São Bartolomeu (coletividade)

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Collectivité de Saint-Barthélemy
Colectividade de São Bartolomeu
Bandeira
Blason St Barthélémy TOM entire.svg
Bandeira Brasão
Gentílico: são-bartolomeense

Localização

Localização de São Bartolomeu
Capital Gustávia
Cidade mais populosa Gustávia
Língua oficial Francês
Língua não-oficial Crioulo de São Bartolomeu
Governo Coletividades de ultramar da França
 - Presidente da França Emmanuel Macron
 - Prefeito Delegado Jacques Simonnet
 - Prefeito do Conselho Bruno Magras
 - Deputado Victorin Lurel
 - Senador Michel Magras
 - Separação do Departamentos de ultramar 21 de Fevereiro de 2007 
Área  
 - Total 25 km² 
População  
 - Estimativa para 2006 8 398 hab. 
 - Densidade 335 hab./km² 
PIB (base PPC)
 - Total US$ 179 000 000 
 - Per capita US$ 26 000 
IDH n/a (n/a.º) – Não Classificado
Moeda Euro € (EUR)

São Bartolomeu[1][2] (Saint-Barthélemy em língua francesa), oficialmente Coletividade de São Bartolomeu (Collectivité de Saint-Barthélemy em francês), é um território pertencente à França, com 21 km², envolvendo a ilha de São Bartolomeu e outros territórios pequenos próximos à ilha. Também conhecido por Saint-Barts, Saint-Barths ou Saint-Barth, a Colectividade de São Bartolomeu é um dos quatro territórios das Pequenas Antilhas que englobaram as Índias Ocidentais Francesas. A principal cidade da ilha é Gustávia, nomeada em homenagem ao rei Gustavo III da Suécia.[3] Tem o estatuto de coletividade ultramarina desde 21 de fevereiro de 2007.

Geografia e economia[editar | editar código-fonte]

São Bartolomeu fica no Mar do Caribe imediatamente a sudeste das ilhas de São Martinho e Anguila. Alguns pequenos ilhotes de próximos pertencem a São Bartolomeu. Morne du Vitet, com 286 metros de altitude, é o pico mais alto da ilha.

A ilha costuma ser dividida em duas regiões chamadas de paroisses (paróquias): Sous le Vent (Sotavento) e Au Vent (Barlavento).

O lado leste é mais úmido do que o oeste. O verão é de maio a novembro, que é também a estação chuvosa. O inverno de dezembro a abril é a estação seca. A umidade, no entanto, não é muito alta devido aos ventos.

De acordo com um censo de 2013, São Bartolomeu tinha 9.279 habitantes, sendo que a maioria são cidadãos franceses. Gustavia, capital de São Bartolomeu, é a cidade mais populosa.[4]

A produção agrícola na ilha é difícil, dado o terreno seco e rochoso. As atrações portuárias isentas de impostos, o comércio varejista, o turismo coms seus hotéis e moradias de luxo aumentaram a prosperidade da ilha, refletida no alto padrão de vida de seus cidadãos. A moeda oficial é o euro.

História[editar | editar código-fonte]

Descoberta e colonização francesa[editar | editar código-fonte]

A ilha foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1493, e ele a nomeou de Ilha de São Bartolomeu em homenagem ao seu irmão, o cartográfo Bartolomeu Colombo. A colonização formal começa com os primeiros colonizadores franceses, em 1648, liderados por Jacques Gentes, os colonos iniciaram o cultivo de cacau, até o ataque dos nativos os forçou a recuar.[5]

Membro da Ordem de São João, o administrador De Poincy (Phillippe de Longvilliers de Poincy) facilitou a transferência de propriedade da Compagnie des Îles de l'Amérique para a Ordem. Com sua morte em 1660 a ilha foi comprado pela empresa francesa das Índias Ocidentais cinco anos depois. As ilhas tornaram-se parte do Reino francês em 1674, quando a empresa foi dissolvida.[6]

Quando os britânicos invadiram a cidade do porto em 1744, os edifícios arquitetônicos da cidade foram destruídos. Posteriormente, novas estruturas foram construídas na cidade em torno da área do porto

A ilha de São Bartolomeu pertenceu por um breve período aos britânicos em 1758.

Colónia Sueca - Sankt Barthélemy[editar | editar código-fonte]

É a única ilha caribenha que foi colônia da Suécia por um longo período, durou quase um século - entre 1784 e 1878.[7] Já a vizinha Ilha de Guadalupe esteve sob o governo sueco apenas, brevemente, no final das guerras napoleônicas.

A ilha de São_Bartolomeu foi dada, pelo rei francês Luís XVI, à Suécia em 1784 em troca de direitos comerciais em Gotemburgo.[8] Anteriormente à ocupação sueca, o porto da ilha era conhecido como "Carénage", os suecos o renomearam como Gustavia em homenagem ao rei Gustavo III da Suécia. A esta mudança de controle da ilha surgiu um importante surto de progresso e prosperidade, já que os suecos declararam Gustavia como uma espécie de porto livre, conveniente para negociar pelos europeus quanto a bens, incluindo material de contrabando. O porto manteve uma posição neutra desde a guerra do Caribe no século 18.

A Escravidão foi praticada durante o período sueco, mas os últimos escravos obtiveram sua liberdade legal pelo governo em 9 de Outubro de 1847.[9][10] Uma vez libertados, os escravos sofreram dificuldades econômicas devido à falta de oportunidades de emprego já que a ilha não era área de plantation, como eram as demais ilhas das Antilhas (principalmente no cultivo de cana-de-açúcar).

Em 1852, um furacão com grande poder de destruição atingiu a ilha, seguido por um incêndio. Já em 1877 houve um referendo, e os suecos devolveram a ilha para a França em 1878, a partir disto a ilha passou a ser governada pelos franceses como sendo parte integrante do território administrativo da Ilha de Guadalupe.[8]

Alguns monumentos desta época ainda estão intactos, como a residência do então governador sueco, agora a prefeitura; a estrutura colonial mais antiga da cidade de Gustavia é a torre do sino (agora sem um sino) construída em 1799, como parte de uma igreja (destruída no passado), agora um grande relógio encontra-se instalado no lugar do sino. O passado colonial sueco da ilha é evocado em seu brasão oficial, as armas nacionais suecas estão simbolizadas com as "Três Coroas" sobre um fundo azul (blau).

Tempos modernos[editar | editar código-fonte]

Os habitantes da ilha tornaram-se cidadãos franceses, com todos os direitos, em 19 de março de 1946. As atividades de turismo iniciaram=se na década de 1960, se afirmando na década de 1970. Já em 2003, por meio de um referendo, os habitantes da ilha alcançaram maior autonomia política se separação da jurisdição administrativa de Guadalupe; Um senador representa a ilha de São Bartolomeu em Paris.

Imigração portuguesa[editar | editar código-fonte]

Quase metade dos habitantes da ilha são portugueses. Das cerca de oito mil pessoas que vivem na ilha de São Bartolomeu. Três mil são portugueses, oriundos do Norte de Portugal, sobretudo de Braga, Guimarães, Barcelos e Monção.

Sem Consulado português em S. Bartolomeu (os emigrantes dependem da Embaixada portuguesa em Paris), aos poucos, a comunidade vai-se organizando. A equipa portuguesa de futebol já esteve em primeiro lugar na classificação local.

A Associação Desportiva e Cultural Portuguesa de S. Bartolomeu foi a grande responsável por dinamizar e incentivar os emigrantes portugueses a participarem nas atividades da ilha. A festa do 25 de Abril, o S. João e o S. Martinho são as únicas festas tradicionalmente portuguesas que se celebram.[11]

Politica e governo[editar | editar código-fonte]

A ilha tem um presidente (eleito a cada cinco anos), um Conselho Território Unicameral de dezenove membros que são eleitos por voto popular e servem por termos de cinco anos e um conselho executivo de sete membros. Um senador representa a ilha no Senado francês.

O Estado francês é representado por um prefeito nomeado pelo presidente da república, sob o conselho do Ministro do Interior.

Relações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Serviço das Publicações da União Europeia. «Anexo A5: Lista dos Estados, territórios e moedas». Código de Redacção Interinstitucional. Consultado em 19 de janeiro de 2012 
  2. Macedo, Vítor (Primavera de 2013). «Lista de capitais do Código de Redação Interinstitucional» (PDF). Sítio web da Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (n.º 41). 11 páginas. ISSN 1830-7809. Consultado em 23 de maio de 2013 
  3. Ernby, Birgitta; Martin Gellerstam, Sven-Göran Malmgren, Per Axelsson, Thomas Fehrm (2001). «Saint-Barthélemy». Norstedts första svenska ordbok (em sueco). Estocolmo: Norstedts ordbok. p. 537. 793 páginas. ISBN 91-7227-186-8 
  4. INSEE. «Recensement de la population en Guadeloupe - 402 119 habitants au 1er janvier 2013» (em francês). Consultado em 21 de maio de 2016 
  5. «The World Factbook». cia.gov 
  6. Reinhard H. Luthin, 'St. Bartholomew: Sweden's Colonial and Diplomatic Adventure in the Caribbean' in The Hispanic American Historical Review, Vol. 14, No. 3 (Aug., 1934), pp. 307-324.
  7. «S. Barthelemy under svenskt välde (São Bartolomeu sob o domínio sueco (em sueco). Projekt Runeberg - S. Barthelemy under svenskt välde. Consultado em 18 de abril de 2017 
  8. a b Saint Barthélemy (France), October 1877: Integration into France Direct Democracy (em alemão)
  9. Ordinance concerning the Police of Slaves and free Coloured People. Source: 'Mémoire St Barth', Saint-Barthélemy. Memoirestbarth.com; Francine M. Mayer, and Carolyn E. Fick, "Before and After Emancipation: Slaves and Free Coloreds of Saint-Barthelemy (French West Indies) in The 19th Century." Scandinavian Journal of History 1993 18 (4): 251–273.
  10. « 9 octobre » (1847) Source: 'Mémoire St Barth', Saint-Barthélemy. Memoirestbarth.com (em francês).
  11. «Quase metade dos habitantes de uma ilha paradisíaca são portugueses» 
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