Augusta Vitória de Schleswig-Holstein

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Augusta Vitória de Schleswig-Holstein
Imperatriz da Alemanha
Princesa de Schleswig-Holstein
Imperatriz da Alemanha
Reinado 15 de junho de 1888
a 9 de novembro de 1918
Predecessor Vitória, Princesa Real do Reino Unido
Sucessor Abolição da Monarquia
Cônjuge Guilherme II da Alemanha
Descendência
Guilherme, Príncipe-Herdeiro da Alemanha
Eitel Frederico da Prússia
Adalberto da Prússia
Augusto Guilherme da Prússia
Óscar da Prússia
Joaquim da Prússia
Vitória Luísa da Prússia
Nome completo
Augusta Vitória Frederica Luísa Feodora Jenny
Casa Hohenzollern
Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg
Pai Frederico VIII de Schleswig-Holstein
Mãe Adelaide de Hohenlohe-Langenburg
Nascimento 22 de outubro de 1858
Lubsko, Alemanha, (actual Polónia)
Morte 11 de abril de 1921 (62 anos)
Huis Doorn, Países Baixos
Enterro Abril de 1921
Templo Antigo de Potsdam, Alemanha
Religião Luterana

Augusta Vitória de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg (22 de outubro de 1858 - 11 de abril de 1921) foi a última imperatriz Alemanha e rainha da Prússia. O seu nome completo era Augusta Vitória Frederica Luísa Feodora Jenny.

Origens e infância[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

Augusta Vitória era a filha mais velha do duque Frederico VIII de Schleswig-Holstein e da princesa Adelaide de Hohenlohe-Langenburg. Os seus avós maternos eram o príncipe Ernesto I de Hohenlohe-Langenburg e a princesa Feodora de Leiningen, meia-irmã da rainha Vitória do Reino Unido.

O seu pai, o príncipe Frederico Holstein, era o filho mais velho do duque Cristiano Augusto II de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg, mas na verdade, não tinha territórios para governar. A família tinha perdido os direitos de sucessão em 1852, quando terminou a Primeira Guerra de Schleswig, da qual a dinastia saiu derrotada depois de tentar conquistar os ducados de Shleswig-Holstein. O conflito deixou a família na ruína e Cristiano Augusto viu-se forçado a vender os seus territórios ao rei da Dinamarca. Devido às suas acções durante a guerra e também pelo facto de ser casado com uma plebeia, Cristiano não era bem visto pela maioria das famílias reais europeias que, no geral, excluíam a família dos seus círculos.[1]

A família da sua mãe também tinha perdido os seus territórios durante as invasões napoleónicas, mas estava melhor posicionada. A princesa Adelaide era filha do duque Ernesto I de Hohenlohe-Langenburg e da princesa Feodora de Leiningen, meia-irmã da rainha Vitória do Reino Unido. Adelaide era considerada muito bonita quando era nova e apenas não se casou com o imperador Napoleão III de França devido às complicações políticas que tal união iria trazer no país da sua meia-irmã.[2]

Infância[editar | editar código-fonte]

Apesar de os seus parentes do lado materno serem membros proeminentes de várias dinastias europeias, Augusta Vitória nasceu num ambiente bastante humilde no Palácio de Dolzig, no centro da região de Brandemburgo que pertence actualmente à Polónia.[3]

A mãe de Augusta Vitória, a princesa Adelaide, tinha vinte-e-três anos de idade quando ela nasceu. Foi um parto muito difícil e, apenas sete dias depois do seu nascimento, morria o seu irmão mais velho, o príncipe Frederico, que tinha apenas quinze meses de idade, fazendo com que Augusta se tornasse filha única do casal durante alguns meses. Seguindo a tradição da época, a bebé foi baptizada pouco depois do nascimento, na capela de Dolzig. Recebeu os nomes de Augusta em honra da rainha da Prússia, Augusta de Saxe-Weimar, e da princesa Vitória do Reino Unido, amiga chegada dos seus pais e prima da mãe.[4]

Casamento[editar | editar código-fonte]

A 27 de fevereiro de 1881, Augusta casou-se com o então príncipe Guilherme da Prússia numa cerimónia de oito horas que exigiu a todos que se mantivessem de pé. Acompanhou-o para a Holanda após a Primeira Guerra Mundial onde acabaria por morrer poucos anos depois.

Vida em família[editar | editar código-fonte]

Augusta Vitória com a filha mais nova, Vitória Luísa.

Antes do seu casamento e, de facto, durante algum tempo depois dele, Augusta era olhada de lado por alguns membros da família de Guilherme. A irmã dele, a princesa Carlota, achava que Augusta não tinha posição suficiente para se casar com um príncipe-herdeiro, sendo apenas a filha de um duque com poderes questionáveis.

Augusta era conhecido por "Dona" na família. Tinha uma relação algo fria com a sua sogra Vitória, que tinha esperado que Dona a ajudasse a curar a zanga entre ela e o seu filho. Infelizmente tal não aconteceu. A imperatriz-viúva também ficou ressentida quando o título de chefe da Cruz Vermelha foi para Dona que não tinha experiência nem vocação para ser enfermeira. Contudo, nas suas memórias, a princesa Vitória Luísa da Prússia deu uma perspectiva diferente, afirmando que a sua mãe adorava trabalhar para a caridade.

Dona tinha prazer em criar pequenas brigas com a sua sogra, que aconteciam principalmente devido a incidentes mínimos como dizer-lhe que iria usar um vestido diferente daquele que ela tinha recomendado, que não iria cavalgar para recuperar a sua figura depois dos partos, uma vez que o seu marido não tinha intenções de parar por ali, ou informa-la de que a filha Vitória Luísa não tinha recebido o nome em honra dela. Contudo, nas suas memórias, Vitória Luísa disse acreditar que o seu nome vinha tanto da sua avó como da bisavó, a rainha Vitória.

Augusta e a sua sogra acabaram por se aproximar durante alguns anos depois de Guilherme se tornar imperador, uma vez que Dona se sentia muitas vezes sozinha quando o marido se ausentava nas suas funções de estado. Assim, Dona começou a virar-se para Vitória à procura de companheirismo e posição, apesar de nunca deixar os seus filhos sozinhos com a avó com medo que as visões liberais dela os afectassem. Mesmo assim as duas eram vistas a passear juntas de carruagem frequentemente. Dona estava também ao lado de Vitória quando ela morreu de cancro da mamã ou espiral em 1901.

Dona tinha também uma relação pouco cordial com algumas das irmãs do marido, especialmente com a princesa Sofia da Prússia. Em 1890, quando Sofia anunciou a sua intenção de deixar a sua fé protestante para se juntar à Igreja Ortodoxa Grega, Dona chamou-a e disse-lhe que se ela fizesse isso, não só Guilherme acharia inaceitável (sendo o chefe da Igreja Evangélica da Prússia e outras províncias), como ela seria impedida de entrar na Alemanha e a sua alma arderia no Inferno. Sofia respondeu que o problema era dela. Dona ficou histérica e o seu filho, o príncipe Joaquim da Prússia, acabou por nascer prematuramente, o que a levou a protege-lo demasiadamente ao longo da sua vida, uma vez que o achava delicado. Guilherme também partilhava da mesma opinião e fez questão de escrever à irmã que, se o bebé morresse, ela seria a assassina.

Em 1920, o choque do exílio e abdicação, combinados com o suicido de Joaquim por causa da abdicação e o fim do seu casamento, foram golpes demasiado duros para Dona. Morreu em Doorn, na Holanda em 1921. A República de Weimar permitiu que os seus restos mortais fossem transladados para a Alemanha. Augusta encontra-se enterrada no Templo Antigo perto do seu palácio em Potsdam.[5]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Do seu casamento com o kaiser Guilherme II da Alemanha nasceram os seguintes filhos:

  1. Guilherme da Alemanha (6 de maio de 1882 - 20 de julho de 1951), príncipe-herdeiro da Alemanha e da Prússia desde o nascimento até à implantação da República de Weimar; casado com a duquesa Cecília de Mecklemburgo-Schwerin; com descendência.
  2. Eitel Frederico da Prússia (7 de julho de 1883 - 8 de dezembro de 1942), casado com a duquesa Sofia Calota Holstein-Gottorp de Oldenburgo em 1906 de quem se divorciou em 1926; sem descendência.
  3. Adalberto da Prússia(14 de julho de 1884 - 22 de setembro de 1948), casado com a princesa Adelaide de Saxe-Meiningen; com descendência.
  4. Augusto Guilherme da Prússia(29 de janeiro de 1887 - 25 de maio de 1949), era membro das SA e um grande apoiante de Hitler; casou-se com a princesa Alexandra Vitória de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg; com descendência.
  5. Óscar da Prússia (27 de julho de 1888 - 27 de janeiro de 1958), casado com a condessa Ina-Maria von Bassewitz; com descendência;
  6. Joaquim da Prússia (17 de dezembro de 1890 - 18 de julho de 1920), considerado para o trono da Irlanda; casado com a princesa Maria-Augusta de Anhalt; com descendência.
  7. Vitória Luísa da Prússia (13 de setembro de 1892 - 11 de dezembro de 1980), casada com Ernesto Augusto de Brunsvique; com descendência.

Referências

  1. Justin C. Vovk, Imperial Requiem: Four Royal Women and the Fall of the Age of Empires, Kindle Edition, posição 453
  2. Justin C. Vovk, Imperial Requiem: Four Royal Women and the Fall of the Age of Empires, Kindle Edition, posição 477
  3. Justin C. Vovk, Imperial Requiem: Four Royal Women and the Fall of the Age of Empires, Kindle Edition, posição 435
  4. Justin C. Vovk, Imperial Requiem: Four Royal Women and the Fall of the Age of Empires, Kindle Edition, posição 443
  5. Augusta Vitória de Schleswig-Holstein (em inglês) no Find a Grave.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

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