Reserva Biológica Federal do Tinguá

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Reserva Biológica do Tinguá
Categoria Ia da IUCN (Reserva Natural Estrita)
Vista do maciço do Tinguá, em Nova Iguaçu
Localização  Rio de Janeiro,  Brasil.
Dados
Área 26,260 ha[1]
Criação 23 de maio de 1989 (29 anos)[1]
Gestão ICMBio
Coordenadas 22° 32' 43" S 43° 23' 05" O
Reserva Biológica do Tinguá está localizado em: Brasil
Reserva Biológica do Tinguá

A Reserva Biológica Federal do Tinguá é uma reserva biológica brasileira. Estende-se por uma área de 26 mil hectares e abrange seis cidades, sendo a maior parte dentro do município de Nova Iguaçu; abrange também parte de Duque de Caxias, Petrópolis e Miguel Pereira e Engenheiro Paulo de Frontin. Em 1997, a reserva foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco e está incluída na reserva da biosfera da Mata Atlântica.

A região mais alta da reserva atinge os 1 600 metros de altitude, sendo possível avistá-la de toda a extensão do município. No seu interior, em local não aberto à visitação pública, encontram-se as ruínas da freguesia de Santana das Palmeiras, povoação que foi abandonada no final do século XIX.

Hoje, a reserva está fortemente ameaçada por caçadores que matam animais silvestres para vender carnes exóticas ou os capturam para inclusive exportar. Grandes empresas poluidoras contribuem para a degradação ambiental. Existe até um aterro sanitário que beira a reserva onde ilegalmente foram despejados resíduos altamente tóxicos. A população que vive em torno da reserva tem problemas com a contaminação do lençol d'água que consome. Entre os mamíferos, ainda existem exemplares da suçuarana na região.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Tinguá" é um termo da língua geral meridional que designa uma espécie não identificada de planta.[2]


História[editar | editar código-fonte]

Em 1941, através de decreto, foi criada a Floresta Protetora da União Tinguá, Xerém e Mantequira em terras de domínio público federal, que incluem mananciais denominados Serra Velha, Boa Esperança e Bacurubu, os quais até hoje contribuem para o abastecimento de água para boa parte da Baixada Fluminense. Conforme definido pelo antigo Código Florestal de 1934, Florestas Protetoras eram “áreas extensas não habitadas, de difícil acesso e em estado natural, das quais ainda são necessários conhecimentos e tecnologia para o uso”.

Uma grande mobilização da comunidade do entorno para que a área fosse protegida inicia-se em 1987. Após longa discussão com a comunidade do entorno, foi realizado um plebiscito na comunidade de Tinguá, em Nova Iguaçu, para definir se a categoria da unidade de conservação seria parque nacional ou reserva biológica. [3]

Em 1988 e em 1989 o presidente do IBAMA faz algumas visitas ao local e em maio de 1989 o decreto criando o parque nacional esteve na mesa do Presidente José Sarney, no entanto após pressão da bancada ambientalista o presidente opta por categorizar a unidade de conservação como parque nacional.[3]

A criação da Reserva Biológica do Tinguá se deu através do Decreto nº 97.780 de 23 de maio de 1989, que representa o ponto culminante da oficialização de um longo processo com o objetivo de proteger a área.[3]

Patrimônio Histórico e Cultural[editar | editar código-fonte]

Trecho da Estrada do Comércio no interior da Reserva Biológica do Tinguá.

No interior da Reserva Biológica do Tinguá estão localizadas as ruínas da antiga Freguesia de Sant'Ana das Palmeiras, da Estrada do Comércio, dentre outros atrativos do patrimônio histórico, como o Reservatório de Rio d'Ouro, Parada da Represa, aquedutos e captações nos rios d'Ouro e Santo Antônio, em Tinguá e em Xerém, todos localizados no interior da reserva biológica.

O principal argumento dos moradores, historiadores, arqueólogos e defensores da parque nacional é que além de possuir atributos biológicos, a unidade de conservação possui atributos históricos e culturais do tempo da Colônia e do Império.


Recategorização para parque nacional[editar | editar código-fonte]

Até hoje existem manifestações por parte dos moradores das cidades do entorno e do meio acadêmico em favor da transformação em parque nacional. Em 2017 a Prefeitura de Nova Iguaçu realizou um seminário intitulado Parque Nacional do Tinguá - uma visão de futuro para Baixada Fluminense, onde estiveram apoiando a proposta do parque a ONG Conservação Internacional, o ex-chefe do Parque Nacional da Serra da Bocaina, Francisco Livino, o ex-chefe do Parque Nacional do Itatiaia, Miguel von Behr, o ex-chefe do Parque Nacional da Patagônia, Jaime Rios, dentre moradores e ONGs locais como a Entidade Ambientalista Onda Verde e o Instituto Ecopreservar.

Para o engenheiro florestal e professor do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Ricardo Valcarcel, a unidade de conservação preenche todos os requisitos para ser categorizada como parque nacional:

"Tinguá ser reserva biológica é um verdadeiro sacrilégio, um absurdo."

Diversos profissionais com vasta experiência na área de conservação da natureza também compartilham da mesma opinião, dentre eles o biólogo Rodrigo Medeiros, vice-presidente da Conservação Internacional:

"Tinguá reúne todas as condições, se pegar de cinco a oito por cento da área e transformar isso em uso público, não tem nada demais."

Dentro do próprio órgão responsável pela gestão da reserva biológica há uma divisão, pois diversos técnicos são partidários da categoria parque, enquanto outros são partidários da categoria reserva.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Tinguá


Referências

  1. a b Vários autores (2006). Plano de Manejo da Reserva Biológica do Tinguá (PDF). Brasília, DF: IBAMA 
  2. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 603.
  3. a b c SANTOS, Elloá Figueiredo dos. O Processo de Criação da Reserva Biológica do Tinguá: conflitos na constituição de uma Unidade de Conservação, Nova Iguaçu-RJ (1987-1989). 2014. 131f. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2014.
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