Crise da dívida externa latino-americana

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A sucessão de problemas econômicos que atingiu a América Latina após a declaração de moratória da dívida externa pelo governo do México em 1982 ficou conhecida como a crise da dívida externa.

A moratória do México[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1970, o crédito barato e abundante estimulou o endividamento dos países latino-americanos. Esse dinheiro permitiu que fossem realizados grandes investimentos sem que as importações aumentassem pouco. Esse cenário possibilitou que os países tivessem grandes taxas de crescimento econômico. No Brasil esse período é conhecido como "milagre brasileiro".

Apesar do grande crescimento econômico experimentado pelo México no final da década de 1970, a sua economia ainda era invuneravel e altamente dependente da economia estadunidense. Grande parte do comércio e financiamento eram realizados com o vizinho do norte.

Os problemas surgiram quando o governo estadunidense foi obrigado a aumentar substancialmente as suas taxas de juros, devido as crises do petróleo que haviam levado a inflação a níveis insuportáveis, provocando a primeira recessão do pós-guerra. A retração estadunidense provocou uma diminuição das compras de produtos mexicanos e na oferta de financiamento, juntou-se a isso a queda no preço das principais commodities exportadas pelo México. Este processo culminou com a interrupção dos pagamentos da dívida por parte do México no mês de setembro de 1982.

O contágio da crise[editar | editar código-fonte]

A maioria dos países da América Latina foi afetada pela crise devido ao alto endividamento das suas economias. A dificuldade de acesso a financiamento externo decorrente da moratória mexicana provocou graves crises de liquidez nesses países. Essa época ficou conhecida como "a década perdida".

O Brasil[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1970 o Brasil aproveitou a abundância de crédito para realizar um grande plano de investimento. A crença na continuidade das condições favoráveis e no aumento dos fluxos de comércio internacional deixou o país vulnerável. A elevação do serviço da dívida em decorrência do aumento da taxa de juros e a dificuldade na obtenção de divisas devido a diminuição das exportações levou a uma séria crise de liquidez.

Em fevereiro de 1983 o Brasil assinou com o FMI um acordo que obrigava o país a seguir uma série de determinações como a liberalização da economia e controle do déficit público. Foram assinados acordos com os bancos credores que permitiam a rolagem da dívida e concessão de novos empréstimos.

A solução[editar | editar código-fonte]

A primeira tentativa de solucionar definitivamente o problema da dívida surgiu em 1985 e ficou conhecida como "plano Baker". O plano não foi suficiente para equacionar a dívida dos países e foi sucedido por outro plano, o plano Brady (anunciado em 1989). Muitos acreditam que o plano Brady resolveu o problema da dívida, ou tornou a situação gerenciável, apesar do alto endividamento da maioria dos países latino-americanos.

Ver também[editar | editar código-fonte]