Rabdomiólise

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Rabdomiólise
Modelo da mioglobina, uma proteína relacionada com a lesão renal da rabdomiólise.
Classificação e recursos externos
CID-10 M62.8, T79.6
CID-9 728.88
DiseasesDB 11472
MedlinePlus 000473
eMedicine ped/2003 emerg/508
MeSH D012206

Rabdomiólise é a quebra (lise) rápida de músculo esquelético (rabdomio) devido à lesão no tecido muscular. A lesão muscular pode ser causada por fatores físicos, químicos ou biológicos. A destruição do músculo leva à libertação de produtos das células musculares na corrente sanguínea; alguns dos quais, como a mioglobina (uma proteína), são lesivos para os rins, podendo causar insuficiência renal aguda. Seus primeiros sinais e sintomas podem incluir mialgias, fraqueza muscular e o escurecimento da urina. O tratamento faz-se com fluidos intravenosos e diálise ou hemofiltração se necessários.

A rabdomiólise e suas complicações são problemas encontrados em pessoas que sofrem lesões em desastres como terremotos e bombardeios. Além do traumatismo corporal, existem muitas outras situações que podem aumentar de forma substancial o risco de aparecimento da rabdomiólise, como convulsões, ingestão de álcool, infecções, cirurgias, hipotireoidismo e o uso de certas drogas como cocaína e estatinas.[1]

A doença e seus mecanismos foram elucidados pela primeira vez na Blitzkrieg de Londres em 1941. Nesse episódio diversas casas foram bombardeadas, gerando muitas mortes por desabamento. Características semelhantes também foram observadas em diversos soldados, queimados em trincheiras, que posteriormente levariam a sua identificação naqueles que sobreviveram.[1]

O exercício físico extenuante, realizado em condições de muito calor e alta umidade em pessoas com hidratação inadequada também resulta em rabdomiólise.[2]

A gravidade da doença varia desde elevações assintomáticas das enzimas musculares séricas para doença com risco de vida associada a elevações extremas de enzimas, desequilíbrio eletrolítico e lesão renal aguda.[3]

Etiologia[editar | editar código-fonte]

Há várias causas potenciais de rabdomiólise que podem ser divididas em três categorias:

a) compressão traumática ou muscular;

b) não traumática com esforço;

I - excesso de atividade muscular

II - miopatias metabólicas.

III - desregulação térmica.

c) não traumática sem esforço;

I - drogas.

II - toxinas.

III - infecções.

IV - distúrbios eletrolíticos.

Manifestações Clínicas[editar | editar código-fonte]

A tríade clássica da Rabdomiólise é composta por mialgia, fraqueza muscular e urina escura, com tonalidade variando entre castanha e vermelha. Outros sinais e sintomas musculares podem estar presentes, como edema, rigidez e cãibras. Sintomas gerais são comuns, como febre, mal-estar, náuseas e vômitos. Outras manifestações podem sobrepor ao quadro clínico, na dependência da doença de base ou de complicações, como Insuficiência Renal Aguda (IRA), distúrbios eletrolíticos ou coagulação intravascular disseminada.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A rabdomiólise pode ser comprovada somente através de valores aumentados no plasma sanguíneo de enzimas, que normalmente existem nos músculos. Elas são a creatina quinase, mioglobina e a lactato desidrogenase (LDH). A urina se torna vermelho-castanho na presença de valores altos de mioglobina através da liberação de mioglobina através dos rins (mioglobinúria).

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento dependerá do quadro clínico: formas graves devem ser tratadas com hidratação endovenosa, o que aumenta a velocidade de eliminação renal dos eletrólitos, enzimas e outros produtos liberados pelo músculo lesionado.

Caso o paciente apresente elevação do potássio é necessário adotar medidas para normalizar seus níveis e evitar arritmias. Quadros de insuficiência renal grave podem precisar temporariamente de hemodiálise. Outras medidas, como alcalinização e uso de diuréticos, ainda não têm eficácia comprovada.[4]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Lopes, Gustavo C.; Luciane P. da. (2013-12-31). "Rabdomiólise induzida pelo exercício: biomarcadores, mecanismos fisiopatológicos e possibilidades terapêuticas" (em pt). Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto 12 (4). DOI:10.12957/rhupe.2013.8713. ISSN 1983-2567.
  2. «Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva: Desidratação, Dores Musculares e Rabdomiólise». www.marcosbritto.com. Consultado em 2016-03-09. 
  3. Manual para Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Rabdomiólise Diretoria de Saúde da Marinha [S.l.] 2016. 
  4. «Você sabe o que é rabdomiólise - Hospital Israelita Albert Einstein». www.einstein.br. Consultado em 2016-03-09.