Arquipélago de Chagos

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O Arquipélago de Chagos, conhecido primeiro pela forma portuguesa Bassas de Chagas,[1] é um grupo de sete atóis, com mais de 60 ilhas tropicais situado no Oceano Índico. Administrativamente, este arquipélago faz parte do Território Britânico do Oceano Índico.

Os sete atóis com ilhas emersas permanentemente são:

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros europeus a visitarem o arquipélago foram os portugueses no século XVI.[2] Em 1764 a Companhia Francesa das Índias Orientais levou as ilhas colonizadores franceses e escravos africanos. Os britânicos disputaram o controlo das ilhas com os franceses entre 1786 e 1814, quando o arquipélago foi tomado pelos britânicos.

A população nativa foi deportada pelo governo britânico no final dos anos 60, início dos anos 70, para cumprir os termos de um contrato de arrendamento para despovoar as ilhas, inicialmente para um centro de comunicação, que mais tarde se tornaria uma base militar dos Estados Unidos da América na ilha principal de Diego Garcia durante a Guerra Fria.[3]

Hoje, o arquipélago Chagos é uma zona militar que serviu para o lançamento de B52's durante a operação Raposa do Deserto na Guerra do Iraque, em 1998, e para os vários bombardeios ao Afeganistão e ao Iraque, subsequentemente.

Os ilhéus sobreviventes ainda lutam pelo retorno ao seu país nos Tribunais Britânicos. O corrente contrato de arrendamento expira em 2016 mas há a opção de renovação por mais 50 anos.[4]

Pelo menos 2.000 pessoas viviam na Ilha de Diego Garcia, onde havia: uma escola, um hospital, uma igreja, uma prisão, uma ferrovia, docas e plantações. Os primeiros assentamentos na ilha datam do século XVIII. Contudo, o governo Britânico criou uma ficção de que os ilhéus eram apenas "trabalhadores de contrato temporário", podendo, assim, ser "retornados" para as Ilhas Maurício.

Inicialmente, os ilhéus foram enganados e intimidados para deixarem a ilha. Com a chegada dos americanos para a construção da base, o governador das Ilhas Seychelles ordenou que todos os cães de estimação da ilha de Diego Garcia fossem mortos, como forma de intimidação dos residentes. Quase 1.000 cães foram exterminados. Além disso, quem deixasse a ilha era impedido de retornar. A população remanescente foi embarcada em navios - permitida apenas uma mala por pessoa - rumo às Ilhas Seychelles, onde foram inicialmente instalados em celas, numa prisão.

A dor do exílio provocou suicídios e a luta pela sobrevivência em situação de completa miserabilidade levou à morte muitas crianças e adultos.

Em 2000, os ilhéus obtiveram uma vitória histórica nos Tribunais Britânicos, que entenderam que a sua deportação foi ilegal. Contudo, em seguida o Ministério das Relações Exteriores anunciou que não seria possível o retorno a ilha de Diego Garcia em razão de um tratado com Washington.

Em junho de 2004 um decreto foi expedido banindo os ilhéus para sempre de voltarem para casa.

Em 2004, o jornalista britânico John Pilger escreveu e dirigiu um documentário chamado "Stealing a Nation", produzido e dirigido por Christopher Martin. O documentário trata da expulsão dos ilhéus de Chagos, os quais foram removidos a força pelo governo Britânico entre 1967 e 1973 para as ilhas Maurício, para que a ilha de Diego Garcia pudesse ser usada como base militar americana.

Referências

  1. Track of the Calcutta East Indiaman, over the Bassas de Chagas in the Indian Ocean
  2. John Purdy, Memoir, descriptive explanatory, accompany new chart Ethiopic or southern Atlantic Ocean, western coasts South-America, Cape Horn Panama, ISBN 1141625555
  3. “The Chagos Islands: A sordid tale” notícia de 3 de Novembro de 2000 da BBC (em inglês)
  4. site da “República Virtual de Chagos(em inglês)
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