Bayezid I

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Stanisław Chlebowski, Bayezid aprisionado por Tamerlão, 1878.

Bayezid I (1354? - 1403) foi o quarto líder, e sultão, do Império Otomano de junho de 1389 até 1402, filho de Murad I, neto de Orhan I e bisneto do fundador da dinastia, Osmã Gazi de Sogut. Também chamado de Bayaceto, Bajazed, Bajezid ou Bajazeto nas traduções ocidentais, foi apelidado pelos seus contemporâneos de Yildirim, ou "Trovão", em turco. Sua mãe foi uma mulher grega que adotou o nome de Gülçelçik Hatun após convertida ao Islão.

Ascensão[editar | editar código-fonte]

Bayezid ascendeu ao sultanato em 1389, após o assassinato do pai, Murad I, por um nobre sérvio no Kossovo. Uma das suas primeiras medidas é assassinar todos prisioneiros sérvios capturados na primeira batalha do Kosovo, como vingança pelo assassinato do pai, muito embora o próprio Bayezid tivesse mandado matar seu irmão Yakub, popular herói das campanhas balcânicas e um virtual postulante ao trono otomano.

Paz com a Sérvia[editar | editar código-fonte]

Apesar de sua falta de piedade com os prisioneiros de guerra sérvios, e da redução daquele país à condição de vassalo dos Otomanos, Bayezid consegue uma aliança de paz com o rei Lázaro da Sérvia, ao tomar em casamento sua filha Olivera Despina, e ao conceder aos sérvios uma autonomia considerável sob a governança de Stefan Lazarević, filho do rei Lázaro. É possível que os sérvios tenham preferido o protetorado otomano porque os Húngaros já faziam incursões em território da Sérvia, planejando conquistar o país e usar seu território como trincheira anti-Otomana.

Conquistas no sudoeste, norte e oeste da Anatólia[editar | editar código-fonte]

Durante seus últimos quinze anos, Murad I manteve uma guerra contra uma aliança de cinco beilhiques turcos do sudeste da Anatólia: Germyian (sul/sudoeste da antiga Frígia), Beilhique de Saruhan (norte e centro da antiga Lídia), Aydin (Sul da antiga Lídia e norte da antiga Cária), Mentese (antigas Cária e Lícia) e Hamidali (Pisídia e Panfília). Entre 1389 e 1390, Bayezid destroça esses estados e os anexa ao Império Otomano.

Voltando-se então para o norte da Anatólia, Bayezid conquista e anexa Kastamonu (1391), antigo estado aliado de Murad I que havia caído sob poder do Sultanato de Candaroğlu (correspondente aos territórios da Paflagônia e ao oeste do antigo Ponto). Em virtude desta vitória, outro estado vassalo de Candaroğlu, İsfendiyar (na costa do mar Negro), coloca-se sob vassalagem otomana.

Entre 1397 e 1399, Bayezid conquista os estados turcos de Eretna (sul do Ponto e norte da Capadócia, Kahraman (Isáuria), Elbistan e Malatya (ambos parte da antiga Capadócia, que todavia seriam perdidos para Tamerlão em 1402.

Cerco a Constantinopla, conquista parcial da Bulgária e derrota para os Romenos[editar | editar código-fonte]

Quando da ascensão de Bayezid ao trono, a Bulgária se resumia a um estreito polígono entre o mar Negro, a cordilheira do Haimos, as fronteiras com a Sérvia e o rio Danúbio; e a Romênia se dividia em dois reinos: o da Valáquia (entre os Cárpatos e o Danúbio) e o da Principado da Moldávia (dos Cárpatos ao Rio Bug do Sul).

Na tentativa de conquistar Constantinopla e desejando eliminar os dois estados cristãos ao norte, de onde poderiam partir expedições de socorro, Bayezid impõe um cerco à capital bizantina em 1391, e dois anos depois, invade a Bulgária, tomando a capital Tarnovo e a maior parte daquele país, restando livres apenas o Czarado de Vidin e o Despotado de Dobruja. Todavia, ao cruzar o Danúbio em 1394, é derrotado por Mircea I, comandante das forças romenas, na Batalha de Rovine. Mircea ocupa temporariamente a Dobruja até esta ser conquistada por Bayezid em 1396.

Vitória sobre Sigismundo I e avanço até a foz do Danúbio[editar | editar código-fonte]

Entusiasmado pela vitória romena em 1394, João VII Paleólogo de Constantinopla convoca o auxílio dos cruzados - ditos "latinos" pelos gregos - formados, então, por uma coalizão de alemães, húngaros e romenos liderados por Sigismundo I, imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Em 1396, as forças de Sigismundo cruzam o Danúbio em direção a Adrianopla (atual Edirne); mas, acabam derrotadas por Bayezid em Nicópolis da Bulgária. Bayezid, contra-atancando, conquista as províncias remanescentes da antiga Bulgária e dá ao Império Otomano a margem direita do Danúbio como sua fronteira natural de Vidin até o Karadeniz. João VII Paleólogo, vendo Constantinopla ilhada no meio de um agora vasto império inimigo, e prevendo a catástrofe iminente, chegou a fugir da cidade. Data aliás desta época o início do êxodo grego-bizantino em direção à Itália ou à Moscóvia. Os emigrantes bizantinos na Itália teriam grande influência nas origens do Renascimento cultural do fim da Idade Média.

Deus ex Machina[editar | editar código-fonte]

Tudo indicava que pouco faltava para que Bayezid conquistasse Constantinopla e procedesse seu avanço em direção ao coração da Europa. Todavia, em 1401 levanta-se na Ásia um novo império mongólico, liderado por Timur-I-Leng, conhecido na literatura ocidental como Tamerlão. Este já havia conquistado boa parte da Ásia Central, todo o Irã e o Cáucaso, e invadira o leste da Anatólia, alcançando os Otomanos pela retaguarda. Bayezid é obrigado a abandonar o assédio a Constantinopla e voltar todas as suas forças para a defesa da Anatólia. Em 20 de julho de 1402, Bayezid é derrotado e capturado pelos Mongóis na Batalha de Ancara. Morre no cativeiro em 1403, deixando um vazio no trono. Teve início uma fase de caos, que durou onze anos e quase resultou na divisão do império em três estados distintos (Trácia e Bulgária ao norte, Zona do Egeu ao sudoeste, e Anatólia ao leste).

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Murad I
Sultão Otomano
1389–1402
Sucedido por
Mehmed I