 13 9 9 4 2 1 1 1 3 6 13 15 77
Umidade relativa compensada (%) 73,8 70,8 70,8 70,3 68,6 66,4 62,5 58,4 55,3 61,7 71,1 76,9 67,2
Horas de sol 151,3 151,6 134,8 196 175,3 172,5 189,8 191,6 167,2 148,5 143,6 112,8 1 935
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[19] recordes de temperatura: 01/01/1961 a 02/03/1976, 01/03/1978 a 31/12/1984, 01/01/1986 a 31/12/1990, 01/01/1992 a 30/06/2001, 01/11/2001 a 31/03/2002 e 01/01/2003-presente)[nota 1][14][16]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação original do município é o cerrado, com cerradões e matas de galeria, além de faixas de Mata Atlântica, modificado pela expansão das pastagens de gado vacum e das áreas de plantação de eucaliptos. Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a sede da cidade de Curvelo é uma das mais arborizadas do estado, predominando espécies como Sibipiruna, Oiti e em menor medida o Ipê.

A presença de frutos típicos do cerrado se faz notar na culinária, especialmente o Pequi, que é consumido tanto em pratos salgados quanto os doces. Além do pequi, são comuns nas feiras da cidade o araticum (Annona crassiflora), a Mangaba e o Jatobá, onde também se vendem garrafadas com folhas e raízes de plantas da região.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Entre os principais locais turísticos, existem:

  • o Centro Cultural de Curvelo. Localizado no prédio da antiga estação ferroviária da Estrada de Ferro Central do Brasil reformado, abriga um museu, um espaço de multimídia, biblioteca e galerias de arte.
  • a Basílica de São Geraldo. É a segunda Basílica dedicada a São Geraldo no mundo - a primeira está em Materdomini (comuna de Caposele), na Itália, onde o santo está enterrado. A Oitava de São Geraldo acontece na última semana de agosto, com encerramento pela arrojada procissão de São Geraldo no primeiro domingo de setembro, quando a cidade recebe uma multidão de romeiros de todas as partes do país e até do exterior.
  • a Matriz de Santo Antônio. Benzida em 1877, tem como forte atração o altar-mor entalhado pelo mestre Chico Entalhador.
  • o Forró de Curvelo. Promovido por entidades, clubes de serviço e a prefeitura, é realizado em data que transita o entre o último fim de semana de junho e o primeiro fim de semana de julho. Durante os quatro dias de festa, são armadas barracas em praça pública com direito a grandes shows de artistas nacionais, concursos de música popular, danças e outras brincadeiras. Todas as barracas oferecem pratos típicos com cardápios variados. O Forró de Curvelo é um evento em âmbito estadual, envolvendo não só as cidades próximas, mas também trazendo turistas da capital, de cidades mais afastadas e até de outros estados.
  • o Parque de Exposições Ernesto Salvo. É o local onde realiza-se, anualmente, há mais de 60 anos, a tradicional Exposição Agropecuária e Industrial de Curvelo.
  • a Lapa do Mosquito. Uma das gruta exploradas pelo dinamarquês Peter Wilhelm Lund, aguarda mapeamento e adequação para visitação pública.
  • Autódromo Internacional Circuito dos Cristais.

Além desses, há também a Praça Benedito Valadares; a Praça Tiradentes; a Praça Voluntários da Pátria (Praça da Basílica), a Praça Central do Brasil; a Feira do Bairro Bela Vista; o Estádio Salvo Filho; o Clube Recreativo Curvelano (Sede Campestre); e a Feira da Estação.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Dados de temperatura máxima disponíveis até 13 de abril de 2014.

Referências

  1. a b Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (2007). «Curvelo - Histórico» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 20 de março de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 20 de março de 2019 
  2. a b c d Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Curvelo». Consultado em 20 de março de 2019. Cópia arquivada em 20 de março de 2019 
  3. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). «Lista por santos padroeiros» (PDF). Descubra Minas. p. 4. Consultado em 14 de setembro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 14 de setembro de 2017 
  4. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. «Busca Faixa CEP». Consultado em 1 de fevereiro de 2019 
  5. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 20 de março de 2019 
  6. Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). «Curvelo». Consultado em 29 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 20 de março de 2019 
  7. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (9 de setembro de 2013). «Curvelo - Unidades territoriais do nível Distrito». Consultado em 20 de março de 2019. Cópia arquivada em 20 de março de 2019 
  8. Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 9 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 8 de julho de 2014 
  9. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2016». Consultado em 20 de março de 2019. Cópia arquivada em 20 de março de 2019 
  10. «Curvelo está entre as cidades pequenas mais desenvolvidas do Brasil». Consultado em 16 de setembro de 2016 
  11. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Divisão Regional do Brasil». Consultado em 20 de março de 2019. Cópia arquivada em 20 de março de 2019 
  12. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016). «Divisão Territorial Brasileira 2016». Consultado em 20 de março de 2019 
  13. «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1 de julho de 2016» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 24 de outubro de 2016 
  14. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C) - Curvelo». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 7 de julho de 2018 
  15. Fundação João Pinheiro (1994). «Anuário Estatístico de Minas Gerais 1990-1993». Belo Horizonte (MG). Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. 8: 54–55. ISSN 0101-7918. Consultado em 20 de março de 2019. Cópia arquivada em 20 de março de 2019 
  16. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura máxima (°C) - Curvelo». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 7 de julho de 2018 
  17. «BDMEP - série histórica - dados diários - precipitação (mm) - Curvelo». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 7 de julho de 2018 
  18. «BDMEP - série histórica - dados mensais - precipitação total (mm) - Curvelo». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 7 de julho de 2018 
  19. «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 7 de julho de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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